Amante Infernal
2 Novas Sensações
Notas iniciais

Ali não era o banheiro, na verdade estava extremamente longe de ser algo minimamente parecido com um, porém não foi por aquele cômodo não ser o banheiro que eu paralisei, também não foi pelo fato de Ruki estar tirando a camisa – talvez uma pequena porcentagem tenha sido por isso. Eu paralisei porque vi duas enormes cicatrizes nas costas dele.
— Você deveria aprender a bater na porta. – aconselhou indiferente sem se importar em me olhar.
— Desculpe, achei que era o banheiro. – pedi envergonhada. Com certeza eu estava muito distraída para perceber meu erro.
— Corredor errado. – avisou sem me dar muita importância enquanto ia até o guarda-roupa e tirava o uniforme de lá de dentro. Putz! Eu ainda tinha que ir para a escola. Será que se eu pedisse ao Reiji ele iria me deixar ficar na mansão? É lógico que não, acho que se eu perguntasse era capaz dele me açoitar!
— Desculpe mais uma vez, eu devia estar distraída. – falei calmamente e comecei a sair fechando a porta do quarto, contudo antes de fechá-la por completo senti uma enorme vontade de perguntar sobre a cicatriz em suas costas. – Ruki-san, o que houve em suas costas? – perguntei curiosa abrindo a porta outra vez, ele suspirou irritado.
— Entre de uma vez. – ordenou olhando-me pela primeira vez desde que cheguei ali, meus olhos brilharam e eu entrei no quarto reparando em suas características pela primeira vez.
O quarto que Ruki possuía as paredes cinza, duas grandes janelas com pesadas cortinas negras se dispunham na parede direita do quarto, as mesmas se encontravam abertas deixando o vento frio da noite sangrenta entrar – sim, a lua de sangue ainda não havia passado – encostada na parede ao fundo e embaixo de uma das janelas estava uma grande cama de casal com forro negro, acima da cama, pendurados na parede havia três quadros abstracionistas, no primeiro predominava a cor amarela, no segundo a cor azul e no terceiro a cor roxa.
Abaixo da outra janela ficava um sofá marrom escuro com uma mesa de centro de mogno em frente a ele, aquele sofá não parecia nada confortável. Na parede à esquerda ficava uma estante de madeira escura com vários livros alinhados e logo depois vinha um guarda-roupa pequeno, mas muito bonito. O quarto de Ruki até que era bem aconchegante.
Sentei-me em seu sofá colocando minhas roupas ao meu lado e aquele sofá realmente não era nada confortável, me remexi um pouco tentando me acomodar e o nervosismo cresceu em mim, quase não acreditava que ele iria mesmo me contar sobre as cicatrizes. Ele com certeza deveria estar de bom humor.
— E então, Ruki-san, por que tem essas cicatrizes? – questionei-o depois de passarmos alguns segundos em silêncio, ele apenas deu um meio sorriso como se estivesse rindo da minha cara e acho que estava mesmo, logo soube que ele não iria me contar nada sobre o que aconteceu.
— Garota tola, será que você ainda não aprendeu que a curiosidade é muito perigosa? Talvez eu deva te ensinar. – Ruki disse calmamente e se aproximou de mim, eu o olhei meio espantada e colei minhas costas no encosto do sofá tentando em vão me afastar.
Na verdade eu não estava com medo dele, eu acho que estava com medo de que a dor de ser mordida acabasse me fazendo perder o controle sobre meu lado insano, depois do Despertar eu sabia que dentro de mim havia se instalado uma sombra fria e desumana capaz de destruir tudo que estivesse ao meu redor e eu não podia me dar ao luxo de perder o controle sobre ela.
— Ruki-san, por favor, não. – supliquei com um olhar assustado, eu não podia perder o controle, não queria mostrar meu lado demoníaco para ele.
— Ficou menos corajosa depois do Despertar. – conjecturou já bem próximo do meu pescoço. – Que pena, você era mais interessante quando era humana. – concluiu decepcionado e cravou suas presas na curva do meu pescoço, doeu muito, mas não tanto a ponto de trazer o outro lado à tona.
Arfei, agradecendo internamente, eu estava tão aliviada por não ser afetada pela dor como pensei que seria. Ruki me empurrou para ficar deitada no sofá sem parar com seu “jantar” e ficou por cima de mim, ergui minhas mãos e apoiei nas costas dele sentindo o relevo de suas terríveis cicatrizes.
Eu também tinha cicatrizes, várias delas espalhadas pelo meu corpo, entretanto não eram tão visíveis graças ao remédio do Reiji, se alguém chegasse perto o suficiente poderia ver as linhas róseas por todo o lado esquerdo do meu corpo e se me tocasse poderia sentir o acentuado relevo de cada uma delas.
As cicatrizes de Ruki, porém, não eram tão suaves como as minhas, elas eram avermelhadas, grossas e salientes, pelo lugar onde se encontravam – ao longo das escápulas – parecia que ele era um anjo que teve as asas arrancadas, sorri ao ter esse pensamento. Ruki só era parecido com os anjos na beleza. Deslizei meus dedos por toda a extensão das cicatrizes e acho que senti ele se arrepiar.
— O machucado dessa cicatriz deve ter doído tanto que eu tenho a impressão que a própria cicatriz ainda dói. – sussurrei pensativa, era mais um murmúrio para mim mesma do que para o Ruki.
— Cale-se. – ordenou após tirar as presas do meu pescoço, ele retirou minhas mãos de suas cicatrizes e me olhou por um momento antes de abaixar a alça da minha camisola, ele deslizou seu nariz pelo meu pescoço seguindo para o meu ombro e parando abaixo da clavícula, eu me arrepiei por completo e suspirei. – Você está ainda mais saborosa que antes. – disse com a voz sussurrada, seus lábios frios roçavam minha pele desnuda e pela primeira vez eu reparei que, mesmo me tornando vampira, minha temperatura não abaixou, pelo contrário, ficou ainda mais quente, como se o sol houvesse começado a morar dentro de mim.
— Ruki-san... – murmurei cheia de expectativa, provavelmente eu nunca estive tão sensível aos toques de alguém como estou agora, cada roçar da pele do Ruki contra a minha reverberava pelo meu corpo de uma forma enlouquecedora. Entretanto, não acho que isso seja uma proeza do Ruki, afinal ele nem estava fazendo muita coisa, parecia era que meus sentidos haviam se amplificado depois do estimulo dele.
— Eu sabia que o Despertar como vampiro deixava as humanas ainda mais deliciosas, mas você... é como se tivesse começado a ferver por dentro. – constatou parecendo um pouco inebriado e mordeu logo abaixo da minha clavícula, eu dei um gemido de dor, meu sentidos haviam se amplificado e, por consequência de sensações tão profundas, a dor também se intensificou.
Respirei fundo, eu não iria me permitir ser fraca depois de ter passado por tudo que passei, trinquei os dentes e respirei fundo mais uma vez agarrando a cintura de Ruki, que deslizou sua mão pela minha coxa dando um forte aperto no final, foi como se uma carga elétrica percorresse todo o meu corpo. O prazer se mesclou a dor e, preciso admitir, foi uma das melhores sensações da minha vida, eu era mesmo uma masoquista inata.
— Acho que tem algo errado com meu corpo, Ruki-san. – falei meio desesperada, aquilo não podia ser normal, mesmo que eu fosse vampira todas essas sensações não eram normais. Ruki parou de beber meu sangue e me olhou.
— Está sentindo isso? – perguntou com meio sorriso, eu apenas assenti. Estava sentindo coisas de forma muito exagerada! – É uma das vantagens de ser vampiro. – acrescentou dando uma lambida no lugar em que havia mordido e eu estremeci. Espera! Ele disse “uma das vantagens de ser vampiro”? Quer dizer que todos os vampiros sentiam os toques dessa forma?
— Seus sentidos também são assim? – perguntei abismada, tentando esclarecer minha dúvida.
— Sim. – respondeu simplesmente e apertou meu pulso direito com uma força desnecessária, gemi de dor e ele mordeu novamente o mesmo lugar que estava mordendo antes, senti meu sangue começar a ser sugado lentamente. Ruki estava brincando comigo, me provocando e analisando minhas reações como da última vez, a diferença é que agora eu também posso brincar, dei um sorriso malvado.
— Ruki-san, isso é tão injusto! – exclamei com uma voz chorosa, ele tirou as presas da minha pele e ficou cara a cara comigo, não dei tempo para ele falar o que poderia ser injusto se eu era a presa dele, apenas coloquei minha mão livre em sua nuca e puxei seu rosto para o meu colando nossos lábios. Uma de suas mãos ainda apertava o meu pulso e a outra estava apoiada em minha cintura, fechei meus olhos e pedi passagem com a minha língua, ele concedeu.
Nossas línguas começaram uma batalha intensa e notei que essa era a primeira vez que nos beijávamos. Eu sabia muito bem que por debaixo daquele sorrisinho intimidador e daquele tom calmo existia um ser brutal e foi exatamente essa parte dele que eu senti no seu beijo, ele era sedento e controlador ao mesmo tempo, estava sorrateiramente guiando minha língua ao seu ritmo calmo e erótico, mas eu não iria reclamar de algo tão delicioso.
Ruki desfez o beijo somente para poder morder meu lábio inferior e o fez com tanta força que um pequeno corte se abriu deixando escapar algumas gotas do meu sangue, sorri e passei a língua pelo corte capturando o sangue que aflorava, ele nem se deu o trabalho que fazer qualquer cerimônia e sua boca colou à minha em questão de segundos, ele queria meu sangue bem como eu queria o seu beijo.
Ele soltou meu pulso e minha mão automaticamente foi para sua cicatriz acariciando-a gentilmente, sua mão que antes segurava meu pulso agora estava invadindo a parte interior da minha camisola e deslizava pela minha pele mandando fortes arrepios pelo meu corpo e parando nas minhas costelas, um pouco abaixo dos seios. Ele só deixou a mão lá enquanto fazia movimentos circulares com o polegar para me deixar arrepiada, já eu puxei levemente os cabelos de dele a fim de sentir toda sua maciez e deslizei meus dedos novamente por sua cicatriz para deixa-lo arrepiado.
Não entendia muito bem o que estava acontecendo conosco, porém nós dois parecíamos feras cheias de desejo. Ruki se levantou me puxando para ficar em pé também e eu o empurrei até à cama com violência fazendo-o cair deitado no colchão, subi em cima dele e apoiei minhas mãos em seu peito para depois me inclinar sobre ele e o beijar ferozmente. Ele agarrou meus cabelos e mais uma vez fui guiada ao seu ritmo calmo e erótico, eu sentia cada carícia dele subir pela minha coluna como uma carga elétrica, era uma sensação completamente nova e maravilhosa.
Desfiz nosso beijo e me dirigi ao pescoço de Ruki, primeiro dei somente vários beijinhos enquanto deslizava minhas mãos pelo seu tórax bem definido, eu estava tão quente que poderia ter uma combustão espontânea naquele exato segundo. Uma das mãos de Ruki se encaminhou para minha coxa apertando-a com força enquanto a outra deslizava da minha coxa até minha cintura levantando minha camisola e deixando um rastro gelado pela minha pele fervendo.
Lambi o pescoço dele e senti algo um pouco diferente do que normal para mim, a pele dele parecia ter uma leve nota adocicada, lambi mais uma vez e consegui senti melhor esse gosto delicioso. Deslizei meu nariz pela curva do pescoço dele sentindo seu cheiro e mais uma vez aquela nota adocicada me invadiu, desta vez pelo meu olfato e não pelo meu paladar. Mordisquei seu pescoço algumas vezes e Ruki colocou o braço em volta da minha cintura a fim de colar nossos corpos um pouco mais, deslizei minhas mãos pelos seus braços e apertei seus bíceps desejosa.
Senti um enorme impulso de lamber aquela pele deliciosa mais uma vez e foi isso que fiz, desta vez pude apreciar melhor seu gosto doce e esse sabor tão delicioso fez algo afiado crescer devagar dentro da minha boca, era um pouco dolorido e não sabia o que poderia ser a coisa que estava crescendo na minha boca. Passei a língua por aquelas coisas afiadas e descobri que eram minhas presas, tão pontiagudas quanto uma agulha de fiar.
Mal posso esperar para sentir o gosto desse sangue tão saboroso.
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