Notas iniciais
Yoo, minna! Desculpem o atraso de um dia na postagem do capítulo, domingo acabou sendo um dia cheio e eu esqueci totalmente de deixar a postagem programada antes. Me desculpem mesmo e aproveitem esse capítulo! XOXO, Natia-sama

Graças ao Shu eu já sabia que estava com o cheiro do Laito, por isso quando entrei no carro sentei do lado dele para tentar disfarçar que estava com seu cheiro. O medo da bronca que o Reiji iria me dar por ter “fugido” não chegava nem perto do medo de descobrirem o eu havia feito com o ruivo, quer dizer, eu não estava arrependida de jeito nenhum, mas eu realmente não queria ser linchada e muito menos queria ser mais um motivo para a briga deles.

Na verdade o que mais me preocupava no fato de descobrirem que eu transei com o Sakamaki pervertido era meu relacionamento com Yuma, nós já não estávamos muito bem devido ao soco que eu dei nele, contudo eu sabia perfeitamente que se ele soubesse de mim e do Laito as minhas chances de conseguir fazer ele me desculpar cairiam drasticamente.

Eu não considerava meu sexo com o ruivo uma traição, até porque eu não tinha nenhum compromisso amoroso com nenhum deles e eles também não tinham comigo, eu gostava de cada um deles separadamente e, na minha visão, nosso relacionamento era superaberto. Eu não ficaria chateada se descobrisse que algum deles dormia com a Yui e comigo, certo, talvez eu ficasse um pouco, porém creio que seria algo passageiro; em compensação, eu bem sabia que o verdadeiro problema deles era a possessão e era por esse motivo que alguns deles iriam brigar e se irritar muito comigo.

— É melhor que não tente fugir novamente. – Reiji avisou deixando implícita uma ameaça. – Eu já estou cansado de lhe dar avisos e gostaria muito de lhe aplicar a punição necessária, mas não tenho tempo para perder com você. – acrescentou entredentes, ele parecia estar tentando conter toda sua fúria. Não o culpei por estar irritado comigo, eu realmente lhe causava muitos problemas e ele já deveria estar bem estressado com toda essa história de organizar um baile sozinho, mesmo assim não consegui deixar de soltar um suspiro cansado.

— Desde que cheguei à casa de vocês disse que não tinha a menor intenção de fugir e manterei minha palavra até meu último suspiro. – enfatizei o olhando profundamente. – Eu só precisava respirar um pouco de ar puro. – esclareci, ele ajeitou os óculos e voltou a ler seu livro sem a menor vontade de discutir comigo.

— Por falar em ar puro, Ningyo-chan, por que você está com o cheiro do Laito? – Kou perguntou incisivo, ele estava sentado do meu outro lado e chegou mais perto para sentir meu cheiro, eu me encolhi e pressionei as coxas lembrando-me que estava sem calcinha. Maldição! Por que o Kou tinha que ser assim? Por que ele tinha que estar do meu lado?!

— Porque eu estou sentada perto dele, é claro. – respondi calmamente, fiz um enorme esforço para não gaguejar e tentei soar o mais segura possível, porém Kou me pegou desprevenida e minha voz acabou tremulando.

— Lye, Ningyo-chan. – contestou em um tom de provocação, ele já sabia e estava me torturando. – O cheiro dele está vindo diretamente de você. – finalizou, nessa hora eu senti os olhares de todos no carro recaírem sobre mim, engoli em seco e mantive o silêncio, o que já provava minha culpa.

— O que foi, idiota? Perdeu a capacidade de falar? – Subaru incitou-me com uma expressão de raiva, estreitei os olhos com irritação.

— Muchi-chan, você quer que eu guarde segredo sobre o que fizemos no provador? – Laito perguntou-me num sussurro alto o suficiente para todos no carro ouvirem, ele me olhava com divertimento.

Quis morrer ao mesmo tempo em que quis matar aquele ero-kyüketsuki, era óbvio que ele queria que todos soubessem que eu transei com ele, acho que eu não teria a menor chance de guardar segredo se também dormisse com algum dos outros, afinal todos eles possuíam um ego enorme e adorariam ver a reação dos outros quando descobrissem que tinham transado comigo.

— Não, Laito-kun, eu tenho certeza que todos eles já sabem. – respondi com uma calma completamente falsa. – E, então? Podem começar a guerra! – anunciei com as sobrancelhas arqueadas.

A reação da primeira pessoa que notei foi a do Yuma, eu estava realmente preocupada com isso, mas assim que nossos olhares se cruzaram ele virou o rosto para a janela e travou o maxilar. Shu nem se deu o trabalho de abrir os olhos, só carregava um sorrisinho irritante por me ver no meio daquela cena humilhante.

Laito tentava esconder o riso com a mão sobre a boca e Kou carregava um meio sorriso, ele não olhava para mim e seus olhos pareciam carregar um misto de chateação e decepção.

Subaru também estava olhando pela janela e parecia indiferente à situação, todavia eu o vi ranger os dentes imperceptivelmente. Kanato e Azusa pareciam confusos sobre o que estava acontecendo, acho que eles não captaram a mensagem subliminar por trás da conversa.

— Em um local público. Que coisa decepcionante. É bem o tipo de característica de garotas indecentes. – Reiji comentou com reprovação, porém havia outra coisa que não consegui identificar com clareza já que sua expressão estava indecifrável.

— Para sua informação, Reiji-san, eu nunca havia me relacionado com garotos antes de ir morar na mansão de vocês, o único que eu conheci foi um idiota que vivia tirando sarro de mim. Todas as minhas primeiras vezes foram com vocês. – falei séria com os braços cruzados, não iria deixa-lo dizer que eu era uma prostituta só porque cedi a alguns desejos, bem ele não disse exatamente isso, mas deu a entender que era isso que queria dizer.

— Isso é ótimo! Mas o que você pretende? Dormir com cada um de nós até descobrir aquele que mais lhe agrada? – Ruki desafiou-me erguendo uma sobrancelha, ele não parecia incomodado, só curioso. O fitei por um segundo antes de decidir se deveria ou não responder.

— Talvez eu acabe dormindo com cada um de vocês, sim. Porém não será para descobrir quem me agrada mais na cama, isso não é uma competição e eu só transo com aqueles que me dão motivos para tal. Até agora os únicos que me provaram que valeria a pena foram Yuma e Laito e eu não me arrependo nenhum pouco de ter ficado com eles, cada um foi especial à sua maneira e eu ficaria muito feliz se acontecesse de novo. – discursei para deixar bem claro que tudo que eu fazia tinha um motivo por menor que fosse. – Eu não sou inocente e nem sou pura, eu sou cheia de desejos, assim como vocês e o toque de cada um me instiga de uma forma diferente. Eu seria a pessoa mais feliz do mundo se pudesse sentir cada um mais profundamente, mas não posso fazer isso apenas por ter um desejo eu preciso de mais do que puro prazer para me satisfazer. – revelei sinceramente. Kami-sama! Nem eu estava acreditando que tinha mesmo dito isso, às vezes eu era sincera demais!

Eu falei tudo aquilo sem perceber, era como se eu estivesse desabafando para eles, eu não filtrei as palavras só queria falar a verdade para que eles entendessem como eu era e que não deveriam se irritar com certas ações minhas. E também eu queria que eles parassem de culpar quem dormia comigo para evitar brigas desnecessárias, de certa forma eu estava só direcionando a raiva deles para mim, entretanto era melhor do que vê-los brigando.

Todos pareciam intrigados com o que eu falei, alguns até estavam minimamente surpresos e Yui me olhava mais incrédula do que quando descobriu que eu fiz sexo com o Laito, acho que ela – ou qualquer outro ali, fora o Laito – não estava acostumada à ouvir uma garota falando tão abertamente sobre desejos carnais e outras coisas...

— Que motivos esse jardineiro de merda e esse pervertido desgraçado podem ter te dado para você resolver foder com eles, Jujuba? – Ayato perguntou indiscretamente o que, provavelmente, todos queriam saber. Revirei os olhos pelo palavreado grosseiro que ele usou.

— Primeiramente, não é como se você pudesse me dar um motivo intencionalmente, não acho que Laito ou Yuma saibam qual foi o motivo que me levou a ceder, então nem adianta tentar me convencer, porque meus motivos são baseados em pequenas coisas que provavelmente nem mesmo as próprias pessoas sabem que fazem. – decidi responder à sua pergunta primeiro e em seguida acrescentei. – E, segundo, não diga “foder”. É uma palavra horrível e tem uma conotação péssima, faz eu me sentir uma Cordelia da vida, coisa que eu definitivamente não sou. – falei severamente e alguns deram risadas discretas.

— E por que não? Pelo que eu estou vendo você está fazendo o mesmo que ela fez com Karl Heinz e com Richter. – Yuma questionou-me com raiva, acho que ele estava querendo começar outra briga.

— Sério?! – falei como se tivesse ouvido a coisa mais extraordinária da Terra. – Eu não sabia que era casada com algum de vocês! Espera aí! Onde está minha aliança? – encenei olhando minhas mãos em busca de uma aliança de casamento. – Quando foi que algum de vocês me pediu em casamento? Eu acho que estou com um lapso de memória porque não me lembro do Karl “Heinztardado” ter me dado como noiva específica de um de vocês. Ou será que alguém me pediu em namoro e eu não estou me lembrando? – finalizei fazendo uma careta bem exagerada de quem tentava lembrar algo muito importante. O Mukami rosnou se controlando para não pular em cima de mim dentro do carro e se voltou para a janela.

— S-só porque a T-Tora-san quer ser de t-todos n-não significa que ela s-seja igual à C-Cordelia... – Yui me defendeu timidamente, ela deveria estar com muito medo ou muita vergonha para gaguejar daquele jeito, sorri feliz para a loira e ela retribuiu com um sorriso discreto.

— Tora-chan não pode ser de todos! Ela tem que ser só minha, por isso vou transformá-la em uma boneca imóvel e silenciosa, assim ela não poderá falar coisas irritantes ou fazer coisas idiotas. – Kanato se pronunciou parecendo bem irritado, com certeza o argumento dele foi o mais forte que eu ouvi até agora.

— Tora-san, por que você não pode escolher só um de nós? Não acho que seja uma tarefa tão difícil assim. – Azusa disse olhando para mim inocentemente, ele era muito fofo, mas eu já havia ultrapassado o limite da minha paciência. Soltei um grito frustrado.

— Por que diabos eu tenho que escolher algum de vocês? Por que não podem simplesmente esquecer toda essa possessão e me aceitar assim? Ou me matem de uma vez, porque eu nunca vou conseguir me decidir entre um e outro, a não ser que exista um único vampiro que seja a síntese de todas as qualidades e defeitos que vocês têm. Até eu conhecer esse vampiro perfeito é melhor se acostumarem com a ideia de eu ser de todos ou de nenhum, não tem meio-termo! – retruquei despejando toda minha irritação, por sorte o carro parou em frente à mansão bem na hora que eu havia acabado de falar, por isso saí rapidamente e, depois de colocar uma calcinha, me dirigi a algum lugar que pudesse respirar e ficar sozinha.

Acabei indo parar no salão de festas, fiquei surpresa ao ver como ele estava diferente desde a última vez que eu entrei ali. Ele estava repleto de caixas enormes e aparentemente pesadas, havia duas longas mesas de mogno em um canto e em cima delas havia alguns jarros com algumas opções de diferentes arranjos de flores.

Observei o local e decidi me sentar entre duas caixas enormes no canto do salão, dessa forma ficaria bem escondida, pois uma das longas mesas estava na frente cobrindo parcialmente a visão de onde eu estava sentada de quem quer que entrasse por lá. Recostei-me na parede e abracei meus joelhos apoiando meu queixo neles, acho que desde que acordei do Despertar acabava me isolando de todos por qualquer coisa, a solidão estava me atraindo muito ultimamente, mas é compreensível já que ela é bem menos complicada do que conviver com seres pensantes.

Suspirei com cansaço e fechei os olhos. Tudo parecia tão complicado agora, a simplicidade com que eu via as coisas antes de vir para cá parecia ter sumido depois de tudo que eu passei e mesmo que eu tentasse ver tudo preto no branco sempre havia algum tom de cinza para dificultar a situação. Acho que isso acontece porque as pessoas são bem mais profundas do que transparecem e as coisas que elas fazem sempre vêm carregadas de mais intenções do que elas demonstram, vou ter que começar a aprender a ler as entrelinhas.

Bem, não importa, agora eu preciso lidar com uma questão de extrema importância, afinal não posso deixar essa tensão entre Yuma e eu continuar, não dá para ficarmos assim pelo resto das nossas vidas, ou seja, pelo resto da eternidade. Abri os olhos e encarei a mesa à minha frente, de repente eu tive a ideia brilhante que talvez pudesse acertar as coisas entre nós, não era garantido que aquilo iria realmente funcionar, mas foi a melhor coisa que me passou pela cabeça e parecia a coisa mais certa a se fazer.

Levantei-me num pulo e me dirigi até à enorme mesa de mogno, abri um leve sorriso e me senti empolgada para pôr o plano em prática. Observei a infinidade de arranjos de flores procurando pelas flores ideais para o que eu tinha em mente, não me importava se iria desfalcar a decoração do baile fazendo isso e também estava me lixando se Reiji descobrisse e me punisse depois, valeria a pena se tudo desse certo. Finalmente localizei o que estava procurando, com cuidado removi as três flores de seus devidos arranjos e as juntei em um pequeno buquê cheirando-as em seguida.

Eu havia furtado três dálias, cada uma com uma cor diferente para expressar o que eu queria dizer ao Yuma. Uma era amarela, que significava amor correspondido e seria a resposta para a linda tulipa que ele me dera um tempo atrás; outra era vermelha, esta significava paixão insinuante e especificava exatamente o meu amor por ele; a última era roxa e estava ali como um tipo de pedido de desculpas associado a uma forma de tentar fazê-lo me compreender, afinal o significado dela era bem objetivo: tenha piedade de mim.

Balancei a cabeça satisfeita com minha escolha e saí do salão de festas com destino à estufa que Yuma tanto amava, porém antes fiz uma breve prece para não ser abordada por ninguém durante meu caminho até lá. Por sorte minha prece foi atendida e eu não fui interrompida durante todo o caminho até a estufa, que por acaso ficava longe para caramba da mansão, não sei quanto tempo precisei andar dentro daquele bosque para encontrar o lugar, ainda bem que tinha uma trilha até lá senão eu teria me perdido no meio de todas aquelas árvores.

Na verdade eu tentei fazer todo o trajeto o mais rápido possível, pois aquele lugar me fazia lembrar coisas não muito agradáveis, a sensação de náusea e tontura era tanta que no meio do caminho eu quase tive um colapso parecido com aquele de quando encontrei o Edgar na cozinha, mas eu consegui evitar respirando fundo e focando no chão de terra da trilha. Foi um alívio quando finalmente cheguei ao meu destino.

Entrei na estufa o mais silenciosamente possível e vasculhei o local em busca do vampiro que eu procurava, ele não estava lá o que era realmente perfeito para o meu plano, em seguida tentei encontrar o lugar onde as flores ficariam visíveis o suficiente para que Yuma as encontrasse rapidamente. Vi um canteiro no fundo da estufa que era dedicado somente a lindas rosas Scarlet carsons e achei que seria ideal para minhas flores que ficariam bem mais chamativas se colocadas próximas às rosas, me dirigi até elas e no caminho decidi que a minha assinatura seria uma gota de sangue para deixar claro quem havia sido o remetente.

No entanto, antes que eu pudesse chegar onde queria, ouvi a porta da estufa batendo, eu sabia que era Yuma e que eu estava completamente enrascada por ter invadido o lugar dele. Gelei completamente, como eu poderia encarar isso sem ter uma explosão?

— O que pensa que está fazendo aqui, vadia? – perguntou rudemente, ele com certeza estava com raiva. Respirei fundo e me controlei para não respondê-lo da pior maneira possível, me virei escondendo as flores atrás de mim e o encarei inocentemente tentando não parecer irritada por ter sido chamada de vadia.

— Eu vim aqui no intuito de te pedir desculpas pelo soco de mais cedo, não foi nada pessoal, acredite em mim quando digo que se fosse o Reiji quem tivesse dito aquilo eu também teria batido nele. – respondi calmamente, quando comecei a falar minha intensão era ser fofa e lhe entregar as flores, mas no meio da nona palavra minhas intenções se desviaram totalmente.

— Mas não foi o Reiji, fui eu! – rosnou já com os punhos cerrados de fúria. Eu engoli em seco e continuei calada. – Saia logo daqui antes que eu desista de tentar me controlar para não te espancar. – ordenou entredentes, eu o fitei por um longo segundo e concluí que flores não resolveriam nada. Suspirei frustrada.

— Certo. Perdoe-me o incômodo. – falei num sussurro e comecei a andar para a saída passando o mais longe possível dele e tomando cuidado para que ele não visse o pequeno buquê.

— Espere! – exclamou subitamente e eu parei onde estava ainda de costas para ele, por um milésimo de segundo pensei que ele fosse reconsiderar só que foi tão rápido que nem chegou a se tornar um pensamento concreto. – O que você está escondendo? É melhor que não tenha roubado nenhuma flor daqui. – perguntou deixando uma ameaça implícita. Apertei as mãos em volta das hastes das três dálias me segurando para não tornar a situação pior do que já estava.

— Não se preocupe, Yuma-kun, eu não pegaria nenhuma de suas preciosas flores sem sua permissão. – respondi lentamente rangendo os dentes ao terminar de falar e voltei a andar. Como ele ousa me insultar dessa forma? Eu realmente não queria piorar as coisas, porém era uma tarefa difícil quando ele fazia de tudo para me irritar.

— Então me mostre, e é melhor que seja por bem. – avisou todo cheio de si. Nessa hora ele finalmente conseguiu ultrapassar meus limites, mandei meu bom-senso para o espaço, e daí se ele iria me espancar? No final das contas não seria pior que o Inferno.

— BAKA! – gritei com toda minha voz enquanto me virava para ele, eu ainda não havia decidido se estava xingando a ele ou a mim mesma. – Eu só queria fazer as pazes com você para voltarmos ao normal, mas é impossível tentar fazer isso quando você só sabe me julgar! – acrescentei revoltada e joguei as dálias no chão com força fazendo-as se despedaçarem parcialmente, me virei e corri para fora daquele lugar.

Eu já sabia para onde iria agora, precisava espairecer e um lugar do jardim ainda precisava ser arrumado. Decidi que nunca mais tentaria pedir desculpas ou algo parecido com isso para qualquer homem dessa mansão, eu nunca mais me rebaixaria ao ponto de aceitar ser insultada para me reconciliar com alguém, a partir de hoje eu não seria mais tão idiota.

Yuma POV’s On

Assim que Tora saiu correndo da estufa eu fiquei sem reação encarando as flores que ela jogara no chão. Sim, eu estava com muita raiva dela, primeiro ela teve a ousadia de me bater, naquele momento minha vontade era levantar daquela mesa e espanca-la até que estivesse inconsciente, mas eu não o fiz. E depois teve aquela história com aquele Sakamaki desgraçado, o que mais me irritou não foi o fato dela ter transado com aquele maldito, foi ela não ter visto o menor problema em fazer aquilo e ainda ter me insultado falando aquele monte de besteiras.

Rangi os dentes ainda furioso com aquela situação e andei lentamente até as flores que ela tentou esconder de mim. Agachei-me em frente a elas e as observei, eram dálias, eu não as cultivava na minha estufa o que significava que ela não havia roubado nada como a acusei de ter feito, não importa, a culpa era dela por entrar ali sem permissão.

Recolhi as flores quase despedaçadas do chão e as olhei com mais atenção tentando lembrar o que cada uma significava exatamente, afinal se a ruiva fora até ali com elas era para entrega-las a mim. Precisei fazer um esforço para lembrar, porém consegui recordar a definição de cada uma delas e captei a mensagem que Tora queria me mandar.

— Merda! O que foi que eu fiz? – resmunguei com raiva de mim mesmo.

— O que houve, Yuma? – Azusa perguntou-me aparecendo de repente, larguei as dálias e me levantei ficando de frente para meu irmão mais novo que girava uma faca entre os indicadores e me encarava, nunca entendi a fascinação dele por objetos cortantes, mas é claro que essa fixação se deu por causa do que ele passou.

— Nada de importante, Azusa, não precisa se preocupar. – respondi calmamente, não havia motivo para ele saber.

— É algo a ver com a Tora, não é? Eu a vi sair correndo daqui poucos minutos atrás. – agora foi a vez de Ruki dar seus palpites, suspirei com irritação e decidi contar de uma vez ou eles não iriam me deixar em paz.

— Aquela garota veio aqui querendo fazer as pazes e eu briguei com ela. Não preciso aguentar as crises de arrependimento dela. – expliquei rapidamente, omitindo as partes que me convinham.

— E essas flores? Parecem ter um significado importante. Foi Tora quem as trouxe? – mais uma vez Ruki foi quem reparou nessa idiotice.

— Se Tora-san se esforçou tanto a ponto de furtar as flores dos arranjos da decoração do baile para lhe trazer, você poderia ao menos tê-la escutado. – Azusa disse me dando sermão, trinquei os dentes. Tora furtou as flores da decoração do baile para me dar? Se o Reiji descobrir ela está completamente ferrada! Abri um pequeno sorriso ao imaginar a expressão dela tentando se decidir entre pegar ou não as flores.

— Eu não sabia disso. – aleguei franzindo as sobrancelhas.

— Onde você achava que ela tinha conseguido as flores, Yuma? – dessa vez foi Kou quem apareceu para me questionar. – Esqueça! Você nem pensou nisso, não é? – ele mesmo se respondeu acertando em cheio, bufei e virei o rosto, às vezes era irritante saber que esses três me conheciam tão bem.

— Tsc! Isso pouco importa! Ela me socou. Me dar algumas flores não vai fazer ficar tudo bem. – retruquei já começando a me irritar novamente.

— Nós sabemos que o soco não é o único motivo da sua raiva, também é pelo fato dela ter ficado com o Laito. – Ruki disse seguramente, eu estava pronto para negar mesmo que aquilo fosse verdade, mas ele foi mais rápido. – Todos nós estamos irritados com isso. – acrescentou amargamente soltando um suspiro frustrado.

— Mas a Tora é assim. Não vai adiantar nada ficarmos irritados toda vez que ela transar com alguém, ela não vai parar só para agradar um ou outro, afinal a Ningyo-chan sempre faz o que quer e se a vontade dela é pertencer a todos, assim será. – Kou discursou com seriedade embora houvesse uma nota de desgosto em sua voz. Nenhum de nós estava feliz por ouvir aquilo, contudo a verdade nem sempre era muito agradável.

— Tora-san é tão complicada, quando parece que estamos prestes a entendê-la acontece algo que a faz ficar ainda mais confusa. – Azusa disse com cansaço e todos nós assentimos em concordância, aquela garota era um enigma difícil de decifrar.

— Bem, vamos parar com esse assunto. Eu não nos reuni aqui para falarmos sobre a personalidade intricada da Tora. – Ruki encerrou o assunto.

— Então qual o motivo da reunião? – perguntei interessado na questão que nosso irmão mais velho poderia querer tratar conosco, logo todos estavam atentos para o que Ruki iria responder.

— Como todos já sabem, Karl Heinz chega amanhã, porém ele não virá sozinho, os Tsukinami estarão em sua companhia. – respondeu lentamente, eu cerrei os punhos, Azusa estreitou os olhos e Kou cruzou os braços. Por que Karl Heinz traria aqueles dois com ele mesmo depois de tudo?

— Qual o motivo disso? – Kou questionou deixando bem clara a sua aversão à presença daqueles dois.

— Eu não sei. Como sempre, Karl Heinz só me disse o que achou que nós precisávamos saber. – Ruki falou insatisfeito com a falta de informações.

— Você falou com ele quando? – Azusa indagou curioso.

— Eu não falei, chegou uma carta dele para mim hoje. – esclareceu e acrescentou mais sério que o comum. – De qualquer forma, para nós não importa quais são os planos dele para os Tsukinami, temos coisas mais importantes para nos preocupar.

— O que aquele cara quer de nós dessa vez? – interroguei claramente desconfortável por ter que fazer parte de mais um dos planos dele.

Ruki deu um meio sorriso e eu soube que algo realmente perigoso estava por vir.

Notas finais
Você deveria fazer o que eu digo, você deveria ser do jeito que eu quero, você deveria ser só minha. Você não é como deveria ser e isso me irrita profundamente, por isso vou te moldar à minha vontade e te fazer da forma como eu quiser. Não tente resistir! Será por bem ou por mal, vou deixar você decidir. Yuma Mukami