Amando um amigo
19 Porto seguro
Notas iniciais
Um silêncio torrencial cobriu aquele lugar, os soluços eram os únicos ruídos. Eduarda caiu em si, se afastando do abraço. Ele teve medo, medo de perdê-la. Afinal, ele foi tão burro. Ele merecia.
Ao se afastar do abraço, percebeu que não existia ninguém mais ali. Natália e Marta, não estavam mais presentes.
João Lucas enxugou suas lágrimas, que ainda insistiam em cair. Ele respirou fundo, esperando uma resposta. Aquele silêncio era para ele, aterrorizante. Ele queria que ela falasse alguma coisa, nem que fosse para o condenar. Ele estava tão arrependido.
JL: Você não vai falar nada? — ele perguntou, quando não estava mais aguentando a indiferença.
Du: Eu não sei o que falar, Lucas.
JL: Diz que me perdoa... — sua voz, fraca, quase falha.
Du: Doeu demais!
JL: Me perdoa... Eu não, não queria ter dito aquilo! Foi mal...
Du: Foi péssimo! — ela permanecia imóvel. — Péssimo! — enfim, enxugou suas lágrimas.
JL: Por favor, Du. Me perdoa! Eu... — ele não sabia mais o que dizer. Já havia pedido perdão. O que lhe restava? Se ajoelhar ali? - Eu tava com raiva. Eu disse, mas não quis dizer. Você sabe como eu sou, irresponsável... Falo tudo sem pensar!
Du: Sabe, lek. — ele se sentiu melhor, por ainda ela lhe chamar daquela maneira que ele gostava. — Esse é o teu problema. Palavras, cara, palavras doem mais que um tapa na cara. Tudo bem, eu não estou mais magoada com você. Não mais por isso!
JL: Como assim?
Du: Tu perdeu minha confiança... Tu mentiu pra mim, cara. Tu nunca tinha mentido. Nunca!
JL: Eu sei, eu fui um imbecil, me perdoa! Se eu não tivesse mentido, essa confusão toda não tinha acontecido... — ele mesmo o acusava. Ela tinha seus direitos de não mais confiar nele. — Você tá certa! Como sempre. Por favor... Eu não posso mais viver sem você... Eu te amo!
Eduarda se desarmou. Os eu te amo de Lucas, eram quase irresistíveis. Ela não sabia o porquê ficou tão frágil de novo. Ela estava tão apaixonada. Ela queria perdoá-lo. Sabia que ele não havia falado por mal. Ele fala as coisas assim, mesmo.
Ela correu junto aos braços dele, o abraçando de novo. Ela queria ficar ali. Ali era seguro. Ali, seu porto seguro.
Du: Também te amo, lek. — ele sentiu-se aliviado. Ele não havia perdido ela? Ele nem conseguia acreditar que ela estava ali, novamente, para ele.
JL: Eu prometo. — ele fez uma breve pausa. — Prometo que vou tentar melhorar esse meu jeito, tá? — ela assentiu.
Du: Eu preciso te explicar. — ela se afastou do abraço, num olhar desesperador. — Eu fui encontrar com o Felipe pra tirar a história à limpo... — ele a interrompeu.
JL: Você não precisa me explicar... Eu confio em você! — ele a beijou.
Ao abrir a porta de seu quarto, João Lucas deu de cara com uma cena que parecia surreal. Pousou suas mãos sobre o ombro de Eduarda, sem acreditar.
A mãe de Du segurava Alfredinho no colo, enquanto acariciava Martinha no berço. Natália chorava. Seria emoção? Maria Marta, a observava.
Natalia: Filha, eles são lindos, filha.
Du: Eu sei. Mãe. — Natalia não acreditou. Ela havia lhe chamado de mãe.
Du já havia lhe chamado de mãe varias vezes, inclusive quando ela a ajudou, quando encontrou-a chorando. Mas agora era diferente. Ela falava com carinho. Não era impulso do momento, ela queria chamá-la de mãe.
Natalia: Eu te amo, filha. Perdoa sua mãe? Fui tão egoísta... — ela suplicava, Du enchergava verdade em seu olhar e não pôde conter as lágrimas.
Aquele parecia um péssimo dia e ao mesmo tempo, um ótimo dia. Ela havia brigado com Lucas, o perdoado e se acertado com sua mãe.
Foi um dia e tanto. Parecia que ela nunca iria parar de chorar. Mas eram lagrimas de alegria.
Du: Eu também te amo. — ela olhava para seus filhos. — Você não sabe, não sabe o quanto precisei de uma mãe. Ali, no altar comigo, quando casei. Segurar minha mão na hora do parto. Me dar força. Foi tudo tão difícil. Claro que te perdôo. — ela falava olhando seus filhos, e sentiu seu coração pular dentro de si.
Ao deixar Alfredinho no colo de Marta, Natalia foi de encontro à filha, que lhe abraçou. Havia sido o abraço mais carinhoso que elas haviam dado durante todos esses anos. Foi cheio de amor. Ela queria aquele abraço, tanto quanto Eduarda.
João Lucas e Marta, observavam a cena, com os olhos marejados.
Nove meses depois
A nova coleção de jóias da Império estava finalmente pronta, depois de todos os grandes espinhos que aquela família teve pela frente.
Afinal, depois de ter de enfrentar o quase casamento de Maria Marta, o aparecimento de José Alfredo aos vivos, — ele não estava morto, afinal? — a separação de Ísis com o homem de preto, as dividas da Império, o não casamento de Amanda com Zé Pedro, e um tanto de etcetera, aquilo foi quase uma enxurrada de coisas acontecendo.
A coleção de jóias, que antes era menosprezada por Maria Clara, caiu no gosto do povo, a Império voltou a lucrar como nunca. Em menos de um ano, já estavam lançando outra coleção.
Ali estavam eles. Eduarda, Maria Marta, Maria Clara e Amanda, frente a um enorme espelho. Elas colocavam seus brincos e ajeitavam os cabelos. João Lucas e José Alfredo, seguravam pequenas mamadeiras com suco que Alfredinho e Martinha tomavam aos poucos.
Du: LUCAS! — ela chamava por ele. — Fica de olho na Martinha! Ela vai se sujar toda!
JL: Vem cá, filha. — ele pegou a pequena no colo, a colocando sentada no sofá do seu lado.
Martinha vestia um lindo vestido rosa de bolinhas brancas, vestido rodado, bem rodado. Já Alfredinho, vestia uma miniatura de terno que seu pai havia escolhido. Ele achou fofo, então vestiu no filho.
JA: Mas será possível, Ô MARTA! QUANDO QUE VOCÊS VÃO FICAR PRONTAS? Já estamos atrazados... — ele resmungou, pela demora das mulheres que ainda se arrumavam.
Primeiro desceu Maria Clara da escada, com um vestido branco curto, o vestido não tinha estampa, era só branco. Em seguida, desceram Eduarda e Maria Marta. A imperatriz, deslumbrante em um vestido longo floral, simples. Eduarda, vestia um top cropped acompanhado de uma mini saia, curta, a presença de um fino salto preto, diferenciava seu estilo.
Partiram a família dali, a família perfeita. Parecia mentira a felicidade que se inundava ali.
Fale com o autor