Amando um amigo
17 Vermelhidão
Notas iniciais
Depois de ter passado o dia inteiro ignorando Lucas, tentando falar o pouco — ou quase nada — possível com seu marido, Eduarda passava seu batom forte e vermelho na boca.
Ela não queria se insinuar para o Felipe, ela não quer ter nada com ele, nem se João Lucas estiver mesmo a traindo. Ela não era dessas.
João Lucas entrou no quarto, percebendo a arrumação de sua esposa.
JL: Vai pra onde? — ele não teve resposta. — Du? Tu vai pra onde? Me responde!
Du: Não precisa se preocupar! Não vou deixar o trabalho de cuidar dos gêmeos todo pra você. Já falei com as babás. Eu tenho responsabilidade João Lucas, principalmente quando se diz respeito à meus filhos.
JL: Não tô entendendo porque você tá assim comigo. O que eu fiz?
Du: Você fez alguma coisa? — ela lhe perguntou, virando-se para ele. Seus olhos o acusavam.
JL: Não.. Não que eu saiba!
Du: Então já que tu tá com a consciência tranquila... — ela deu de ombros.
JL: Tu ainda não me respondeu! Pra onde tu vai?
Du: Relaxa, João Lucas! Eu não vou fugir das minhas responsabilidades nem te dar o troco pelo que você fez hoje cedo. — ela respondeu, seca. — Eu não sou assim. Não dessas. — Eduarda saiu do quarto e Lucas decidiu não ir atrás.
Ele queria entender o que passava pela cabeça dela. Afinal, porque ela estava lhe tratando daquela forma? Será que ela havia descobrido que ele foi atrás de Felipe? Mas não ficaria tão chateada só por isso... Merda! Ele estava arrasado com a forma que ela o tratava.
Lucas se dirigiu ao berço, dando um beijo estalado e calmo na testa de seus dois filhos. Aqueles eram seus bens mais preciosos. Seu diamante rosa. Ele sorriu ao perceber o sono tranquilo dos pequenos.
Eduarda abre a porta do taxi, pagando ao motorista a quantia justa pela corrida. Ela logo avista Felipe sentado em uma das inúmeras mesas daquele lugar.
Aquele não era um lugar que uma Medeiros de Mendonça e Albuquerque andaria. Era classe baixa. Aqueles barzinhos de esquina, sabe? Ela andou até o outro lado da rua, e parou em frente a Felipe, sentando-se na cadeira.
Ele olhava para ela com um olhar malicioso. Ela pôde perceber um tiquinho de bebida em seu copo, em cima da mesa. O olho roxo de Felipe, a deixou curiosa. Ele sorriu de canto, mordendo seus lábios.
Felipe: Tinha certeza que um dia você ia ceder... Já tava com saudade, Du. — ele colocou a mão em seu cabelo, acariciando os fios vermelhos, se aproximando dela e ela logo pôde perceber seu estado. Ele estava bêbado.
Du: Tu tá trocando as bolas. Eu não vim pra isso não! — ela tirou sua mão que lhe tocava. — Que isso aí nesse olho?
Felipe: Isso aqui foi o que teu maridinho ciumento fez... Mas qualé, Du?! Tu não aceitou meu convite pra ficar falando do meu olho, né?
Du: Cala essa boca, que tu já tá travado! O que que o João Lucas fez? Ele te bateu? Por que?
Felipe: Interrogatório, agora? Pensei que tu tinha aceitado meu convite pra a gente conversar... Mas pelo visto não, né. Sempre me esnobando, Eduarda! — ele se levantou, já se exaltando.
Eduarda sentiu a oportunidade de tirar aquela história a limpo, cair de suas mãos. Ela não podia deixar. Ela o segurou no braço, fazendo-o sentar novamente.
Du: Relaxa, aí. Não é nada disso! É que eu e o Lucas brigamos... Aí eu queria saber o que rolou!
Felipe: Brigaram, é? E porque? — Eduarda era esperta. Ela sabia as artimanhas certas para tirar aquela história a limpo e iria usar sua esperteza a seu favor.
Du: Por uma parada, aí... Foi hoje, sabe, depois do almoço, umas 14:20...
Felipe: Impossível! Tá mentindo pra mim, Du? Foi nesse horário aí que ele chegou lá em casa, socando minha cara. — ela havia jogado a isca e ele, burro, mordeu sua armadilha. Ela sorriu.
Du: Beleza, Felipe! Tenho que ir, tá? — ela deu as costas, sem esperar nem deixar Felipe a questionar.
Pegou o primeiro taxi que achou e ligou para Marta, ela queria saber de tudo, desde o começo até o fim.
Du: Marta? Então... Queria te perguntar um negócio.
Marta: Pode perguntar, Du.
Du: O Lucas, foi ele que buscou a... A... Como é o nome dela mesmo?! Ângela, né? No aeroporto?
Marta: Não... Eu pedi pra ele buscar, mas ele disse que não ia dar, que tinha que ficar com você e te ajudar com os bebês. Meu motorista buscou ela! — - um sentimento de culpa a tomou. Como ela foi burra. Duvidou de Lucas! Como ela pôde? Mas ele havia mentido pra ela, ela não tinha culpa.
Du: Tá beleza, Marta. Segura um dez aí que eu tô chegando! Ah, não fala com o Lucas dessa nossa conversa não, tá?
Marta: Claro! — ela desligou.
Assim que chegou frente ao apartamento, já dentro do condomínio luxuoso, Eduarda abriu a porta de casa. Todos estavam na sala, reunidos, até mesmo Lucas. Eduarda viu que Angela percebeu sua presença ali, e percebeu seus movimentos. A vagabunda levantou de seu lugar, sentando-se no braço da confortável poltrona pequena que João Lucas estava sentado e acariciando o rosto dele.
Ângela: Fiquei muito tristinha, Luquinhas... Você não me buscou no aeroporto! — bati a porta com força e todos me olharam.
Du: Sabe o que é, queridinha?! Eu até insisti pro Lucas te buscar... Ele quis ficar comigo! — todos olhavam pra Du.
Foi capaz de se ouvir alguem cochichando "vai fechar de briga..." Ângela encarou Eduarda, a olhando.
Ângela: Até quando o Lucas vai preferir você? Sabe que eu tenho dó de você?! Pobre iludida...
Du: Não sei porquê tem dó de mim. Eu que tenho de você, por estar pensando que quando você baixar a primeira provocação, eu vou sair correndo, chorando... Você não me conhece, garota! Sabe nada sobre mim. Cuidado pra não me subestimar.
MC: Gente, vamos jantar, han? — Clara tentou desviar a atenção de todos.
Ângela: Conheço o bastante pra saber de onde você veio! Estou bem informada, amorzinho.
Du: Eu acho que não... De onde eu vim, você sabe, mas sabe quem eu sou? Não né? Eu posso ter vindo da sarjeta, de uma família de traficantes, mas eu me orgulho por não ter me tornado uma!
Ângela: Será?
JL: Epa, aí você já tá ofendendo a Du! Meça suas palavras pra falar dela!
Ângela: Lucas amor, acorda! Olha bem quem você colocou dentro da sua casa pra ser mãe dos seus filhos. — Eduarda suspirou, tomada pela raiva. — Aliás, filhos estes que você nem sabe se são seus...
Uma coisa tomou conta de Du, que pesou sua mão. Enraivecida, ela atirou sua mão contra o rosto de Ângela, a estapeando. A marca das mãos de Eduarda, provocou uma vermelhidão na pele da mulher.
Du: Isso aí, esse vermelho na tua cara passa, mas esse tapa, tu vai levar pra sempre! Se atreve novamente a falar dos meus filhos, de mim ou do Lucas dentro dessa casa, pra tu ver se eu não acabo com você! Tu não me irrita, garota! — ela deu as costas, subindo as escadas e indo em direção à seu quarto.
Deixou embaixo, as pessoas surpresas por sua reação. Também pudera, quem aguentaria tantas provocações? Lucas permaneceu como estátua.
Aquilo foi por ele?
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