Amante Inalcançável - Ian
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Tive de dividí-lo em 2 partes.
Eh!!
Agora sim segue o penúltimo capítulo.
Espero que gostem!
Lutar ou correr?
A mente tem milésimos de segundo pra decidir o destino do resto do corpo.
No meu caso, de uma maneira ou de outra, eu tava fudido.
A chave tilitando na minha mão e minha boca aberta.
Então eu decidi dar os passos em direção à porta do meu quarto. Qhuinn estava parado como um monumento de músculos à frente da entrada. E continuou ali, ostensivamente me observando enquanto eu virava a chave na porta. Perto demais de mim.
Minha espinha gelava. Um arrepio estranho de medo e curiosidade.
Assim que consegui destravar a fechadura ele perguntou:
— Posso entrar?
Olhei para ele, dentro dos seus olhos descombinados. Vá pro inferno.
— E se eu não te convidar?
Ele deu de ombros e sorriu de lado, olhos maliciosamente apertados.
Eu passei pela porta e a fechei atrás de mim rapidamente, encostando a testa do lado de dentro. Finalmente podendo respirar fundo.
— Na verdade não faz diferença, você sabe...
Meu coração perdeu uma batida do susto. O filho-da-puta estava parado tão perfeito quanto esteve no corredor, braços relaxadamente pendurados ao longo do seu corpo espetacular.
— Como...?
— Você realmente acredita nessas lendas humanas sobre os vampiros? Sério? — ele riu, os dentes imaculadamente brancos, as lindas presas brilhando. — Realmente acreditou que precisava me convidar? Não sei se acho engraçado ou patético...
Limpei minha garganta. Afinal eu me sentia um estranho dentro do meu próprio quarto, enquanto ele parecia completamente à vontade.
— Vo-vocês e... Espelhos?
Ele gargalhou alto, jogando a cabeça para trás, a luz da Lua que entrava pela janela deixava seu cabelo negro quase azul. Em seguida foi até meu armário, abrindo a porta. No espelho interno ele se inclinou. Seu reflexo perfeito olhou pra mim através do vidro. Ele levantou os dedos cheios de anéis de prata e ajeitou a franja, piscando pra mim o olho tatuado com a lágrima.
— Quer jogar água benta também pra ver se eu derreto?
Eu continuava olhando para ele embasbacado. Sentei na minha cama, ainda sem reação.
— Pra sua informaçao nós também não somos seres malditos enviados pelo diabo. Butch, inclusive, vai toda semana à igreja, acredite você ou não. E tem a porra de uma cruz de ouro da grossura de um dedo meu pendurada no pescoço, como um mafioso italiano. — e veio sentar-se à minha frente na poltrona. Esticando suas longas pernas e pousando os antebraços grossos nos braços laterais do sofá, enquanto recostava sua cabeça no respaldar, olhando intensamente, sem piscar, para meus olhos.
Levantei minhas mão e as deixei cairem novamente no meu colo.
— O que você quer? — perguntei finalmente. Afinal, o que mais poderia fazer?
Essa criatura na minha frente era um predador. Fato. Ele era esculpido para conseguir o que quisesse: devoção, respeito. Sangue. Meu sangue, se fosse o caso.
E ele era perfeito, assim como Blay. Esse macho certamente não precisava muito esforço para dobrar quem quer que fosse, seja pela força, seja pelo convencimento. E era fácil pra cacete ser convencido. Tudo nele era um convite. Seu corpo perfeito, seu rosto lindo. Os olhos deliciosamente maldosos e desiguais. E o cheiro de dar água na boca que seu corpo exalava.
Ainda bem que esses eram os únicos vampiros que eu conhecia. Porque tenho absoluta certeza de que seria o cara mais viado do mundo no meio de um monte de caras absolutamente deliciosos como esses que eu conheci.
Depois de um bom tempo calado me observando, ele finalmente resolveu falar.
— Você pode achar que por sermos seres “mitológicos” — ele fez as aspas com os dedos — temos mais capacidade de entender o mundo, inteligência superior... — ele revirava os olhos enquanto falava — Ah, foda-se! Nós fazemos tanta burrada quanto vocês, seres-humanos. E eu — seu polegar apontava para seu peito musculoso — sou o vampiro mais idiota da face da Terra.
Eu piscava os olhos, sem entender aonde ele queria chegar.
— Eu amo Blaylock. Tanto quanto me odeio. Amo tudo que ele é e tudo que ele me lembra. — deu um pequeno sorriso para si mesmo — Sabe, eu sou daltônico. Mesmo assim posso enxergar perfeitamente os reflexos do seu cabelo vermelho e sei o quanto seus olhos são azuis. E sei que não há mais nenhum macho no mundo tão perfeito como ele. Só que não sou só eu, não é mesmo?
Eu gelei. Até onde ele sabia?
— Acredito que eu saiba tudo. — ele respondeu.
Oh, que bosta. Vampiros e sua leitura de mente...
— O pior de tudo, o realmente ruim é que eu poderia esmagar sua traquéia com uma única mão, drenar todo o sangue quente do seu corpo e você ainda ia gostar disso. Você é realmente o tipo de macho que eu escolheria pra mim a pouco tempo atrás. — abriu as mãos e sorriu, como se estivesse falando sobre seu final de semana em Martha’s Vineyard. — Só que eu não posso fazer isso contigo. Porque Blay ficaria realmente, realmente triste.
Minha boca se abriu, mas eu continuava mudo como um peixe. Blaylock se importava comigo tanto assim? Quer dizer, se importava o suficiente para ficar chateado com o meu assassinato?
Eu ainda não era um expert nesse assunto de vampiros, mas acreditava que esse negócio de massacre era bem mais comum e aceito com mais naturalidade no mundo em que eles viviam.
— E eu já o decepcionei muito mais vezes do que deveria. — ele continuou. E parecia triste. Quase tive pena dessa criatura magnífica à minha frente, que falava tão facilmente sobre me matar. — Não posso fazer mais isso.
— Afinal, — veja! Minha voz voltou! — o que eu tenho a ver com isso?
— Tudo a ver. — ele passou a olhar para baixo. — De uns tempos pra cá Blay tem estado muito triste e distante quando volta pra casa. Ele está tão puto consigo mesmo que não sei como não bate a cabeça na parede de vez em quando.
— Por causa do incidente com minha cabeça? — apontei para minha têmpora com o indicador.
— Porque ele gosta de você, idiota! — ele se inclinou pra frente na cadeira. — E gosta de mim. E ficar comigo foi o que ele mais quis por muito tempo. E por minha culpa, por conta das decisões estupidamente estúpidas que eu tomei por muito tempo, isso foi extremamente foda de acontecer.
Ele gosta de mim? Sério? Oh, deuses... E a gente discutindo como eu vou morrer...
— E eu sinto como ele se sente culpado como a porra por desejar você. E não existe nada que eu não faria pra ele voltar a ficar feliz. Você está me ouvindo?
— Sim, mas ainda não entendi o que você quer...
— Ah, caralho!!! Seu estúpido! Eu estou te dando permissão para dormir com o meu macho, seu imbecil!!
Ele se levantou, passando os dedos pelo cabelo perfeito. Nervoso.
Um vampiro adulto nervoso dava medo.
Ainda mais um cheio de tatuagens e piercings e bonito como o inferno.
Eu piscava meus olhos sem acreditar no que ele tinha dito.
— Quero que você me ouça bem, porque não vou repetir, entendeu? — ele se virou pra mim, apontando seu dedo no meu rosto. Eu me inclinei para trás sobre a cama. Suas sobrancelhas perfuradas baixas sobre os olhos brilhantes. — Há quanto tempo Blay te falou sobre ser um vampiro?
— Ontem à noite. Depois do treino. Nós, ahn... — não pense nisso, não pense nisso... Oh, merda...
Os olhos do vampiro à minha frente primeiro se arregalaram, depois se estreitaram e ele meio que rosnou.
— Desculpe. Mas não é minha culpa se você pode ler pensamentos... — ele tinha o pior olhar assassino que eu já tinha visto na minha vida.
Ele deu um urro, quase um latido, e virou de costas pra mim.
— Ele chegou hoje de manhã absolutamente arrasado. Você não tem ideia... Ele estava... Destruído.
— Eu...
— Você o quê, porra?!?! — ele se voltou para mim.
— Eu AMO O BLAYLOCK, ok?? Foda-se se você é a porra de um vampiro! — me levantei também e tive a coragem absurda de ficar nariz a nariz com ele.
Então ele segurou meu pescoço com uma das mãos e eu vi que já era. Adeus.
Fechei meus olhos pronto para seguir em direção à luz branca e essa coisa toda de morrer. O problema foi que tive de abrir as pápebras assustado, porque a boca incrivelmente macia de Qhuinn estavam na minha.
Ele se afastou. Um passo para trás.
Eu toquei meus lábios com a ponta dos dedos, sem acreditar.
— O que foi isso? — perguntei num fio de voz.
— Um beijo. O gosto dele ainda está em você. — apontou para mim suavemente.
— Qhuinn... Eu... Isso é tão confuso... — disse finalmente. Porque, afinal de contas, cacete... Quando é que eu poderia imaginar estar conversando com o namorado do cara por quem eu estou absolutamente apaixonado? Primeiro, quando é que eu poderia imaginar estar gostando de um cara? Depois, desse cara ser um... Vampiro?
Ele esfregou o rosto. Dando voltas pelo quarto, visivelmente frustrado e angustiado.
Então parou por alguns segundos, respirando fundo. E voltou para a poltrona. Sentando-se calmamente outra vez. Alisou a camisa no peito e ajeitou os ombros da jaqueta preta de couro. Eu pude ver o reflexo de algo bastante parecido com o punho de uma pistola preta.
— Vamos ao que interessa. Depois de três dias a memória de vocês, macacos, deixa de ser temporária e vira permanente. Aí fica impossível até pra gente mexer na cabecinha oca de vocês. Então, se ele te disse o que quer que seja... — apontou o dedo pra mim imediatamente — Não pense nisso novamente ou eu não me responsabilizo por mim, Adam!
Minha mente tem vida própria. Tem coisas que eu não consigo controlar.
— Enfim, — ele continuou — se ele te disse isso na quarta, você tem até sábado à noite para ser apagado definitivamente. — chegou até a ponta da cadeira para olhar intensamente dentro dos meus olhos, muito sério — Minha proposta é a seguinte: você tem a madrugada e o dia de sábado para estar com Blay com minha permissão.
Oh. Meus. Deuses.
Isso era inacreditável.
— Não pense, nem por um segundo, que eu estou fazendo isso por você. Tudo o que eu quero é que ele possa saciar essa vontade que vem corroendo nossa relação e depois deixar isso pra trás definitivamente.
— E depois? — que se foda. Blay seria completamente meu por um dia inteiro?
— Depois você esquece de tudo novamente e vai viver sua vida longe de nós e de tudo que tem a ver com a gente. — ele recostou na cadeira. De certa maneira parecendo estar aliviado por ter falado o que disse.
Cobri minha boca com a mão. Ponderando por um minuto enquanto o vampiro esperava paciente, batendo a ponta da bota no chão cadenciadamente.
— Ok. Mas com uma condição. — eu falei por fim, olhando dentro dos seus olhos coloridos — Ele tem que vir me convidar.
Qhuinn riu e apertou os olhos, divertido.
— Então também tenho uma condição: eu quero ver tudo.
Comecei a balançar minha cabeça para os lados lentamente enquanto a negação se formava na minha boca. No cú que ele iria ficar olhando enquanto eu transava com um cara pela primeira vez.
— Pegar ou largar. E eu sei que você quer muuuito pegar.
Xeque-mate.
Me levantei. Ele se levantou também. Sua cabeça a metros de distância acima da minha, mas mesmo assim, me encarando de igual pra igual.
Não foi sem exitação que eu extendi a mão na sua direção.
— Fechado.
— Por que essa mão? — ele perguntou. Será que era tão alienado que não sabia que era assim que se fechava acordos nesse mundo?
— Meu mundo, minhas regras. É assim que dois homens juram.
— Não sou um homem. — ele rebateu rápido. Eu poderia ficar nesse joguinho por horas. Difícil admitir para mim mesmo, mas eu estava gostando daquela companhia.
— Macho... O que seja... Aperte a minha mão. — ela continuava extendida.
Ele olhou pra baixo, sorriu de lado e também extendeu sua mão.
Era quente e firme. E retribuía meu aperto na mesma medida.
Mas não me soltou.
Ao contrário, ele me puxou pela mão e em segundos em estava colado a ele. Peito com peito. Seu hálito perfumado entrando diretamente pelo meu nariz, indo para meu cérebro e ativando aquela parte sórdida da libido. Oh, merda, eu estava ficando excitado...
— Você é... Tão... Apetitoso... Não sei como vou conseguir ficar de fora... — ele sussurrou.
Então, não sei se foi o cansaço, ou o seu aroma de especiarias, ou o calor morno da sua mão na minha e do seu corpo contra o meu, mas eu estava desejando muito sentir novamente seus lábios na minha boca.
Bosta de vampiros gostosos do caralho.
— Talvez eu não fique. — ele falou ainda mais baixo e rouco, seus lábios roçando nos meus enquanto pronunciava as sílabas.
Fechei meus olhos para sentir seu beijo, antecipando o sabor doce da sua língua.
Então o filho-da-puta fez aquela porra de novo.
Simplesmente desapareceu no ar.
***
E, ahn, eu queria muito poder dizer que a sexta-feira passou tranquilamente pra mim. Mas seria uma puta de uma mentira.
Primeiro que, depois que Qhuinn saiu do meu quarto na quinta, eu fiquei catatônico por umas duas horas. Minha mão subia até minha boca e eu me lembrava que ele tinha me beijado brevemente e que tinha sido nitroglicerina pura, mas sequer chegava perto do que eu sentia por Blay.
Depois eu tinha noção de que em 24 horas a possibilidade de Blay aparecer na minha porta me convidando para ir com ele para o paraíso era muito grande. E como Qhuinn iria convencer o outro a fazer isso não me interessava nem um honorável pouquinho. Contanto que ele fosse bem sucedido...
Ah, e eu também passei grande parte da noite relembrando cada momento, tentando fazer com que aquelas lembranças se tornassem impossíveis de apagar. Indeléveis. Parte de mim. Pra sempre.
E Mitsuo chegou em casa algum tempo depois. E imediatamente um sentimento e compaixão me encheu. Eu lembrei do que Eve disse sobre a vida complicada dele e sobre como ele gostava de mim.
E, por algum tempo, o pensamento fixo em Blaylock me deu um descanso.
— Ei, cara. — disse assim que ele entrou, cabeça baixa. Seu cabelo parecia diferente. Ele, em geral, estava diferente com aquelas calças jeans e casaco de capuz.
— Oi. — ele respondeu.
Esfreguei minhas mãos nas pernas da minha calça.
— Então você e Eve, hein?
Ele deu de ombros, ficando cada vez mais vermelho, parecendo um turista alemão em Copacabana.
— Só quero que você a trate direito, senão, não me importa quantos dans você tem, eu quebro sua cara e arrasto seu corpo sem vida pelos pés através do pátio da universidade.
Ele sorriu um pouco, visivelmente aliviado de eu finalmente saber sobre eles e ele não ter tido de quebrar sua promessa sobre manter segredo.
Umas duas horas depois Mitsuo, de banho tomado e com uma pequena mochila nas costas, se despedia de mim para ir dormir no quarto de Eve.
— Eu sei que você acha bobagem, mas o mês de vigília já está terminando. Por isso aguente mais um pouco. — ele falava sobre toda aquela bobagem de recomendação médica de terem que vigiar pra ver se eu tinha alguma recaída. E eu não podia dizer que já sabia porque tinha ficado doente e que dificilmente isso iria acontecer novamente. — Kirstin concordou em ficar com você hoje.
Oh, não, Kirstin não...
Hoje, definitivamente, não,
— Escuta, Mitsuo... Você poderia me fazer o favor de avisar a ela que não é necessário? — eu me virei na minha escrivaninha, onde usava meu notebook, para dissuadir ele da ideia. É, claro, tentando dar o mínimo de detalhes possíveis sobre o que eu pretendia que acontecesse essa noite.
Ele revirou os olhos.
— Adam...
— Não... Já sei o que você vai falar... Me poupe. Mas não é isso. É que eu estou esperando uma pessoa. — disse e minhas bochechas ruborizadas eram suficientes para que ele entendesse de quem eu estava falando.
— Paul vem ficar com você hoje? — as suas sobrancelhas negras e retas juntando-se no meio da testa claramente desaprovando minha companhia.
“Assim espero”, pensei.
O Japa respirou fundo.
— Não gosto dele. Ele parece que está escondendo alguma coisa.
Pode apostar seu ovo esquerdo que está.
Minha vez de dar de ombros.
— Ok, sua vida, suas escolhas. Vou dizer pra Kirstin que ela está livre hoje. — ele disse beeeem desanimado. Então me toquei do óbvio: eles estavam esperando que Kirstin desse o fora para eles terem um pouco de paz.
Sorry my friend...
Podia me fingir de idiota porque Mitsuo jamais confessaria isso.
Ele coçou a sobrancelha com o polegar, em seguida ajeitou sua mochila no ombro, se despediu e saiu. Ele não estava neeeem um pouco contente em dividir sua noite a “sós” com Kirstin. Nem eu, amigão.
Assim que ele levou sua bunda pra fora do quarto eu levantei imediatamente. Precisava fazer um monte de coisas. Precisa ter uma muda de roupa à mão para o caso de eu ser muito sortudo e passar o sábado com Blay onde quer que fosse. Precisava lembrar de ligar para minha irmã e dar satisfações se eu realmente fosse sortudo. Precisava me acalmar porque meu coração estava querendo sair pela minha garganta de ansiedade.
Então, depois de uma hora, mais ou menos, eu já tinha dado umas cem voltas pelo quarto tentando ver se tudo o que possivelmente fosse precisar estava arrumado. E já eram nove da noite.
Eu não tinha lá muita perpectiva, porque nem Blay ou Qhuinn haviam me ligado durante o dia. Então eu lembrei que era certo que algo iria acontecer, porque, afinal de contas, um dos dois precisava vir até mim, pelo menos pra “apagar” minha mente.
Me enganando sobre estar relaxado, sentei na mesma poltrona que Qhuinn ocupou há 24 horas e estiquei o braço pra alcançar o controle remoto da televisão. E o som monótono e as imagens sem-graça apareceram na tela pra tentarem, sem sucesso, me distrair.
Minha perna tinha vida própria, chacoalhando meu joelho freneticamente. Minhas mãos suadas.
Merda. Ele não vem.
Deixei minha grande cabeça cair para trás no encosto da cadeira, o rosto virando-se para a porta. Mesmo sem esperança, é claro que eu tinha esperança.
E por baixo da porta a luz que se filtrava pela fresta para o carpete de dentro foi interrompida por dois anteparos. Muito semelhantes a sapatos. E esses anteparos pararam na frente da minha entrada.
Fudeu. Agora sim meu coração parava de vez.
Pisquei os olhos de susto com o som das duas batidas secas e levantei como se minha poltrona estivesse pegando fogo pra abrir a porra da porta.
Foi como acordar na manhã de Natal e ver que você ganhou aquela bicicleta que ficou namorando pela vitrine o ano todo. Blaylock estava parado ali na minha frente, seu rosto estupidamente lindo e sério e seu corpo fenomenal numa calça jeans preta e uma camisa Emporio Armani com uma jaqueta de lã e cachecol xadrez. A luz do corredor batendo por trás fazia uma aura dourada em volta de seus cabelos vermelhos.
Eu continuei olhando pra ele ali na porta. Também sério porque não tinha a menor ideia do que iria acontecer comigo dali pra frente.
Então ele deu um passo em direção à parte de dentro. E eu um passo para trás para permitir que ele entrasse. E ele tomou a porta da minha mão, fechando com suavidade. Em seguida eu estava contra a parede e sua boca estava na minha. Sua língua passando pelos meus lábios, segurando meu queixo para cima com suas mãos enluvadas em couro. Eu passei minhas mãos por dentro de sua jaqueta para trazê-lo ainda mais perto e sentir a quentura do seu corpo contra o meu.
Respirei seu cheiro em grandes goles. Duvido muito que o que quer que esse filho-da-puta fizesse comigo seria suficiente para me fazer esquecer isso! Caralho, nunca!!
Seu quadril contra o meu, pequenos movimentos circulares da sua ereção sobre a minha e esse beijo molhado, os lábios escorregadios da nossa saliva misturada. Estava muito perto de gozar ali de pé.
A luz do abajur da minha cama, a única luz acesa, tremia levemente como se a lâmpada fosse queimar.
Ele se afastou um pouco de mim. Ambos ainda respirando pesadamente. Não conseguia desgrudar os olhos da sua boca vermelha e inchada como um morango. Blaylock retirou as luvas, o cachecol do pescoço e descia as mangas da jaqueta pelos braços.
Meu sangue passou a correr realmente rápido. Estava próximo de acontecer e seria no meu próprio quarto.
— Nós vamos ficar por aqui? — perguntei ajudando a tirar seu casaco, impaciente para desabotoar sua camisa.
Ele riu. Lindo...
— Não. Eu só estou com calor. Qhuinn está nos esperando em outro lugar. — ele terminou de tirar a jaqueta, seu quadril novamente empurrando o meu contra a parede. Seu perfume ainda mais forte quando ele tornou a abaixar a cabeça na direção da minha boca.
— Ele consegui te convencer? — falei entre seus lábios, minha vez de afundar meus dedos nos cabelos macios da sua nuca.
— Não teve muito trabalho pra isso. — tão baixo quanto um sussuro. Em seguida desceu para meu pescoço e aquela vontade de que ele me mordesse tomou todo o meu corpo. — Não pensa nisso senão não consigo manter a promessa que fiz pra Qhuinn... — ele murmurou.
— Vamos embora logo, porque eu estou muito perto de perder o controle aqui. — sei que fui ousado, mas trouxe sua mão sobre minha ereção que pulsou em resposta ao seu toque.
Ele gemeu. E apertou bem gostoso, chupando o lóbulo da minha orelha.
Então já era.
Eu comecei a gozar. Meu quadril dando espasmos involuntários contra sua mão, meus gemidos impossíveis de conter.
Ele voltou a atacar minha boca enquanto meu orgasmo continuava em jatos, sua língua explorando a minha boca. Resfolegando como se ele tivesse sentindo tanto prazer quanto eu. E passou a desabotoar minha calça com os dedos trêmulos, urgente, incontrolável.
Me soltou abruptamente e deu um passo pra trás.
— Pega suas coisas agora. — exigiu.
Precisei de mais alguns fôlegos pra me recuperar e fazer o que ele e eu queríamos.
Saímos quase correndo do prédio em direção a alguns carros estacionados ao longo da calçada. Fomos em direção a um Hummer preto. Duvido que esse seja mesmo o carro de Blay.
Assim que sentamos ele imediatamente colocou o carro em movimento, e eu ainda terminava de fechar o cinto de segurança. Por alguns momentos pude olhar seu perfil iluminado pelas luzes do painel e dos faróis dos carros do lado de fora. As sobrancelhas e pestanas vermelhas sobre a pele imaculadamente branca e macia. E aqueles lábios rosado e cheios que faziam minha consciência tirar férias.
— Não quero me esquecer de você. — eu disse baixo.
Ele olhou pra mim e deu um sorriso triste.
— Você não vai. Só não vai lembrar do que aconteceu no vestiário...
— E do que vai acontecer hoje. — concluí seus pensamentos.
Ele ficou calado e voltou a olhar para fora do pára-brisa.
E os poucos minutos que levamos para chegar à porra do Ritz-Carlton no Upper West Side do Central Park em Manhatan, foram uma fodida de uma despedida.
Eu já não estava tão alegrinho quando chegamos ao quarto.
O que é uma besteira. Pensei logo depois. Se tudo seria um conto de fadas, que eu aproveitasse o faz de conta o máximo que pudesse antes de acabar. E não ia adiantar ficar sofrendo de véspera. Eu não sou a merda de um peru de Natal.
A porta de abriu e dentro estava um Qhuinn seminu. Seu corpo coberto somente por uma toalha do hotel no quadril. Os cabelos negros molhados. E eu não conseguia desgrudar os olhos das argolas nos seus mamilos.
— Está gostando do que está vendo? — ele me perguntou com a voz baixa, a mão subindo até o peito e esfregando a pele, fazendo o piercing brilhar sob a luz suave do quarto.
— Provocador... — Blay balançou a cabeça para os lados, sorrindo sensualmente para o outro vampiro. Em seguida, dando um passo para dentro, segurou o cabelo negro de Qhuinn pela nuca e beijou sua boca com fome.
Oh, porra... Então seria assim? À três?
Blay soltou o outro vampiro, que voltou para dentro, e me encurralou.
— Não. Somos só você e eu. — falou contra os meus lábios. Então encostou de leve. — E a câmera que Qhuinn armou pra nos ver do outro quarto.
Um arrepio de antecipação correu minha espinha. E um sorriso muito safado entortou meus lábios. Estávamos numa suíte com dois quartos. Não queria nem pensar quanto isso custava, porque se eu precisasse pagar sozinho eu pagaria sem choro.
Ele me soltou e foi andando mais para dentro do foyer da suíte, deixando suas luvas sobre um aparador luxuosamente esculpido em madeira escura e retirando calmamente o cachecol. Então olhou de volta para mim.
— Vamos? — esticando a mão.
Olhei para seus longos dedos e coloquei minha mão gelada sobre a sua sem hesitar.
Notas finais
Então desculpem quaridos e queridas!
O Capítulo final também já está pronto e vai entrar agora.
Mas, por favor, deixem reviews!!
Beijos,
Tilda
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