Notas iniciais
Estou animadíssima com essa fic!
Capítulos saido como pão quente!! Huahahaha

Espero que estejam gostando!

Beijos!

Tilda

A dupla formada por Eve e Kirstin era infernal. As duas conseguiriam qualquer coisa. Icluo aí a paz no oriente médio, a abolição das armas nucleares, judeus e palestinos abraçados cantando Kumbaya.

Embora cada uma tivesse informações diferentes, já que Kirstin, a despeito de sua personalidade exuberante, tinha mantido a palavra e não tinha dito nada sobre a nossa conversa à Eve, elas entraram em acordo sobre o objetivo em comum: Paul Blaylock seria meu.

Logo no dia seguinte, depois que Kirstin acordou e foi para seu dormitório, Eve voltou ao meu quarto. Ela vinha acompanhada de Mitsuo.

Onde aquele japonês tinha passado a porra da noite?

Eles entraram e o Japa foi direto para o banheiro. Eve sentou-se na minha cama. Estava pensativa.

— Adam. — falou afinal.

— Hum? — respondi. Estava arrumando minhas coisas do vôlei, porque amanhã, definitivamente, eu iria voltar a treinar.

— A gente podia armar uma comemoração pela sua recuperação. — ela disse com o olhar distante, passando através da parede branca que ela encarava.

— Boa ideia.

— Mesmo?

— É. Gostei. Seria legal sair um pouco. Ainda estou com o gosto da comida insossa e daqueles pudins de chocolate temperados com papelão do hospital na boca. — Respondi, puxando o zíper de uma vez. Ele soou agudo e seco.

— Vou falar com a Kris.

— Ah, ela vai adorar, com certeza.

Mitsuo saiu do banheiro com uma cara culpada do cacete. Me virei imediatamente pra ele.

— Ei, você! — apontei o dedo para seu rosto. — Onde caralhos você estava ontem à noite?

Ele se encolheu como se não tivesse noventa quilos de músculos embaixo daquele pulôver azul marinho. Eve olhou pra ele e ele olhou pra ela. Filha da puta. Ela sabia o que o Japa estava fazendo e não queria me contar!

— Adam, então, vamos sair hoje pra comemorar? — Eve levantou e veio pro meu lado enquanto eu olhava para o Japa com os olhos apertados.

— Vocês dois... Quero saber o que estão aprontando! — exigi.

— Para de palhaçada, garoto. Ouve o que eu estou te perguntando.

— Ah, que seja! Mas hoje você me explica porque tem estado fora por duas noites seguidas, ouviu?, senhor Yuuko Mitsuo.

Então peguei minha mochila e rumei pra fora do quarto. Já estava me atrasando para meu turno na cafeteria.

***

Meu telefone tocou umas três da tarde. Eu estava deixando a cafeteria e indo para meu quarto. Minhas aulas começariam depois das seis, então eu tinha ainda pelo menos duas horas e meia para estudar.

— Fala. — era Kirstin.

— E aí? Animado?

— É. — dei de ombros. Estava de mal humor por um monte de motivos. As últimas duas noites foram extremamente frustrantes e cada uma por motivos diferentes, mas parecidos.

— Que resposta xôxa... Que foi?

— Ah. Você sabe bem. — passei a mão na cabeça quase careca e imaginei quanto tempo pro meu cabelo voltar ao seu tamanho ideal.

— Adam, hoje vai ser divertido. Você vai ver.

— Tá. Vou confiar em você.

— Chamei o Paul.

Imediatamente ela capturou minha atenção.

— Ele disse que vai com certeza.

— Mesmo? — engoli em seco. Ele sempre me desconcertava. Ainda mais se tivesse álcool envolvido. A vida é muito melhor com álcool correndo pela corrente sanguínea.

— Mesmo. — ouvi sua respiração do outro lado. — Tá mais contentinho agora?

— Definitivamente. — respondi.

— Então tá bom. A gente se vê de novo meia noite no Crosseyed Mary.

— Crosseyed? O que vocês estão esperando que aconteça?

— Tudo, criança.

Ela desligou e eu ainda fiquei encarando o telefone come se não soubesse pra que servia o aparelho. Crosseyed era um lugar foda. Meio boate, meio pub. Onde os riquinhos iam dar vazão às suas suaves perversões. Onde tudo era permitido. Onde a polícia não estava convidada a entrar. A limousines estacionavam na entrada, uma garrafa de Goose custava trezentos dólares. A entrada era duzentos. Mas nós, com certeza poderíamos pagar. E isso era o que nos classificava como pessoas que entravam direto, sem passar pela humilhação da fila dos excluídos na porta.

Confesso que não prestei lá muita atenção ao que acontecia em volta. Ao contrário de Eve, que bebia cada palavra dos professores, minha mente voava imaginando o “tudo” que poderia aocntecer conforme Kirstin tinha prometido.

Com o esforço conjunto das duas eu achava muito provável que conseguisse sair do zero-a-zero com Blaylock hoje. De uma maneira ou de outra. Ou ele iria me dispensar de uma vez por todas e definir os limites da nossa relação, ou eu conseguiria romper aquela barreira e ter dele tudo o que eu queria. Só de pensar na segunda possibilidade meu sangue corria mais rápido e minha respiração ficava mais superficial.

Então, quando o professor nos dispensou eu levantei da minha cadeira como se ela estivesse pegando fogo. Precisava ir pra casa. Havia roupa pra escolher, banho pra tomar, barba, perfume... Eu era um viadinho mesmo.

Eve também não se importou muito com minha ansiedade. Ela era uma mulher com uma missão, e estava muito consciente do seu papel. Portanto virou as costas na portaria e rumou para seu próprio quarto, pra fazer suas coisas acontecerem.

Eeeee meia noite demorou uma eternidade pra chegar.

Tentei demorar no banho, ajudado pelas imagens que minha mente excitada fazia de “tudo” o que eu queria que acontecesse. Bati uma, porque, afinal, Blay era Blay. Fiz a barba, olhando com desgosto para aquele cabelo curto espetando-se pra fora do meu crânio. Eu parecia mau e perigoso, tendo perdido peso, as bochechas mais encovadas, os olhos mais fundos. Parecia mais adulto. Queria meu cabelo loiro de volta.

Voltei para o quarto. Uma toalha branca em volta da cintura.

Agora era a parte crucial: escolher o que vestir.

Na dúvida, escolha o básico: uma calça Seven stonada de própórsito que eu ainda não tinha usado e uma camisa Burberry xadrex, com punhos e gola branca. Dobrei os punhos até o cotovelo. Usaria um Addidas preto de listras brancas. Ainda não tinha escolhido que perfume usar. Voltando à máxima “Na dúvida, escolha o básico”, fui com o clássico Polo Ralph Lauren for Men verde.

Eu estava na fase da escolha do perfume quando o Japa entrou no quarto. Ele acenou a cabeça e se dirigiu ao nosso armário pra escolher as roupas com que iria. Fiquei contente, porque, de início, tinha minhas dúvidas se ele estaria com a gente na minha comemoração. E, mesmo que ele não tivesse dinheiro pra entrar, eu faria questão de pagar pra tê-lo conosco. Não era o caso.

Ele entrou no banheiro e eu, terminando de me arrumar, me sentei na beirada da minha cama pra esperar o tempo passar.

E não era divertido ficar encarando nem a parede, nem o teto.

Liguei a televisão. Só para perceber que não havia nada que interessasse.

Meu joelho tinha vontade própria e ficava agitado quando eu estava ansioso. Os ponteiros do meu Bulova já estavam até sem graça de tanto eu encará-los.

Então o Japa saiu do banheiro.

Não sabia se eu ria ou chorava.

Ele estava com sua melhor calça de microfibra, cujos vincos eram tão afiados que deviam cortar se você passasse o dedo. Uma camisa social branca, quebradiça de goma, abotoada nos punhos e gola. Gravata listrada de azul e vermelho. E segurava um palitó preto da mão.

Passei a mão no meu rosto.

— Mitsuo. Sem querer ser escroto, mas nós não vamos à porra de um casamento.

Ele piscou seus olhinhos negros. A boca aberta sem entender em absoluto o que eu estava falando.

— Sua roupa. — apontei para o conjunto. — Você não vai sair assim.

Como já esperava, sua reação foi ficar vermelho. E, antes que ele decidisse abortar a missão e não ir no cacete da boate, levantei para tentar consertar sua noção de moda.

— Você não veste muito diferente de mim, então pega aqui essa calça... — abrindo meu lado do armário, atirei pra ele outro par de calças jeans. Eram Roberto Cavalli, pra você ver como eu realmente queria que o Japa fosse comigo no Crosseyed. Catei uma camisa que não ofendesse muito sua honra. Algo que estivesse entre o azul e o branco e achei uma Calvin Klein listrada de azul e branco que ele certamente não teria muito problema em vestir. Seus sapatos não eram de todo maus, então deixei que ele permanecesse com eles. Afinal estava estuprando demais seu senso “fashion” para uma noite só.

Ele ficou olhando para aquelas roupas que entreguei.

— Elas não vão sozinhas, Mitsuo. Você tem que vestir.

— Obrigado, Adam, mas não posso aceitar... — ele respondeu.

Ai, caralho... Não teria aquela discussão. Hoje não.

Esfreguei o rosto com a mão uma outra vez e apertei os olhos.

— Olha, Japa, confia em mim dessa vez e veste a porcaria da roupa que eu tô te dando, ok? Depois a gente discute seus motivos.

Ele não era muito de argumentar. Simplesmente entrou no banheiro novamente.

Depois de dez minutos saiu de lá. Parecia meio desconfortável naquelas roupas, mas, cara, estava muito, mas muito melhor.

As calças ficaram perfeitas. Ele, tal como eu, dobrou a camisa nos cotovelos, deixando à mostra seu par de antebraços grossos como uma tora.

Tive esperança de que ele saísse daquela experiência tranformado. Pelo menos em relação às suas roupas.

Tive esperança de que eu saísse transformado aquela noite.

O ar estava elétrico: algo certamente iria acontecer.

***

Uma nota de cem na mão do porteiro da boate e estávamos os quatro dentro sem ter que esperar na fila.

Lá dentro do Crosseyed Mary havia um lounge de início, seus reservados em formato de meia-lua com sofás brancos forrados de couro. Mais à frente, perto do bar, mesas altas para oito pessoas, com bancos de acrílico transparente. Isso tudo era dominado pelas luzes que vinham do alto da pista de dança que ficava mais além. Andando pela direita chegaríamos à escada que levava ao mesanino onde ficavam as mesas Vips. Nossa mesa estava lá em cima, aonde os mortais não chegavam.

Mostramos nossas pulseiras verde limão para o gigante no pé da escada e ele deixou a gente passar sem muita conversa. No alto uma concierge vestindo algo um pouco maior que um band-aid nos recebeu com um sorriso de comercial de clareamento dental e disse que nossa mesa já estava pronta e que meu primeiro convidado já estava esperando.

Gelei. Paul Blaylock estava sentado numa mesa em fente seguindo o corredor e sorriu pra mim, depois deu um gole na sua cerveja importada.

Puta que pariu, ele estava gostoso como o inferno com uma camisa rosada que se mesclava com sua pele perfeita e um blazer cinza de discretos fios prateados. Os cabelos arrumados com gel, deixando o rosto mais destacado. Levantou a garrafa para mim em saudação.

Eu levantei minha mão de volta, tentando respirar como um ser-humano, não como um cachorro ansioso, e apontei a mesa para Kirstin, Eve e Mitsuo que estavam atrás.

Eve chegou à mesa primeiro e abraçou Blay, que a apertou entre seus braços e falou alguma coisa no seu ouvido. Acho que ela poderia derreter com a intensidade da minha inveja.

Kirstin deu um beijo no seu rosto e ele apertou a mão de Mitsuo educadamente. O Japa era reservado em relação à Paul, limitando-se a um aceno de cabeça.

Então ele veio falar comigo. E seu sorriso era a única coisa que importava no universo. Eu nunca conseguia deixar de ficar perdido olhando sua linda boca de lábios cheios, e vermelhos, e molhados como morangos.

— Excelente ocasião para comemorar. — ele disse com sua voz de James Hetfield.

— Que bom que você veio. — consegui responder olhando embasbacado para seus olhos fodidamente azuis.

— Como poderia não vir? — oh, merda, acho que não sobreviveria à noite com ele falando naquele tom cumplice, tão perto do meu ouvido.

Sentei ao seu lado na mesa redonda. Eve no outro lado, em seguida Mitsuo e Kirstin fechado o círculo. Ele chamaram a garçonete, tão sumariamente vestida como a concierge da escada, e fizeram seus primeiros pedidos de bebidas. Eu pedi pra mim uma dose de Absolut Brooklyn com gelo. E fodam-se todos. Se eu sou um viadinho posso muito bem pedir vodka de maçã verde com gengibre sem me sentir culpado.

— Adam. — aquela voz que fazia valer à pena continuar vivo falou bem perto do meu ouvido, arrepiando todo o meu lado esquerdo. — Espero que você não se importe, mas convidei uma pessoa.

Meu peito se congelou.

As luzes deixaram de ser tão brilhantes e coloridas. O mundo era preto e branco pra mim.

Por que existiam mais pessoas no mundo?? Só eram necessários ele e eu! Uma terceira pessoa certamente explicava tudo: seu distanciamento, as vezes que ele parecia dividido olhando pra mim... Esse filho da puta tinha uma namorada e eu o odiava por isso.

A maçã e o gengibre desceram amargos pela minha garganta.

Em torno de mim Kirstin e Eve gargalhavam e Mitsuo dava um pequeno sorriso. Não me interessava que assunto eles estivessem discutindo, Eve e Kirstin cada uma com seu drink decorado com mini guarda-chuvas e cerejas e o Japonês com uma dose de whisky com gelo.

Elas duas estavam muito bonitas. Eve com um vestido prata solto como uma camisola, sem usar soutien, os cabelos loiros perfeitos cascateando em volta de seu rosto. Olhos bem marcados de preto e nada mais do que um gloss nos lábios.

Kirstin vestia um vestido bondage curto e preto, evidenciando suas curvas latinas. Peitos grandes e bunda ainda maior, terminadas por pernas morenas e musculosas. Nos pés sandálias delicadas: uma alça fina sobre os dedos e outra no tornozelo. Salto doze e unhas azuis piscina. Ela optou por usar um delineador puxado até o fim do olho, rímel para seus cílios quase furarem que estivesse à frente e um baton vermelho fosco.

Há muito pouco tempo atrás eu a comeria nesse momento.

Mas era impensável quando eu lembrava quem estava do meu lado esquerdo, e sentia seu perfume indiano entrando pelas minhas narinas.

Percebi Blay se erguendo na cadeira e olhei imediatamente para seu rosto. Ele tinha o semblante bestificado e satisfeito. Os lábios abertos em um sorriso. Os lagos azuis de seus olhos fixados no fim da escada à frente.

Eu olhei pra frente também e nesse momento um rapaz terminava a subida. Era um cara grande como uma casa, os bíceps e tríceps gigantescos apertando a manga da sua camisa preta Affliction. Virou-se para nossa direção, apontando nossa mesa para a concierge. A mulher olhava para ele como se estivesse diante de uma divindade, quase se ajoelhando e pedindo perdão por existir.

Então o cara veio andando. E eu pude divisar sua franja negra como piche jogada sobre o olho, a parte de trás do cabelo curta. Na sobrancelha um piercing com spikes nas pontas, outro, uma argola de aço, no lábio inferior. Suas duas orelhas tinham uns seis furos cada. Seus olhos brilhavam olhando para nós: um verde e um azul. Sob o olho verde uma lágrima vermelha tatuada. Um sorriso de lado entortava sua boca perfeita.

Em me perguntava: deuses, que mundo é esse onde se criam ciraturas perfeitas como esse cara?

Obviamente nós éramos o alvo do cara, porque ele veio diretamente para nossa mesa. Eve, Kirstin e Mitsuo virando-se para ver o nosso convidado misterioso. Os três de bocas tão abertas como eu.

Blaylock cada vez sorria mais. Enlevado pela presença do outro gigante.

Levantou-se de seu banco.

O gigante de piercing parou à sua frente como se não houvesse mais nada em volta.

E meu queixo caiu e foi quicando até a porta, porque o gigante segurou o rosto de Blay entre suas mãos cheias de anéis de prata e beijou sua boca com volúpia, no que Blay agarrou as costas de sua camisa e correspondeu ao beijo com a mesma intensidade.

As outras três pessoas na mesa pareciam tão embasbacadas quanto eu. As bocas abertas de surpresa.

Eu vi as línguas dos dois se tocando. E isso foi muito, muito quente.

Em seguida eles se soltaram. Blaylock e o cara sorrindo um para o outro. Últimos selinhos antes de se soltarem de vez.

Permaneceram com os braços nas cinturas, mas olharam para nós. Blay estava radiante. A respiração curta, bochechas vermelhas.

— Gente, esse é o Qhuinn. David, Qhuinn. Meu namorado.

O cara olhou para ele, franzindo os olhos, mas rindo ainda.

— Namorado?

— Companheiro. — Blay riu e esticou a cabeça para beijar os lábios do outro novamente.

Oh. Meus. Deuses.

Namorado. Companheiro. Gay.

Ele era gay desde o início.

— Qhuinn, voce precia conhecer o Adam. Um grande amigo.

O cara esticou sua mão grande pra mim e houve um delay antes de eu esticar a minha e apertar aquela raquete de tênis.

— Prazer. O Blay fala muito de você.

— M-mesmo? — respondi brilhantemente. E no segundo seguinte Blaylock estava apresentando o cara — Qhuinn — para o resto das pessoas na mesa.

Minha mente entrou em curto. Tudo ao contrário. Certo e errado tão semelhantes agora. Eu estava apaixonado por um cara, que estava claramente apaixonado por outro cara. Situação em que eu, garanhão em Dallas, jamais consegui me imaginar.

Antes não havia mulher difícil pra mim. De um jeito ou de outro ela seria minha se eu quisesse.

Aqui em Nova Iorque existia um ruivo que era inalcançável. Eu não tinha como competir com a perfeição daquele moreno de olhos descombinados.

Depois de alguns minutos tudo foi recoberto com um verniz de normalidade. O cara estava conversando animado com Eve, que tinha adorado o moreno quase instantaneamente. Até Mitsuo ria. E Kirstin olhava para cada centímetro do tatuado e cheio de piercings como se ele fosse um pedaço de torta de chocolate prestes a ser devorada por ela.

O ar estava denso com um cheiro de incenso e Qhuinn olhou por sobre o ombro para Blay e deu um sorriso de lado, lábios fechados. Sensual e provocante.

O ruivo se recostou na cadeira, deixando seu... companheiro... continuar conversando com as outras pessoas na mesa.

Olhou pra mim distraído.

— Por que você nunca disse nada? — eu perguntei. Minha garganta seca.

— O quê? — ele respondeu. Ainda estava olhando seu objeto de desejo.

— Qhuinn. Por que você nunca disse nada? — minha garganta estava apertada.

— Eu... Ahn... Não sabia como começar. — ele trocou seu rosto sorridente por um sério e triste.

Tentava manter minha voz calma e baixa. Não queria que Quinn ouvisse.

— Que tal quando eu disse pra você como me sentia? — falei baixo por entre os dentes. Não. Eu não podia começar a chorar como um perdedor.

— Me desculpe, Adam... Eu não tinha...

— Blay. — Qhuinn chamou e no mesmo instante Blay se virou sorrindo para seu amado. — Cara, essa garota fala mais palavrão que eu!!

Os dois começaram a rir. E eu me senti a mais insignificante das criaturas.

Então levantei o dedo e pedi uma dose de Goose puro e duplo para a garçonete.

O pessoal foi ficando bêbado. Até o Japonês estava falante e descontraído. Mas eu só tinha olhos pra minha própria infelicidade.

Blay e Qhuinn tinham os braços enlaçados nos seus troncos e beijos eram suas vírgulas. Eles se beijavam o tempo todo.

Desconfiei que as coisas estavam ficando mais quentes quando Mitsuo, Eve e Kirstin se levantaram para ir pra pista de dança e eles permaneceram na mesa, se esquecendo de mim. Blay encostava-se na parede atrás e Qhuinn estava sobre ele, beijando com delícia. Sua mão segurando o rosto do ruivo, dedos entrando no cabelo da sua nuca, os lábios juntos e brilhantes de saliva. Podia ver quando o moreno mordia o lábio inferior de Blay e quando a língua de Blay esticava-se para encontrar a de Qhuinn.

Baixei meus olhos para encontrar a mão branca e macia de Blay apertando a coxa grossa de Qhuinn, colada na ereção do outro. Um polegar subindo para acariciar o fecho da calça preta do tatuado.

Eles gemiam e eu não podia aguentar mais.

Levantei o fui para qualquer lugar. O inferno não parecia uma má ideia.

Desci as escadas à procura de alguma coisa que acalmasse meu coração partido.

A verdade é que naquela boate escura não havia nada pra mim. Talvez no mundo não houvesse nada pra mim. Céus, como eu sou dramático!

Blaylock havia encontrado a melhor maneira de estabelecer os limites da nossa relação: ele e Qhuinn de um lado, eu sozinho no deserto, no outro.

Estava puto e estava magoado. Mais do que isso, estava querendo ficar muito, mas muito bêbado.

No bar de baixo pedi mais uma dose de vodka e uma cerveja pra rebater. Gostaria muito de saber quais desses filhos da puta eram traficantes aqui dentro. Uma carreira ou duas não me fariam mal.

Depois de virar a vodka de uma vez, peguei minha cerveja pelo gargalo e fui andando sem rumo, encarando cada pedaço de carne naquele lugar.

A boate era tão grande, mas pra mim parecia uma caixa apertada de corpos juntos. Quentes e suados, oferecendo-se como num leilão do Canal do Boi pra ver quem dá mais pela arroba.

Encostei-me numa parede sob o guarda-corpo do mesanino acima, dando pequenos goles na minha cerveja enquanto percorria com os olhos a salada de gente dançando na pista. O som ensurdecedor techno não me dizia nada. As luzes violetas, azuis e verdes rendeando os dançarinos não me hipnotizava. Eles pra mim eram gado. Gado. Gado. Gado.

Nenhuma picanha pro Adam aqui.

Permaneci ali por um bom tempo. Algumas vezes alguém chegava ao meu lado e perguntava algo. “Não, obrigado.” Eu respondia para o que quer que eles quisesse me oferecer. Eu, na verdade nem ouvia.

Quando, bastante tempo e quatro garrafas de cerveja depois, me cansei daquela rotina de “eu sou uma ilha”, resolvi voltar para minha mesa e fazer papel de gente. Afinal eu não era a primeira pessoa desiludida amorosamente na face da Terra.

Subi as escadas.

Antes de voltar eu, definitivamente, precisava de um banheiro. Minha bexiga já estava estourando. Eu precisava mijar.

Os banheiros de uma boate chique. O que dizer sobre eles? Bem. Banheiros são mais um espaço de entretenimento, sabe? Nos reservados pode-se encontrar de tudo acontecendo e eu não estou me referindo às necessidades fisiológicas. A espera por um reservado pode fazer com que um casal mais impaciente comece sua rotina do lado de fora mesmo. E do lado de fora, na parede do banheiro do Crosseyed Mary, havia um bom número de casais esperando para ter um pouco mais de privacidade para chegar às vias de fato.

Eu não precisava esperar naquela fila. Só queria mijar e isso era fácil. Havia um mictório gigante e aberto, cheio de gelo seco para gente como eu: perdedores que foram rejeitados. Ou, simplesmente para os bêbados de bexiga cheia.

Chegando mais perto evitei olhar para a massa ondulante na parede. Aquilo não me pertencia. Eu estava fora do clube dos que iriam se dar bem essa noite.

Mas quando uma luz da pista passou rapidamente pela parede o reflexo vermelho que meus olhos capturaram fizeram com que eu me voltasse novamente.

Encostado na parede estava Blaylock. Qhuinn de frente, amassando seu corpo contra a superfície sólida.

Oh, não. De novo, não.

É claro que, mais uma vez, não podia desgrudar os olhos deles.

Eles se devoravam novamente. O quadril de Qhuinn movendo-se ritmicamente contra Blay. Eles tinham os olhos fechados. E eu notei que o cós da calça preta de Qhuinn estava solto. A calça estava certamente aberta e a mão de Blay, escondida entre os dois corpos, só poderia estar movendo-se para cima a para baixo, dado a contração e relaxamento cadenciado dos músculos de seu braço.

Vi Qhuinn jogando a cabeça para trás e Blay abrir os olhos.

Então ele olhou diretamente pra mim. Encarando meu rosto, sabendo que eu estava acompanhando seus movimentos. Sua boca estava aberta e eu vi novamente uns caninos muito mais longos do que caninos de gente normalmente são. Ele gemia e arfava, mas não deixava de olhar para mim, apertando os olhos, querendo que eu sorvesse cada pequeno movimento que ele estava fazendo.

Então sorriu maliciosamente e meus joelhos quase cederam de tesão. Era como se ele estivesse me mostrando o que faria comigo.

Eu não tenho estrutura pra aguentar isso. Juro.

Então vi seus dedos brancos entrando nos cabelos curtos da nuca de Quinn e fechando-se com força. Ele puxou a cabeça do moreno para o lado e, com um último sorriso para mim, enterrou seus dentes anormalmente grandes naquele pescoço tatuado.

Ele olhou por sobre o pescoço como tinha olhado antes no meu quarto, quando mordeu o sanduíche de presunto defumado que eu fiz. Fodidamente sensual e quente, semicerrando as pálpebras e ainda sorrindo.

Meu pau latejou e eu não consegui mais olhar. Dei meia volta.

Foda. Precisava urgentemente transar.

Na minha frente, apertada no seu bandage dress preto, Kirstin surgia suada, e afogueada voltando da pista.

Os deuses me perdoem. Sei que sou um escroto, mas pulei sobre ela no mesmo instante. Uma mão foi diretamente pro seu peito no tomara que caia e a outra apertou sua bunda gostosa.

Ataquei como um faminto sua boca vermelha. E ela, piranha, correspondeu.

Quando ela parou para respirar eu segurei sua mão, puxando-a para a saída.

— Eu preciso ir ao banheiro. — ela disse.

— No meu quarto tem banheiro. — respondi.

E então ela veio comigo. Mansa como um cordeiro.

Notas finais
E então, gente???

Teorias??? huahahahaha

Deixem reviews!!

Beijos.

Tilda