Notas iniciais
Pessoal, desculpe a demora para postar!!

Semanas realmente intensas por aqui. Muita coisa fora da rotina, o lançamento de Lover Unleashed (que tornou IMPOSSÍVEL eu não ler cada linha até o final - e ficar um pouco decepcionada, mas isso é pra outra hora).

Eu amo o Blay. Do fundo do coração. Se eu fosse o Adam estaria na mesma situação. Aliás, eu acho q eu SOU o Adam, pq ele é meu personagem!! Hehehehehe

Mais um capítulo, enfim, espero q gostem.

E deixem reviews, plis!!!!!

Beijos. Tilda.

Blaylock saiu do quarto. Seu rosto ainda destruído, inchado e vermelho.

Eve levantou-se assustada quando viu o ruivo na porta do quarto. Pressentiu imediatamente o pior e um arrepio gelado, a sensação mais aterradora da sua vida, percorreu sua espinha.

— Oh, meu deus!! — pôs a mão na boca, seus olhos azuis turquesa se enchendo de água imediatamente.

— Calma, Eve. — o ruivo foi até ela. — Está tudo bem. Ele só está dormindo.

Ela respirou fundo e suas pernas fraquejaram. Sentou-se de volta no sofá com a ajuda de Blaylock. Não conseguiu parar de chorar por mais de vinte minutos.

O tempo todo ele ficou a seu lado, passando a mão de leve nas suas costas, enquanto Mitsuo, muito vermelho, como se tivesse fazendo força para levantar uma SUV com os braços, os olhava. Ele estava à beira de um colapso também, só não sabia como demonstrar.

— Você já está bem? — Blay perguntou quando Eve parou de soluçar.

Ela balançou a cabeça afirmativamente. E pensou em como as rondas do anjo da morte colocavam as coisas em perspectiva. A muito pouco tempo atrás não conseguiria se imaginar estando assim tão perto desse cara, sendo tocada por ele, sem ter uma síncope. Ele a deixara muito insegura, mesmo sem querer, só porque existia e era perfeito. Não deixava mais.

— Eu preciso fazer uma ligação. Você me dá licença? — Blaylock perguntou com a sua voz mais doce. Eve tornou a balançar a cabeça, mas nada disse, enxugando o nariz em um lenço de papel.

O gigante levantou suavemente daquelas cadeiras impessoais e rangedoras de hospital e foi andando com aparente calma por um corredor, atrás da saída para o ar fresco. Assim que estava fora da vista dos amigos de Adam, seus passos se apressaram. Em pouco tempo estava correndo como um louco para fora. Um torno mecânico se apertava em volta de seus pulmões e ele mal conseguia respirar.

Do lado de fora o ar era muito mais frio e seco. Blaylock deu uma profunda inspirada e não parecia que houvesse oxigênio suficiente na atmosfera para acalmar seu coração descontrolado.

Estou matando Adam!

O pensamento não saía de sua cabeça. Martelando sem parar. Ficando cada vez mais difícil de suportar. Ele não era um garoto inocente. Não era como se nunca tivesse matado nada, mas não considerava os extermínio de redutores como assassinato, afinal aqueles monstros nem tinham alma. Mas um ser-humano estava morrendo por sua causa. E era um humano idiota que estava apaixonado por ele.

Com as mãos tremendo e lágrimas teimosas que insistiam em cair, Blaylock pegou o celular no bolso da calça. Sem coordenação para procurar na agenda, preferiu digitar os números.

Um toque. Dois. Três. Porra, cinco! Atende, merda!

— Faaaala muleque. — a voz alegre de Rhage saudou o ruivo pelo telefone.

Apertando o telefone até seus dedos ficarem brancos, Blay respirou fundo.

— Rhage, sei que hoje você está com Mary, mas, cara, eu preciso muito de você. Acho que fiz uma merda do caralho. — soltou ofegando.

Imediatamente Rhage mudou o tom de voz.

— O que tá acontecendo, Blaylock? É alguma coisa com Quinn? — perguntou alarmado.

— Não. E se você conseguir, gostaria que não falasse nada pra ninguém, muito menos pra ele.

— Porra! O que você fez, garoto?

— Acho que matei um humano. — adimitir isso pra si mesmo tornava tudo pior.

— O que?!?! — Rhage gritou — Aí na faculdade? E a polícia? Caralho, que merda você fez?!?

— Calma. — falou mais pra si do que pro loiro. — Ele ainda não está morto. Mas vai estar se você não me ajudar agora. Tem que ser rápido, Rhage!

— Onde você está? — Blaylock podia ouvir os passos apressados de Rhage através do telefone.

— Hospital Universitário de Colúmbia. Estou na entrada lateral. Perto do...

Rhage saiu de trás de umas árvores do jardim do hospital. Fechou o flip do Razr assim que estava a poucos passos.

— O que você fez? Brigou com o cara? Foi faca? Você está vindo armado pra faculdade? Não, nem você seria tão burro assim. — começou a perguntar como uma matraca.

— Não, Rhage. Não é tão simples. — respirou fundo. — Eu tentei apagar a memória dele e acho que fiz alguma coisa muito errada. Ele está com um inchaço cerebral que não passa. Seu estado é bem grave.

Rhage olhou para Blay, inclinando sua cabeça.

— Apagando memória? Sei... Tem certeza de que tentou apagar só a memória do cara? — cruzou os braços. Os cantos dos seus lábios subiram levemente. Blay achou no mínimo inapropriado rir numa situação dessas.

— Sim. — talvez Rhage tivesse sido uma má ideia. Deveria ter tentado V.

— E quando foi que isso aconteceu?

— Ontem à noite.

— Vinte e quatro horas já?

— Quase.

— Olha aqui, garoto. — Rhage trocou de base, se aproximando ainda mais do ruivo. — Esse cara não tem muito tempo e você não está colaborando. O que mais você tentou apagar?

— E-eu...

— Ele gosta de você, não é isso? Você tentou apagar os sentimentos dele por você, não foi?

Diante de um mudo Blay, Rhage chegou à conclusão de que tinha acertado na mosca.

— Porra, você é mongolóide, ou o quê? Cara, uma coisa e outra são completamente diferentes! Não dá pra apagar os sentimentos. Estão em outra região do cérebro do cara e não se soltam com facilidade. Você tem sorte de ele não ter morrido ontem nos seus braços.

— Eu busquei na sua mente e fiquei tentando por uns tempão, mas ele parecia lutar comigo... Como se se recusasse a deixar ir...

— Ele não vai desistir de você por esses meios. Acredite, se fosse assim tão fácil eu não estaria vinculado, V não teria se ferrado com a Jane... — resprirou fundo. — É complicado pra caralho.

— Existe ainda alguma coisa que se possa fazer pra consertar isso?

— Bem, talvez não seja tão tarde. Ele está em coma?

— Não, só dormindo.

— Então tá. — olhou bem nos olhos de Blay. — Sinto muito mas você vai ter que liberar alguns pensamentos que você bloqueou.

Blay andou de um lado para o outro. Suas mãos passando pelos cabelos vermelhos, deixando eles arrepiados.

— Não posso... Rhage... Eu simplesmente não posso... — sentiu que poderia desmoronar novamente a qualquer momento. Rhage continuava no mesmo lugar observando Blay se desesperar. — Por favor, cara, faz isso pra mim...

— Eu?!?! Como vou fazer isso se eu nem sei o que você bloqueou? — respirou fundo, comovido pelo desespero do ruivo. — Sinto, muito, mas vai ter que ser você. Não tem jeito.

Blay abaixou-se no chão, colocando a cabeça entre os joelhos. Um enjôo terrível estava revirando seu estômago e ele sentia que poderia desmaiar se sua pressão continuasse tão baixa.

Sentiu uma mão grande nas suas costas reconfortando.

— Vamos, Blay. Respira fundo.

— Estou fodido de tanto medo de fazer uma merda pior. — falou com a voz tremendo.

— Você só precisa se acalmar e voltar lá. E precisa ser rápido, Blay. Não estou brincando.

Os dois permaneceram mais algum tempo nas mesmas posições, Blay de cócoras segurando sua cabeça com as mãos e Rhage agachado ao lado, confortando-o com um leve passar de mãos sobre seu casaco.

Até que Blaylock levantou-se de uma vez. Ergueu o rosto, fechando os olhos. Respirou fundo. Mais uma vez. Quando abriu os olhos Rhage estava à sua frente com um leve sorriso encorajador. Antes que Blay se mexesse, o gigantesco loiro o puxou para um abraço. Quase lhe quebrou umas costelas, mas era exatamente disso que Blay precisava naquele momento.

***

Caminhando novamente para o corredor onde os amigos de Adam estavam, Blay encontrou com eles vindo na direção contrária.

— O que aconteceu? — perguntou imediatamente.

Com o belo rosto aparentando um cansaço milenar, Eve respondeu, sem ter ânimo para ser grossa.

— Acabou o horário de visita. Só eu, que sou parente, posso ficar. Os médicos mandaram que Mitsuo e Kirstin fossem pra casa.

— Posso ajudar de algum jeito? — Blay perguntou. Sentia-se um lixo por ficar encenando diante de pessoas tão arrasadas.

— Não, Paul. Mesmo assim obrigada. — olhou para ele e deu um levíssimo sorriso. — Só de ter vindo aqui foi o melhor que você podia fazer. Adam deve ter ficado muito feliz.

Blay engoliu em seco, porque era uma fodida verdade.

A garota se adiantou e extendeu os braços em volta do ruivo. Blay sentiu-se a mais vil criatura da Terra, mas a abraçou de volta. Sabia em primeira mão como um abraço poderia ajudar na melancolia. Ele beijou o alto de sua cabeça loira. Ela se soltou em seguida e sorriu.

Os quatro, Eve, Blaylock, Mitsuo e Kirstin seguiram para fora. Afinal ele precisava de um alibi. Precisava parecer que não esteve lá.

Na porta do hospital se despediram de Eve.

— Fica bem, amiga. Não vou conseguir dormir hoje e volto assim que o dia amanhecer. — Kirstin falou e abraçou a outra garota.

Mitsuo, da maneira austera peculiar dos japoneses, disse com uma surpreendente voz grave e firme.

— Estarei o tempo todo com o telefone ao meu lado. Me ligue, Eve. Se precisar conversar, me ligue. — e a olhou com seus olhos amendoados e negros.

O Japonês e Kirstin estavam lado à lado. Ele iria pegar uma carona no carro dela para seu prédio de dormitórios no campus.

— Eve, querida. Tenho certeza de que vai ficar tudo bem. Por favor, me liga se precisar de qualquer coisa. Eu chego aqui em menos de um minuto. Prometo. — Blay sorriu e pensou em como eram verdadeiras suas palavras. A abraçou novamente. Sentiu um cheiro distinto e picante no ar. Muito, muito leve. Era ciúmes. Mitsuo estava fervendo de ciúmes. Soltou a garota em seguida.

Os três se despediram. Blay esperou o casal entrar no carro e sair, em seguida acenou para Eve e seguiu o caminho contrário.

Assim que perdeu a entrada do hospital de vista, entrou em um beco.

Quanto mais escuro melhor.

Respirou fundo, fechando os olhos, e se desmaterializou.

***

Eu conheço esse cheiro delicioso.

Não consigo evitar sorrir. Parece surreal, mas Blay está aqui comigo. Sinto minha mão na sua. Ouço seu leve respirar. Sem me segurar mais. Eu quero ver seu rosto lindo na minha frente de novo.

— Oi. — falo para ele. Minha dor de cabeça está começando a voltar, mas não posso dizer nada senão o idiota vai chamar os médicos, que vão colocar ele pra fora por estar aqui dentro fora do horário de visitas.

— Oi, Adam. — ele respondeu naquele tom reconfortante e suave da sua voz.

— Como você entrou aqui? O horário de visita já acabou.

— Tenho meus próprios meios. — e sorriu. Aquele leve curvar de lábios fechados fazia meu corpo inteiro amolecer.

Senti o peito se apertando e meus olhos teimavam em querer chorar. Eu iria embora desse mundo. Tinha certeza. E jamais teria sequer beijado esse cara. E isso era tão absurdamente estranho, porque eu nunca, jamais pensei que esse poderia ser o meu maior desejo, o desejo final: um beijo. De outro homem.

— O que você veio fazer aqui, afinal? — perguntei. Sabia que ele só estava se despedindo e que essa era minha última oportunidade de ter um pouco dele pra levar comigo na minha viagem para o paraíso. Ou para o inferno, aonde quer que eu fosse depois.

— Vou deixar tudo melhor, Adam. Você vai ficar bem... — ele disse sorrindo com os olhos. Sua voz pouco mais de um sussurro.

— Você vai me matar? — um calafrio estranho percorreu minha espinha. Pensei em eutanásia e naquelas pessoas que ajudam os pacientes terminais a morrer. Mas eu não queria morrer ainda. De jeito nenhum!

— Espero que não. — ele riu. Cristalino como um riacho. — Só vou ajudar.

Ele se inclinou sobre mim, sua quentura e perfume inundando meus sentidos e me deixando mais calmo. Fechei meu olhos e ouvi o colchão rangendo onde ele apoiou sua grande mão.

— Blay?

— Sim. — ouvi sua voz tão perto de mim como jamais tinha ouvido antes. Senti a carícia da respiração que saía da sua boca bem no meu rosto.

— Se nada der certo... Se for muito tarde pra sua mágica... Queria ter uma lembrança de você. — abri meus olhos para encontrar aqueles lagos calmos e azuis me observando.

Ele se abaixou sobre mim. Os olhos semicerrados, olhando para minha boca da forma mais quente que minha boca já foi olhada. Trouxe a mão para o lado do meu rosto, o polegar acariciando minha bochecha.

— Vai tudo ficar bem. — senti a ponta do seu nariz passar leve como uma pluma no meu. — Feche os olhos.

Aconteceu tanta coisa ao mesmo tempo que foi indescritível. Seu lábios tocaram os meus. E sua boca não estava fechada. Nem a minha. Senti o seu sabor e instantaneamente minha dor de cabeça parou, deixando um grande e branco silêncio. Respirei fundo, o que serviu para trazer mais da essência rica de Blay pra dentro de mim. Animado por isso, toquei a língua na sua tímido, esperando que ele desfizesse o contato a qualquer momento, mas ele retribuiu.

Meu peito subia e descia cada vez mais rápido. Estava assustado por estar me sentindo bem. Nenhum eco, nenhuma dor. A cruel consciência de que estava tendo aquela incrível melhora que os pacientes têm antes de morrer. Em contrapartida não queria concluir que Blay me beijava por pena, por saber que era isso que estava acontecendo: eu estava partindo, e ele não teria pudor de fazer o que fosse necessário para me fazer sentir melhor. Mesmo que fosse beijar um outro macho.

Conforme ele continuava retribuindo as minhas carícias, a boca se movendo contra a minha, segurando meu rosto, seu polegar na minha bochecha a língua acariciando a minha, meus sentimentos pareciam entrar em perpectiva. Como se eu estivesse muito confuso antes, um véu de constatação foi descortinado na minha mente. Eu antes estava tão incerto sobre tudo, sem entender como me sentia em relação à ele, forçando uma indiferença que não existia. Agora era claro como a água que desejava ardentemente aquele ruivo. E a certeza disso estava coordenada com o alívio cada vez maior dentro do meu crânio. Quanto mais eu aceitava que amava aquele ruivo, menos dor eu sentia, menos sensação de sonolência, menos certeza do fim.

Quando ele me soltou, foi como se eu ficasse orfão. Seu cheiro ainda estava no meu nariz. A sensação morna dos lábios e da língua presentes e indeléveis como uma tatuagem.

Abri os olhos para vê-lo.

— Como você está agora? — ele perguntou. Parecia tão abalado pelo beijo como eu. Pupilas dilatadas e respiração superficial.

— Muito melhor. — respondi quase sem voz.

Ele ficou de pé. Foi claro seu afastamento. Em um minuto ele e eu estávamos completamente conectados, eu quase podia ouvir seus pensamentos; em outro ele voltava ao seu modo habitual: educado e distante.

Percebi que o que tinha se passado jamais seria abordado novamente. E que jamais se repetiria.

— Que bom. — deu um passo para trás. — Você deveria dormir agora, Adam.

Meus olhos pesaram imediatamente depois do seu comando. Um sono maravilhoso tomou conta de mim, relaxando cada músculo, sem o resíduo da dor insuportável no meu cérebro.

Foi questão de instantes. Eu fiz força para abrir os olhos novamente e olhar para ele antes de partir, mas como mágica, ele não estava mais ali.

Conforme fui entrando no reino de Morfeu, comecei a duvidar que Blaylock tivesse estado naquele quarto comigo de verdade. Com a mente fodida, era possível que tudo não passasse de uma deliciosa alucinação.

Notas finais
Claro q eu não ia matar o Adam!!! Hahahaha

Beijos!!

Tilda