Amante Amado
2 Dois - Butch
O dia hoje estava uma merda. Eu estava com uma ressaca das brabas, e fui curar a ressaca com mais bebida.
Trabalhava há muitos anos na delegacia, como delegado. Hoje iria ficar no turno noturno porque Carlos precisou se ausentar e pediu para trocar de horário: o que foi um erro. Era impossível chegar à noite e não estar chapado.
Cheguei atrasado à troca de turno e era justamente José que estava lá. Meu melhor e, talvez, único amigo.
— Você sabe que horas são? — Perguntou retoricamente ele, me lançando um olhar sério.
— Jo, cara, desculpe.
José me encara mais um pouco, e logo relaxa os ombros. — O.k., perdoou dessa vez. Assim como perdoei a semana toda.
Sua face se torna fria, ele mexe nas chaves e diz sem levantar o olhar:
— Como você pretende prender bêbados se é um, O’Neal?
Suspiro. Tomar lição de moral da sua mãe e de um colega de trabalho só tem uma coisa em comum: é ridículo em ambas.
— Vai pra sua casa, tira. — Resmungo.
A noite estava sendo tranquila. Primeiro fiz uma ronda no quarteirão, depois arrumei os papéis das investigações que estávamos fazendo. Estava sozinho.
Era por volta de duas da matina quando recebo a primeira ligação de briga de bar.
Era num bar próximo, mas mesmo assim uso a viatura. Chego naquele momento pós-briga: dois caras em cantos opostos, ambos machucados em gravidades diferentes. As pessoas ainda amontoadas e discutindo sobre a briga.
Os caras foram encaminhados para o hospital e depois prestariam queixa na polícia. Então para não perder a viagem, decido patrulhar a vizinhança.
Acho que como as coisas estava indo bem demais, tinha que ouvir os malditos dos tiros.
Dois tiros e gritos.
Em um instante, estava na cena do crime. Um cara de ombros e quadril largos, que tinha um cavanhaque bem aparado, estava baleado no chão e o atirador estava fugindo.
Ah cara, ele não ia fugir no turno do O'Neal.
Acho que bebida não podia ter escolhido hora melhor para subir a cabeça do que agora. Ignorei o cara baleado para correr atrás do atirador, e isso é remissão de socorro.
Como percebi que ele corria muito mais rápido, achei que um tiro na perna não faria mal nenhum à ele. Saquei a arma do coldre e mirei.
Um grito estridente se fez ouvido bem no momento do tiro, o que me desconcentrou momentaneamente e me fez errar a mira.
Um tiro que ia certeiro na perna se desviou para algum dos órgãos superiores internos do cara.
E ele sumiu.
Parei, completamente chocado. O cara acaba de levar um tiro e sumir. Vou até onde ele estava antes do tiro e só vejo... Cinzas.
Ele virou pó.
Isso é impossível.
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