PVD VISHOUS

E pra me conter, permiti que o cansaço me vencesse, mais não só a mim, Damon também foi.

E dormimos juntos...

[...]

De repente acordei. No começo estava um pouco confuso de onde eu estava. Mas quando aquele cheiro entrou no meu nariz. Eu lembrei...
Abri os olhos pra ver se era verdade.

Olhei pro meu lado e ele estava ali.

Cercado pela pequena escuridão do quarto. Mais nada que me impedisse de enxergar o seu rosto. Ele se encontrava sereno, com alguns fios caindo pela sua testa.

Lindo, perfeitamente lindo.

Suspiro sentindo um peso em minhas coxas... E eu sei muito bem o que é. Respiro fundo tentando me controlar. Naquele momento, passou uma ideia por minha cabeça.

Eu ainda não tirei a vontade de entrar em sua mente. Não mesmo. E depois do ocorrido na primeira vez que nos víamos, eu nunca mais tentei. Mais com ele ali.

No mundo dos sonhos...

Acho que poderia ser uma boa oportunidade, não?

E fora que quero saber como era o homem que o criou. Quero saber de suas magoas e por ele ser tão fechado. Pois tudo o que ele falou, me contou foi porque não tinha outra forma. Se não fosse por isso eu duvido muito que ele teria falado algo sobre a sua vida. E nem se fala quando ele estava com aquele olhar fixo na tatuagem, um olhar que mostrava que ele estava mergulhado em uma lembrança, no passado e que infelizmente não parecia ser coisa boa.

Suspiro fundo o olhando. Naquele momento percebi... Ele não respira. Seu peito não sobe e desce. Céus ... morto ?!

Sem conseguir controlar e também pra checar se ele esta dormindo. Tiro um fio de cabelo que estava caindo sobre o seu olho. E pra meu susto quando brevemente meu dedo encostou em sua testa... sua pele era fria. Quase um gelado.

Fiquei em choque . E o olhando vi que ele não se mexeu. E pude sentir a maciez da sua pele. Lisa, branca e macia. Sorrio.

Por impulso os meus olhos já estavam fitando os seus lábios avermelhados claros, carnudos, não muito, no ponto certo. E me deu uma vontade de os provar. De saber como é o seu gosto.

Quando eu quis ver eu já estava com meus lábios a pouquíssimos milímetros de distancia dos seus. Criando coragem e indo devagar, pois não quero acordar.

Eu depositei um selinho.

Rapidamente afastei. Queria o beijar, queria ver se ele retribuía. Mais sei que esse não é o melhor momento pra isso.

Seus lábios, meu deus, tão macios e frios... Sorrio sozinho pra escuridão. E vendo que ele não acordou, eu faço o que eu tanto queria.

Fecho os olhos e me concentro pra entrar em sua mente. Claro que tinha uma barreira. Ele não é nada bobo. Mais como ele estava inconsciente, ele não percebeu a minha invasão e eu pude digamos assim passar pela barreira.

E pra minha alegria eu estava em sua mente.

Eu comecei indo pras lembranças de sua infância...

“-Damon, filho... vem aqui. –uma doce mulher, simplesmente linda o chamava.

Rapidamente um garotinho pequeno de cabelos pretos e olhos azuis aproximou da mãe.

Era lindo e tão fofo. Que era incrível não o olhar.

—Sim mamãe. –ele diz rindo pra mulher.

—Quero te contar uma novidade, meu amor.

—Novidade? –ele perguntou pulando de curiosidade.

—Sim. –ela sorriu. –Calma. –ela riu do filho o pegando e colocando sentado ao seu lado.

Mais mesmo sentado ele ainda era elétrico. Balançava as pernas pra lá e pra cá.

—Filho, eu estou esperando um bebê.

—Ahhh. –ele gritou feliz. –vou ter um irmãozinho?

—Sim. Gosta da novidade?

—Sim, é claro. –ele diz e por impulso coloca a mão na barrigada da mãe, que a fez sorrir e o olhar emocionada.

Só que de repente esta felicidade acabou. Logo um homem apareceu abrindo a porta com força e olhando com puro ódio pro garoto.

—Saia. –sua voz saiu com autoridade e fúria.

—Giuseppe. –a mulher o repreendeu gentilmente.

Damon se encontrava assustado enquanto olhava do homem e pra mulher.

—Sim papai. –ele disse sumindo.”

Esse então e o famoso Giuseppe que cuidou dele. Que levou o amor de Wrath juntamente com seu filho.

E não sei por que, eu sinto que a vida de Damon foi um inferno pro causa desse homem. Suspiro desejando que meus sentimentos estejam errado e avanço nas lembranças dele.

“Lilian , a mãe dele gritava de dor, enquanto segurava a enorme barriga.

O pequeno garroto estava ali assustado com medo pela mãe. Não gostava de seus gritos de dores e nem o desespero das empregadas.

—Mamãe... –ele gritou chorando com medo.

—Tudo bem, meu amor... Vai ficar tudo bem. –ela disse tentando acalmar o filho, e logo depois nada mais disse apenas gritava, sendo amparada pelas empregadas que iam a ajudar.

Pois estava em trabalho de parto com bastante complicações.

—Mamãe. –o garoto correu pra cama e uma das mulheres o segurou.

—Tire-o daqui. –alguém diz.

—Não. Não. Eu quero ficar com ela. –ele disse desesperado sendo arrastado.

—Eu te amo meu menino. –sua mãe disse a ele, enquanto era levado pra fora do quarto, e assim sem demorar já estava trancado em seu quarto, assustado e com muito medo.

Pois ele só ouvia gritos e mais gritos vindos de sua mãe. E quando parou, pode ouvir o choro de bebe; mais sabia que algo de errado tinha ocorrido.”

Suspiro, invadindo outras lembranças...

“Damon estava sentado sozinho no banquinho em frente ao enorme piano negro. Ele chorava desesperadamente sobre as teclas.

Depois de algum tempo ali, ele começou a tocar. E era incrível. Apesar de sua pouca idade, tocava brilhantemente, enquanto chorava.

Sua mãe morreu no parto. E foi ela quem o ensinou a tocar. Ele tocava uma musica triste, mostrando o seu estado de espírito. Ele estava realmente quebrado.

De repente Giuseppe entrou cambaleando. Completamente bêbado.

Na mesma hora Damon parou de tocar o olhou com medo.

—Maldito moleque. Eu já não mandei você parar de tocar essa merda? –ele gritou aproximando e rapidamente dano um soco perfeito na cara do pequeno menino que o derrubou longe do banco onde estava sentado.

O menino estava esticado no chão, e com muito esforço conseguiu ficar de joelhos, mais seu rosto, seu lindo rosto, estava machucado. Um grande corte nos lábios e o sangue escorrendo por seu queixo e pingando no chão. Sua bochecha estava muito vermelho transformando em roxo.

—Eu só estava tocando, papai. -ele diz olhando pro chão.

—Mas eu não quero que você o toque. –o homem diz com raiva o pegando pelos finos braços e o chocalhando. –Essa maldita coisa me lembra a sua mãe. E você faz questão de me torturar não é? –ele gritou.

—Não. Eu só queria tocar um pouco. –ele diz desesperado.

—Mentiroso. –ele gritou arrastando o menino pela sala e logo pela escada, pelos cabelos.

—Senhor Giuseppe. Perdoe o menino, ele não fez por mal. –uma senhora apareceu rodeado por outros empregados que fitavam a cena desesperados.

—Não se metam. –ele diz mostrando quem manda ali e continuando o arrastar.

Quando chegou no quarto o empurrou tão violentamente que acabou batendo no guarda-roupa com tanta força que foi ao chão.

—Papai. Eu juro eu não fiz por mal.

—Cale a boca. Eu não sou seu pai. Aliais eu te aturei esses anos todos por sua mãe.

O garoto agora chorava por tudo, pela morte de sua mãe, por seu pai o maltratar e por agredi-lo.

—Por que o senhor me odeia tanto? –o garoto criou coragem ficando de pé o encarando com fúria.

—Porque você nasceu. –ele gritou dando um tapa violento em seu rosto o derrubando na cama.

—Não ouse me enfrentar. –ele gritou lhe batendo mais e só depois caminhou pra porta. –Pra aprender... ficara aqui trancado. Sem comer e beber. Por quantos dias eu quiser... –ele gritou batendo a porta e trancando...”

Com isso sai da sua mente, fitando o teto, e senti algo molhando o meu rosto. E quando levei minha mão em minha bochecha, eu percebi ser lágrimas. Eu estava chorando. Chorando por ele.

Meu Deus. Ele era só um menino. Trago as mãos pro meu rosto e sem conseguir controlar choro, pelas coisas que vi. Pelo sofrimento que senti , por tudo.

Depois de algum tempo olhei pro homem que aquele menino se transformou e senti tristeza. Damon sofreu desde criança, foi rejeitado e se via só. Não é atoa que ele seja tão marrento, rebelde.

Wrath que se cuide. Pois Damon não vai reagir bem, com toda essa historia. Aliais quem reagiria bem sabendo que o homem que te criou, que te rejeitou e te torturou tanto psicologicamente como fisicamente, não é ao seu pai? Com certeza ele sentira raiva. Muita raiva. Principalmente por saber que tudo isso poderia ter sido evitado, se Wrath o tivesse o achado.. Nada disso teria acontecido.

Suspiro.

Queria ver mais sobre as suas lembranças. Mais eu não tinha mais forças pra o ver sofrendo e principalmente apanhando. Olho pro relógio e vejo ser 17h.

Levanto sem fazer barulho, pra não acordá-lo. Vou no banheiro e levo meu rosto, me fitando no espelho.

Quem iria imaginar que esse Damon todo dono de si e marrento foi um menino frágil, maltratado. Talvez ele ainda seja. E toda essa raiva, solidão, e “não me importo”, apenas seja uma mascara pra se proteger de um mundo cruel. Enxugo meu rosto.

Eu irei cuidar dele, irei o proteger. Nunca mais deixarei ninguém o magoar... Ninguém. Nunca mais...

Quando volto pro quarto ele ainda esta dormindo.

Quantos dias será que ele não dorme direito?

Pego a minha jaqueta e saio do quarto descendo a escada e vou pra cozinha. Ali abro a geladeira, vendo poucas coisas de comer e quase cheio de bebidas alcoólicas.

—Que merda é essa ? -digo quase berrando.

Ele esta querendo se matar? Só pode. Não tem quase nada de comer, mais bebida, tem de fartura. Suspiro abrindo o armário e vendo o café. E assim logo eu estava fazendo...

Em algum momento eu escutei um toque baixinho. E segui esse toque e vinha da jaqueta dele, no sofá, peguei vendo o seu celular, e ali pude ver escrito: Stefan. Tinha foto.

Quem é Stefan? Pergunto mentalmente lembrando que era com essa pessoa que ele conversava na madrugada saindo da boate.

Sentindo a raiva me tomar, respiro fundo colocando de volta o celular na jaqueta, e o cara ligou mais umas três vezes e depois desistiu.

Ainda bem. Se não... Se me desse uma loucura eu atendia essa merda.

Logo voltei pra cozinha pegando um suporte pra levar café da manhã pra cama. E coloquei a pequena garrafa de café, dois copos, um copo de água com um remédio pra dor de cabeça. Fruta, e pão.

E levei pro quarto. Quando cheguei ali fui recebido por seus olhos atentos e cansados. Ele acabava de acordar.

—Boa tarde, dorminhoco. –digo dando um sorriso.

—Hei... –ele diz dano um sorriso de lado e logo levando a mão pelo rosto, logo passando pelo cabelo.

—Dor de cabeça? –pergunto.

—Unhum.

—Sorrio colocando o suporte de madeira na cama. –Aqui. –digo pegando o copo de água com o remédio e estendendo pra ele.

No momento em que ele pegou o remédio da minha mão, sua pele estava fria. Completamente fria. Assustei-me um pouco.

Logo sentei ali.

—Espero que você goste. -digo orgulhoso de mim mesmo.

Ele olhou pro o que eu preparei.

—Obrigado. –ele diz indo no café.

Eu fiquei o olhando tomar somente o café.

—Você não vai comer? -pergunto preocupado.

—Não. -ele diz seco.

—Como não ? – já pergunto extremamente nervoso.

—Olha Vishous... eu não preciso de alimento pra sobreviver. –sua voz soava baixa quase audível.

—O que ?! –digo.

—Isso que você ouviu... Eu não preciso de alimento pra sobreviver. Preciso só de sangue .

—Mas... –começo furioso e boiando sobre tudo isso.

Não quero que ele passe fome.

—Nos vampiros da minha raça, não comemos comida. Quando comemos e só pra disfarçar pra humanos não perceberem o realmente somos. Coma... -ele diz mandão me passando o suporte.

E ali quando nossos dedos se tocaram eu senti sua pele estava morna. E não gelada como antes...

Deus ... Como assim ?

—Suspiro. –Entendo. –digo começando a comer.

—Obrigado.

—Não precisa agradecer...

Eu me sinto honrado por alimentá-lo. Aliais só pelo café né. Mas mesmo assim sinto honrado dele ter bebido algo que eu mesmo fiz.

Ele ficou ali me olhando em silencio. E eu olhando pra ele, me veio aquele menino frágil.

Droga...

Tentando não pensar nisso, afastei essas imagens...

— — -

Nesse momento estamos prontos pra ir pro ZeroSum, pra pegar mais balas. Vai saber. Nunca se sabe. Eu já mandei mensagem pro Wrath que logo eu estarei na mansão com seu filho. E ele esta uma pilha. Também não é pra menos.

Fomos no carro de Damon e logo já estávamos na boate. Quando entrei todos irmãos estavam ali na sessão vip me olharam e quando viram o garoto do meu lado, suspiraram aliviados.

—Vem. –digo pra ele.

—Eu vou pegar uma bebida. –ele diz não querendo subir.

O encaro.

—Tudo bem? –pergunto.

—Sim. –ele diz fingindo, sumindo.

Ele esta nervoso, dava pra ver perceber... Logo eu já estava lá em cima, e meus irmãos me olhando sem entender.

—Hei. –digo.

—Por que ele não veio? –todos perguntam.

—Dou de ombros. –isso é difícil pra ele.

—Verdade. –Tohr concorda, lembrando de como foi encontrar o Jonh.

Ate ele acostumar. Saber e entender o seu parentesco.

—Maldição o garoto parece com o Wrath. –Zsadist diz.

—Verdade. –todos concordam.

—Sorrio. –Alguém trouxe a munição pra mim?

—Aqui. –Rhage que estava do meu lado, pegou no bolso me dando.

A todo momento acompanhei Damon com o olhar e naquele instante. Eu vi ele pegar o celular; alguém ligava pra ele ou era mensagem e ele caminhou pro banheiro, com as mulheres se oferecendo pra ele.

Morri de raiva, somente com isso, mais me controlei.

—Eu já vou levá-lo. -digo ansioso pra ir atrás dele.

—Vamos com você. -todos falaram.

—Não. Acho melhor vocês ficarem. Eles precisam de um momento sozinhos e não com a casa cheio de irmãos pra ouvir eles conversando.

—Conversando ou brigando? -Phury perguntou.

—Tudo é possível. –digo levantando e logo eu já estava indo pro banheiro.

Quando entrei pude ouvir ele conversando com alguém no celular.

—Pare. Eu estou bem tá legal ? Eu só estava numa boate divertindo.

Silêncio.

—Não. Eu não voltar já te falei isso. Isso tá bem claro.

Silencio.

—Não me importa se já passou cinco anos... Eu não quero voltar pra ai. Essa maldita cidade não me serviu de nada. Eu estou bem como estou vivendo. –ele rebateu mais bravo ainda.

Silêncio.

—Por que você não me deixa em paz Stefan? O que fiz foi a melhor escolha, tanto pra mim, como pra você, quanto pra Elena. E estou bem assim. Agora adeus. –ele diz desligando. –Sabia que é feio ouvir as conversa dos outros? –sua voz soou e ele olhou pra onde eu estava.

—Desculpe. –sorrio. –Quer dizer... Com você gritando assim também. Não tinha como eu não ouvir.

—É pode ser. –ele concorda irritado dando de ombros.

—Quer falar sobre isso? -pergunto já sabendo a resposta.

—Não. –ele diz guardando celular.

—Ok. –respiro fundo. –Vamos?

Ele fica um tempo se olhando no espelho ate que me olha e simplesmente balança a cabeça concordando.

E sem demorar já estávamos em seu carro, eu dirigindo , o levando pra sua casa.

Pra onde ele devia ter vivido. O levando pra verdade, pro seu passado, pro seu presente e futuro...