Amando um amigo
18 Palavra
Notas iniciais
Os olhares continuavam fixos no vermelho que as mãos de Eduarda havia deixado no rosto de Ângela. A patricinha-perua espumava raiva.
Ângela: Não acredito que essa garota fez isso! Ela me paga... — ela avançou em direção as escadas, mas foi interrompida pela mão de Marta que agarrou seu braço. — Me solta!
Marta: Você não vai encostar na minha nora! — ela soltou seu braço. — Depois de ter ofendido a Eduarda, eu só não te coloco pra fora daqui de casa porque tenho muito respeito pela sua mãe!
Ângela: Mas Mart...
Marta: Mas nada! — ela esbravejou, a interrompendo.
João Lucas subiu as escadas correndo. Ao abrir a porta de seu quarto, se deparou com Du amamentando sua filha, que estava quase cochilando. Ele fechou a porta com cuidado, sentando-se do seu lado.
JL: Du? Tudo bem com você?
Du: Porque tu mentiu pra mim, hein? — ele sentiu o peso das palavras e só agora havia percebido: ele mentiu para ela pela primeira vez. Como ele havia sido burro...
JL: Menti? — ele fez uma pausa, vendo Du colocar sua filha no berço, junto a Alfredinho.
Du: Porra cara, como que tu faz isso? Tu mentiu pra mim... Porque não mandou a real?
JL: Eu não sei... Espera, como você sabe que eu fui no Felipe? — ela estava temerosa de contar, mas não era culpa dela, fora ele que havia mentido.
Du: Eu fui me encontrar com o Felipe num barzinho e... — seu marido explodiu, e ela observou.
JL: QUÊ? — ele se negava a acreditar. — Então foi pra isso que tu tava se arrumando hoje? Pra ir se encontrar com o Felipe? Ele deve ter ficado muito feliz mesmo... — ele o condenava sem ao menos ouvir seus motivos.
Du: Espera aí, quem que tu pensa que eu sou? Eu não sou nenhuma vadia, não! Eu tenho caráter!
JL: É mesmo, Eduarda? Então o que tu foi fazer lá com o Felipe?
Du: O que tu tá insinuando? — seus olhos já estavam marejados, ele espumava raiva.
JL: Eu não tô insinuando nada! Você que foi lá com ele, e pra quê? E ainda fala que não é vadia... — ao falar aquilo, seu corpo se estremece. Ele deseja morrer. Ele estava sendo burro de novo, e pôde ver lágrimas caindo dos olhos de Du. — Que porra! Eu não quis...
Du: Eu não acredito que tu disse isso! Caralho... Se tu quer saber, eu não te devo satisfações nenhuma, mas é só pra te informar que eu não sou essa vagabunda que tu pensa que eu sou! Eu coloquei dois filhos teus pra fora com muito custo, e pra quê? Pra ouvir isso? CARALHO! — ela gritou e pôde chorar logo depois, há essas alturas, os gêmeos já choravam ardidamente. Sentiam na pele aquela discussão.
Maria Marta entrou com as babás no quarto, quase atropelando a porta e pôde sentir o clima pesado. As babás, puseram-se a cuidar dos gêmeos.
Marta: O que aconteceu aqui? — ela perguntou, preocupada.
Du: Pergunta pro teu filho, Marta. Acho que ele vai saber te explicar o que ele falou da vadia aqui... — aquelas palavras doíam em Lucas. Como ele pôde ser tão burro? Ele ia pedir desculpas, mas a viu saindo pela porta antes mesmo que pudesse abrir a boca.
Eduarda não sabia para onde ia, ela queria sumir, morrer... Queria pegar o próximo vôo pro Caribe ou pro fim do mundo que seja. Ela só queria sumir. Nunca imaginou que iria ouvir aquilo de Lucas. Ele nem a deu oportunidade de explicar e foi condenando-a. Mas tudo bem, ela estaria lá para o consolar. A Ângela. Ela que era a vadia da situação.
Ela não sabia que palavras podiam machucar tanto. Andava pelas calçadas das ruas, sem saber onde estava. As malditas lágrimas caíam.
Ouviu uma voz conhecida, chamando-a pelo nome. Era uma mulher.
"Eduarda, Du, filha? O que houve com você?" Natalia a segurou pelo braço e Eduarda se debateu tentando tirar as mãos da mãe da pele dela.
Du: Sai! Me deixa! Por favor... — ela chorava.
Natalia: Filha? Por favor, deixa eu te ajudar... Por favor! Deixa... Eu só quero te ajudar, tá? — Eduarda precisava tanto de uma mãe. Precisava de um abraço. Sem pensar, a envolveu num abraço. — Ah filha, fica calma... — ela acariciava seu cabelo, enquanto a ouvia chorar.
Du: Me ajuda! Por favor... — ela não estava pedindo, estava suplicando.
As duas sentaram num banco de uma praça ali perto, os soluços de Du diminuíam e ela se acalmava aos poucos.
Ela nem acreditava que a mãe estava ali. Com ela. Podia esperar qualquer pessoa, menos a mãe. Aquela que sempre a tratou mal. Depois de desabar no choro, toda vez que pronunciava uma palavra da história longa que havia acontecido, sua mãe pegou sua mão.
Natalia: Du... Olha, eu vou te dar um conselho de mãe. — Eduarda a olhou, seus olhos lacrimejavam. — Ou de amiga, como você quiser. As pessoas falam e fazem coisas sem pensar, acredite. É experiencia própria. Aposto que o João Lucas já tá arrependido...
Du: Você acha? — ela falava manhosa.
Natalia: Tenho certeza! — sua mãe pegou seu queixo, beijando sua testa.
Du: Mas mesmo assim... Ele me machucou! Me chamou de... De... — ela não conseguia. — Eu nem gosto de falar isso!
Natalia: Se ele gostar de você, vai reconquistar. Essa sua ferida, vai cicatrizar. Tá? — ela estava sendo tão carinhosa com Eduarda, que a rebelde até duvidava.
Du: É você mesma? Ou alguem te incorporou? — ela perguntou, sorrindo.
Natalia: É muito bom te ver sorrir! — ela beijou sua testa, de novo.
As duas voltaram para casa, assim que sua mão alcançou a maçaneta da porta e Eduarda a abriu, viu Lucas chorando no terceiro degrau da escada. Ele soluçava. Marta o acariciava as costas. As mãos de João Lucas, sustentavam sua cabeça. Ele parecia acabado.
Marta: Du! — Lucas levantou seu rosto, vendo sua esposa em sua frente.
JL: Du, pelo amor de Deus, não faz mais isso comigo... — ele levantou, abraçando-a. Ela queria não ter correspondido ao abraço. Ela precisava. – Me perdoa! Eu não disse por mal... Eu juro! — seu estado era pior que o de Eduarda. Ele chorava demais.
Doía nela ao vê-lo chorar. Eles ainda eram amigos. Ela não queria vê-lo sofrer!
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