Notas iniciais
Em primeiro lugar quero pedir desculpas pela minha demora, dessa vez eu ultrapassei todos os limites aceitáveis que se pode deixar uma leitora esperando, mas eu tenho estado tão supersaturada de trabalhos de escola e trabalhos do curso que minha inspiração e meu tempo simplesmente sumiram. Estava tão estressada que não conseguia nem escrever uma linha do capitulo, porém agora estou aqui com um capitulo direto do forno da Nat-chi para vocês, talvez não tenha tão bom, mas eu espero que gostem e que aproveitem. Bom, vou deixar vocês lerem agora. Aproveitem, Neko-chans!

Afundei-me na água quente da banheira fechando os olhos e suspirando, eu finalmente havia conseguido um tempo para tomar um banho, era extremamente relaxante e parecia me livrar um pouco de meus pensamentos conturbados e inconvenientes, infelizmente não era o tipo de sensação duradoura. Logo pensamentos sobre Subaru invadiram minha mente obrigando-me a dar atenção a reflexões desnecessárias.

Por acidente o albino havia me dado um leve vislumbre de seu interior perturbado, eu não fazia ideia de que ele via a si mesmo de uma forma tão triste que chegaria a dizer que nunca deveria ter nascido. Claro, que com o passado que ele tem, nascido de uma união forçada e sem qualquer amor, eu suspeitava que Subaru não teria uma das mentalidades mais estáveis, porém não sabia que ele havia sido tão afetado.

O tom de voz que ele usou para dizer que não deveria ter nascido carregava tanto nojo e repulsa, naquela hora eu percebi que Subaru se via como um lixo, com certeza ele só se vê assim porque acha que nascer de um estupro o faz a pior pessoa do mundo quando, na verdade, ele não tem a menor fração de culpa que que a pessoa cruel e desprezível da história é o Karl Heinz.

Se bem que eu também não o ajudei muito quando gritei que ele estava tentando me forçar, com certeza foi àquela pequena frase impulsiva que o afetou daquela forma, contudo mesmo que eu não quisesse feri-lo precisei fazer aquilo para evitar um erro ainda maior, se algum dia nós dormíssemos juntos não seria apenas porque o albino queria se distrair de sua raiva.

Mergulhei na enorme banheira e recordei nosso abraço, ele era tão confortável e eu me senti tão bem em seus braços, mas é claro que momentos como esses não poderiam durar muito tempo e o final não poderia ter sido mais desastroso. Em um dos poucos momentos calmos que tive desde que cheguei aqui eu faço o favor de acabar com tudo, por que eu tenho que ser tão suscetível ao cheiro de sangue? Principalmente ao sangue desses vampiros, eu consigo sentir o cheiro de cada um deles se espalhando todos os cômodos da casa, impregnando meu olfato insistentemente e provocando-me, tentando-me a ceder e provar o sangue de algum deles.

Minhas presas cresceram em minha boca com a ânsia em experimentar o gosto de algo tão cheiroso. Rangi os dentes tentando me controlar e saí da banheira espalhando água por todo o chão, não me dei o trabalho de pegar uma toalha para me secar apenas parei na frente do grande espelho lindamente emoldurado fixado em uma das paredes e me observei.

Minha visão também estava muito mais aguçada assim como meus outros sentidos e eu podia ver com muito mais clareza de detalhes as cicatrizes espalhadas por todo o lado esquerdo do meu corpo, agora elas não me pareciam mais tão suaves quanto pensei que eram, embora continuassem rosadas e seu relevo continuasse o mesmo era muito mais fácil percebe-las até se eu estivesse me observando de uma distância maior.

Rocei meus dedos sobre a cicatriz que ficava no colo do meu seio e estremeci ao sentir o toque de minha mão fria pelo contato com o ar, aquelas cicatrizes eram a prova de que nunca mais eu poderia voltar a ser a pessoa que um dia eu fora. Suspirei pesadamente e me ajoelhei em frente ao espelho, meus cabelos encharcados pingavam água pelo chão e a água do meu corpo escorria formando uma poça embaixo de mim. Estendi a minha mão para o meu reflexo e pensei em como havia mudado desde a última vez que parara para observar a mim mesma em um espelho, infelizmente não era uma mudança somente física.

Fechei meus olhos e cantei um lamento triste como forma de consolar meu coração tantas vezes esmagado e destruído.

Iroaseteku firumu no you o ni

Tashika na ima mo izure kazunde

Nande mo naku waraiatta setsuna no jikan to hikari

Tsunagatteyuku kioku no soko ni

Dareka ga mitsukeru tame aru to

Shinjiteru ima demo

Tal como as cores desfalecem de um velho filme

As coisas que sinto no presente, desfalecem nas memórias mais tarde ou mais cedo

Assim como os pequenos períodos de tempo de felicidade e inocência

Acredito que as memórias que temos em comum

Têm o potencial para encontrar o amor nas profundezas

Mesmo agora, acredito nisso

Abracei a mim mesma por causa do frio e senti uma lágrima solitária rolar pelo meu rosto. Eu sei que não deveria estar chorando, eu não tenho o direito de chorar tenho apenas a obrigação de ser forte, mas eu não consigo, passo tanto tempo sendo forte e determinada que preciso desses momentos de fraqueza de vez em quando para me libertar de algum dos pesos que com tanto custo eu carrego. Na verdade eu deveria parar de reclamar da minha vida, devia parar de ser tão insatisfeita com tudo, talvez se eu fizesse isso pudesse aproveitar as coisas como elas realmente são.

Apertei-me um pouco mais e senti algo quente e macio pousar sobre meus ombros, assustei-me e na mesma hora levantei a cabeça procurando a pessoa que havia colocado a toalha sobre mim, entretanto tudo que vi foi um vulto embaçado que logo desapareceu. Franzi as sobrancelhas e me perguntei quem poderia ser, normalmente os vampiros não fogem, principalmente se eu estiver nua.

Balancei a cabeça e decidi esquecer toda essa história, afinal eu tinha coisas mais importantes para me preocupar agora. Enrolei-me na toalha e fui para o meu quarto cabisbaixa e pensativa, eu iria arrumar a parte do jardim na qual a Beatrix ficava e eu precisava termina-la hoje, pois amanhã eu queria arrumar de uma vez a parte da Christa para somente me restar plantar as flores que Yuma disse que iria me dar, o problema era que eu não conseguiria terminar de fazer isso se os vampirinhos ficassem desviando minha atenção a todo momento.

Entrei no meu quarto, sequei meu corpo e meu cabelo e coloquei uma calcinha e um sutiã azuis de linho, tirei o uniforme de dentro do guarda-roupa e coloquei em cima da cama para vesti-lo mais tarde, depois calcei uma meia-calça vermelha escura e sapatilhas pretas com tiras que se cruzavam no peito do pé até serem amarradas em um laço no tornozelo. Vesti-me com um vestido preto de alças bem justo até a cintura com três laços da mesma cor dispostos na vertical no busto, a saia do traje se armava até acima dos meus joelhos e era estampada com grandes morangos, para finalizar coloquei um bolero de lã carmim que me esquentaria quando estivesse do lado de fora.

Penteei os cabelos o mais rápido que consegui e me dirigi ao jardim um pouco apressada demais, porém quando passei perto da cozinha senti um cheiro maravilhoso vindo de lá e minha barriga roncou na hora praticamente me ordenando a ir até aquele cômodo tão tentador. Dei-me conta de que não havia comido nada desde que acordei do Despertar então resolvi que era melhor matar quem estava me matando antes de começar a trabalhar, dei uma risadinha com a ironia da frase “matar quem estava me matando” e segui em direção à cozinha.

Ao chegar ao meu destino coloquei a cabeça por entre a fresta da porta para espiar quem estava lá dentro e me prevenir de que não fosse algum dos garotos, bem, realmente não era nenhum dos meninos que estavam ali, era o Edgar que estava absorto demais na tarefa de cortar alguns aspargos para me notar. Eu sabia que ele estava vivo, contudo logo que o vi todas as lembranças de seu corpo estraçalhado me atingiram como um soco e ao invés de ver um Edgar vivo e cortando aspargos eu via um Edgar com olhos mortos, corpo pálido e entranhas espalhadas pelo chão.

Gritei, ou melhor, berrei. Minha voz ecoou pelos meus ouvidos o que só piorou as coisas, pois me fez lembrar outros gritos, não os meus e sim os daquela mulher enquanto eu a mutilava com a tesoura. Tapei meus ouvidos com força e cerrei os olhos tentando bloquear as imagens que passavam em flashes enlouquecedores pela minha mente, dei vários passos para trás até bater com as costas na parede e apertei ainda mais minhas mãos contra minhas orelhas, mas de nada adiantava, eu continuava ouvindo e vendo toda aquela cena repetidas vezes.

— Pare, pare, por favor, pare! Eu não aguento mais isso! Me perdoe! Eu juro que não queria! – implorei em pânico, tentado fazer com que as imagens parassem.

Alguém segurou meus braços tentando tira-los dos meus ouvidos e me debati e gritei pensando que poderia ser aquela mulher, eu estava totalmente fora de mim, alucinando como uma completa insana.

— Tora-san, o que há com a senhorita? Por favor, diga alguma coisa! – Edgar suplicou desesperado mais alto que o som dos meus gritos, eu criei coragem para olhá-lo e aos poucos minha histeria foi passando enquanto eu percebia que ele não era mais um cadáver ensanguentado.

— Ed...gar? – perguntei um pouco confusa abaixando as mãos.

— Senhorita? – perguntou parecendo ainda mais confuso do que eu. Minha ficha de que ele estava realmente vivo caiu e meus olhos brilharam de felicidade enquanto eu me jogava em cima dele e o abraçava fortemente

— Você está vivo! Você está bem! Obrigada, muito obrigada! – falei aliviada e alegre ao mesmo tempo, como eu não percebi antes que nem sequer havia pensado em falar com Edgar para vê-lo vivo e bem? Como eu sou burra! Sorri e o abracei mais forte, ele parecia sem reação com minha súbita mudança.

— O que está havendo aqui, Edgar? – ouvi a voz de Reiji perguntar asperamente e rapidamente me afastei do homem que há poucos minutos visualizei morto, quando me virei para a direção da qual a voz havia saído vi que todos os Mukami e Sakamaki estavam ali, bem como Yui.

— Perdoe-me, Reiji-sama, mas Tora-sama parecia bem alterada alguns minutos atrás. – respondeu calmamente. Eu abaixei a cabeça e encarei o chão enquanto recordava a maneira como me desequilibrei e alucinei mesmo estando acordada e lúcida, o que diabos estava acontecendo comigo? Será que minha sanidade está me deixando aos poucos? O que eu vou fazer?

— Sim, nós ouvimos o grito que ecoou por toda a mansão. – Ruki disse com desprezo como se a resposta de Edgar tivesse sido totalmente inútil, eles não tinham jeito mesmo.

— Nós queremos saber por que a Jujuba gritou, mordomo idiota! – Ayato falou com raiva. Veja o que eu fiz, agora o Edgar está em apuros, preciso salva-lo antes que algum deles resolva castigar o pobre homem.

— Eu gritei porque me lembrei de algo que aconteceu no Despertar. – respondi meio receosa e mandei um olhar significativo para eles que logo perceberam do que eu estava falando e esboçaram um leve sorriso divertindo-se com minha fraqueza, menos Yui que me olhava preocupada. Fiquei irritada por vê-los rindo de mim e agradeci a mim mesma por não ter contado que eu na verdade havia tido uma alucinação. – Desculpe a confusão, Edgar-san, acho que vou me retirar agora, tenho coisas a fazer. – falei um pouco frívola e comecei a andar para o jardim, ao passar por Yui a olhei como se tivesse dizendo para não me seguir e continuei sentindo os olhares deles sobre mim até chegar ao coreto onde me sentei.

Eu ainda não conseguia acreditar que tinha tido uma alucinação, eu devo estar mais afetada por tudo que passei do que pensava, nada nunca estava a meu favor, não é? Tudo parecia ir contra mim, quando eu achava que tudo poderia ficar bem acabava quase bebendo o sangue de um dos vampiros, depois descubro que o Despertar ainda não havia acabado e que para termina-lo eu precisaria beber sangue, em seguida tenho fortes alucinações com o assassinato que cometi, eu sou muito desafortunada mesmo.

Para mim parecia não adiantar nada ter esperanças, pois todas elas acabavam frustradas, acho que não há um futuro mais feliz para mim e seria quase um milagre se eu não ficasse maluca depois de tudo que acabei de perceber. Infelizmente esse não era um milagre com o qual eu poderia contar muito, sou tão azarada que o mais provável era que eu ficasse louca e por causa dessa loucura acabasse morrendo.

— Olá. – ouvi uma voz masculina levemente familiar me cumprimentando.

— Quem é você?

Notas finais
Aqui está a música que a Tora cantou para quem quiser ouvir, eu acho essa música muito linda: Annabel - Anamnesis: https://www.youtube.com/watch?v=tyz0uIUZmdw Tudo está ruindo tão rápido. Não sei mais o que estou fazendo e não tenho como prever o que vai acontecer. Há uma ruptura em minha mente e outra maior ainda em meu coração, eu estou sangrando por dentro e sei que posso quebrar a qualquer momento. Por favor, alguém junte os meu pedaços. Tora Takayama