PDV VISHOUS

Sem saber o porquê e pra onde ir, eu comecei andar seguindo pelas ruas, sem rumo, completamente desnorteado, transtornado ...

[...]

Segui por um bom tempo pelas ruas. Horas e horas passando. Nenhuma ligação dos irmãos nada, simplesmente nada. Definitivamente ele não vai boate hoje. Não, mesmo.

Meus pensamentos foram cortados pelo meu celular que tocou dentro da minha calça de couro.
Atendi vendo ser Rhage.

—Hei. –digo ansioso.

Quem sabe havia alguma notícia...

—V, já vamos embora. Ordem do Wrath. O garoto não apareceu e... Daqui a pouco vai amanhecer... -sua voz era preocupada. -Então já vamos.

—Ok. -digo desanimado quase não acreditando que já estava perto do amanhecer.

Nem tinha percebido que já se passará tantas horas assim.

—Você está bem? -ele perguntou preocupado percebendo meu desânimo.

—Unhum. -digo sem emoção.

Nem mesmo eu acreditava naquilo quem dirá Rhage.

—Como você mente. Não demora pra chegar, ok? Wrath já está uma pilha de nervos.

—Está bem. -digo desligando.

Olhei no relógio, pra poder confirmar e puder ver que já era mais de 5h da manhã.

E foi ali que eu percebi onde o meu “caminhar” me trouxe. Pro norte da cidade, perto da boate Iron Maiden.
Suspirei olhando pro céu ainda escuro.

Droga... Onde ele se meteu?


E sem esperar um vento bateu contra meu rosto. Senti um pouco de frio, mais o que me assustou não foi o frio e sim a voz que invadiu meu ouvido.
Não era qualquer voz... Eu reconheceria aquela voz rouca em qualquer lugar .
Ele está por perto. Sim, muito, muito perto.

Meu coração acelerou e comecei a seguir aquela voz que me levou pra porta dos fundos daquela boate, foi quando virei e o vi nas sombras andando, meio cambaleando, oh tonto, sim estava tonto. Enquanto falava no celular.

Sua voz rouca e grave dizendo :

— Ok Stefan, já chega. Eu bebi sim mas estou bem. Já estou indo embora. AFF para tu parece um velho chato – enquanto caminhava pro meu rumo.

A pessoa na ligação, parecia muito alterada, nervoso, preocupado.

—Ta bom, Stefan. Tá, tá, tá já entendi . Já estou indo pra casa, papai. Tchau, tchau. -ele disse provando, zoando enquanto se despedia.

Ele me olhou e ia passar por mim como se não me "conhece-se”.
Mais o segurei.

—Ele me olhou sério, com certeza não gostando disso. -Acho melhor você me soltar. -ele disse calmamente mais com tom de ameaça presente ali.

Enquanto ele estava guardando o celular.

—Você está bêbado. -digo.

—Ele sorri de lado. -talvez um pouco.

—Um pouco? -repito. -por que você não foi no ZeroSum?

Ok, aquilo soou estranho. Estranho até demais.

Me amaldiçoei por isso.

—Ele me olhou sem entender. Mas aí mesmo tempo com um olhar petulante. -Sentiu minha falta? -ele perguntou me encarando, rindo, simplesmente debochando.

Insolente. Esse garoto é abusado de mais.

Ohh sim. Senti muita... Bufei com esse pensamento .

—Achei que podia ter acontecido algo... -digo ignorando a pergunta e olhando em seus olhos.

Naquele instante pode ver ele baixar a guarda.

—Por que se preocupa comigo? -perguntou me encarando. –Você simplesmente não me conhece...

—Suspiro. -Ahh tantas coisas que sentimos e não sabemos explicar.

Ele suspirou e olhando pro chão. Percebendo que ele não ia sair correndo, o soltei. Ele me olhou, e seus olhos eram tristes. Não sei porque, apenas senti.

—Eu não estou “bêbado”. -ele diz rindo. -Pra ficar bêbado mesmo, eu precisaria de muito mais.

—É eu estou percebendo. -sorrio. -Mas você não respondeu a minha pergunta?!

—Ele cruzou o braço me encarando descaradamente. -Sei que você tentou entrar em minha mente. Sei que você fica me olhando. -bufa. -E não gosto disso. -disse ríspido.

Com aquilo engoli em seco.

Suspiro olhando pro chão. Nunca ninguém consegue me deixar assim, sem reação, sem resposta...

Mas ele? Eu simplesmente não consigo ter barreira alguma.

Silêncio...

—Eu sei o que você é. -ele solta rindo, me trazendo pra realidade.

—Sabe? -pergunto.

—Ele sorri. -Sei.

E quando eu ia perguntar a sua conclusão, eu senti um cheiro familiar e muito nojento.
Não, porraaaaa.
Eu preciso tirá-lo daqui. Mais quando peguei na sua mão, puxando pra correr (claro o assustando) com isso, demos dois passos e logo demos de cara com três lessers.


Droga.


Encaramos aqueles homens. E sem nada dizer eles tiraram as armas e começaram a atirar. Acabamos nos soltamos e abrigamos atrás das grandes latas de lixo que tem ali.

—Mas que porra é essa? -ele perguntou furioso me olhando.

Nada respondi apenas peguei minhas armas e comecei atirar. Quando acertei dois deles, as balas acabaram e fui recarregar. Mas quando eu quis ver o terceiro deles já estava perto de mim, e sem esperar vi Damon aproximar...

Oh nãooo.

É claro que o lesser percebendo, virou pra ele e eu fui pra carregar o mais rápido, se não Damon seria atingindo.

Mas quando apontou pra ele pronto pra atirar, Damon se moveu tão rápido que eu quase nem pude acompanhar...

E ele já estava atrás dele, dando um mata leão perfeito, rapidamente quebrando seu pescoço direitinho .

O deixando cair imóvel no chão. Caminhei até ele pra ver se ele estava bem, acabando de me esquecer que os dois que acertei que ainda não estavam “mortos”, ainda...

De repente ouvi um disparo e uma dor ardida no braço e sem conseguir acreditar ele já estava tirando a arma dele com um chute e pegando a arma no ar e o atirando a queima roupa.

E no outro pisando em seu pescoço com extrema força.

Assustei-me não vendo piedade ou arrependimento, apenas frieza em seus lindos olhos. Não sei porque mais senti que ele já matara muitas pessoas.

Tão frio...

—O que vamos fazer com esses caras? -sua voz me tirou dos pensamentos.

—Eu sei o que fazer. -digo tirando a adaga e matando o que estava perto de mim e logo os que estavam perto dele, os transformando em pó’s.

Seus olhos acompanhavam a tudo com curiosidade e um pouco receosos é claro.

—Ele te acertou. -ele diz vendo o sangue escorrendo pela jaqueta.

—Estou bem. –digo.

—O que eles são? -perguntou analisando tudo, me exigindo uma explicação pra toda aquela merda.

—Temos muito o que conversar. -comecei calmamente.

—Ele me encarou sem entender. -Temos?

—Temos. -digo olhando pro relógio e já vendo ser 5h30min.

Droga logo o sol nascerá.

Mas o olhando, eu percebo que ele não irá me acompanhar... E não quero o deixar sozinho. Ainda mais que os lessers o viram.

Vai saber, prefiro não arriscar.

Ele suspirou irritado.

-Minha casa é aqui perto. Têm alguns remédios e curativos... E... E também agora quero saber o que temos que conversar... -diz seco, dando de ombros.

Aquilo não era um convite. E sim uma ordem.

—Suspiro. -Obrigado. -digo.

Ele mexeu com a cabeça e logo o sigo e vejo o seu carro no estacionamento.

Um lindo carro por sinal. E rapidamente já estávamos seguindo pelas ruas rapidamente. Ele simplesmente correndo, em alta velocidade...

Até iria o repreender... Mas naquela situação onde eu me encontrava, era melhor eu ficar calado.

Sem demorar muito ele chegou em frente a uma casa e logo entrou na garagem. Realmente era perto como ele havia falado.

Saímos do carro e prontamente já estávamos lá dentro.

Avistei uma casa confortável, bonita e até bem extravagante pra ser sincero.

Damon que estava de costas pra mim tirou a jaqueta e eu o olhei, analisando cada gesto, cada pele que ficou exposta. Seus músculos...

Sua pele branca pálida. Parecia ser tão macias.. E com tais pensamentos eu comecei a ficar quente e com desejo.

Ohh como queria o tocar e ser tocado...


E sem esperar senti uma dor horrível, ardida. Como queimadura...
Percebendo quem era o causador disso.


Gritei de dor e procurei me esconder como um menino assustado, atrás do sofá. Mas também o levei junto comigo.

A ardência ainda estava ali, mas sem mais queimaduras. Sem esperar ouvi uma risada irônica e petulante...

E percebi que vinha dele.

O que ele está rindo?

Quando o olhei tentando me acalmar pude ver que ele não tinha nenhum machucado. Como?

—Você não tem queimaduras. -digo vendo uma em minha mão e ele normal, todo bonito.

—Não. Não tenho. -ele diz normalmente ainda com o sorrisinho cínico nos lábios e levantando.

Mas o segurei não querendo o deixar ir.

—Tudo bem. Eu não queimo. –disse.

—Por que não? –pergunto receoso.

—Longa história. -diz tentando se soltar. -Me solta. Se não eu não vou poder fechar a maldita cortina e tu vai continuar aqui feito um cachorro medroso.

Suspiro o soltando. Sinto um jeito ruim. Já esperando por ouvir gritos de dor.

Ohh eu teria coragem de enfrentar o sol pra protegê-lo. Sim, eu teria.
Logo pude ver o sol e a luminosidade sumindo.
Levantei vendo o local escuro mais não muito pelo fato do sol ainda tentava entrar pela cortina.

—Vou arrumar a cortina do quarto. Já volto. -disse sumindo pela escada.

Meu telefone começou a tocar sem parar e vejo ser Wrath. Droga. Eu não avisei pra ninguém que eu não voltaria. Suspirei fundo e atendi...

—Meu senhor. –digo calmamente.

—Onde você está? Já amanheceu... -sua voz saiu fria e brava.

—Wrath eu...

—Você o que ? Onde você esta? -ele perguntou gritando.

—Dá pra acalmar? -peço ansioso.

—ele suspirou buscando controle. -Desculpe. Mas eu estou nervoso. Ele não apareceu... Meu filho. Tantas coisas, tantos medos. –sua voz morreu.

—Calma. Escute. Eu estava andando... Eu o encontrei. –digo feliz por com certeza isso o faria se bem, mais acalmo

—O que? Meu filho?

—Sim. Estou na casa dele. –digo.

—Ahhh... Ele está bem? Por que não foi no ZeroSum? Você já falou alguma coisa? -ele me encheu de pergunta.

—Sim, ele está bem. Ele estava em outra boate. Não... Ainda não falei nada. Vou conversar com ele.

—Ainda bem. Já estava quase tendo uma ataque aqui. –ele sorriu. -Qualquer coisa me ligue entao.

—Está bem. Pode deixar, meu senhor.

Desliguei o celular. E não demorou pra Damon aparecer. Mais ele estava mudado, diferente.

Sério, rígido, frio...

Chamou-me pra cima e o acompanhei. Quando cheguei olhei analisando o quarto, lindo e me senti tonto com seu cheiro impregnado alii.

Tão delicioso.

Mas afastando esses pensamentos, suspirei me virando.

E quando meu olhar se encontrou com o seu eu fui surpreendido.

Ele estava com uma arma apontada pra mim.

—Quem é você? O que quer comigo? Quem é Wrath? E por que ele disse que sou seu filho! -sua voz saiu rouca e potente, mostrando que não hesitaria nem um segundo se quer em atirar...