Amante Sofrido
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Notas iniciais
PDV DAMON
—nunca mais faça isso. Nunca mais. -gritei levantando , cambaleando.
—Damon... -ele disse assustado já levantando e vindo até mim.
—Não ouse me tocar. -disse me sentindo mais tonto ainda.
E sai cambaleando desesperado, entrando no banheiro...
(...)
Respirei fundo tentando controlar a minha respiração que se encontrava desregular e ofegante. Olhei pro meu corpo e “ele” chamava mais atenção que qualquer outra parte do meu corpo. Minha ereção.
Porra. O que está acontecendo?
Desde quando aceito ser beijado por um homem? E com isso fico excitado, com uma enorme ereção?
A pergunta é...
O que está acontecendo comigo?
Isso sim. Pois isso não é a primeira vez que isso acontece.
Droga...
Por que cedi ao seu beijo? Por que quis?
Não... Ele é o culpado. Ele que me agarrou.
Mentira... Minha mente rebateu. Você retribuiu porque quis se não o teria o empurrado desde o começo.
Por que senti desejo? Por que fiquei excitado? E senti prazer?
Malditos pensamentos e desejos.
Não posso sentir atraído por um homem, não posso.
Não posso...
Suspiro ligando o chuveiro e a água quente descendo pelo meu corpo.
Pra me deixar mais furioso, minha ereção se encontra da mesma forma, intensa, grande e dura, como uma pedra. Não aguentando mais ignorar esse desejo, começo a me tocar.
Toco lentamente mais logo isso muda pra um toque mais forte, intenso.
Deslizava a mão freneticamente pela extensão. E não resistindo acariciei a glande arfando. Ali foi liberado o pré-sêmen.
E a partir dali gemia, me tocando desesperado, lembrando do beijo e ainda podendo sentir seu gosto em meus lábios. Quando cheguei ao prazer máximo, gemi dizendo seu nome, enquanto gozava sendo tomado por tremores...
Ao mesmo tempo em que amava aquilo, eu odiava.
Odiava por pensar nele, por desejar e por gostar de gozar dizendo seu nome...
Fui consumido por vários tremores. Quando passou minhas pernas estavam bambas, minha respiração ofegante... Me sentia tonto e cansado. Respirei fundo me lavando.
Quando terminei peguei a toalha que têm ali e envolvi minha cintura.
Saí do banheiro torcendo pra não dar de cara com ele. Por sorte o quarto estava vazio. Aproximei da cama vendo roupas. Eram deles.
Uma boxe cinza, uma calça de moletom e uma blusa. Me enxuguei colocando. Claro que ficou grande, mais dava pra usar. Enxuguei o cabelo deixando bagunçado mesmo. Levei a toalha de volta pro banheiro. E logo voltei sentando na cama e suspirei vendo as imagens na minha frente.
“Eu com sede e me afastando dele. Ele querendo aproximar e em seguida me trazendo pra ele. Quando vi seu sangue e senti o cheiro não resistindo me alimentando dele. Como era perfeito seu sangue. Gostoso, suculento e tão bom. E rapidamente ele me prendendo ali e me beijando.
E eu retribuindo, gostando, excitando e sentindo prazer, muito prazer...”
Rapidamente balanço a cabeça querendo afastar tais pensamentos.
A raiva me invade.
—que ódio. -digo furioso.
E nisso a porta é aberta e ele entrando.
—será que podemos conversar? -ele pergunta.
Tudo culpa dele...
E quando eu quis ver eu já estava em sua frente acertando um belo soco na sua cara.
Que o pegou de surpresa, fazendo dar dois passos pra trás.
—conversar o que? Depois que você me agarrou a força? -grito.
E agindo pela raiva preparei pra dar outro e fui... Mas ele ja esperando me segurou e logo me puxou e eu acabei ficando de costas pra ele, e ele segurou minha cintura, me prendendo contra ele.
Quando senti seu rosto enroscando em meu cabelo e logo sua respiração em meu pescoço, ouvido, estremeci.
—Será que podemos conversar ou eu vou ter que te machucar primeiro? -perguntou sussurrando em meu ouvido.
Tento sair de seu braço, mais ele me segura firmemente.
—me solta. -rosno.
—ele sorri. -você parece um leão furioso, Damon.
—não diga. -digo irônico.
—sim, um leão selvagem e furioso. -ele sorri. -um leão que precisa ser domado. -ele sussurra mordendo minha orelha.
E prontamente beijando meu pescoço.
Sem conseguir controlar estremeci. Ele sorriu petulante se achando.
Com mais raiva, fiz força o empurrando pra longe, e ele ainda sorria. Sem pensar eu o acertei mais dois socos certeiros em seu rosto.
—não temos nada o que conversar. -digo sério. -não a nada o que dizer. Você me agarrou e me beijou a força, ponto final. -digo rosnando.
Mais ele me segurou, me fazendo o olhar. Seus lábios agora sangrando... Ele apenas me olhou tão profundamente que soltou:
—foi tão a força que você cedeu, retribuiu e gostou. Não é mesmo ? Tanto que você ficou excitado. -ele rebate.
Bufo morrendo de raiva por ele ter percebido em como me senti e fiquei.
O encaro com ódio e logo puxo meu braço.
E cegamente, tomado pelo raiva eu avancei nele o acertando vários socos. Distribuindo toda minha raiva e indignação.
—Se isso te faz sentir melhor, bata. Continue. Talvez isso ajude na sua insatisfação. -sua voz saiu forte enquanto, não se defendia, não lutava apenas exposto recebendo e aguentando os socos.
Rosnei furioso o agredindo mais ainda.
E ele nada fez, só recebia a tudo quieto.
—Desgraçado. -gritei o empurrando com força que acabou batendo na parede.
Me virei afastando, eu poderia o machucar mais ainda ou até mesmo o matar e ele não faria nada. Não se defenderia, não me atacaria.
Simplesmente nada.
Minha respiração se encontrava pesada, desregular, intensa. A raiva fluindo por todo meu corpo.
—está se achando, não é mesmo? -sorrio. -Mais você não passa de um idiota. -digo balançando a cabeça.
Eu estava confuso, tantas coisas em minha mente. Me sentia sufocado.
—desculpe... Eu... -ele bufa. -sabe por que fiz aquilo? Por que te beijei? -ele pergunta.
Olho pro chão perto da cama e veio à imagem dele me beijando, seu gosto.
Como não respondi, ele continuou.
—porque queria. Porque queria sentir seu gosto. Ter você em meus braços... -ele respira fundo. -porque estou gostando de você, Damon.
Com aquilo me surpreendo o encarando.
—ele sorri. -como já te disse. Têm tantas coisas que sentimos e não sabemos explicar... Apenas sentimos. -ele diz encarando o chão.
Aquilo fazia tanto sentido que era estranho.
Eu também estava sentido coisa que nem se quer tinha explicação, apenas sinto...
Fecho os olhos não acreditando naquilo.
Com aquela... Declaração? Eu estava nervoso. Minha respiração pesada. Minhas pernas queriam bambear...
Eu estava tão confuso. O que está acontecendo comigo?
—Damon... -ele sussurra se aproximando.
Abro os olhos rapidamente e me afasto. Com isso ele para e me olha triste.
—Eu estou apaixonado por você. -ele diz olhando dentro dos meus olhos.
—isso é o que todos dizem até te apunhalar pelas costas. -digo sombriamente, entrando em um poço escuro do passado.
—ele me olha agora como se pudesse ver minha alma. -quem te magoou assim? -ele sussurra aproximando.
Afasto. Mais ele conseguiu me segurar pelos ombros. Encaro o chão.
—diga-me. Quem fez isso com você? Quem te tornou essa pessoa fechada? Fria?
—levanto o olhar encontrando com seus olhos brancos azulados. -A vida. -digo tentando fazer ele me soltar.
—Damon... -ele diz triste. -eu sinto muito.
Silêncio...
Silêncio...
Silêncio...
—Oh céus... Se você me desse uma oportunidade eu iria te fazer feliz. Eu quero tanto isso. -ele disse desesperado.
Com aquilo engulo em seco. Pois tinha algo naquela frase, naquelas palavras.
Entendimento? Tristeza? Apoio?
—você parece entender como é sofrer. Ser rejeitado... -digo jogando verde pra ver se eu conseguia algo.
—ele sorri. -eu não pareço. Eu entendo. Posso dizer que não foi só você que sofreu a vida inteira... -ele diz, e vejo a tristeza em seus olhos.
E ali fiquei curioso pra saber o que lhe aconteceu.
Ele me solta mais não saio do lugar, assim como ele.
—você tem medo de amar...
Não foi uma suposição e nem uma pergunta e sim uma afirmação.
Medo...
Amor...
Depois do que vivi. Realmente eu nesses anos, me afastei o máximo possível de tais sentimentos. A verdade não é que eu não importasse mais sim medo de sofrer. Medo de amar e não ser amado. Medo de perder a pessoa amada...
Medo... Medo... Medo...
Proteção.
Suspiro.
Olho pra baixo sentindo as mágoas se fazerem presentes. Sem esperar sinto seus dedos em meu rosto. Fazendo-me o olhar e logo acariciando minha bochecha, meu cabelo, e quando dei por mim, eu estava em seus braços novamente.
Ele me abraçou fortemente e eu claro sem retribuir.
Quando afastou, ele sorriu, enquanto sua mão entrava em meu cabelo. O fitei... Seus olhos pareciam imãs. Não conseguia parar de olhá-los.
Ele me olhava com carinho e seus lábios aproximavam dos meus... Suspirei, paralisado.
não tentei afastar, nem nada. Esperei até pelo beijo... Mais de repente senti a presença de alguém e V também. E com isso estragou o clima e voltei em sã consciência afastando rapidamente dele.
O que ia fazer? Deixá-lo me beijar?
Porra...
Quando olhamos pra sacada, havia uma mulher ali de vestido preto.
Cabelo castanho, olhos verdes, pele branca...
Bonita. Não nego.
Nisso a porta de vidro foi aberta, assim do nada.
A mulher entrou se ajoelhado.
—me perdoe meu senhor, por estar atrapalhando. -ela parecia nervosa.
Olhei pra V. E ele se encontra sério, pálido. Assustado? Sim. Enquanto olhava dela pra mim.
Encarei a mulher novamente.
—mais hoje é a quarta-feira, da segunda semana do mês... -ela para. -hoje é dia de lhe servir.
Servir?
Com certeza o seu servir não é de trabalho. “Servir o jantar...” Ah que ironia. Com certeza não. E quando ela olhou pra ele, pude ter certeza absoluta que tipo de servir era.
“Submissa”...
Senti muita raiva , passando pelo meu corpo, por ter quase o deixado me beijar novamente, pelos sentimentos e pensamentos confusos e principalmente por ele ter uma mulher pra “dar” pra ele. Controlando a raiva e meu ciúmes...
Ciúmes? Oh céus...
coloco uma máscara, sorrindo.
—vou dar licença a vocês. -digo já caminhando pra sair.
—Damon. -ele diz me segurando. -Não vá.
—vocês precisam de um momento a sós. -digo.
—não é isso o que você está pensando.
—eu não estou pensando nada. -rebato puxando o braço com força.
Caminho pra porta do quarto.
—Damon, por favor... -ele pede.
Não ouvindo abro a porta saindo e com a raiva que passava frenética pelo meu corpo, fechei-a batendo fortemente...
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