Amante Infernal

14 Ilusão Celeste


Notas iniciais
Yoo, minna! Cá estou eu com o penúltimo capítulo a ser postado e como prometido no início dessa reposição hoje irei postar esse capítulo mais o especial de Halloween, será esse meu pedido oficial de desculpas, por isso espero que aproveitem bastante! ^-^ XOXO, Natia-sama

Após me recompor consegui identificar o meu salvador, era Karura que havia aparecido para afastar o irmão de mim. Encarei-o por alguns segundos, ele estava encostado na parede ao lado da porta e olhava-me com indiferença, sua boca estava escondida por trás do cachecol.

— Obrigada, Karura-san. – agradeci de má vontade, apenas por educação mesmo.

— Não me agradeça ainda. – respondeu sério e desviou o olhar para Shin que estava indo até seu lado.

— Não fique estragando minha diversão, Onii-sama! – reclamou chateado e se escorou na parede ao lado do irmão com os braços cruzados. Embora a situação fosse meio estranha, achei muito fofo ver Shin se referindo ao irmão mais velho daquela maneira.

— Não seja imprudente, Shin. Por acaso esqueceu que ela é amaldiçoada? – Karura repreendeu impaciente e o mais novo virou a cara irritado, escondi um sorriso debochado.

— Escute seu aniki, Kitanai. Eu sou extremamente perigosa! – zombei com um meio sorriso, o vampiro cerrou os punhos e me fuzilou com o olhar.

— Cale a boca, Yariman! – ordenou cheio de ódio, ergui uma sobrancelha em provocação.

— Me obriga! – desafiei estreitando os olhos. Eu sabia que estava brincando com fogo, mas não ia ficar submissa desses dois. Num piscar de olhos Shin estava na minha frente apertando minha garganta com força, tentei puxar o ar e engasguei, agarrei a mão do Tsukinami e tentei tirá-la do meu pescoço, mas é lógico que não consegui.

— Desafie-me agora! Vamos! – bradou enfurecido e me ergueu do chão pela garganta, já estava sentindo meu rosto inchar e minha cabeça estava latejando, eu me debatia, porém meu corpo já estava começando a ficar dormente.

Eu não ia pedir por misericórdia, já passei por coisa muito pior e não ia dar esse gostinho para Shin, além disso, se eles me matassem teriam grandes problemas com o Rei Vampiro. Afinal, embora eu não soubesse muito sobre o assunto, o fato de eu estar aqui significava que Karl Heinz me queria na sua experiência e acho que se eu fosse morta ele não iria ficar muito feliz.

Fechei os olhos e comecei a sentir meu corpo amolecendo lentamente, meus pensamentos começaram a embaralhar e minha lucidez foi esvaindo-se pouco a pouco.

Então, de uma hora para outra, eu estava esparramada no chão tossindo como se, dessa forma, o ar fosse entrar mais rápido. Meus pulmões arderam com a entrada repentina de oxigênio e minha cabeça girava proporcionando-me uma terrível tontura.

— Não podemos mata-la, Shin. – ouvi Karura repreendendo o irmão, mas sua voz soou como um eco distante.

— Não podemos mata-la ainda, você quer dizer. – Shin corrigiu com a voz cheia de desprezo. Eu finalmente havia conseguido voltar a respirar normalmente e estava sentada massageando meu pescoço que doía pra caramba, eu tinha certeza que ele ficaria com a marca da maldita mão do vampiro.

— Você tem sérios problemas, sabia? – acusei baixinho com a voz rouca e com muita dificuldade.

— Você está pedindo pra morrer, não é?! – o Tsukinami mais novo falou sem paciência.

— Eu não estava falando com você, Kitanai. – informei calmamente no mesmo tom baixo e rouco, pelo jeito eu ficaria com dificuldade para falar por um tempo. Encarei Karura para indicar que era com ele que eu estava falando, o albino me fitou e ergueu uma sobrancelha em questionamento.

— Que problemas? – perguntou com interesse, parece que eu finalmente consegui tirar aquela máscara de indiferença da cara dele.

— Não se faça de desentendido, eu já convivi com vampiros tempo suficiente para saber que você é bem pior que seu otouto. – acusei convicta. Eu não estava provocando, só queria deixar bem claro algo que percebi quando Shin me agarrou pelo pescoço e ele ficou apenas observando com desinteresse.

— Não me compare com essa raça maldita, eu não tenho nada a ver com eles. – retrucou com desgosto, franzi as sobrancelhas.

— Como não tem nada a ver? Você não é um vampiro? – questionei completamente confusa.

— É claro que não somos vampiros, Yariman. Somos puros e não mestiços nojentos! – Shin respondeu com arrogância. Então quer dizer que vampiros são uma raça mestiça? Mas como pode ser possível? Será que as raças que se misturaram foram humanos e demônios?

— Vocês são demônios. – conjecturei ainda incerta se essa seria a denominação certa para eles.

— Quase isso. – Shin confirmou com um sorriso convencido, como se ser demônio fosse a melhor coisa do mundo, como se ele fosse superior a tudo e todos apenas por isso.

— Para uma novata você está bem informada sobre o submundo. – Karura constatou parecendo insatisfeito e cruzou os braços, dei um meio sorriso convencido.

— Eu tenho minhas fontes. – brinquei dando de ombros, mas logo voltei a ficar séria. – Então, o que vocês são exatamente? Assim eu posso saber com o que estou lidando e manter distância. – acrescentei explicativa e vi Shin arquear uma sobrancelha intrigado e Karura dar um pequeno sorriso abismado. Acho que os surpreendi, embora tudo que eu quisesse era ficar bem longe de coisas e situações que complicassem ainda mais minha vida, já bastava não ter a solução para o “pequeno” problema de como matar o Rei Vampiro.

— Somos fundadores. – o albino respondeu simplista, sem entrar em detalhes, apenas deixando que eu fizesse minhas próprias suposições.

— Ou seja, vocês são mais poderosos. – conclui convicta, o Tsukinami mais velho assentiu em concordância e seu otouto sorriu arrogantemente, suspirei cansada. – Ótimo! Vou me lembrar de não mexer com vocês, apenas facilitem e fiquem longe de mim para podermos conviver em paz. – pedi calmamente e levantei-me do chão indo em direção à porta, porém o loiro se pôs a minha frente, revirei os olhos com impaciência e esperei o que quer que estivesse por vir.

— Seu pescoço ficou lindo com esse tom de roxo, Yariman. – comentou pejorativo com um sorrisinho sugestivo e saiu do meu caminho, estreitei os olhos.

— Kitanai! – rosnei com raiva, ainda sem conseguir falar direito. Shin gargalhou e eu saí batendo a porta com uma força completamente desnecessária, apenas queria descontar esse sentimento que ele provocou em mim.

Maldito vampiro/demônio sujo! Filho de um diabo de merda! Como é que eu vou para a cidade amanhã com a porcaria do meu pescoço desse jeito? E sem conseguir falar normalmente ainda por cima!

Rangi os dentes com ódio enquanto marchava até a parte de Christa no jardim para terminar de arrumá-lo, afinal eu somente havia limpado a torre ontem. Chegando lá respirei fundo e não me permiti pensar demais sobre o ocorrido do dia anterior, apenas liguei a caixinha de música que, convenientemente, ainda se encontrava comigo e comecei a organizar o que faltava.

Por sorte, todas as ferramentas que eu havia pegado ainda estavam ali, então apenas continuei minhas várias tarefas: arrancar ervas daninhas da grama, podar arbustos, recolher folhas secas do chão, cortar a grama e lavar os caminhos de pedras – ainda bem que aquela era a última parte onde eu precisaria fazer limpeza, porque já estava começando a me cansar desse jardim. Também não me importei em cuidar para não sujar a roupa, afinal – mesmo o kimono sendo lindo – foi um presente daquele homem cruel e fingido.

Dessa forma, enquanto a noite tornava-se madrugada, eu terminei o trabalho mais pesado da última parte abandonada. Meu pescoço doía como o inferno por ter sido quase esmagado por aquele Tsukinami idiota e por eu não lhe ter dado um pouco de descanso após o acontecido, por isso deitei na grama e relaxei embora estivesse toda suja e suada.

Fiquei encarando o céu sem estrelas e sem lua até que meu olhar se desviou para a torre-prisão da mãe do Subaru. Eu sabia que a parte interna do local estava limpa e achei um enorme contraste com a parte externa que estava quase completamente coberta por trepadeiras. Cogitei a hipótese de tirar aquilo dali, no entanto estava na hora de deixar aquele lugar esconder-se por entre as folhas juntamente com a história que guardava. Levantei-me e me preparei para entrar naquele lugar uma última vez, precisava pegar as peças do meu uniforme que tinha deixado ali ontem e também queria levar aqueles forros de cama para jogá-los no lixo, não possuía motivo para guarda-los agora.

Entrei na prisão e fui bem rápido para a cela, peguei o que precisava pegar e saí dali mais rápido ainda, eu nunca mais queria pisar meus pés naquele lugar novamente e não pensava em ir atrás para o motivo dessa maldição toda bagunçada tão cedo. Embora eu quisesse superar a perda de Christa, ainda não estava preparada para fazer isso, de alguma forma a dor do desaparecimento dela trouxe à tona todo o sofrimento de perder minha mãe e as duas coisas se misturaram e me fizeram perceber que, na verdade, eu nunca superei a morte de ninguém.

Engoli o choro – eu já tinha chorado demais – e voltei para a mansão com os braços carregados com minhas roupas e os lençóis de Christa, claro que guardei todas as ferramentas que peguei antes de sair de lá. Enquanto andava pela mansão até meu quarto, estranhei o fato de ninguém ter vindo me incomodar e de não esbarrar com ninguém pelo caminho, presumi que todos estavam evitando perambular por aí para não encontrarem o patriarca da família.

Passei na cozinha antes de ir para o meu quarto e entreguei os forros de cama carcomidos por traças e desgastados pelo tempo para o novo empregado desconhecido jogar no lixo, era indelicadeza da minha parte não querer saber algo sobre ele, mas no momento eu não estava com cabeça para esse tipo de coisa, então apenas agradeci e fui para o meu aposento.

Ao chegar lá, joguei as peças do meu uniforme no chão e dei de cara com uma revista embolada entre o tecido do blazer, puxei-a dali e vi que era a revista com o Kou na capa que eu pegara na loja. Sorri e decidi que aquele seria o meu passatempo quando eu saísse do banho, afinal eu já havia dormido demais para pensar em dormir agora, assim sendo fui logo me livrar daquele kimono e daquela sujeira.

Fui para o banheiro e joguei minha roupa em qualquer canto – faria questão de esquecê-la ali – e tomei uma ducha bem tomada, esfreguei meu corpo até sentir que estava limpa e lavei meu cabelo da mesma maneira, também massageei meu pescoço enquanto a água quente caía sobre ele e foi um alívio maravilhoso fazer isso. Finalmente terminei o banho e me enrolei na toalha, parei na frente do espelho para ver o estrago no local onde Shin apertou, a marca da mão dele estava quase perfeitamente impressa na minha pele em um tom de lilás e vermelho, ainda demoraria um pouco para isso cicatrizar totalmente.

Suspirei e voltei para o meu quarto, coloquei uma calcinha qualquer e minha camisola de seda preta, penteei o cabelo e ajeitei a cama para deitar. Logo, acomodei-me entre os travesseiros após pegar a revista e observei sua capa, Kou estava lá todo sexy e lindo de matar olhando pra mim, em baixo dele, em letras grandes, estava escrito: “Entrevista exclusiva com Mukami Kou”. Fui para o sumário e procurei o número da página da reportagem indo diretamente para ela, afinal era a única coisa que me interessava naquela revista.

A matéria abria com uma foto do Mukami acompanhada do título – “Entrevista exclusiva com Mukami Kou” — e do subtítulo – “Conheça as várias faces do ídolo que conquistou o coração de milhares de fãs e transformou o sadismo em conceito” –, em seguida vinha uma curta biografia, vamos ver quais foram as mentiras que ele contou para o público:

“Um dos ídolos mais lindos e carismáticos do Japão, Mukami Kou, nasceu no dia 28 de janeiro em Nagoya, mas logo se mudou para Tokyo com os pais e três irmãos. Aos 10 anos perdeu os pais em um acidente de carro e foi viver com o tio Karl Heinz, famoso político e filantropo. Aos 15 anos começou sua carreira como modelo e pouco tempo depois estourou nas paradas com suas músicas de ritmo agitado e letras com inclinações sadistas e românticas. Depois disso não parou mais e hoje, aos 17 anos, não é somente cantor e modelo, mas também um ator talentoso e um ídolo amado por suas fãs.”

Não consegui parar de rir desde que comecei a ler aquilo, as duas únicas verdades que eu vi ali foram o fato dele ser um ator talentoso e ter ido morar com Sakamaki Tougo que, por falar nisso, eu não fazia ideia que era político e “filantropo” entre os seres humanos. Quanto à idade eu não poderia ter certeza, ele era vampiro, podia ter um milhão de anos e ainda continuaria com carinha de dezessete.

— Você é muito espertinho, Kou-kun! – falei divertidamente para a revista, minha voz ainda não estava completamente recuperada, mesmo depois de todo o tempo que passei arrumando o jardim sem usá-la.

— Me chamando, Ningyo-chan? – ouvi o sussurro do Mukami próximo ao meu ouvido e, literalmente, caí da cama com o susto. – Que calcinha sexy, Ningyo-chan. Sabia que magenta é minha cor favorita? – comentou provocativo enquanto me analisava com um sorriso pervertido, pois quando caí minha camisola subiu expondo minha peça íntima. Estreitei os olhos com raiva e peguei a revista que havia jogado sem querer, voltando a me acomodar na cama.

— É muita falta de educação entrar no quarto dos outros sem bater. – avisei irritada e abri a revista na página que estava anteriormente.

— Não me culpe, estava apenas passando quando te ouvi falando de mim e fiquei curioso para saber o motivo. – defendeu-se cruzando os braços, apenas ignorei-o e fingi que estava lendo a revista, dessa forma Kou se inclinou em minha direção e olhou o que eu estava lendo. – Onde encontrou essa revista? – questionou sério, achei bem estranho o tom que ele usou, por isso o encarei tentando compreender.

— Eu peguei na S&M. – respondi calmamente e ele abriu um sorriso presunçoso.

— Você pretende virar uma fã, Ningyo-chan? – perguntou pretencioso e eu bufei em desdém.

— É claro que não! – retruquei indignada e fiz um bico. – Eu apenas queria saber um pouco mais sobre seu jeito como ídolo. – expliquei um pouco constrangida por admitir que estava curiosa sobre ele, desviei o olhar para a revista.

— Kawaii! – exclamou com deleite por me ver daquela maneira e senti seu hálito de encontro a minha orelha. – Bastava ter me perguntado, Ningyo-chan. – murmurou sedutoramente, eu me arrepiei e o fitei novamente.

— Não seria a mesma coisa. – retorqui séria, ele ergueu uma sobrancelha e afastou-se. – Mas você pode me tirar algumas dúvidas se quiser. – ofereci cheia de segundas intenções, seria ótimo poder descobrir um pouco mais sobre quem é o verdadeiro Mukami Kou.

— E o que eu ganho em troca? – questionou interesseiro e eu revirei os olhos, é claro que ele não faria nada de graça.

— O que você quer? – falei ríspida, afinal será que nenhum deles podia fazer uma boa ação uma vez na vida? É, não podiam! Ele deu um sorriso maldoso e seus olhos brilharam cheios de malícia, eu imediatamente soube o que ele queria. Balancei a cabeça e pressionei os lábios. – Não é tão fácil assim, vampirinho. – neguei o pedido silencioso e pervertido dele com veemência.

— Você já dormiu até com o asqueroso do Laito, por que não pode dormir comigo também? – revoltou-se e eu me exaltei. Será que uma mulher não pode fazer suas próprias escolhas?!

— Olha aqui, Kou—kun, é exatamente por você falar comigo dessa maneira que eu não durmo contigo. Não vou ser usada como cura para o seu maldito ego ferido, entendeu?! – exclamei exasperada sem controlar o tom de voz, por esse esforço repentino nas cordas vocais machucadas acabei tendo uma crise de tosse. Maldito Shin!

Assim que me recuperei tomei alguns goles do copo de água que estava ao lado da cama, eu o trouxera quando passei na cozinha para deixar a roupa de cama da Christa.

— Parece que alguém não teve muita paciência com sua língua solta, Ningyo-chan. – debochou divertidamente fitando a marca roxa no meu pescoço, sorri com desdém.

— E parece que você ainda não cansou de ser rejeitado. – rebati no mesmo tom usado por ele, não estava com o mínimo de paciência para aturar insultos. Surpreendi-me quando o loiro deu um sorriso amargo, pareceu que o que eu disse o afetou de verdade e no fim das contas eu acabei me sentindo mal por ter me defendido.

— Aproveite a reportagem sobre mim, Ningyo-chan, e tente não me tornar sua obsessão particular. – provocou convencido enquanto se levantava para sair do meu quarto, isso me perturbou, afinal ele deveria ter usado de violência contra mim e não ido embora, sem contar que aquele sorriso estava me perturbando, não podia deixá-lo ir. Levantei-me num rompante e agarrei o braço dele antes que alcançasse a porta.

— Tarde demais, Kou-kun! – confessei num murmúrio, ele virou o rosto para me olhar inquisidor, como se estivesse procurando alguma mentira em minhas palavras, no entanto eu não havia mentido. Eu era obcecada, tanto por ele quanto pelo resto dos vampiros daquela mansão. – Por favor, eu te dou qualquer outra coisa que quiser, mas me ajude a te conhecer melhor. – supliquei e o vi erguer uma sobrancelha.

— Nesse caso, eu quero que você compre um presente para mim quando for à cidade. – impôs calmamente e eu o olhei em confusão. Isso era simples demais para os padrões desse Mukami. – E quero que o entregue pra mim na frente de todos no jantar de amanhã. Mas para essa condição ser válida você precisa presentear somente a mim, entendeu? – acrescentou com um sorriso maligno, eu balancei a cabeça descrente. Agora sim, Kou estava sendo Kou. Suspirei frustrada, pois sabia que a intenção dele com esse pedido era causar ainda mais competição na família ao mostrar a suposta “preferência” que eu tinha por ele.

— Tudo bem, só que você tem que me responder tudo que eu perguntar com sinceridade, senão pode esquecer. – aceitei seriamente e ele deu de ombros, aparentemente concordando com meu termo. Assenti soltando seu pulso e voltando a me acomodar na cama com a revista em mãos, logo o idol também se acomodou ao meu lado e eu, finalmente, comecei a ler a entrevista.

Como foi o começo de sua carreira como idol? ‘Eu tive muitos obstáculos, principalmente para conseguir trabalhos como modelo e conseguir entrar em uma agência sem precisar me submeter a algumas situações absurdas, mas quando consegui reconhecimento no meio foi bem mais fácil conseguir apoio para iniciar minha carreira como cantor e, depois, ator. ’

Qual foi a principal barreira que você precisou enfrentar durante sua trajetória ao longo desse tempo que está no ramo? ‘Com certeza foi conseguir manter minha personalidade intacta, sabe, sem ceder às pressões do público e das pessoas ao meu redor para ser algo que eu não era e produzir algo dentro dos padrões do que todos gostam. Acho que esse foi o obstáculo mais difícil, mas depois que o superei acabei conseguindo um reconhecimento que nunca imaginei.’

Você falou sobre seu reconhecimento como idol e todas as suas fãs e a mídia sabem que isso veio porque você inovou colocando o sadismo como tema principal de suas músicas e também se encaixando perfeitamente em personagens com essas inclinações tanto na TV quanto no cinema. Isso sempre deixou uma questão pairando: Você é sádico? *risos* ‘Bem, não posso dizer que chego a ser sádico, mas também não vou negar que tenho certa fascinação por assuntos relacionados ao tema.’

Acho que ninguém realmente acreditava que fosse, você é um dos idols mais carismáticos e dedicado às fãs que já entrou no ramo. Mas, então, como você consegue expressar tão bem esse assunto? ‘Sadismo sempre foi o tema que mais me inspirou a compor e também mais me desafiou como ator. Acho que no fim das contas essa minha fascinação acabou me levando a uma inovação e realmente fiquei surpreso quando consegui retorno por explorar um tema como esse tão abertamente.’

É certo dizer que você chocou a todos quando apareceu como o sádico e, provavelmente, foi isso que também cativou tantas pessoas. Com certeza ser uma referência quando se trata de sadismo afetou sua vida de alguma forma. Conte-nos um pouco sobre alguns acontecimentos relacionados a isso. ‘Logo que comecei a investir nesse tema dentro da minha carreira fui muito discriminado. Eu acabei perdendo vários trabalhos por causa disso e várias vezes tentaram me obrigar a cantar músicas românticas ou a interpretar o papel de mocinhos, foi uma batalha quebrar o tabu. Certa vez fui agredido e xingado por isso, as pessoas realmente me consideravam um sádico que gostava de machucar os outros. Bom, isso são águas passadas!’

Essa sua inclinação e persistência atingiu sua vida pessoal de alguma maneira? ‘É claro! Eu nunca conseguia conquistar alguma garota que eu gostasse, pois elas achavam que eu iria machuca-las, era bem frustrante e eu passei muito tempo tendo que aguentar o olhar de medo das garotas em minha direção. Fora isso, meus irmãos sempre me apoiaram muito na minha decisão e eu perdi as contas de quantas vezes eles me incentivaram a seguir em frente com meu sonho.’

Você realmente é um exemplo de profissional e de pessoa a ser seguido. Para encerrar, por que não deixa uma mensagem para seus fãs? ‘Eu não seria nada sem vocês e só tenho a agradecer por sempre me incentivarem ao longo dessa caminhada. O amor de vocês é muito importante pra mim e eu espero ser possuidor dele por muito tempo! Estou em suas mãos!’”

Enquanto lia a matéria não pude evitar expressar diversas reações pelas coisas que lia ali. Kou realmente era convincente e parecia absolutamente dedicado à carreira, entretanto eu sei bem quem é a verdadeira peça e algumas coisas na entrevista eram tão absurdas que eu simplesmente não conseguia segurar a gargalhada. Assim que terminei de assimilar todas as barbaridades ali escritas vire-me para o loiro, pronta para bombardeá-lo com perguntas, porém antes de sequer abrir a boca fui interrompida.

— Não tão rápido, Ningyo-chan! – advertiu apressadamente. – Antes de começar seu interrogatório, saiba que só lhe dou o direito de fazer uma pergunta para cada parágrafo da matéria. – completou com o olhar reluzindo de esperteza.

— Oe! Isso não vale! – contestei indignada, ele não podia chegar com um termo desse só agora.

— É claro que vale. Não vou te deixar fazer perguntas a noite toda, mas caso queira fazer perguntas extras é só me comprar presentes extras. – retrucou cheio de si e eu bufei com raiva. Maldito! Realmente não dá pra confiar em nenhum deles.

— Certo... Vamos logo com isso! – concordei a contragosto, vendo o loiro esconder um sorriso zombeteiro e assentir. – O que são essas “situações absurdas” que você mencionou?

— O meio artístico é cheio de coisas terríveis, Ningyo-chan, você provavelmente nunca viu algum escândalo relacionado a esse tema porque vivia como uma mulher das cavernas. – disse calmamente sem perder a chance de tirar sarro da minha antiga vida de excluída, revirei os olhos.

— Especifique. – mandei sem um pingo de paciência para as gracinhas do vampiro.

— Por exemplo, muitos modelos, sejam homens ou mulheres, no início da carreira, são obrigados a vender o próprio corpo em troca de campanhas e vagas em desfiles. Entendeu agora? – exemplificou e eu encarei-o boquiaberta, ainda sem conseguir acreditar que aquele tipo de coisa acontecia. Eu realmente devia estar vivendo nas cavernas antes de vir para cá. – Vamos lá, Ningyo-chan, recomponha-se. Isso não chega a ser uma das coisas mais terríveis de que os seres humanos são capazes. – desdenhou como se já tivesse experiência nas atrocidades que as pessoas cometem e eu tive que concordar com ele, afinal a humanidade também não era nem um pouco inocente.

— Tem razão. – suspirei antes de continuar meu questionário. – Eto, que história é essa de manter a personalidade intacta?

— Além das coisas terríveis, o meio artístico também é muito famoso por transformar as pessoas em algo que elas não são somente para conseguirem mais público. De qualquer forma, admito que quando a entrevistadora me fez essa pergunta eu tive que improvisar, afinal você já deve ter percebido que em frente às câmeras minha personalidade é outra. – respondeu mandando-me uma piscadela, nesse momento eu finalmente tive a plena certeza que ele estava me respondendo com toda a pouca sinceridade que ainda restava nele.

— Eu definitivamente devia ter gravado você admitindo que é um duas-caras, mas isso me leva à próxima pergunta: nunca teve algum escândalo ou deslize na sua carreira por causa de toda essa sua falsidade? – essa questão, sem dúvidas, mostrou claramente minha vontade de vê-lo sem toda aquela pose de “sou bom em tudo”. No entanto, a gargalhada divertida que o Kou deu depois que eu acabei de falar me mostrou que ele devia mesmo ser o “bonzão”.

— Isso nunca aconteceu, Ningyo-chan, eu sempre sou cuidadoso para não dar deslizes, afinal se eu vacilasse acabaria perdendo a melhor parte da minha vida. – falou convicto e eu olhei-o admirada, ele realmente gostava de ser um idol. Acho que assim como a música era um escape para o Shu, o trabalho de idol era um escape para o Kou, notar isso me fazia perceber que naquele momento eu estava conhecendo melhor aquele Mukami.

— Você já teve algum envolvimento com fãs? – fui direto ao ponto dessa vez, não queria ficar prolongando demais aquele interrogatório e também queria chegar logo à minha pergunta final.

— Por acaso está com ciúmes, Ningyo-chan? – insinuou provocativo e eu ri com escárnio enquanto balançava a cabeça negativamente. – Sim, eu já tive. Vários, para falar a verdade, e todas elas me pediam mais. – afirmou lambendo os lábios, revirei os olhos e decidi que ignoraria o duplo sentido implícito na fala dele para continuar com minhas perguntas.

— Você foi mesmo agredido e xingado como disse na entrevista?

— Sim. Um imbecil me parou na rua de noite e começou a falar merda pra mim, tentou me dar um soco. Infelizmente para ele eu estava de péssimo humor naquele dia e me livrei dele rapidinho, até hoje não encontraram o infeliz. – respondeu com a voz carregada de diversão, parecia realmente entretido em lembrar-se dos detalhes sórdidos do assassinato do cara.

Fiquei boquiaberta por um segundo, mas logo me recompus, claro que o Kou já tinha matado pessoas. Provavelmente todos naquela mansão tinham as mãos sujas de sangue, com exceção da Yui, e eu, embora não tenha matado ninguém na vida real, o acontecimento do Despertar também me põe na lista de assassinos e mesmo que não ponha eu pretendo fazer parte dela em breve se alguma ideia aparecer antes do Tougo se mandar para o lugar de onde saiu. Suspirei e voltei a me focar no interrogatório.

— Certo. – falei naturalmente e o loiro me olhou intrigado por eu não estar tão chocada quanto ele pensou que eu estaria ao me contar sobre sua proeza maligna. – Então, quero saber a verdade sobre como o fato de você ter se tornado um idol afetou sua vida pessoal. – continuei e fitei-o a espera da resposta, foi a vez dele suspirar, insatisfeito com minha curiosidade sobre isso, se ele estava desse jeito com isso não queria nem ver como ia ficar quando eu fizesse a pergunta derradeira.

— Meus irmãos realmente me incentivaram e muitas vezes me ajudaram a fugir dos paparazzi e das fãs malucas, também me ajudaram a manter minha história falsa para a mídia. Já Karl Heinz me deu um sermão ridículo e quase me mandou para o Himalaia quando descobriu o que eu estava fazendo, se não fosse Ruki você nem teria me conhecido, Ningyo-chan. – explicou com desgosto ao lembrar-se das implicâncias do Rei pra cima das escolhas dele. Sorri contente ao saber que, mesmo com todas as adversidades, Kou conseguiu seguir seu caminho sendo apoiado pelos irmãos, quanto mais o tempo passava mais eu via o quanto os Mukami eram uma verdadeira família.

— Fico muito feliz que seus irmãos tenham te ajudado, Kou-kun, e que você não tenha dado ouvidos às besteiras do Tougo. Mesmo sendo um fingido você merece tudo o que conquistou. – comentei alegremente e o loiro revirou os olhos pelo meu elogio tosco, mas ele queria o quê? Só falei a verdade.

— Certo! Vamos logo com isso, Ningyo-chan! – apressou-me com impaciência e eu soltei um muxoxo.

— Você realmente é dedicado às suas fãs? Isto é, gosta mesmo delas ou é só fingimento de novo? – lancei minha penúltima pergunta sem rodeios.

— Apesar de tudo elas são o motivo do meu sucesso, não tenho razões para não gostar delas, pelo contrário, é ótimo ser tratado como um deus por elas, o mínimo que posso fazer é parecer gentil, embora seja cansativo. – respondeu objetivo e eu ergui uma sobrancelha descrente, isso foi sincero demais para o meu gosto. – Bom, parece que suas perguntas acabaram. Não se esqueça do meu presente, Ningyo-chan, ou terei prazer em castiga-la. – constatou calmamente enquanto segurava meu queixo a fim de manter meu olhar preso ao seu, no entanto desvencilhei-me de seu toque.

— Nada disso, Kou-kun! – contestei apressadamente. – Você disse que era uma pergunta para cada parágrafo aqui tem oito parágrafos, ainda falta uma pergunta. – expliquei rapidamente enquanto lhe mostrava a revista e indicava o número de parágrafos com o indicador, ele correu os olhos pelas folhas da revista para confirmar o que eu estava falando e me olhou entediado.

— Tudo bem... Então, qual é a sua última pergunta?

— Você sabe que tem que responder a verdade qualquer que seja a pergunta, não é? – reforcei e o vi franzir as sobrancelhas intrigado, mas assentir em concordância. Hesitei por alguns segundos, ponderando se era certo perguntar aquilo e decidi que aquela era minha melhor chance de saber. Puxei o ar e soltei a questão de uma vez. – Qual é a sua verdadeira história?

O loiro travou a mandíbula e seu olhar surpreso logo deu lugar a um de irritação, ele se afastou de mim e se levantou da cama sem sequer me olhar. Não tentei segurá-lo como da última vez, sabia que minha pergunta era invasiva e ele tinha a escolha de não responder, no entanto também deveria saber que eu não precisaria cumprir minha parte do acordo. Eu fechei a revista e coloquei-a no chão aguardando os minutos passarem lentamente, após sete minutos de espera eu estava prestes a abrir a boca e dizer para ele esquecer a pergunta quando o vampiro voltou a me encarar.

— Tem certeza que quer saber isso, Tora? – disse seriamente, eu engoli em seco, nunca havia visto Kou tão sério e o fato dele me chamar pelo nome fez uma sensação terrível subir pela minha coluna, mesmo assim não me deixei intimidar.

— Por favor, Kou-kun, você não precisa carregar sozinho essa dor. – respondi suavemente, porém completamente convicta e estendi minha mão para ele. O loiro balançou a cabeça desacreditado, ignorando por completo minha mão estendida, sentou-se na beira da cama de costas para mim e eu suspirei recolhendo a mão.

— Meu maior sonho era encontrar o céu, acho que talvez ainda seja, embora eu saiba que alguém como eu jamais fosse capaz de acha-lo. – ouvi-o começar e o olhei intrigada com sua confissão, nunca imaginei ouvir isso de um vampiro, ainda mais de Mukami Kou, ainda assim, compreendi. – Eu nunca conheci meus pais, eles me abandonaram pouco tempo depois que eu nasci em um bueiro qualquer. Até hoje não entendo como consegui sobreviver, mas preferiria ter morrido antes de perceber que meu lar era um esgoto sujo e nojento. – não consegui controlar minha surpresa ao ouvir que Kou morava em um esgoto na infância. – Eu nunca saía de lá, mesmo sendo sujo, frio e escuro, passava meus dias embaixo dos pés e da sujeira alheia e só conseguia ver pouco do azul do céu através dos bueiros, provavelmente foi isso que me levou a querer o céu.

“Uma simples ambição de uma criança ingênua demais, ambição essa que me fez tomar coragem para sair de dentro da imundice do esgoto. Pena que escolhi um péssimo dia para fazer isso. Naquele dia os soldados estavam à procura de rebeldes, eu vi mãe e filho serem assassinados a tiros na minha frente apenas porque queriam dar um exemplo aos potenciais rebeldes, como eu nunca havia saído do esgoto não entendia o que estava acontecendo. Quando os soldados me viram eu nem tive tempo de correr, eles me pegaram e levaram ao orfanato, lá os responsáveis me deram comidas deliciosas e água limpa, deram-me banho e roupas limpas e cheirosas. Eu lembro que estava feliz, pensei que aquele era o meu céu. Grande ilusão.”

“Dias depois alguns soldados apareceram no orfanato e pegaram as crianças mais bonitas, eu estava entre elas, é claro. Não entendi nada na época, mas agora sei que eles só me levaram ao orfanato para me usarem depois, pois o país precisava de dinheiro para financiar a guerra... Eles estavam usando belas crianças como mercadoria de entretenimento dos aristocratas em troca de dinheiro. Logo, eu fui levado a um tipo de clube, fui chicoteado, espancado e torturado. Eu era o favorito dos aristocratas, por isso não deixavam nem minhas feridas se curarem para recomeçarem a diversão.”

“Por algum tempo preferi acreditar que deveria estar feliz, porque tinha coisas boas, mas uma crença dessa não dura muito tempo, não é? Quando, finalmente, admiti que aquele era o verdadeiro inferno já estava no limite, queria tanto que parassem de me vender para torturadores que arranquei meu olho direito, ele era vermelho e eu acabei criando a ilusão de que, por esse motivo, ele jamais conseguiria ver o céu. Mas parece que depois de fazer isso a situação piorou, a demanda por mim aumentou, as coisas estavam tão ruins que tentei me matar. Não consegui.”

“Ruki me conheceu nesse período, ele viu que eu não havia conseguido me matar e me chamou de perdedor. Grande incentivo. Neguei que tinha tentado suicídio e, óbvio, que ele não acreditou, disse que eu não tinha conseguido porque eu ainda tinha esperança, porque eu vivia olhando para o céu. Ele me fez a oferta de fugir daquele lugar e, após conhecer Yuma na cela de castigo do orfanato e Azusa através de Yuma, nós nos juntamos para tentar fugir. Claro que deu tudo errado, os guardas do orfanato nos viram e nos balearam, eu fui levado de volta praticamente morto, mas naquele momento eu não queria morrer, não daquela maneira, sem ter encontrado meu céu.”

“No mesmo dia Karl Heinz apareceu lá e fez a oferta de nos transformar em vampiros. Ele me deu um olho novo, essa joia que você admirou. E agora aqui estou eu, ainda em busca do meu céu.” – concluiu serenamente e suspirou antes de se virar em minha direção.

Eu não conseguia desviar meu olhar do dele e pude perceber perfeitamente quando uma faísca de surpresa apareceu em seus olhos. Eu sabia que o motivo da surpresa foi me encontrar chorando, durante toda a história deixei que ele falasse sozinho e me impedi de reagir à qualquer coisa que ele me dissesse por simples medo de que ele parasse de contar, então, ironicamente, não percebi em que ponto as lágrimas começaram a cair.

— Você sabe... sabe como é o Inferno... – sussurrei angustiada e não precisei segurar o soluço que subiu pela minha garganta. – Mas... isso é... é pior... – constatei entre fungadas enquanto me perguntava o porquê das pessoas precisarem ser tão cruéis, vi Kou sorrir conformado e secar minhas lágrimas com suas mãos, talvez fosse impressão minha, mas ele parecia mais leve após me contar sua história.

— Não preciso das suas lágrimas, Ningyo-chan, – desdenhou com superioridade, o tom da voz contrastando com a expressão suave enquanto empurrava meu corpo de encontro ao colchão ficando sobre mim. Suas mãos deixaram meu rosto, uma delas prendeu meus pulsos e a outra subiu minha camisola até abaixo dos meus seios, expondo minha barriga. Contorci-me numa tentativa inútil de me soltar e senti sua mão gelada deslizando pela minha cintura até me imobilizar segurando meu quadril com força, em seguida encostou seus lábios frios acima do meu umbigo fazendo um arrepio subir pela minha coluna. – preciso do seu sangue. – completou cruelmente e cravou as presas em mim, gemi esganiçada ao sentir a dor de ser mordida naquele lugar naturalmente sensível aumentar consideravelmente devido à nova condição amplificada do meu tato.

Ofeguei quando o sangue começou a ser drenado do meu corpo, percebendo que as batidas do meu coração ajudavam a bombeá-lo para a boca do vampiro. Suspirei enquanto relaxava o corpo e fechava os olhos, dando-me conta de que estava tão cansada, que nem mesmo mais de doze horas de sono haviam sido capazes de me deixar completamente recomposta, talvez o fato de eu ter sofrido um enforcamento e em seguida ter ido fazer trabalho pesado no jardim ajudassem com essa sensação.

No entanto, provavelmente o maior motivo para isso era o cansaço mental que me causou encontrar Karl Heinz e fugir de Yui ou enfrentar os Tsukinami e quase morrer pelas mãos deles, na verdade, o cansaço mesmo veio pela história de Kou, pelas lembranças que o que ele contou me trouxe, por saber que não havia meio de salvá-lo de seu próprio passado e que eu também jamais escaparia do meu. Por finalmente perceber que, assim como Kou, eu também estava procurando por um céu inalcançável e que para consegui-lo eu estava disposta a deixar sair o monstro que venho prendendo desde que acordei do Despertar.

— Eu não quero esse céu manchado de sangue... – sussurrei para mim mesma tentando me convencer de algo que eu nem mesmo sabia o que era. Senti Kou desprender as presas de minha pele e soltar meus pulsos quando terminei de falar, não me movi ou abri os olhos para olhá-lo.

— Todo céu exige sacrifícios, Ningyo-chan. – segredou num murmúrio, seus lábios úmidos, provavelmente pelo meu sangue, roçando nos meus. Envolvi meus braços em seu pescoço, afundando minhas mãos em seus fios loiros.

— Estou cansada de sacrifícios e sei que você também está. – falei convicta e abri meus olhos heterocromáticos para encontrar os dele igualmente diferentes me fitando como se quisesse me desvendar. – Vamos apenas dar um tempo de toda essa dor. O Inferno pode ser nosso Céu depois. – acrescentei com a voz carregada de promessas mudas e encaixei meus lábios nos dele, meus olhos se fecharam involuntariamente e eu deixei o gosto do meu próprio sangue ser levado até minha boca pela língua voraz do vampiro que a explorava lentamente, bem como eu à sua. Nossas línguas se entrelaçavam em uma dança serena, envolvendo uma a outra suavemente e tentando prolongar aquele breve momento sem dor. E quando nossos lábios se separaram o Mukami se aninhou em meus braços com o rosto escondido na curva do meu pescoço.

— Um inferno fingindo ser céu é melhor que céu nenhum.

Notas finais
Isso é tudo, pessoal! ;P E aí o que acharam dessa trágica história do Kou e do encontro turbulento entre Tora e os Tsukinami? Me contem, por favor! ^-^ Ahh, e quero agradecer imensamente à todas as pessoas que favoritaram e comentaram a fic até aqui! Estou profundamente feliz por ter o apoio de vocês apesar de ser desastrosa ao quadrado quando se trata daqui do Nyah. Muito obrigada mesmo! ^-^ Fiquem agora com as reveladoras frases de nossos vampirinhos! ;P Criatura patética! Como ousa desafiar meu poder dessa maneira? Eu poderia esmagá-la num piscar de olhos ou te torturar até que estivesse submissa em minhas mãos. Tenha certeza que quando chegar a hora farei de você minha escrava e você se curvará sob meu poder como a humana inferior que é. Esteja preparada, Yariman! Shin Tsukinami Não tente me consolar, Ningyo-chan! Você deveria saber que não preciso de algo como pena ou lágrimas. Não compartilhamos o mesmo sofrimento, mas posso te fazer sofrer se eu quiser. E quando transformarmos esse inferno em céu você verá que não será sacrifício pertencer à mim... Kou Mukami