Antes de voltar para seu quarto, onde acomodara Cameron para que ela descansasse um pouco, House teve de parar por alguns minutos e respirar fundo, tentando colocar em ordem o turbilhão de pensamentos que corriam por sua cabeça. Por mais sonhos que ele tivera de Cameron em sua casa, em sua cama, nada se parecia com o que estava acontecendo no momento e ele se sentia impotente diante à magnetude dos acontecimentos que a levaram até lá. De olhos fechados e com a xícara de chá que ele fora buscar para ela, o médico tentava encontrar forças para encarar aquela situação atípica.
Devagar, e sem fazer o mínimo de barulho, House entrou em seu quarto. Mesmo com as luzes apagadas, ele conseguia ver perfeitamente Cameron, de olhos fechados, deitada em sua cama, usando a camisa cinza que ele usava para dormir.
Daquele jeito, dormindo de maneira serena, Cameron parecia em paz, e House agradeceu por isso. E se aproximando e depositando o copo em cima de seu criado mudo, ele continuou a velar, em silêncio, o sono dela, e em um gesto de carinho, acariciou delicadamente o rosto de Cameron.
A jovem médica despertou com o toque, e House, sem graça, nada disse. Apenas interrompeu a carícia, e estava prestes a sair do quarto quando ouviu o silêncio que ali reinava, ser quebrado pela voz fraca de Cameron.
-Não... Não me deixa...

House suspirou e voltou para onde estava. E Cameron, não querendo mais apenas um simples toque no rosto, abriu espaço na cama em um convite silencioso. House demorou alguns segundos para aceitar tal convite, e se posicionando de forma confortável na cama, deitou-se ao lado dela. E Cameron, se sentindo protegida e amparada, se aninhou de encontro ao peito de House, fazendo com que ele a abraçasse.
-Eu não quero ficar sozinha..... — ela sussurrou baixo.
-Eu não vou a lugar algum... — ele respondeu no mesmo tom.
-Eu não quero mais sofrer.... Eu não quero mais sentir essa dor.... — uma lágrima correu pelo rosto da jovem.
Dor era algo que House conhecia bem, e um mal que ele não queria que ela sofresse. E a puxando para mais perto, a abraçou forte, tentando de alguma maneira, fazer com que toda a dor que ela estivesse sentindo passar para ele.
Cameron suspirou em meio ao abraço e balbuciou sonolenta. — Estou tão cansada....
E o médico, sentindo as lágrimas dela molharem sua camisa, e o corpo dela relaxar aos poucos, respirou fundo, contendo ele, suas próprias lágrimas. E com um beijo delicado na testa de Cameron e aspirando aquele cheiro que ele conhecia tão bem, sussurrou.
-Dorme... Dorme porque amanhã é um novo dia....

[FIM]

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