Amante Infernal
9 Privacidades e Privações
Notas iniciais

— O que está fazendo aqui, Laito-kun? – perguntei com as mãos na cintura dando um leve toque de ironia no “-kun”, pois é, eu ainda estava com raiva dele por ter se esfregado com aquela vendedorazinha de tigela vazia.
— Muchi-chan, por que toda essa irritação? Eu só vim te dar minha opinião sobre que vestido escolher! – respondeu com voz manhosa e sorriso cruel, eu cruzei os braços e estreitei os olhos.
— Não quero sua opinião! Eu posso muito bem escolher meu vestido sozinha, então saia daqui. – retruquei com raiva e lhe dei as costas, não estava a fim de brigar com ele, mas realmente não o queria perto de mim agora, quer dizer, eu sei muito bem que é o jeito dele sair por aí agarrando as garotas, mas isso não quer dizer que eu precise aceitar todas as vezes que ele faz isso.
— Ahhhh, Muchi-chan, você fica tão excitante quando está com raiva de mim. Será que está com ciúmes da vendedora? – disse em desafio e, através do espelho, pude ver que ele segurava a aba do chapéu um pouco abaixada para esconder os olhos e carregava um sorriso satisfeito e perverso.
— É claro que não! Da onde você tirou essa ideia? – neguei veementemente fazendo um bico emburrado, eu jamais iria admitir que estava com ciúmes dele, na visão do Laito isso seria o mesmo que pedi-lo em casamento. O pervertido deu uma risada divertida e em um segundo estava me abraçando por trás, resolvi ficar quieta para mostrar que pouco me importava com isso.
— Esqueça isso, Muchi-chan, aquela vampira insignificante acha que tem alguma chance com algum de nós. Chega a ser patética. – sussurrou-me ao pé do ouvido e acabei me arrepiando involuntariamente, continuei calada tentando parecer indiferente. – A propósito, esse vestido te deixa muito apetitosa, realça suas deliciosas curvas. – acrescentou com a voz rouca enquanto olhava-me por debaixo da aba do chapéu pelo espelho. – No entanto, eu ainda prefiro você sem ele. – confessou num murmúrio, sua mão se dirigiu ao zíper na lateral do vestido e foi abrindo-o lentamente, segurei sua mão antes que ele abrisse tudo.
— Não tente tirar meu vestido, seu ero-kyüketsuki*! – avisei entredentes encarando-o pelo espelho, ele deu um sorriso de canto o qual não entendi o significado e agarrou meu queixo com força com a mão que não era segurada por mim, Laito virou meu rosto em sua direção e encostou seus lábios aos meus.
— Você não pode me impedir, To-ra-chan. – pronunciou-se desafiador, enquanto silabava o meu nome de uma forma totalmente provocante. Ofeguei, era a primeira que ele me chamava pelo nome e eu tinha certeza que seria a última.
Então, sem esperar resposta, Laito selou nossos lábios invadindo minha boca com sua língua experiente e incitadora, fechei os olhos e minha mão que impedia a sua de prosseguir o trabalho com o zíper agarrou sua nuca, um segundo depois ele já estava abrindo o que sobrou do zíper. Retribuí seu beijo com voracidade e decidi tentar algo quando meu vestido caiu no chão, virei meu corpo de frente para ele sem interromper o beijo e suguei sua língua com sutileza, com isso, Laito rapidamente agarrou minhas coxas entrelaçando-as em seu quadril e me recostou com violência no espelho, ainda bem que aquele vidro parecia ser bem resistente.
Ele desprendeu sua boca da minha, eu abri os olhos e o flagrei me fitando com um meio sorriso diabólico.
— Você é uma garota muito má, Muchi-chan! – declarou parecendo contente, eu sorri de canto concordando com sua declaração.
— Sabe, há momentos em que eu odeio o seu chapéu. – confidenciei com uma leve entonação divertida e joguei o chapéu dele para o outro lado da sala. Eu não estava mais com raiva dele, muito pelo contrário, meus sentimentos mudaram completamente quando ele chamou aquela vampira de patética.
— Ninguém te ensinou que não se pode tocar no chapéu de um vampiro? – perguntou fingindo irritação, porém com um sorriso perverso. Aproximei meus lábios dos dele.
— Não mesmo! – respondi provocativa e o beijei ferozmente, ele retribuiu à altura e soltou minhas pernas, assim que fiquei em pé novamente Laito direcionou suas mãos ao fecho do meu sutiã e abriu tirando-o logo em seguida, não tentei impedi-lo, eu queria aquilo tanto quanto ele, mesmo que estivéssemos em um local público com a elevadíssima possibilidade dos outros vampiros/vampiras nos ouvirem em nossa travessura. Eu também não perdi tempo e rapidamente tirei o blazer do uniforme jogando-o em um canto qualquer, em seguida arranquei o casaco vermelho que ele usava por baixo do blazer, antes que eu pudesse fazer qualquer outra coisa Laito desfez o beijo e tirou a gravata e a camisa por si mesmo.
Encarei-o com um olhar faminto e deslizei a língua pelos lábios lentamente, ele abriu um enorme sorriso satisfeito e se aproximou de mim colando nossos corpos, seus braços apertaram minha cintura possessivamente e eu mergulhei minhas mãos em seus cabelos extremamente macios, nossos tórax estavam pressionados um contra o outro e meus seios já estavam enrijecidos do contato com sua pele fria.
— Vou te apresentar o mais prazeroso inferno, Muchi-chan! – ele disse roucamente com a voz carregada de luxúria, aproximei nossos rostos ainda mais.
— Estou ansiosa por isso. – falei calmamente roçando meus lábios nos dele, lhe dei um selinho e mordi seu lábio inferior delicadamente, depois, bem lentamente, eu tracei um caminho dos seus lábios até sua orelha e mordisquei seu lóbulo. Nesse momento, minhas presas resolveram aparecer e eu senti o cheiro delicioso que ele tinha, pude perceber o sangue pulsando tão devagar em suas veias, notei como as batidas do coração dele eram tão espaçadas que parecia que estava parado. Eu não queria mordê-lo, eu não iria mordê-lo, mas precisava de ajuda para me conter, fiquei cara a cara com Laito para que ele pudesse ver meu estado. – Você ainda quer continuar? – perguntei, ele deu um meio sorriso debochado.
— Você não vai me morder tão cedo, Muchi-chan. – avisou convicto e, mais uma vez, ergueu-me do chão entrelaçando minhas pernas em sua cintura, dessa vez eu pude sentir o volume que se formou em suas calças, corei com a descoberta e Laito enterrou o rosto no meu pescoço. – Só há um masoquista nessa sala. – disse se referindo a mim e mordeu meu pescoço em seguida, agora nós tínhamos uma hora para terminarmos nossa brincadeira, afinal eu precisava deixar uma vantagem de meia hora para ele ter acesso ao sangue da Yui... Essa maldição é muito irritante!
Laito aprofundou suas presas na minha carne e eu rangi os dentes quando a dor triplicou, ainda vou precisar de muito tempo para me acostumar com essas novas sensações. Decidi que precisava de uma distração e tive a ideia perfeita para tornar a dor menos presente, apertei minhas coxas em volta do vampiro como se quisesse fundir nossos corpos e friccionei minha intimidade contra volume de seu membro, meneei meu quadril e logo a dor que eu sentia se tornou insignificante.
Suspirei fechando os olhos e inclinei minha cabeça recostando-a no espelho, consequentemente, acabei dando mais acesso ao meu pescoço e Laito parecia estar se divertindo bastante sugando meu sangue, todavia eu também estava me divertindo bastante com a sensação de rebolar sobre ele. Cada um se diverte como pode.
Quando eu estava prestes a chegar à melhor parte da minha doce distração o ruivo resolve parar de beber meu sangue para me levantar um pouco mais e deixar meus seios na altura do seu rosto. Soltei um muxoxo em desaprovação e Laito deu uma risadinha da minha decepção.
— Não seja tão apressada, Sly-chan**! – aconselhou-me num sussurro, estreitei os olhos e segurei seu rosto para mantê-lo me encarando.
— Nós não temos muito tempo, Laito-kun, se apressar é uma ótima ideia no momento. – retruquei audaciosa me segurando para não morder o lábio dele, minhas presas não haviam voltado ao normal, eu não podia correr o risco de cortá-lo. Soltei-o e me alinhei com a parede dando o espaço que ele queria. – Qualquer coisa que queira fazer, faça logo. – recomendei calmamente, ele encarou-me parecendo irritado e um segundo depois eu fui erguida numa incrível rapidez, guinchei em surpresa e percebi que estava sentada nos ombros do Laito, usei a parede para me manter firme e fitei o vampiro que achava graça da minha expressão de pavor por estar tão longe do chão sendo firmada somente por uma parede coberta por um espelho e por um vampiro pervertido.
— Relaxe... – proferiu com um sorrisinho e aproximou o rosto da minha virilha, corei profundamente com sua ação.
— O-O que está fazendo? – perguntei completamente constrangida.
— Não se faça de santa, Sly-chan, você sabe muito bem o que eu vou fazer! – advertiu seriamente e enganchou suas mãos nas laterais da minha calcinha rasgando-a, o pequeno pedaço de pano caiu no chão deixando-me exposta e eu fiquei rubra dos pés à cabeça com o Laito olhando diretamente para... lá! – Ahhh, essa cor fica muito bem em você, Sly-chan! – elogiou referindo-se ao fato de eu estar vermelha de vergonha.
— B-Baka! – insultei-o com raiva, ele sorriu de uma forma bem maligna e mordeu minha virilha, soltei um grito baixo e esganiçado, essa mordida com certeza entrou para a lista das mais doloridas. Laito tomou apenas um gole do meu sangue e retirou as pesas do local, isso me levou a concluir que ele só queria me ver sentindo dor. Essa constatação me deixou irritada e eu estava prestes a manda-lo me pôr no chão quando senti sua língua deslizando pelo meu âmago, qualquer coisa que eu pretendesse dizer agora sumiu junto com meu ar.
Meu corpo estava tão deliciosamente sensível que quando a boca do ruivo encontrou minha vulva não consegui conter um gemido, sua língua começou a se mover, contornou minha entrada, massegeou meus grandes e pequenos lábios e, por fim, pressionou meu clitóris. Suspirei pesadamente e mordi os lábios tentando, de certa forma, me controlar, acabei me cortando com minhas próprias presas fazendo uma gota de sangue escorrer pelo meu queixo.
Laito continuou a fazer o que estava fazendo e estava tudo bem até ele sugar o meu clitóris com uma delicada intensidade, essa ação foi minha perdição, gemi alto e mergulhei em um furioso orgasmo agarrando os sedosos cabelos ruivos daquele vampiro. Reparei que Laito sorvia cada gota de líquido que se derramava de dentro de mim e quando aquela forte sensação já havia passado ele me colocou de volta na posição que nos encontrávamos inicialmente e me penetrou profundamente sem sequer esperar eu me recuperar um pouco.
Ele sabia muito bem o que estava fazendo, eu não tinha a menor dúvida que aquele Sakamaki sabia perfeitamente que eu estava hipersensível pelo orgasmo de alguns segundos atrás, então eu também sabia que ele sabia que quando entrasse em mim daquela forma eu teria um segundo orgasmo mais ardente que o primeiro. Apertei-o contra mim e deixei meu corpo se derreter em longos espasmos, enquanto ouvia Laito emitir um baixo gemido ao sentir meu interior comprimindo seu membro, nem sei quando ele se livrou da calça...
Mais uma vez ele não esperou que eu me recuperasse para começar a se mover, Laito me preenchia forte e profundo, fazendo-me quicar sobre si. Arfei quando ele lambeu a gota de sangue que havia escorrido pelo meu queixo beijando-me em seguida, minha boca acompanhava a sua com avidez e eu pude sentir o meu gosto misturado ao gosto do meu sangue, logo ele finalizou o beijo mordiscando meu lábio inferior.
— Laito-kun... – ofeguei seu nome quando senti que estava me aproximando de um terceiro clímax, ele me apertou em seus braços e beijou-me calando meus gemidos frequentes. Novamente, contorci-me em maravilhosos espasmos enquanto Laito também chegava a seu ápice, derramando-se dentro de mim e beijando-me com mais ferocidade.
Assim que toda nossa comoção passou, Laito se retirou de meu interior e me colocou de pé, minhas pernas estavam fracas e tremiam, eu não conseguiria me manter em pé se ele me soltasse por isso segurei-me em seus ombros, ao perceber que eu não conseguiria me manter sozinha ele me pegou no colo e me deitou no divã do provador.
— Foi tão divertido, Sly-chan! Nós deveríamos repetir a dose qualquer dia desses. – disse satisfeito enquanto fechava o zíper da calça e recolhia suas roupas espalhadas pelo cômodo, então ele não tinha tirado a calça... Espera! Ele me chamou de quê? O que houve com “Muchi-chan”? Quer saber, acho que esse apelido combina muito mais comigo.
— Demoramos quanto tempo? – perguntei curiosa virando-me para observá-lo vestindo as roupas.
— Em torno de uns cinquenta minutos. – respondeu enquanto colocava o chapéu, ele já estava indo em direção à porta para sair.
— Oe, aonde você pensa que vai? Pode voltar aqui para me ajudar a vestir as roupas! – chamei com irritação, Laito se virou e ergueu uma sobrancelha com incredulidade. – Da próxima vez que quiser sair logo depois de acabar evite me deixar com as pernas dormentes. – acrescentei com raiva, ele deu uma risada de escárnio, mas voltou para me ajudar.
— Você é tão intrigante, Sly-chan! É por isso que você é minha noiva favorita. – proferiu divertidamente e veio até mim após pegar minhas roupas, segurou meu queixo delicadamente e aproximou seus lábios dos meus. – Aishiteru, Sly-chan! – declarou sedutoramente e me deu um selinho, corei profundamente e abri a boca para responder alguma coisa, mas acabei optando pelo silêncio, ele deu uma risadinha pela minha reação e me pôs sentada.
Laito começou a me vestir comigo ajudando-o. Era a segunda vez que ele dizia isso para mim, me perguntei se era verdade ou se ele dizia isso para todas as noivas que o agradavam de alguma maneira, preferi não me iludir e escolhi acreditar na segunda alternativa, mesmo assim ouvi-lo dizer que me amava era muito bom, abri um sorriso discreto. Fiquei em pé para colocar a saia do uniforme e me firmei segurando em Laito que havia se inclinado para me ajudar com a saia, logo ele a abotoou em minha cintura e eu sentei-me para colocar as meias que usava junto com o uniforme, isso eu podia fazer sozinha.
— Muito obrigada, Laito-kun! – agradeci lhe mandando um sorriso fofo.
— Não abra muito as pernas, Sly-chan! – aconselhou-me com um sorriso pervertido e jogou alguma coisa no meu colo antes de desaparecer, olhei para o pedaço de pano e percebi que era minha calcinha, ela estava completamente inutilizável. Suspirei chateada e guardei o retalho no bolso interno do blazer do uniforme, calcei as meias e os sapatos rapidamente, por causa dessa minha travessura eu teria que pegar o vestido que mais me atraísse sem experimentá-lo, afinal se demorasse mais alguns minutos era capaz do Reiji me jogar em uma gaiola.
Dei uma olhada nos vestidos da arara e recolhi aquele que fez meus olhos brilharem, me dirigi à saída, porém captei algo que me chamou a atenção pelo canto dos olhos. Fui até a pequena cesta no canto da sala e peguei a revista que tanto me chamou atenção, era Kou quem estava na capa da mesma, por isso tive interesse em ver como ele era como ídolo, dobrei-a delicadamente e escondi-a sob o blazer do uniforme para lê-la na mansão mais tarde.
Ao sair da sala senti um irritante incômodo por estar sem calcinha, mas tentei andar normalmente para não levantar suspeitas. Cheguei à sala na qual nós havíamos esperado anteriormente e fiquei contente ao constatar que Yui ainda não havia o que significava que eu não estava atrasada e que levei menos que o tempo necessário para “experimentar todos os vestidos”. Desta vez sentei-me no chão, próxima ao divã para usá-lo como encosto tomando cuidado para não vacilar e acabar revelando que estava sem calcinha, notei que Laito não estava na sala e lamentei por Yui, eu precisava acabar logo com essa nossa maldição, afinal a loira acabava afetada pela minha sina.
— Chichinashi está demorando muito e o maldito do Laito também sumiu! É melhor que ele não esteja tentando nada com a Chichinashi, se não aquele bastardo vai se ver comigo! – Ayato reclamou com um péssimo humor, eu sorri imperceptivelmente me deleitando em como as circunstâncias estavam a meu favor para que ninguém descobrisse minha molecagem, embora me sentisse culpada por saber que Yui seria minha apólice de seguro.
— Você tem dúvidas que ele está tentando algo com a Yui? – Ruki perguntou provocativo sem tirar os olhos do livro que, aparentemente, estava lendo. Ayato se ergueu do sofá com os punhos cerrados demonstrando raiva.
— Vai se foder, Mukami de merda! – xingou com um tom de profundo desprezo na voz.
— Ayato, recomponha-se, nós estamos em um ambiente público. – Reiji advertiu parecendo um pouco irritado pela falta de modos do irmão mais novo, em resposta o ruivo soltou uma interjeição irritada e marchou em direção aos provadores femininos, presumi que ele estava indo verificar a situação entre Laito e Yui.
Nesse momento ouvi uma risadinha atrás de mim, era Shu que divertia-se não sei com o quê, virei minha cabeça para encará-lo.
— Qual é a graça, Shu-san? – perguntei baixinho para que somente ele ouvisse, o vampiro entreabriu os olhos e me fitou com um meio sorriso.
— O fato de Ayato achar que Yui e Laito estão fazendo “algo inapropriado”, como diria o meu irmão idiota, quando é você que está com o cheiro repulsivo do Laito impregnado na pele. – respondeu calmamente parecendo se divertir ao ver minha expressão de curiosidade mudar para pavor ao ouvi-lo dizer tais palavras.
— E-Eu estou com... o cheiro do Laito? – perguntei retoricamente num murmúrio pasmo, empalideci somente para ficar rubra em seguida, Shu riu da minha cara. Voltei a minha posição inicial e encarei o chão, meu plano de manter tudo em segredo havia falhado, pois se eu estava mesmo com o cheiro do Laito todos acabariam sentindo quando entrássemos no carro, ainda assim eu não me arrependia de nada. – Por que será que eu só me meto em confusão? – questionei-me decepcionada com o rumo para os quais minhas decisões sempre me levavam.
— Você procura pela confusão, garota suja. – Shu respondeu-me mesmo que eu não tivesse direcionado a pergunta para ele ou para alguém específico. Suspirei derrotada e pousei minha cabeça sobre a superfície do divã, encarando o teto.
— Tem razão e isso é lamentável, como diria seu irmão idiota. – concordei com um tom de fracasso entrando na onda do vampiro preguiçoso, ele deu um leve sorriso e voltou a fechar os olhos. Shu não parecia se importar muito com quem eu ficava ou deixava de ficar, incomodei-me com isso, porque o significado mais provável para toda essa indiferença só podia se dever ao fato dele estar se lixando para minha existência, me senti triste por isso.
Todos estavam em total silêncio, apenas Kanato conversava baixinho com Teddy, por isso foi possível ouvir com extrema clareza o estrondo que se deu no provador em que Yui se encontrava, eu tomei um susto e os outros direcionaram seus olhares para a porta dos provadores femininos. Levantei-me rapidamente e me dirigi ao local, rezando para não ter acontecido nada muito grave, principalmente com a loira.
Quando olhei para dentro da sala entendi o que havia acontecido, parecia que Ayato havia socado Laito que provavelmente deveria tê-lo provocado de alguma maneira, com o impacto do soco Laito acabou sendo arremessado contra a arara de vestidos da Yui fazendo-a bater contra a parede o que provocou o estrondo. Eu só precisei de um milésimo de segundo para entender o que estava acontecendo e sair correndo em direção à saída da loja, passei em disparada pelos outros vampiros que estavam indo ver o que havia acontecido e atravessei toda a loja até pisar os pés na calçada em frente à loja, apoiei as mãos nos joelhos e respirei fundo tentando controlar minha respiração e me acalmar.
O motivo dessa minha agitação foi o fato de que assim que cheguei perto o suficiente da porta para descobrir o que se passava senti um aroma extremamente tentador, Laito possuía um filete de sangue escorrendo do nariz pelo soco que tinha recebido de Ayato e o cheiro o seu sangue se espalhava pelo quarto me provocando à bebê-lo, automaticamente minhas presas surgiram e, antes que eu decidisse avançar sobre aquela tentação à minha frente, saí correndo em busca de ar.
Logo que senti meu controle totalmente recuperado me pus ereta e comecei a andar para longe da loja, eu já estava ficando cansada de toda essa besteira de Despertar. Às vezes eu penso que teria sido muito mais fácil se eu não tivesse passado do primeiro estágio, aguentar torturas é menos doloroso do que ver aberrações te olhando como uma aberração. É assim que eu me sinto todas as vezes que me descontrolo na frente dos Sakamaki e Mukami, o jeito que eles me olham não é muito agradável.
Desta vez eu não me permiti chorar, tudo era consequência de minhas próprias escolhas eu só precisava aprender a andar com esse fardo nas minhas costas. Passei mais alguns poucos minutos caminhando e decidi parar ao encontrar um banco estrategicamente colocado na calçada próximo à rua e abaixo de um poste de luz, sentei-me e olhei ao redor para identificar o lugar, sim, os garotos passariam por essa rua quando estivessem indo para casa.
O ar da noite estava muito frio e o fato de eu estar sem calcinha estava me incomodando profundamente, por isso fiquei praticamente agarrada à barra da saia para tentar amenizar a sensação gelada. Pelo uns quinze minutos se passaram até a limusine negra da família Sakamaki parar à minha frente, levantei-me calmamente e estendi a mão para abrir a porta.
Estava na hora de voltar para casa.
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