Notas iniciais
E aí, pessoal! *-* Primeiramente, eu queria agradecer muito, muito, muito à uma leitora incrível que recomendou a história. MUITO OBRIGADA, PikaGirl! Você não faz ideia do quanto me deixou feliz ver a sua opinião geral da fic, eu realmente não consigo expressar isso em palavras. Agradeço muito pela sua recomendação e mais ainda por sempre comentar em cada capítulo! Você é demais! ♥ ♥ ♥ Agora sobre esse capítulo só tenho a dizer que a treta vai começar de verdade nessa bagaça, espero que estejam preparadas para emoções ainda mais fortes de agora em diante! :3 Além disso, vamos começar também a contagem regressiva, afinal esse já é o 13º capítulo, só mais dois e chegaremos ao fim do bálsamo de ter um capítulo toda semana porque eu sou um desastre ambulante e até agora não escrevi nadica de nada! Espero que aproveitem esse capítulo show de bola! XOXO, Natia -sama

Remexi-me por sob os braços de alguém e senti meu pescoço doer com o movimento, percebi que havia música tocando em algum lugar e esfreguei um olho bocejando antes de tomar coragem para abrir os olhos, quando o fiz lembrei-me que havia dormido com Shu e que a música que eu estava ouvindo vinha do fone que compartilhávamos. Notei que nenhum de nós dois havíamos saído da posição em que adormecemos, por isso meu pescoço estava doendo, eu realmente devia estar muito exausta para cair em sono tão profundo e não me mexer a noite – ou, no caso, o dia – toda.

Dirigi meu olhar para o rosto do loiro que me abraçava e o observei em sua serenidade enquanto o via dormir de verdade pela primeira vez desde que o conheci. Sorri um pouco com sua aparência infantil – quase angelical – e levei minha mão até seu rosto acariciando sua bochecha com cuidado para não acordá-lo.

Perguntei-me que horas poderiam ser, cogitando seriamente a hipótese de passar o resto da minha vida naquela cama, infelizmente eu sabia que não podia fazer isso principalmente agora que a Christa se foi. Engoli o choro ao lembrar-me disso e suspirei, depois desse acontecimento eu teria que procurar algumas respostas para conseguir entender o que diabos estava acontecendo.

Encarei Shu por mais alguns segundos e criei forças para me levantar, tirei o fone que estava no meu ouvido tocando uma música clássica suave e com cuidado me desvencilhei dele para não correr o risco de acordá-lo, logo que me ajoelhei na cama e me espreguicei o loiro se moveu ficando de barriga para cima, encaixei o fone que eu estava usando anteriormente no outro ouvido dele e beijei a ponta de seu nariz antes de me levantar.

— Yoshi! – sussurrei para mim mesma com determinação e me alonguei para espantar a preguiça, em seguida fui até uma das janelas do quarto e abri uma fresta da cortina para tentar descobrir a hora, eu diria que eram umas sete horas da noite. Caramba, eu dormi o dia todo! Quer dizer, quando eu estava lá na torre o sol ainda estava nascendo e agora já era noite... Por Kami-sama! Eu dormi mais de doze horas e na mesma posição!

Fiquei um tempo tentando assimilar essa informação. Eu sabia que estava muito cansada, mas não imaginava que dormiria todo esse tempo, se bem que desde o Despertar eu não tive uma “noite” de sono decente e, por um lado, eu tinha me exercitado muito durante esses dias, isto é, eu arrumei a parte do jardim da Beatrix, depois transei com o Laito, aí eu limpei a torre da Christa e então dormi com o Shu, tudo isso em muito pouco tempo. Eu realmente precisava dormir.

Larguei a cortina e dei mais uma olhada no loiro antes de sair de seu quarto. Segui pelos corredores da mansão rezando para não encontrar alguém pelo caminho, principalmente Yui, eu ainda não sabia qual seria minha reação ao vê-la depois de saber tudo que aconteceu e também eu tinha certeza que estava ainda mais instável depois do que houve com a albina hoje cedo, não podia correr o risco de encontrar a loira e perder o controle sobre mim mesma.

Assim que entrei no corredor do meu quarto suspirei aliviada por não ter encontrado ninguém, no entanto cantei vitória cedo demais, pois logo senti minha mão ser segurada por alguém que estava atrás de mim. Paralisei na hora e arregalei os olhos enquanto meu coração acelerava de uma forma absurda.

— Tora-san? – chamou-me num sussurro e eu logo reconheci a voz. Virei-me lentamente e deparei-me com Teddy me encarando confuso, soltei todo o ar que estava em meus pulmões e coloquei minha mão livre sobre o peito tentando acalmar meu coração.

— Por Kami, Teddy, você quase me matou de susto! – retruquei num sussurro irritado.

— Desculpe, não foi minha intenção. – pediu sinceramente e fez uma reverência, eu sorri com seu gesto. Uma vez mordomo sexy, sempre mordomo sexy!

— Tudo bem. Vem comigo. – falei e o puxei pela mão que ele segurava até meu quarto, afinal era muito arriscado ficarmos no meio de um corredor no qual qualquer pessoa podia aparecer a qualquer momento, não que meu quarto fosse muito mais seguro.

Entrei no cômodo e fechei a porta silenciosamente, provavelmente parecia que eu estava fugindo de alguém, não que eu realmente estivesse, mas era sempre melhor prevenir do que remediar.

— Você está estranha, Tora-san. Aconteceu alguma coisa? – Teddy preocupou-se me encarando em questionamento.

— Eu só quero evitar encontros desnecessários, afinal como você pode perceber eu não estou muito apresentável no momento. – expliquei calmamente enquanto indicava a única peça de roupa que me cobria no momento, ele me analisou por alguns segundos e franziu a sobrancelha que não ficava escondida pelo tapa-olho.

— Você dormiu com alguém de novo? – perguntou parecendo insatisfeito, na verdade ele não parecia nem um pouco feliz, foi minha vez de franzir as sobrancelhas.

— Sim, e daí? – respondi ríspida, eu não acredito que ele também ia começar com a historinha de isso ser coisa de vadia. Teddy me fitou por alguns instantes parecendo se decidir sobre alguma coisa e depois suspirou em desistência.

— Nada, eu só fiquei um pouco surpreso, me desculpe. – disse calmamente, se sentando na poltrona que havia no meu quarto, porém eu percebi que não era aquilo que ele queria dizer. Dei de ombros e fui até o guarda-roupa, cada vez que nos encontrávamos eu ficava mais intrigada com esse fantasma. – Pode me dizer com quem foi dessa vez? – perguntou curiosamente e eu o encarei incrédula, onde está o Teddy todo gentil do outro dia?

— Como é?! – exclamei furiosa. – Por acaso você está fazendo algum tipo de investigação doentia para o Kanato? – perguntei profundamente puta da vida e o moreno me olhou surpreso.

— Não, é claro que não! Ele nem faz ideia que eu converso com você, Tora. – defendeu-se parecendo ofendido, a ofendida aqui deveria ser eu, meu bem! Balancei a cabeça em desaprovação e me voltei para o guarda-roupa para pegar algumas roupas.

— Olha, Teddy, eu gosto muito de você, mas admito que ainda sou um pouco desconfiada sobre quem você é de verdade. Toda vez que a gente se encontra você me mostra um lado diferente e isso é ótimo, mas às vezes você fica estranho demais. Como agora, por exemplo. Ou como ontem quando eu ouvi sua conversinha com o Kanato na loja. – despejei sem cerimônias olhando-o de relance vez que outra enquanto jogava as roupas que eu iria usar em cima da cama. – E, por falar nisso, que história era aquela dos meus gritos serem bonitos? – questionei incisiva parando com as mãos na cintura para encará-lo enquanto esperava por uma resposta.

Durante todo o meu discurso Teddy ficou me olhando impassível, como se não se importasse com o que eu estava dizendo, mas assim que eu fiz a pergunta o olho visível dele se arregalou um pouco e ele engoliu em seco, com certeza ele não esperava que eu soubesse disso então pensei sobre quantas vezes ele e o Kanato já conversaram coisas absurdas sobre mim. Sem muita demora ele pigarreou e se recompôs.

— Tora-san, eu sou o melhor amigo do Kanato-san. O que você esperava de mim? Eu posso não ser tão sádico quanto ele, mas é óbvio que precisaríamos ter coisas em comum para construirmos uma amizade. – retorquiu em um tom desafiador arqueando a sobrancelha, estreitei os olhos e sorri maldosamente.

— Boa resposta, Teddy—kun. – retruquei divertidamente frisando o sufixo no nome dele com um pouco de ironia, ele me presenteou com um sorriso de canto misterioso e eu concluí que, na verdade, ele era mais garoto macabro que mordomo sexy. Logo, fui até minha cômoda e peguei um conjunto de lingerie lilás. – Teddy-kun, poderia fechar os olhos enquanto eu me troco? – pedi indo até a cama.

— É claro. – concordou prontamente e fechou o olho, porém eu senti algo suspeito em sua voz, pressionei os lábios e decidi deixar para lá. Coloquei a calcinha rapidamente e tirei a blusa para colocar o sutiã. – Tougo-sama chegou aqui há pouco, fiquei sabendo que ele trouxe companhia. – comentou casualmente e eu franzi as sobrancelhas intrigada.

— Ehh, já tinha me esquecido disso. – falei mais para mim mesma e comecei a colocar a roupa, constatei que havia escolhido o traje perfeito para a ocasião. – Quem será que veio com ele? – perguntei curiosamente e o moreno deu de ombros. – Teddy-kun, me ajude aqui, por favor.

Ele abriu o olho e me viu parcialmente vestida esperando por sua ajuda, eu havia escolhido um kimono que ganhara de minha mãe pouco tempo atrás – para ser mais exata, alguns dias antes do meu aniversário –, na verdade eu acho que não foi ela quem o deu para mim, pois sua expressão enquanto me entregava o presente não era das mais satisfeitas. Desde que o ganhei o achei maravilhoso, embora essa fosse a primeira vez que eu o usava.

Ele era preto com estampa floral azul celeste, não era necessariamente um kimono japonês tradicional, pois sua saia era curta e possuía uma sobreposição mais longa na parte de trás; a parte de cima não possuía mangas em si, mas elas eram presas separadamente por cordões deixando os ombros a mostra; o obi¹ era bem apertado e de cor azul celeste como as estampas e tinha uma borboleta desenhada em um tom mais claro no seu centro; além disso, ainda havia uma meia 7/8 azul escura e um delicado kanzashi² de borboleta para prender o cabelo.

Teddy me ajudou a amarrar o obi e as mangas deixando-os bem firmes, em seguida eu coloquei as meias e uma sapatilha de fivela – o kimono não era tradicional, então simplesmente não precisava me ater a detalhes insignificantes como usar um geta³ no lugar da sapatilha. Ao terminar de me vestir, prendi o cabelo em um penteado propositalmente malfeito deixando algumas mechas soltas para emoldurar meu rosto e o enfeitei com o kanzashi.

Parei alguns segundos em frente ao espelho para ver como ficou o resultado final e me senti uma verdadeira gueixa, embora de um jeito muito mais moderno. Sorri para mim mesma.

— Você está maravilhosa, Tora-san! – o moreno elogiou-me admirado me encarando através do espelho.

— Muito obrigada, Teddy-kun! Acho que estou perfeitamente apresentável para conhecer o rei dos vampiros, não é? – constatei empolgada, virando-me de frente para o fantasma e ele assentiu em concordância. Embora eu já odiasse Karl Heinz não poderia negar que estava realmente ansiosa para conhecer o homem que causou tanta desgraça na vida das pessoas que se encontram nessa mansão.

— Escute, Tora-san. – chamou-me com seriedade segurando meu rosto para me manter olhando para ele, prestei muita atenção no que ele diria a seguir. – Tougo-sama é um homem muito encantador, envolvente, eu diria. Por isso, não se deixe enganar por ele. Se quiser manter a boa relação que tem com os Sakamaki e Mukami é melhor não cair nas teias deste homem. – aconselhou-me sabiamente e acariciou meu rosto antes de soltá-lo.

— Não se preocupe, Teddy-kun, eu sei exatamente o que esse homem é capaz de fazer. – tranquilizei-o lhe mandando um sorriso sugestivo, ele estreitou os olhos ao perceber que eu estava escondendo alguma coisa.

— Eu preciso ir agora, mas espero que me conte o que se passa em sua mente da próxima vez que nos encontrarmos. – Teddy avisou-me e segurou minha mão levando-a até os próprios lábios. Ele era tão quente.

— Da próxima vez peça mais tempo de folga ao Kanato e eu lhe contarei tudo que quiser saber. – instrui e ele acenou com a cabeça uma vez antes de beijar minha mão delicadamente, seu olho a mostra brilhou em vermelho como da última vez e ele foi gradualmente desaparecendo.

— Até mais ver, bela dama... – despediu-se após seu corpo ter desaparecido completamente e somente seu olho tremulava a minha frente enquanto sua voz reverberava pelo quarto. Comecei a achar que o Gato de Cheshire foi baseado nesse garoto, não era possível a semelhança ser coincidência.

Suspirei e me olhei mais uma vez no espelho, de súbito uma ideia apareceu na minha mente e eu a considerei imediatamente. Peguei uma caixa de som que eu tinha de dentro da cômoda e saí do quarto em direção ao jardim, não a parte que fora abandonada, mas a que ainda se encontrava conservada. Eu sabia que o salão de festas estaria cheio de coisas para o baile e como o jardim possuía uma parte gramada bem espaçosa e sem obstáculos eu decidi que seria o melhor lugar para fazer o que eu queria, sem contar que a noite estava absurdamente linda. A lua minguante sorria para mim em seu brilho prateado e as estrelas reluziam fortemente sobre o céu negro.

Ao chegar ao meu destino respirei fundo o ar frio da noite e observei o céu por alguns segundos permitindo-me um pouco de paz, em seguida coloquei minha caixinha de som em um canto seguro para não acabar quebrando-a e liguei a música. Sim, eu pretendia dançar no meio do jardim, afinal dançar sempre me relaxava e limpava minha mente da minha própria insanidade. Era minha terapia no fim das contas.

Eu coloquei para tocar a música What Have You Done de Within Temptation, era a que mais combinava com meu estado de espírito no momento, sem contar que a letra descrevia perfeitamente certas coisas que estavam acontecendo ultimamente, principalmente no que se referia a mim mesma e ao meu lado obscuro.

Fechei os olhos e deixei o toque mais calmo do início da música tomar conta dos meus sentidos lentamente enquanto me balançava de um lado para o outro. Assim que a vocalista começou a cantar eu comecei a me mover, a primeira estrofe era mais lenta do que o resto da música, por isso eu segui com movimentos suaves e logo que ela se agitou deixei-me levar por seu ritmo aproveitando todo o espaço que eu tinha a minha disposição. Rodopiei e saltei, deixando-me ser guiada pela brisa que acariciava meu corpo como se ditasse meus movimentos, como se fosse o meu par naquela dança carregada de sentimentos contraditórios.

Em nenhum momento abri os olhos, apenas acompanhava o som sem me preocupar com o que estava ao meu redor. Movia-me conforme as notas se alteravam, libertando todas as dúvidas, tensões e tristezas que estavam acumuladas dentro de mim. Até que chegou um momento na canção em que ela voltava a ficar calma, nessa hora eu parei e sentei sobre meus calcanhares, coloquei as mãos sobre o coração e normalizei minha respiração, então quando a vocalista voltou a cantar eu a acompanhei, porque aquela seria minha consolação e motivação.

I will not fall, won’t let it go (Eu não cairei, não deixarei isso continuar) – cantei com toda minha voz e com todo o meu coração. – We will be free when it ends (Nós seremos livres quando isso acabar) – finalizei enquanto me levantava e voltava a girar pelo gramado com o vento. Eu certamente desejei ter asas nesse momento.

Pouco tempo depois a melodia cessou e eu parei juntamente com ela, respirando com dificuldade. Ouvi o som de lentas batidas de palmas vindas de trás de mim e me assustei virando-me de súbito, ao fazer isso me deparei com todos os vampirinhos, Yui e mais três homens completamente desconhecidos e lindos de morrer encarando-me.

A pessoa que estava batendo palmas fazia parte do trio de desconhecidos, ele era levemente mais velho que a maioria ali e tinha um porte altivo e elegante, era imponente como nenhum outro homem que eu jamais vi e esbanjava um charme completamente absurdo. Seus olhos dourados como ouro líquido reluziam em inteligência e poder, seus longos cabelos brancos e ondulados lhe davam um ar ainda mais superior. Assim que pus meus olhos nele soube que era um rei, pois é, aquele era Sakamaki Tougo um dos homens mais charmosos e cruéis que eu já tive o desprazer de conhecer.

— Que performance magnífica! Realmente esse foi um espetáculo digno de minha plateia. – elogiou com um sorriso de canto satisfeito. Fingido!, pensei enquanto retribuía seu sorriso da maneira mais falsa que consegui.

Vossa majestade, é um prazer finalmente conhece-lo pessoalmente. – falei calmamente enquanto fazia uma reverência, fiz questão de carregar o pronome de tratamento com todo o desprezo que havia dentro de mim e de carregar mais ainda no escárnio da palavra “prazer”, afinal não perderia essa chance.

Fiquei ereta novamente e observei a reação das pessoas ali presentes a minha educada fala. Todos estavam levemente surpresos, inclusive os dois outros desconhecidos, mas os Sakamaki e os Mukami tentavam esconder o sorriso, enquanto Yui torcia os lábios em desaprovação e os desconhecidos me analisavam intrigados. Já a reação do Karl Heinz foi ligeiramente mais interessante, ele abriu mais o sorriso e seus olhos faiscaram com o que interpretei ser interesse e empolgação.

— Não se atenha a essas formalidades insignificantes, Tora-chan. – contrapôs-se a minha forma de tratamento enfatizando meu nome como se ele fosse mel em sua boca, quase fiz uma careta, mas não iria estragar o jogo dessa forma.

— E como prefere que eu o chame? – perguntei arqueando uma sobrancelha, os outros apenas ficaram observando o desenrolar de nossa conversa com curiosidade.

— Apenas Tougo é suficiente. – respondeu, eu senti que ele queria acrescentar alguma coisa e não o fez. Balancei a cabeça negativamente, essa brincadeira estava interessante demais para acabarmos com ela agora.

— Chamá-lo apenas pelo primeiro nome seria muita indiscrição de alguém como eu, dessa forma fiquemos com Sakamaki-sama. – objetei prontamente, eu sabia perfeitamente que o estava confrontando, de um jeito sutil, mas estava. Esperei ser repreendida por ele ou mesmo por Reiji ou Ruki, mas o que veio depois disso foi ainda melhor.

— Perfeito! – concordou contente, porém eu podia jurar que ele não estava falando da forma como me referiria a ele de agora em diante. – Agora se aproxime, Tora-chan, vou lhe apresentar meus convidados de honra. – impeliu enquanto indicava os dois desconhecidos, peguei minha caixinha de som desligando-a e me dirigi até o vampiro. – Esses são os irmãos Tsukinami, meus primos. – indicou sarcasticamente, a provocação do parentesco ficou mais clara quando os olhos dos dois irmãos brilharam em fúria assassina. Perguntei-me qual poderia ser o motivo disso.

— Eu sou Takayama Tora, prazer em conhecê-los. – cumprimentei polidamente estendendo minha mão para quem quisesse apertá-la primeiro.

— Tsukinami Karura. – o primeiro respondeu calmo e frio, apertando minha mão com certa relutância. Ele era simplesmente maravilhoso; seus olhos eram dourados também, porém carregavam um brilho misterioso, notei que ele era um homem difícil de ler, não que os outros com quem eu convivia não fossem, Karura só era mais difícil. Seu cabelo também era branco, só que possuía pontas cor de vinho tinto, eram lisos e ultrapassavam um pouco a altura dos ombros; ele era muito alto e seu porte físico era absurdamente forte. Não consegui não imaginá-lo nu, ele deveria ser um verdadeiro deus grego. Soltei sua mão e estendi-a para o outro.

— Tsukinami Shin. – apresentou-se com arrogância e certo desprezo, ele apertou minha mão tão forte que eu precisei segurar um gemido de dor, ele sorriu zombeteiro e eu estreitei os olhos com raiva. Ahh, mas se eu tivesse a força do Subaru iria triturar seus malditos ossos!

Esse imbecil também era lindo, não mais que o irmão, devo ressaltar. Assim como os outros dois últimos, Shin também tinha olhos dourados, ou melhor, olho, já que o outro estava escondido sob um tapa-olho, este reluzia em pura superioridade, chegava a ser parecido com o Ayato. Seu cabelo era loiro avermelhado, curto e rebelde, dava-lhe certo charme. Ele era mais baixo que o irmão e não chegava a ser tão forte, porém possuía uma postura orgulhosa. Shin também usava óculos, embora o lado esquerdo deste estivesse escondido pelo tapa-olho. Puxei minha mão de seu aperto e contive minha vontade de xingá-lo, pelo menos naquele momento.

— Reiji-san, por acaso eu perdi a hora do jantar? – perguntei encarando-o em expectativa, ele ajeitou os óculos e me olhou indiferente.

— Ainda não. Estávamos indo fazer isso quando nosso pai se interessou pela música que ecoava do jardim. – explicou inexpressivo, ainda assim eu senti a relutância dele em chamar Karl Heinz de pai.

— Ótimo! Eu estou faminta. – exclamei alegremente e comecei a andar percebendo que eles me acompanhavam. – Sakamaki-sama, o senhor chegou há muito tempo? – questionei casualmente olhando-o por sobre o ombro.

— Cheguei ao pôr-do-sol. – respondeu objetivo, aquiesci e voltei a olhar para frente.

— Tora-san, onde você esteve durante todo o dia? Eu te procurei para pedir um favor, mas não consegui encontra-la. – Azusa falou parecendo chateado, fitei-o me sentindo culpada por deixar meu ursinho fofo sozinho quando ele precisava de mim.

— Gomen, Azusa-kun, eu passei o dia inteiro dormindo. Estava tão cansada que quando caí no sono dormi como uma pedra. – esclareci com sinceridade, obviamente eu não precisava entrar em detalhes.

— Edgar disse que você não estava no seu quarto quando foi lhe chamar para o jantar. – Ruki ressaltou em uma clara provocação, eu já me conformei com o fato de que eles gostavam de ferrar com minha vida então apenas revirei os olhos e abri a boca para dizer exatamente onde estava.

— Ela estava comigo. – revelou Shu, antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele carregava um pequeno sorriso que dizia tudo o que eles poderiam querer saber, só um idiota não entenderia aquilo. Recusei-me a ver quaisquer reações vindas deles depois da pequena revelação.

— Dois num só dia, Ningyo-chan? Você está se tornando insaciável. – Kou debochou com um sorriso pervertido, corei constrangida e fiz um bico.

— Não foram dois num só dia! – protestei birrenta e cruzei os braços. – Shu-san me achou hoje ao amanhecer, já era um dia diferente. – expliquei como se fizesse alguma diferença o fato de ter sido ou não no mesmo dia.

— Achou? – Yuma ecoou com incredulidade e eu respirei fundo para não surtar na frente de desconhecidos.

— Por que vocês querem tanto saber detalhes da minha vida sexual na frente de pessoas que eu acabei de conhecer? Peçam logo uma palestra sobre o assunto! – irritei-me, parando no meio do caminho.

— Não seria uma má ideia, Muchi-chan. – Laito insinuou zombeteiro e eu o fuzilei com o olhar, prestes a gritar.

— Chega! – Karl Heinz ordenou em minha defesa. – Não é educado questionar uma dama sobre sua intimidade. – repreendeu-os com firmeza e, mesmo que eu o odiasse, me senti agradecida pela ajuda.

— Jujuba pode ser tudo, menos uma dama. – Ayato insultou-me com escárnio, percebi que ele tinha feito isso mais para irritar o pai do que para me ofender, ainda assim resolvi retribuir o favor.

— Tem toda razão, Ayato-kun. Mas, pelo menos, eu não sou tão vadia quanto sua querida mamãe. E não te traumatizei. – retruquei petulante e estreitei os olhos. O ruivo cerrou os punhos e deu um passo em minha direção.

— Ayato. – Tougo chamou com impaciência e o vampiro rangeu os dentes, mas não fez nada. Mandei-lhe um sorriso maligno antes de me virar na direção do rei.

— Desculpe-me pelo palavreado chulo, Sakamaki-sama, e muito obrigada por me ajudar. – falei transformando meu sorriso maligno em um de gratidão, ele assentiu uma vez e me estendeu a mão, hesitei por um segundo antes de pegá-la e quando o fiz ele deu um sorriso de canto e me puxou para si lentamente, pondo-me ao seu lado, em seguida soltou minha mão e ofereceu-me o braço como um perfeito cavalheiro. Quase tive vontade de rir, mas me segurei e após aceitar sua oferta voltamos a andar.

Embora eu estivesse desconfortável naquela situação, não pude deixar de pensar que aquilo era uma vingança pela forma como eles me constrangeram na frente do próprio pai e dos Tsukinami, sorri maldosamente enquanto Karl e eu passávamos em frente ao grupo para entrar na mansão.

— Tora-chan, permita-me dizer que a senhorita está deslumbrante neste kimono. – elogiou-me um cortejo, forcei um sorriso, era quase um sacrifício manter aquela máscara de doçura.

— Obrigada, Sakamaki-sama. Foi um presente. – falei com o máximo de naturalidade que consegui, eu tinha certeza que durante esse tempo que Tougo estivesse aqui eu iria virar profissional em fingir.

— Certamente. Para o seu aniversário de 16 anos. – especificou convicto e eu soube que havia sido ele quem me mandara essa roupa, tive vontade de queimá-la, mas percebi que foi uma ótima coincidência usá-la naquele dia.

— O senhor tem muito bom gosto, Sakamaki-sama. – rebati suprimindo o sarcasmo que ameaçava transbordar na minha voz, embora uma imperceptível nota dele ainda tenha escapado no fim da frase.

Entramos na sala de jantar e o albino me guiou até uma cadeira à direita próxima a ponta da mesa, puxou a cadeira para mim num ato cavalheiro e eu me sentei, em seguida ele se acomodou na ponta da mesa como presumi que faria. Revirei os olhos para mim mesma em desdém e percebi o albino cobrindo um sorriso divertido. Eu tinha certeza que ele estava adorando observar minhas reações perto dele, afinal ele era um cientista.

Sem muita demora os outros se acomodaram em seus lugares – eu tinha certeza que eles seriam marcados de agora em diante – e Edgar e mais um empregado que eu nunca vira na mansão vieram nos servir.

Enquanto a comida e a bebida eram servidas eu analisei a disposição dos lugares na mesa. Yui sentava-se a minha frente; na outra ponta da mesa não havia ninguém e eu logo soube que aquele deveria ser o lugar da esposa que Tougo não tinha; logo em seguida à direita estava Shu e à sua frente estava Reiji; depois do mais velho vinha Ayato e eu pensei que Laito estaria sentado a sua frente, mas era Kanato.

Franzi as sobrancelhas sem entender aquele arranjo e prossegui com minha análise para ver se chegava a alguma conclusão plausível. Continuando pelo lado esquerdo, estava Kou ao lado do trigêmeo mais novo e, aí sim, vinha o ero-kyüketsuki à sua frente; logo depois dele estava Subaru seguido de Ruki, em frente a eles estavam Yuma e Azusa, respectivamente. Por fim, Karura sentava-se ao meu lado e Shin à sua frente.

Parei para pensar sobre essa ordem e notei que, com relação aos Sakamaki, os primogênitos de cada mãe vinham um após o outro à direita, exceto Laito que vinha antes de Subaru. Aquilo era a linha de sucessão da família. O primeiro filho de cada mãe tinha o direito de ser rei caso acontecesse algo com seu antecessor, mas como o primogênito da Christa era muito novo o segundo trigêmeo foi “promovido”, por assim dizer.

Analisei, então, os Mukami e apenas Ruki estava sentado do lado direito, os outros sentaram um após o outro na ordem do mais velho para o mais novo. Não entendi a disposição referente aos Tsukinami, apenas observei que o mais velho estava do lado direito da mesa e o mais novo do esquerdo, talvez tivesse algo a ver com poder. Poder? É isso! Toda a mesa estava disposta mostrando a hierarquia na família. As pessoas sentadas no lado direito da mesa possuíam uma autoridade maior que as pessoas do lado esquerdo, bem, pelo menos na teoria já que na prática a coisa era bem diferente.

— Tora-chan, você não vai comer? – Yui perguntou-me com um olhar de preocupação e eu percebi que Tougo havia me colocado acima dela na hierarquia. Por quê?

— Claro. – respondi automaticamente e peguei o garfo. Hoje o jantar era espaguete à bolonhesa com almôndegas, pelo jeito as pessoas dessa família não apreciavam muito a culinária japonesa.

— Sakamaki-sama, o senhor já deve saber que eu tenho arrumado a parte abandonada do jardim, não é? – comentei casualmente após algumas garfadas.

— Sim. Reiji me informou sobre seu interesse naquela parte do jardim. – respondeu com naturalidade. – Por acaso a senhorita precisa de alguma coisa? – supôs com esperteza.

— Sim. – confirmei calmamente e o olhei. – Eu estou acabando de arrumar e limpar o jardim e preciso de flores para finalizá-lo, por isso gostaria de saber se o senhor me permitiria ir até a cidade para compra-las. – esclareci educadamente, mas sem esconder a nota de entusiasmo por falar desse meu projeto.

— É claro, Tora-chan. – consentiu com um sorriso, mas pareceu lembrar-se de algo em seguida. – No entanto, o Yuma não tem as flores que a senhorita precisa na estufa? – questionou com uma sobrancelha arqueada, como se eu tivesse acabado de tentar fazê-lo de tolo.

— Possivelmente, Sakamaki-sama. – afirmei com um aceno e olhei Yuma de relance, ele não estava com uma expressão muito amigável. Claro que eu sabia que ele não me daria as flores, exatamente por isso fiz o pedido ao Karl Heinz. – Porém, não acho que ele tenha em quantidade suficiente para o que eu preciso e também eu gostaria de mudas que já estivessem desabrochando para embelezar o jardim para o baile. – expliquei calmamente, foi a saída perfeita para não me encrencar ainda mais com o Mukami e ainda ganhar de bônus uma ida até a cidade.

— Ótimo! Nesse caso vou deixar o motorista avisado para lhe levar à cidade amanhã na hora que lhe convier. – concordou parecendo satisfeito com minha justificativa, abri um grande sorriso e assenti empolgadamente.

— É mesmo uma ótima ideia deixa-la ir sozinha para a cidade. – Subaru debochou cheio de escárnio, suspirei impaciente. Eles ainda achavam que eu ia fugir? A falta de confiança reina nessa família.

— Em nenhum momento eu disse que ela iria sozinha, Subaru. – Tougo retrucou indiferente ao deboche do filho, franzi as sobrancelhas, confusa. Por favor, que ele não estivesse com a ideia de vir comigo, eu não iria aguentar ficar sozinha com ele por tanto tempo. – Tora-chan, por favor, escolha algum dos meninos para te acompanhar, sim. – instruiu afavelmente, dirigindo-se a mim. Maldito! Ele só podia estar querendo causar uma guerra me fazendo escolher dessa maneira.

— Claro, Sakamaki-sama. – Respondi e analisei minhas opções ao redor da mesa meticulosamente. – Azusa-kun, você quer vir comigo? Nós podemos passar em algum lugar para comprar uma faca nova para sua coleção. – pedi gentilmente, ele me olhou assustado por tê-lo escolhido, mas logo seus olhos brilharam quando mencionei sua coleção.

— Você vai mesmo me levar para comprar uma faca nova, Tora-san? – interrogou cheio de expectativa, eu lhe sorri e assenti em confirmação, em troca recebi o sorriso mais alegre que eu jamais vira em seu rosto. Fiquei ainda mais encantada por aquela personificação da fofura, ele era realmente a criatura mais adorável que eu já conheci.

— Kanato-kun, você quer vir conosco? – perguntei alegremente, com o humor renovado pelo meu ursinho fofo. Eu sei que posso parecer louca por querer sair com o Azusa e com o Kanato ao mesmo tempo, contudo eu tenho um plano, um esquema para fazê-los se tornarem amigos. O trigêmeo largou o garfo e sussurrou alguma coisa ininteligível para mim. – Como é?

— Como você ousa, sua imunda?! – gritou com raiva, eu já esperava o surto, por isso mantive minha expressão neutra. – Você tem coragem de convidar esse bastardo e ainda me chamar? Acha mesmo que eu vou com você? – finalizou encarando-me com profundo ódio, suspirei decepcionada.

— Tudo bem, então. Eu vou passar em uma loja de doces e achei que talvez você fosse se interessar, mas já que você prefere ficar em casa posso trazer algo que goste. – comentei dando de ombros e mostrando indiferença, voltei-me para minha refeição e esperei meu comentário fazer efeito.

— Loja de doces? – Kanato destacou pensativo e eu o encarei mais uma vez. – Eu posso escolher tudo que quiser, Tora-chan? – questionou sonhador.

— É claro que sim, Kanato-kun. – afirmei convicta, afinal de contas nós estávamos sendo patrocinados ali. O vampiro me olhou feliz da vida antes de começar a murmurar coisas para o Teddy, parece que ele estava de volta. Sorri para mim mesma cheia de orgulho por ter conseguido lidar com a situação sem transformar tudo em briga.

— Isso foi muito sagaz, Tora-chan. – Karl elogiou-me discretamente de modo que somente eu ouvisse.

— Obrigada. Seus filhos são pessoas difíceis de lidar, mas com o tempo a gente aprende. – confessei altiva, mantendo o tom baixo para somente ele ouvir. Ele escondeu um sorriso e seus olhos dourados faiscaram perversamente.

— A senhorita aprendeu bem rápido. – conjecturou irreverente, fitei-o em um desafio silencioso e sorri de canto.

— É aprender ou morrer, sir. – retruquei divertidamente erguendo uma sobrancelha com atrevimento. Ele assentiu parecendo entretido com minhas ações e eu voltei minha atenção à comida.

Depois de nossa breve conversa o jantar transcorreu em completo silêncio, embora eu pudesse sentir perfeitamente a tensão que pairava no ar. Todos ali esperavam ansiosamente o fim daquela suposta tortura psicológica – pelo menos parecia ser isso que os vampirinhos estavam sentindo – para voltarem às suas zonas de conforto.

Presumi que nenhum deles saía da mesa após terminar de comer porque era uma regra implícita que todos só pudessem se retirar depois do chefe da família. Comecei a pensar que as refeições realmente passariam a serem torturas.

Meia hora se passou antes que Tougo finalmente se levantasse de sua cadeira e anunciasse o fim do jantar com um pedido para Reiji acompanhá-lo até o escritório. Acho que iriam discutir os detalhes do baile, fiquei com pena do moreno por ter que aturar o pai por mais tempo.

Assim que a porta da sala de jantar fechou-se a mesa ficou vazia, todos, exceto Yui e eu, se teleportaram para qualquer outro lugar longe daquele cômodo. Bem, não dá pra discordar deles, a presença do Rei Vampiro não é algo que se possa chamar de agradável ou mesmo confortável, na verdade nem sequer chega a ser suportável, mas todos fazem um sacrifício para aguentar. Até a loira suspirou aliviada quando ele saiu, eu apenas esfreguei os olhos e respirei pesadamente. Pensando bem, toda a estadia dele ali seria uma tortura.

— Tora-chan, será que podemos conversar um minuto? – Yui pediu docemente, eu a encarei por um segundo e, de pronto, tudo que eu conversei com Christa voltou a minha mente. Eu poderia mata-la agora, era um ótimo momento. Ninguém ouviria ou se importaria em olhar e Karl Heinz me protegeria de quem quisesse vingança, afinal eu parecia ser uma peça importante da experiência dele, não é? NÃO! Por Kami! O que eu estou pensando?!

Levantei-me subitamente, assustando-a.

— Desculpe-me, Yui-chan, eu preciso fazer outra coisa. Depois a gente conversa, ok? – respondi rapidamente e corri para fora da sala de jantar sem esperar para ouvir o que ela diria.

Corri sem direção para o mais longe possível dali e acabei indo parar na sala de música, bati a porta atrás de mim e meus olhos encontraram o reluzente piano de cauda negro próximo à janela. Recordei de quando o toquei e fui a sua direção, era realmente um instrumento magnífico. Sentei-me no banco e abri a tampa que protegia as teclas, estalei os dedos e me posicionei cheia de expectativa enquanto tentava lembrar as notas de alguma música. Lembrei-me de uma que minha mãe tocava de vez em quando, eu jamais soube seu nome, mas nunca me esqueci como tocá-la.

Meus dedos deslizaram pelas teclas enquanto eu iniciava os primeiros acordes e logo a música fluiu naturalmente. Alguns segundos depois que eu comecei a tocar percebi alguém sentando ao meu lado no banco e começando a tocar junto comigo, olhei de relance para ver quem era e me deparei com Shin. Cogitei a hipótese de xingá-lo naquele momento, mas decidi terminar a música primeiro, afinal gostei da forma como ela ficou quando começou a acrescentar notas mais agudas.

Alguns minutos depois terminamos a música e eu resolvi ignorar a existência daquele ser ao meu lado, levantei-me para sair, entretanto o Tsukinami puxou meu braço e me pôs sentada novamente com brusquidão. Fuzilei-o com ódio.

— Tsc! Qual é o seu problema? – questionei raivosa puxando meu braço do aperto dele.

— Onde aprendeu essa música? – perguntou categórico, a minha resposta parecia importante para ele.

— Não é da sua conta. – retruquei desafiadora e levantei-me mais uma vez, porém ele agarrou minha cintura e me prendeu em seu colo onde acabei caindo quando ele me puxou.

— Você é muito insolente, Yariman*! – insultou-me estreitando o olho, quem ele pensava que era para me chamar de prostituta? O idiota estendeu a mão para tentar me tocar e eu a repeli com um tapa.

— E você é muito inconveniente, Kitanai**! – revidei irritada e tentei me soltar do aperto dele, no entanto não funcionou muito bem, pois Shin apenas me apertou mais e agarrou meus cabelos puxando-os com força até que meu pescoço estivesse completamente exposto para si.

— Vou te ensinar seu devido lugar, Yariman. – avisou entredentes e senti a respiração quente dele na minha pele. Espera... Quente? Mas ele não era um vampiro também?

— Shin, solte a garota. – uma voz grave e muito autoritária ecoou pela sala, eu estava imobilizada, então não consegui ver quem era. Shin sibilou algo inaudível e me largou jogando-me no chão, rangi os dentes com muita raiva e me endireitei.

Notas finais
Obs.: O nome do Carla ficou Karura, porque eu achei melhor colocar a forma como ele é pronunciado no japonês. ;P 1. Obi é o cinto usado para prender o kimono. 2. Kanzashi é o grampo de cabelo usado como enfeite junto com o kimono. 3. Geta é aquele tamanco de madeira muito utilizado no Japão. *Yariman significa prostituta, puta, mulher que dorme com qualquer um. **Kitanai significa "sujo". (O primeiro apelido definitivo que a Tora dá pra alguém, que coisa fofa, não? :P) Kimono da Tora -http://4.bp.blogspot.com/-2EwayNfvAzY/UQTCl7kXccI/AAAAAAAAMS0/WOZOENiID0I/s1600/33106515%20Dancing%20Kimono%20Girl%20V3.png Kanzashi de borboleta - https://pds.exblog.jp/pds/1/201611/30/23/d0229423_13123102.jpg What Have You Done - Within Temptation: https://www.youtube.com/watch?v=xc5baIzKy9c Dueto da Tora e do Shin no piano - https://www.youtube.com/watch?v=vcOmW8fn4b4