PDV DAMON.
E durante o caminho eu não dizia nada, apenas o fitava desacordado e rezando pra que ele resistisse. Pois se não, eu nunca me perdoaria. Nunca!!
Oh céus, Vishous.
O que foi que eu fiz?

Não me deixe !!!
Perdoe-me por ser tão idiota...
Perdoe-me!!!
(...)


Sem demorar muito estávamos parando em frente a uma mansão enorme, toda branca. Butch falou no interfone com uma moça. E o portão foi liberado. Entramos seguindo ate que paramos em frente a grande porta, no gramado. Logo enfermeiros saíram com a maca e já vieram correndo. Os ajudamos a colocar Vishous na maca e assim saíram disparados pra dentro. Os seguimos e tivemos que esperar na recepção.
Sentei desesperado, rezando para que ele fique bem. Porque eu sabia seu caso com era totalmente grave, de risco.

Butch aproximou e ficou na minha frente me encarando. O olhei e avistei certa raiva em seus olhos. Não entendi no começo, ate que tudo ficou claro.


—O que você fez Damon? -ele perguntou com certa rispidez.


—eu... -gaguejei.


—Sim você! Vocês estavam juntos no apartamento e ele não teria o porque de sair sozinho, sem ter acontecido algo... o que você fez?


—Tivemos uma pequena discussão... -começo sendo sincero.


—Aposto que tem a ver sobre vocês. -ele rebate.

Ali foi como se eu entrasse por segundos em choque.

Fiquei paralisado com aquela afirmação.

Como ele sabia sobre nos, sobre tudo?


—como você sabe? -pergunto chocado, voltando a realidade segundos depois.


—V é meu melhor amigo. Como não posso saber sobre seus sentimentos? -ele pergunta. -E você aposto que não o retribuiu. o que fez perder a cabeça e entrar numa briga sozinho com lessers. -ele simplesmente grita .


—Eu sinto muito. -digo sentindo a culpa me tomar novamente.


—Você sente? Acho que é tarde pra isso... -ele diz com frieza.


Como ele se intromete assim? E ainda vem me dar sermão?


—quem é você pra me acusar de algo? Você não é ninguém. Você não sabe de nada. Então não se meta no que não é chamado.


—Eu sou sim. Não vou permitir que você faça V sofrer. Não permitirei isso. Pode ter certeza disso.


—Quer saber vai cuida da sua vida. -digo levantando.
e nem dei dois passos direito ele já me parou, segurando meu braço.


—Não vem agindo feito um garoto rebelde e marrento comigo não. Não tenho medo de você só por ser forte. Pouco me importo por você ser o príncipe da raça. Você não vai magoar o V nunca. Nunca, entendeu? Já chega o que a vida o fez passar. Agora vem você se achando o dono de si, e vem o enfernizar?


—Pouco me importo com o que você pensa... E como disse você não sabe de nada. Isso, é assunto meu e do Vishous. -digo pela raiva que me tomava.


Cara abusado. Como ousa me dizer tais coisa?

e no final ele tem razão... Quem sou eu pra o fazer infeliz?
Eu só sirvo pra infernizar e magoar as pessoas em minha volta. Que merda de filho da puta eu sou.


—V não merece. -ele diz suspirando. -então se for pra ficar, que fiquei o fazendo feliz . -ele sussurrou balançando a cabeça.

Ali o analisando pude reparar e ver a tristeza , medo e desespero em seu olhar.


—Eu não quiz isso. -digo vencido pela dor. -Não pude imaginar que tal coisa aconteceria. Ele simplesmente saiu quando eu estava no banho, então eu não vi. Se não teria impedido. -digo com firmeza, tentando me acalmar.


—então pare de agir como uma criança confusa e perdida... E tome sua decisão de uma vez. antes que seja tarde de mais... Depois não adianta choramingar.

—Entendi seu recado. -digo suspirando profundamente.


Sem coragem pra dizer mais alguma coisa, apenas balanço a cabeça confirmando. Ele me soltou e foi atender o
seu celular que tocava sem parar. Já eu voltei sentando na cadeira e enfiei meu rosto em minha mãos sem saber lidar com tanta e tamanha culpa.

(...)


Fiquei ali não sei por quando tempo ate que senti uma mão morna tocando meu ombro. levantei o rosto rapidamente e dei de cara com Rhage.


—Rhage? -minha voz saiu rouca e baixa.


—Butch me contou o que aconteceu e sobre a bronca que ele te deu cara... -ele deu um sorrisinho triste. -Relaxa, não leva pro pessoal, ok? O cara ficou nervoso porque V é o melhor amigo dele. E não quer o ver sofrer.


—é. eu sei. -digo suspirando.


—Só que ele tem razão nas broncas. -ele começou com certo receio. — V é um cara legal, um irmão de verdade. Não merece sofrer mais do que já sofreu.


—É. -suspirei. –Eu sou um idiota. Já entendi isso. -digo olhando pras minhas mãos.


—Não é isso. Acredito que você só esteja confuso e sem saber qual escolha fazer.


— É minha culpa por ele estar ali dentro. -confesso.


—De alguma forma pode ser que sim. Mas por outro lado V é impulsivo de mais. Seu jeito de ser , suas necessidades... o faz sempre buscar e estar em perigo constante. Então ... -e bufa balançando a cabeça. -Não pense nisso. Só relaxa ele é forte, muito forte e vai sair dessa!


—Como está a cirurgia? -pergunto.


—É complicada, um pouco de risco, mais vai da certo. Pense assim. -ele diz batendo em minha costa, sumindo.


Céus V, fique bem. Por favor resista a esses ferimentos.

Desde que transformei em 1864 eu perdi totalmente a minha fé, minha crença. Mas ali naquela situação, naquele momento ate a Deus eu estava recorrendo, implorando e rezando.
Fiquei horas e horas ali sem qualquer notícia...


PDV VISHOUS
Damon não dizia uma palavra sequer. Não me olhava. Nada. Só ficava fitando a janela, vendo as casas, pessoas e ruas por onde passávamos...
(...)

Logo eu já estava no meu apartamento. O levei pro banho e cuidei dele. E com essa proximidade acabou ele me beijando e ficamos assim. Trocando caricias até que tudo ficou mais quente.
Eu queria aquilo, eu ansiava por ele e me iludia com aquelas suas palavras e ações. Eu não podia aproveitar da situação... Ele esta bêbado e eu extremamente lúcido.
Parei e tentei convence-lo a parar com aquilo, mas ele queria aquilo, desejava por mais.

Céus, sem resistir acabei fazendo o que ele queria. E tudo acabou em um sexo oral. Foi maravilhoso, nunca me senti tão feliz. Ele era a minha felicidade, estava na cara.
Assim fomos dormir e eu preocupado com o outro dia, com a sua lucidez. Como ele reagiria com tudo isso, com nossas carícias e principalmente sua confissão sobre mim. Tentei não pensar nisso, até que acabei entrando na inconsciência.

(...)


Acordei e o vi dormindo tranquilamente, sorri. Levantei indo preparar o café e voltei pro quarto bebendo enquanto olhava pela janela.
Sem demorar muito ele acordou. O olhei aflito e aconteceu o que eu mais temia. Ele ficou bravo disse que eu aproveitei da situação.

Acabei o agredindo. O que piorou tudo. Discutimos muito e Ele simplesmente se trancou no banheiro.

E eu sem rumo, sai dali e fui pro Iron Maiden
Bebi vodka até não poder mais. Não acreditava que ele havia estragado tudo. Que havia estragado a noite tão maravilhosa que tivemos. Não podia acreditar.

Bebi mais.

Até que não aguentava mais aquele lugar, aquela musica e todas as pessoas ali dentro. Sai pra fora e fui caminhando pelo beco ate que senti um cheiro de talco de bebê.
O meu relaxamento chegou, pensei.


—Tudo o que eu precisava agora... -digo já pegando a minha arma,
correndo indo a encontro deles.

E quando entrei no outro beco eu fui surpreendido.

Eram dez homens. Não me importei e os enfrentei sozinho.

Se eu apanhasse, ótimo, era disso que eu precisava e ansiava. Precisava sentir dor, qualquer dor que me fizesse esquecer aquilo.

Começamos um tiroteio e só podia ouvir os altos disparos. Acertei três que caíram. Não mortos ainda... Fui até eles e os matei. Agora os outros vieram e fizeram um roda e eu no meio os enfrentando. Bati mais apanhei também, muito por sinal. Mas não me importava, ali estava minha liberdade, minha satisfação.

Eles me atacavam juntos ao mesmo tempo e eu é claro me defendo, usando toda minha força, habilidade e dando o meu melhor.

Até que senti uma ardência perto da barriga.

Era uma facada...

não me importei e os derrubei. peguei a adaga e fui matando um por um até eu simplesmente fui surpreendido por uma ardência bem maior.

—Droga. -disse gemendo de dor.

Olhei e pude ver o sangue escorrendo em minha camisa. Tiro.

Me virei e novamente mais tiros... Bem no peito.

Não...

A dor era horrível.
Arrumando forças escondi atrás de uma caçamba de lixo e logo o acertei com um tiro certeiro bem no meio da sua testa.

Ele caiu e eu sem perder tempo fui de encontro dele e o matei com minha adaga.
Olhei em minha volta e não sobrou um. Isso...

Sorri vitorioso.

Mas eu me encontrava muito, muito ferido. Sangrando de mais...

E essa minha alegria durou pouco.

Senti minha vista ficar escura e sem controle sobre mim mesmo, cambaleei, fraquejando...

E assim caindo e entrando na escuridão.