Notas iniciais
A história está passando por um processo de finalização (em outras palavras, estou tomando vergonha nessa minha cara) e revisão. Será postado todo o restante de uma vez antes de março. Isso é uma promessa séria. Desculpem por tudo, mas vou deixar as delongas pra depois. 02/07/2016

ZeroSum estava bastante movimentado esta noite. Eu e Rhage estávamos esperando a noite realmente começar. Meu corpo ansiava por luta, pois, apenas com a luta, sentia o fervor da minha mão diminuir.

Além da luta, cigarros ajudavam a controlar isso também. Não sabia e nem queria saber o porquê do meu toque letal com a mão direita. Então, por isso, andava sempre de luvas.

O cheiro de talco de bebê preencheu o lugar, e logo nos levantamos decididos. Rhage parecia como um tanque de guerra em fúria, depois de perder uma aposta. Queria descontar em alguém ou algo toda sua raiva.

Estávamos ambos motivados para o massacre.

Toquei leve e discretamente na adaga em minha cintura, e segui Rhage para fora do ZeroSum. Andamos em direção do cheiro adocicado, em passos longos e rápidos. Atravessamos a rua, e seguimos alguns paralelos. Depois de checar o local, encontramos de onde vinha o cheiro: um beco a um quarteirão do ZeroSum.

Havia um civil assustado que estava sendo encurralado por quatro redutores no local.

Depois de uma rápida troca de olhares: primeiro entre mim e Rhage, e depois entre mim e os assassinos, agarramo-nos em um combate corpo-a-corpo.

Mas Rhage se descontrolou depressa e os socos e chutes não demoraram muito. A fera fez todo o trabalho, mesmo que não quiséssemos sua ajuda. Mal percebi quando o civil fugiu, o que aponta que ele se desmaterializou.

Quando tudo acabou, liguei para Wrath para que trouxessem um carro para levar Rhage, agora debilitado pela transformação, e depois comecei a vasculhar o local. Tinha conseguido uma identificação de um dos redutores, mas obviamente era falsa e a descartei.

Rhage sempre ficava mal após a transformação, mas era incontrolável.

E eu tinha uma fera incontrolável também. Que não foi saciada pela briga rápida que houve. Era sempre assim quando eu saia com Rhage.

Assim que Wrath chegou para levar Rhage, eu o ajudei a deixa-lo confortável no banco de trás.

— Foram rápidos hoje — comentou W.

— Sim, mas acho que deixamos escapar algum — digo, arrumando uma desculpa — vou atrás dele e te encontro na Irmandade antes do amanhecer.

— Tem certeza? — Insisti W. Avalia-me com olhar atento até ceder. — Tudo bem, te vejo mais tarde então.

Aproveitando a deixa, começo a andar por Caldwell. Queria saciar meu fervor.

Enquanto caminhava para o lado mais pobre e consequentemente mais adequado para uma briga, minha mão parecia estar em chamas.

O cheiro de talco de bebê foi soprado pela brisa, um redutor estava parado no fim da rua, concentrado em algo que não estava no meu campo de visão. Avancei silenciosamente, para pegá-lo de surpresa. Então tudo aconteceu rápido demais.

Tentei socá-lo no queixo, mas no meio do movimento ele me chuta nas costelas trazendo a luta para o chão. Voa para cima de mim, tentando tomar vantagem. Enquanto uma dor lastimante pulsava no lugar do chute, outra coçava ainda mais da mão. Deferi um soco na lateral do redutor, tirando-o de cima de mim. E arranquei minha luva.

Levantei depressa, agarrei-o no pescoço com minha mão amaldiçoada antes que pudesse me atacar de volta.

— Peguei — comemoro, deixando minhas presas à mostra.

Mas nada aconteceu, minha mão parou de doer, mas não foi porque “a dor se transferiu de mim para ele e o deixou nocauteado”, que era minha teoria. O toque em um redutor a fez parar de queimar e mais nada.

No meu estado de choque foi uma deixa para o redutor revidar. E ele não perdeu tempo. Foram dois chutes na canela e um soco no estomago, que me fizeram cambalear vários passos para trás além de soltá-lo.

Pude notar o momento em que ele levou as mãos para o bolso de trás a procura de algo e sacar uma arma.

Dois tiros foram o suficiente para ele sair correndo sem ser perseguido. Uma bala me atingiu na coxa da perna e a outra ricocheteou no asfalto. Já havia tomado um tiro antes, e essa vez não foi diferente. Já sabia o que esperar da dor, mas é sempre uma merda.

Estava perdendo muito sangue rapidamente.

O som dos tiros chamou a atenção dos humanos, e ouvi gritos como se fosse música de fundo de uma cena. Não conseguia levantar por causa do local que foi atingido, estava num misto de incredulidade e descrença com o que acabou de acontecer.

A perda de sangue estava debilitando meu raciocínio rápido e meu tempo de reação estava acabando. Quando finalmente eu sinto que minha visão está escurecendo, lembro-me de apertar o botão de alerta do celular que está no bolso de trás.

Ouço passos, gritos incompreensíveis e sou tomado pela escuridão.

Notas finais
Os próximos capítulos já estão prontos, e amanhã eu posto o segundo. ;) xoxo ♥