House não gostava de se sentir imprestável, da maneira como estava se sentindo. Cameron precisava dele, e ele nada fazia, a não ser olhá-la de forma patética, parado em pé, próximo à poltrona em que ela se encontrava. Sem jeito e perdido, olhou para a sala mal iluminada, à procura de alguma coisa que o ajudasse naquele momento, e localizando uma velha garrafa de conhaque, em uma das prateleiras de sua estante, andou até ela e a pegou, pegando dois copos em seguida.
-Toma... — ele estendeu um copo cheio do líquido cor de âmbar para Cameron.
-Eu não quero... — ela sussurrou, ainda desolada.
-Acredite... Você precisa disso...
Cameron respirou resignada e pegando o copo, levou-o até a boca, sorvendo o líquido de uma só vez.
-Calma... — House se preocupou ao ver a forma como a jovem bebera — Sem pressa...
A jovem médica, ainda com o gosto forte da bebida em sua boca, devolveu o copo vazio para House.
-Me desculpa.... — ela disse em um sussurro — Por estar aqui...
-Sem problemas... — o médico respondeu, sorvendo a bebida de seu copo.
-Eu não queria ouvir ou falar com ninguém.... E aqui é o último lugar que eles procurariam...
-Como eu disse... Sem problemas, Cameron.... — House a olhou, se sentando na banqueta do piano, ao lado da jovem — Mas você sabe que cedo ou tarde, terá que encarar isso, não?
Cameron fez que sim com a cabeça. — Que seja tarde então... — ela respondeu olhando para as flores de seu buquê, os olhos voltando a se encher de lágrimas.
E House percebendo o que estava prestes a acontecer, pegou a mão da jovem e se levantou.
-Vem... Você precisa tirar essas roupas...

Quantas vezes ele já imaginara dizer tais palavras em um contexto mais, digamos, romântico? Porém ele sabia que não era romance o que Cameron necessitava no momento. E segurando tenramente a mão da médica, ele a levou até o banheiro de sua casa.
De forma delicada, de um jeito que ele nunca fora antes, House ajudou Cameron a se livrar do vestido pérola que tanto lembrava seu sofrimento, e a libertar os sedosos cabelos que ainda estavam presos no coque. E com um cuidado único, a ajudou a entrar na água morna e relaxante de sua banheira.
Cameron aceitava tudo de bom grado. Na verdade, a jovem médica não tinha forças para ir contra ou à favor, parecendo uma boneca de pano, que estava à mercê de quem a manuseasse. E vê-la desse jeito, destruiu House por dentro.
Ele lavou e massageou os cabelos dela. Limpou os resquícios de maquiagem que ainda estavam em seu rosto. E no final, a cobriu com a toalha e a secou, a abraçando em um certo momento, tendo dentro de si uma vontade enorme de protegê-la e de assegurar que nunca mais lágrimas seriam derramadas daqueles olhos verdes que tanto o fascinava.

[...]