Amante Infernal

8 Manifestações Fulminantes


Notas iniciais
Yoo, minna! ^-^ Eu disse que voltava no domingo, não é? Pelo menos isso eu fiz... Bom, aproveitem o capítulo, esse aqui está especialmente cheio de confusões. ;)

Eu e Yui descíamos as escadas em uma pressa desesperadora, pois devido ao nosso momento emotivo estávamos totalmente atrasadas para o jantar, na verdade nós só lembramo-nos dessa tão sagrada refeição porque o Edgar bateu na porta do quarto e disse que o Reiji ordenava nossa presença na sala de jantar, com isso nós simplesmente agradecemos e saímos correndo pela porta.

Agora nós estávamos paradas em frente à porta da sala de jantar e arrumávamos nossos cabelos e uniformes para não levarmos uma bronca por isso também. Respiramos fundo e balançamos a cabeça uma pra outra abrindo as portas duplas em seguida, entramos calmamente e andamos lentamente até os lugares que restaram.

— Desculpe-nos o atraso, Reiji-san. – Yui pediu docemente enquanto se sentava na ponta da mesa perto do Reiji e ao lado do Azusa, eu me sentei entre Subaru e Yuma.

— Eu lhe dei um relógio para não precisar mais aturar os seus atrasos, porém vejo que é impossível lhe ensinar boas maneiras. – Reiji ralhou ajeitando os óculos, parecia decepcionado, ainda que fosse a indiferença que estivesse estampada em seu rosto. Eu franzi as sobrancelhas e um flash do relógio que a loira estava usando me passou pela cabeça, bem que eu vi que havia algo suspeito naquele acessório, baixei a cabeça e cerrei os punhos quando, mais uma vez em meu dia senti ciúmes dos garotos. – Tora, você não tem nada há dizer? – a pergunta do vampiro tirou-me de meu torpor possessivo, balancei a cabeça e o encarei por um segundo antes de abrir um sorrisinho malicioso.

— É claro. – respondi calmamente. – Reiji-san prefere que eu me fantasie de súcubos ou de gueixa? – questionei em tom sério, porém se podia notar uma ponta de divertimento em minha voz. Todos na mesa começaram a me encarar com incredulidade e Yui quase engasgou com o que estava comendo, alarguei meu sorriso e me endireitei na cadeira ficando com a expressão séria. – Digo, me desculpe pelo atraso. – corrige-me como se tivesse apenas cometido um erro no meio da frase, capturei uma alcaparra do meu prato e a comi rapidamente dando um imperceptível sorriso enquanto mastigava, eu realmente consegui deixa-los sem fala com o meu comentário, isso com certeza vai para minha lista de pequenas vitórias.

— O que houve com você? Desde que voltou do Despertar têm agido instavelmente. – Ruki declarou rígido, provavelmente esse era o pensamento de todos naquela mesa.

— Quem não voltaria instável depois de passar pelo Inferno? – Shu se pronunciou com a voz sonolenta e com um tom de ironia, eu preferi deixa-los comentarem sobre minha mudança como se não estivesse ali só para ver até onde a discussão iria, parecia interessante.

— O Inferno não é o único motivo para essa mudança. Todos aqui sabem muito bem que ela escondeu uma parte da história. – Yuma declarou bufando impaciente. Então eles sabiam que havia um segredo sobre meu Despertar? Bem, já era de se esperar, afinal eles são bem perceptivos para esse tipo de coisa.

— Então a questão aqui é: O que pode ser tão comprometedor que a Jujuba decidiu esconder de nós? – Ayato perguntou incisivo para qualquer um que tivesse a resposta, achei engraçado o fato de todos ali continuarem me ignorando, mesmo eu sendo a única que pudesse responder àquela pergunta.

— É uma boa pergunta, Ayato-kun, mas não vale muita coisa se Tora-san não quiser responde-la. – foi a vez do Azusa se pronunciar e fazer com que, finalmente, toda atenção se voltasse para mim, suspirei e continuei comendo como se ninguém tivesse se dirigido à mim.

— A Tora-chan não quer contar, Teddy, o que você acha de forçamos ela a falar? – Kanato estava conversando com o urso, entretanto estava na cara que a sugestão se estendeu para os outros também. Pressionei os lábios a fim de manter-me calada, eu sabia que qualquer coisa que saísse da minha boca agora seria carregada de escárnio e como eu não queria piorar a situação preferi ficar quieta, mesmo que o fato deles acharem que me torturar pudesse me fazer falar alguma coisa fosse algo engraçado.

— Para mim não importa muito se a Muchi-chan está desequilibrada ou não, ela está muito mais interessante agora. – Laito revelou com um sorriso pervertido me encarando com olhos predatórios. – Sem contar que ela parece extremamente mais saborosa que antes. – acrescentou com uma voz faminta, deslizando a língua pelas presas afiadas. Eu corei um pouco e desviei o olhar, não importava quanto tempo passasse nem o quanto eu havia me tornado pervertida, as palavras carregadas de excitação e sadismo do Laito sempre me deixavam envergonhada, ele é tão descarado que chega a ser irritante, embora seja sexy também.

— Ehhh, Ningyo-chan, qual é o problema? Se você for mesmo se fantasiar para nós não pode ficar envergonhada. Aliás, eu voto pela fantasia de súcubos. – Kou provocou-me com um sorriso convencido erguendo uma das sobrancelhas e inclinando a cabeça levemente para a direita, fitei-o por um momento e tive consciência da beleza dele, mordi os lábios e o cheiro delicioso de cada um ali me atingiu como uma daquelas bigornas que aparecem do nada nos cartoons americanos.

Devo dizer que cheiro de sangue não deveria ser tão excitante, contudo o meu lado vampiresco achava aquilo um ótimo apelativo sexual, ou seja, eu não estava com vontade de somente ataca-los e beber o sangue deles eu também queria fazer outras coisas, se é que você me entende.

“Droga, isso é tão errado!”, repreendi a mim mesma enquanto sentia minhas presas de alongarem em minha boca, lambi os lábios que secaram de uma hora para outra, mas não deixei a sede me consumir – embora parecesse uma ótima ideia – e logo minhas presas estavam de volta ao normal. Ao me recompor, reparei no olhar sedento e faminto dos garotos e percebi que havia furado meu lábio inferior com uma das presas sem notar, lambi a pequena gota vermelha e abaixei o olhar, envergonhada por me descontrolar dessa forma.

— Vamos ver por quanto tempo ela vai conseguir se controlar. – Subaru disse em tom de desafio para os outros e saiu da sala de jantar.

— Isso foi cruel... – resmunguei para mim mesma chateada. Não era justo o Subaru me dizer isso, afirmar que eu não demoraria muito para me tornar um monstro faminto e sem consciência.

— Tch! Pare de se fazer de vítima. – Yuma disse com desprezo, levei um segundo para assimilar as palavras dele e dois para ranger os dentes, cerrar os punhos e deixar a raiva me consumir por completo antes de acertar meu punho no queixo do Mukami. Senti o forte impacto nos meus dedos e uma dor aguda reverberou pelo meu braço, trinquei os dentes para não gritar de dor e deixei minhas mãos trêmulas caídas ao lado do meu corpo, a cadeira na qual eu estava sentada segundos atrás tinha caído no chão e lágrimas de ódio molhavam meu rosto.

A sala estava em um silêncio aterrador.

— Nem você e nem ninguém tem o direito de dizer que eu ajo como vítima. Todos aqui já sofreram e eu não estou pedindo que alguém me console, apenas respeitem meu sofrimento. – rosnei entredentes. Chutei minha cadeira com violência e saí da sala a passos largos antes de ver a reação de qualquer um. Eu entendia que cada um naquela mesa já havia passado por coisas ruins, mas eu não permitiria que alguém me julgasse sem já ter sentido exatamente o mesmo que eu, meu único arrependimento agora era não ter dado um soco mais forte.

Peguei minha pasta com os livros do colégio e me dirigi até a limusine que já esperava pela chegada de todos para irmos para a escola, entrei e me sentei o mais longe possível de Subaru, que me olhou de relance quando entrei, rezando para que Yuma também sentasse longe de mim. Logo todos estavam no carro e ele partiu para nosso destino, pela primeira vez agradeci pelo clima de velório e agradeci ainda mais por Yui ser uma pessoa compreensiva e sentar ao meu lado me protegendo dos outros.

O caminho até o colégio se deu em um silêncio terrivelmente profundo, cada um estava mergulhado em seus próprios pensamentos e comigo não era diferente. Eu olhava pela janela e imaginava se ainda era capaz de aguentar toda essa maldição que recaia sobre mim, quem diria que começou com um simples sangue envenenado que, por falar nisso, ainda não tem como ser curado.

Se bem que isso não faz muita diferença já que o sangue da Yui anula o veneno, ainda assim não é muito bom saber que toda vez que você for mordido inconsequentemente outra pessoa também será, não que isso não seja ruim para Yui, mas pelo menos existe uma grande porcentagem de chance que eles não tenham bebido meu sangue antes de beber o dela.

Suspirei frustrada e peguei o pequeno relicário que jamais tirava do pescoço, abrindo-o delicadamente e relendo o verso que poderia ser a solução para minha maldição inicial: “A Rosa irá desabrochar quando uma gota de chuva provar”. Continuava um enorme mistério qual seria o significado que aquela frase guardava. Dei outro suspiro enquanto fechava o relicário e me ajeitei para sair do carro quando paramos em frente ao colégio, todavia antes que qualquer um pudesse se mover Reiji fechou o livro com um força para chamar a atenção de todos.

— Não se atrasem quando as aulas acabarem, nós temos um compromisso marcado. – avisou severamente enquanto arrumava os óculos. Franzi as sobrancelhas meio pasma e meio curiosa, mas optei por ficar calada já que o clima não parecia propício para conversas, principalmente se fosse eu quem a começasse.

Um a um todos saíram do carro e foram para suas devidas salas – pelo menos eu acho que foram – e ao chegar à minha própria classe sentei-me em meu lugar ao lado se Subaru no fundo da sala e assisti às aulas em silêncio cogitando inúmeras hipóteses sobre quais poderiam ser os lugares para onde iriamos depois da aula. Não cheguei a um resultado exato, porém concluí que não havias muitas opções viáveis já que seria tarde da noite quando saíssemos do colégio.

Durante todo o tempo que passei dentro daquela fábrica de chatice chamada escola, não pisei os pés fora da sala uma única vez e esperava ansiosa pelo toque do sinal de saída, entretanto o tempo parecia estar rindo da minha cara fazendo os minutos se arrastarem. Eu poderia ter tentado dormir para passar o tempo, mas no segundo em que abaixei a cabeça o professor me deu uma bronca.

Então, quando finalmente o último sinal soou, eu praticamente me teletransportei da sala para o portão de tão rápido que saí e fiquei aguardando todos chegarem. Eu estava impaciente e animada para saber nosso compromisso e principalmente para respirar novos ares longe daquela mansão, talvez dessa forma eu pudesse acalmar o meu temperamento para resolver as coisas com Yuma, embora eu realmente não estivesse arrependida de tê-lo socado.

Logo Reiji chegou acompanhado de Ruki e nós entramos na limusine para esperar os outros, por algum milagre eles sentaram-se no mesmo banco e eu pensei que era uma boa ideia me sentar entre eles já que provavelmente são os dois com quem eu tenho menos chances de sair na pancada.

— Eu disse para não se atrasarem. – Reiji resmungou com irritação, eu o observei por um momento e decidi tirar a dúvida que estava me corroendo desde que ele anunciou que tínhamos um compromisso.

— Reiji-san, aonde nós vamos? – perguntei timidamente, mesmo que a probabilidade de brigarmos fosse mínima eu não sabia dizer qual era o humor dele e eu realmente não estava a fim de enfrentar mais nenhuma fera por hoje.

— Não seja inconveniente e espere até chegarmos. – respondeu indiferente e abriu um livro diferente do que o que estava lendo na vinda para o colégio.

— Desculpe... – sussurrei chateada e me calei. Não era como se eu tivesse feito algo para deixa-lo tão irritado, quer dizer, eu me atrasei para o jantar e fiz uma pequena algazarra, mas não o provoquei diretamente a não ser naquela hora em que fiz a pergunta sobre as fantasias e isso nem era tão sério.

— Reiji, você não acha desnecessário fazer tanto mistério por algo tão insignificante? – Ruki perguntou com um leve tom satírico.

— É melhor que não esteja tentando me irritar, Ruki. – retrucou como um aviso e talvez também houvesse uma ameaça implícita, porém não pude ter plena certeza. O Mukami deu um sorriso de divertimento e abriu o livro que sempre estava lendo, no mesmo momento o resto da família apareceu e, após cada um tomar seu lugar, fomos em direção ao misterioso lugar.

Felizmente a viagem não durou muito tempo e logo chegamos ao nosso destino, fiquei surpresa ao ver que paramos em frente à um pequeno prédio de apenas dois andares completamente branco com paredes frontais de vidro expondo alguns manequins, acima da porta de entrada havia um letreiro de metal brilhante no qual estava escrito S&M.

Fiquei encarando o letreiro boquiaberta. Por que diabos um loja de roupas – aparentemente normal – teria um nome desses?

— Qual o motivo de estarmos em uma loja que vende roupas para sádicos e masoquistas? – questionei intrigada ainda encarando as reluzentes letras da fachada, ouvi alguns risos de divertimento e me virei para ver quem estava rindo da, aparentemente, piada que eu fiz. Os responsáveis pelas risadinhas eram Laito, Kou e Ayato; Kanato e Azusa apenas esboçavam um sorriso de escárnio; Shu, Yuma, Subaru e Ruki nem tiveram interesse em ouvir o que falei; Reiji me encarava em desaprovação e Yui não ouviu meu comentário, pois estava saindo do carro.

— Não entendi qual é a graça. – falei confusa encarando os três vampiros que riram de mim.

— Você é a graça, Jujuba. – Ayato falou tirando sarro de mim. – Essa loja não vende nenhuma roupa ou objetos para esses tipos de pessoas. – esclareceu sem perder a zombaria.

— Mas o nome realmente tem algo a ver com “esses tipos de pessoas”, né, Reiji-kun! – Laito acrescentou enfatizando a última parte da frase com escárnio, fiquei ainda mais confusa sobre o significado do nome dessa loja quando o segundo Sakamaki mais velho apenas soltou uma interjeição de raiva e entrou na loja.

— Como assim? – perguntei, Kou apareceu na minha frente e segurou meus ombros virando-me para olhar o letreiro novamente.

— Preste atenção, Ningyo-chan, quando Karl Heinz transformou meus irmãos e eu em vampiros, abriu essa loja para comemorar a união das duas famílias felizes. – explicou em meu ouvido com um tom carregado de ironia.

Franzi as sobrancelhas e fitei as letras, então quer dizer que S&M significava Sakamaki & Mukami? Ri com a constatação, além de eu ter descoberto que as iniciais dos sobrenomes deles eram as mesmas de suas principais características, ainda tive a oportunidade de saber como Sakamaki Tougo é uma pessoa tão “ligada à família”. Gargalhei. Esse homem só pode gostar de provocar os filhos, sem dúvidas ele é o cara mais odiável e debochado de quem já ouvi falar.

— Tsc, quanta besteira! – Subaru ralhou e entrou na loja seguido por Yuma e Azusa.

— Tora-san é tão patética, não acha, Teddy? – Kanato passou por mim sussurrando para o seu urso com sarcasmo, queria ter o poder de ouvir a resposta do Teddy.

— Vamos acabar logo com isso. – Shu anunciou entediado e se direcionou ao interior do local, logo todos fizeram o mesmo. Eu olhei para trás por alguns segundos e suspirei com o intuito de espantar certas ideias tolas, então entrei na loja e me impressionei com a infinidade de araras abarrotadas de roupas de todas as cores, modelos e tecidos, no entanto o que mais me surpreendeu foi o modo impecável como o ambiente era organizado e o ar de riqueza e requinte que tudo ali esbanjava.

Fiquei tanto tempo admirando o lugar que só me dei conta que estava perdida dos garotos quando uma morena curvilínea vestida elegantemente com o que achei ser o uniforme da loja veio até mim.

— A senhorita está com os senhores Sakamaki e Mukami? – perguntou educadamente, embora eu pudesse perceber um leve fundo de desprezo em seu tom. Levei menos de um segundo para identifica-la como uma vampira, meu instinto e minha convivência com esses seres permitiu-me essa rapidez de identificação.

— Sim, eu estou com eles. – respondi no mesmo tom, enfatizando o “com” para mandar o meu recado à essa vampira exibida, ela forçou um sorriso, porém seus olhos denunciavam seu desgosto por mim. A hostilidade entre nós estava evidente para qualquer um que passasse por aqui agora.

— Por favor, siga-me. – virou-se e começou a andar, eu a segui através dos corredores de roupas até pararmos em frente a uma grande porta dupla branca de madeira a qual ela abriu e indicou que eu entrasse, logo a porta se fechou com a vampira curvilínea do lado de fora.

Observei a grande sala onde todos os irmãos se encontravam, o chão era de mármore branco, as paredes brancas contrastavam com os quadros cubistas de cores fortes, o teto de gesso marfim sustentava um enorme lustre de aço inox que emitia uma luz ofuscante. Assim como o teto, os móveis também eram predominantemente marfins, com exceção de algumas de suas partes que eram de madeira escura.

A mesinha de centro era de madeira com tampo de vidro e Kanato se encontrava sentado no chão usando-a como apoio para Teddy; havia dois grandes sofás de veludo dispostos perpendicularmente ao redor da mesa no qual estavam sentados Reiji, Laito e Yui no primeiro e Yuma, Ruki e Azusa no segundo; Shu se encontrava deitado num divã encostado à uma das paredes; Ayato e Kou sentavam-se um em cada poltrona, ambas faziam conjunto com os sofás; Subaru estava recostado em uma parede longe dos outros irmãos.

Balancei a cabeça para o modo como eles agiam como se nem se conhecessem, cada um absorto em seu próprio mundinho, logo me dirigi até Kanato e sentei-me ao seu lado no chão, dessa forma eu poderia ficar próxima de todos eles.

— Teddy, como você acha que será o baile? – Kanato sussurrou para o urso de forma que apenas o brinquedo pudesse entender suas palavras, porém eu estava perto o suficiente para ouvir o que ele estava falando e minha audição apurada também ajudou.

— Acredito que dessa vez ele será extremamente divertido. Creio que teremos muitas surpresas. – Teddy respondeu em um tom de voz ainda mais baixo que o do vampiro. Espera... Eu ouvi o Teddy falando? Oh, meu Kami! Eu realmente ouvi o Teddy respondendo a pergunta de Kanato! Fiquei boquiaberta com o fato de eu estar ouvindo um urso falar, quer dizer, eu já sabia disso só que ouvir é algo bem diferente. Presumi que não o ouvira antes porque ele estava cochichando as palavras para Kanato.

— Espero que nenhuma delas seja daquele homem. – o vampiro retrucou parecendo um pouco irritado, porém não com o urso e sim com a ideia de ter uma surpresa vinda do pai.

— Não posso me pronunciar sobre isso, Karl Heinz sempre foi um homem imprevisível. – disse o urso. – Mas tenho certeza que certa ruiva terá algumas surpresas para todos nessa festa. – acrescentou e pude perceber que ele sorria, obviamente a ruiva de quem Teddy estava falando era eu, por isso franzi o cenho.

— A única forma de diversão que Tora tem para me proporcionar são seus gritos de pavor, nada mais. – Kanato desdenhou com um leve sorriso malvado, estreitei os olhos com raiva. Agora eu realmente iria preparar uma surpresa para esse baile!

— Sim, os gritos dela são muito bonitos. – Teddy concordou com o que me pareceu um tom de voz sonhador, os dois deram uma risadinha e eu ergui uma sobrancelha me questionando o motivo para o urso ter concordado com o vampiro. Antes que Kanato tivesse a oportunidade de responder o comentário de Teddy uma garota usando o uniforme da loja entrou na sala empurrando uma arara com roupas, ela aparentava ter a idade da Yui e possuía cabelos rosa na altura do pescoço e olhos roxos, também era vampira.

— Com licença, eu trouxe as roupas que pediram. – disse calmamente enquanto parava a arara à nossa frente, ela parecia muito fofa e eu estava prestes a ir com cara dela quando ela olhou de forma cobiçosa para os meus vampiros, fechei a cara no mesmo segundo. Será que todas as vendedoras dessa loja querem algum deles? Aposto minha vida que toda essa vontade de tê-los para si é somente devido ao fato deles serem da realeza, afinal o pai deles é o Rei Vampiro.

— Hooker-chan*, você é tão eficiente! – Laito elogiou com um daqueles sorrisinhos enquanto aparecia atrás dela e a abraçava, ela corou e fingiu embaraço, mas eu podia ver perfeitamente o brilho de triunfo em seu olhar. Cruzei os braços com incredulidade. Essa vagabunda acha mesmo que tem alguma chance com os Sakamaki ou Mukami? Eu nunca iria deixar um deles cair no fingimento dessa puta, embora eu saiba que eles são muito espertos para serem iludidos dessa forma.

— Laito, solte a vendedora. Não temos tempo para suas indiscrições, vamos acabar com isso de uma vez. – Reiji ordenou e logo o pervertido a soltou, mas não antes de beijar a bochecha dela. Respirei fundo para controlar minha raiva e pensei na forma como Reiji foi completamente indiferente com a garota se referindo a ela apenas como “a vendedora”, focar nisso me acalmou um pouco. – Peguem logo as roupas que precisam experimentar e sejam rápidos. – o moreno acrescentou com impaciência e pegou uma das roupas que estavam escondidas em uma daquelas capas com zíper.

— Leve essas duas aos provadores femininos para que experimentem os vestidos. – Ruki instruiu a vampira com uma frieza que me assustou, eu poderia ter sentido pena da garota, entretanto o que fiz foi dar um pequeno sorriso de diversão. Bem feito, otária!

O resto dos garotos pegaram suas roupas e passaram por uma porta no canto da sala que suspeitei ter provadores, então eu percebi que nós estávamos aqui para experimentarmos as roupas para o baile.

— Senhoritas, sigam-me até seus provadores, por favor. – a vendedora disse com um tom surpreendentemente igual ao da morena curvilínea, acho que todas as vampiras tem o mesmo desprezo por mim e pela Yui. Nós a seguimos em silêncio até uma porta no canto da sala e a vendedora a abriu, então nós entramos e o local era apenas um hall vazio com mais quatro portas iguais à primeira pela qual passamos. – Seus vestidos estão no primeiro provador e os seus estão no último. – avisou se dirigindo primeiro a mim e depois à Yui, nós duas nos entreolhamos e seguimos as instruções da rosada no momento em que ela foi embora.

Ao entrar no meu provador fiquei de queixo caído. Era simplesmente enorme, no canto estava uma arara repleta de vestidos que supus serem aqueles que eu teria de experimentar; a parede em frente à porta era totalmente revestida pelo maior espelho que eu já havia visto; e, além de tudo, ainda havia duas poltronas e um divã para o caso de existir acompanhantes.

Passei alguns minutos observando o local até perceber que se eu demorasse demais experimentando os vestidos Reiji me daria uma bela punição. Comecei a tirar o meu uniforme, pousando cada peça em cima de uma das poltronas até estar somente com a roupa íntima, prendi o meu cabelo em um coque apertado e me dirigi para a arara com os vestidos pegando o primeiro deles, experimentando-o em seguida, por sorte eu tinha as manhas para fechar um zíper sem precisar da ajuda de terceiros.

Parei em frente ao espelho e me observei por um momento, o vestido ia até a altura dos joelhos e era de alças com um decote em V, era de tafetá amarelo escuro forrado com organza negro. A parte amarela tinha o corte de um vestido tomara-que-caia justo nos seios que se abria em uma saia rodada até os joelhos, já a parte negra formavam alças grossas que se juntavam em um V na parte frontal que acabava em um belo detalhe em renda que se estendia da parte debaixo do busto por toda a cintura até acabar em uma saia negra que acompanhava o mesmo estilo do tecido amarelo.

Era um vestido muito bonito, mas realmente não fazia o meu estilo, e também não achava que fosse apropriado para um baile do patamar do qual eu teria que participar, por isso o tirei pousando-o novamente na arara da qual o havia tirado, em seguida peguei o próximo vestido experimentando-o rapidamente.

Este, por sua vez, era longo e de um carmim profundo. A seda que o formava era, sem sombra de dúvida, a mais cara e refinada que eu já havia visto. O vestido era de um modelo tomara-que-caia que seguia bem justo até o meio das coxas e depois se espalhava em uma saia armada branca com bordados perolados, parcialmente forrada com a mesma seda carmim que compunha o vestido, abaixo do busto havia uma linda faixa prateada bordada diretamente no vestido e a divisória da parte justa com a parte rodada era feita por um bordado de flores prateadas que começava da cintura e seguia os limites da saia.

Admirei-me por um momento e decidi que estava bonita naquele vestido, porém não era exatamente o que eu queria para usar no baile, além disso, aquele vestido era chamativo demais, eu preferia algo mais discreto. Quando alcancei o zíper para retirar o vestido vi alguém parado em pé no canto da sala através do espelho e me virei rapidamente.

Notas finais
*Hooker-chan significa putinha. E para quem tem dúvida a tradução literal para Bitch-chan é vadiazinha. — Vendedora morena: http://images5.fanpop.com/image/photos/30600000/Yozora-Mikazuki-boku-wa-tomodachi-ga-sukunai-30624161-720-405.jpg — Vendedora rosada: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/81/91/94/8191947ee80490ee5b4535cd7e81940b.jpg — Tora; Vestido Amarelo: http://tws1.ftwmedia.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/w-weddinggowns/2011/03/black-and-yellow-bridesmaid-dresses-3.jpg — Tora; Vestido Vermelho: http://www.topdreamer.com/wp-content/uploads/2013/10/Red-Dresses-Omg-So-Pretty-fashion-lovers-31814482-600-816.jpg Eu não sou vítima, mas também não sou vilã. Eu sou o meio termo, sou a união nefasta entre o bem e o mal. Sou a luz e sou as sombras. Sou a verdade e sou a mentira. Eu sou tudo o que o mundo me permite ser, eu sou tudo que posso ser e sou ainda mais. Eu sou o que sou e é sua obrigação me aceitar assim! Tora Takayama