Amando um amigo
7 Consequência
Notas iniciais
Eduarda andava a passos rápidos para a praça, ela estava um pouco distante, quando viu um carro preto estacionado no acostamento e Lucas descendo do mesmo. Ela lhe sorriu e estendeu a mão.
Continuou caminhando em direção à ele quando sentiu algo tocar sua mão, se virou, e deu de cara com Felipe.
Du: Que isso? Tira as mãos de mim! O que tu quer? — ele lhe soltou.
Felipe: Fica calma... Eu vim pedir desculpa! Por ontem, você sabe, eu fiquei nervoso... — ela cruzou seus braços o olhando, e viu Lucas os olhar.
Du: Hum, beleza, tá perdoado! Já pode ir, então... — ela estava dando as costas.
Felipe: Du, espera! — Eduarda voltou a olhá-lo — Não fica assim comigo, eu quero voltar a ser o que eu era pra você...
Du: Impossível, cara. Teu lugar tá ocupado!
Felipe: E sei muito bem por quem... Quando tu quebrar a cara com aquele lá, eu vou estar te esperando. Tchau! — ele lhe roubou um selinho.
Não acredito nisso! QUÊ PORRA É ESSA?, Lucas sentiu vontade de matá-lo por ter tocado em Eduarda. Ele sentia um misto de sentimentos inexplicável. Ele observava Felipe se distanciar, enquanto Du continuava imóvel, tentando digerir tudo.
Que cretino!, ela pronunciou em sua mente.
Du começou a andar novamente em direção à João Lucas, até chegar perto dele e poder ver o quanto ele estava nervoso com a situação.
JL: Quê que foi aquilo, hein Eduarda?
Du: Meu nome é Du, e eu não sei. — Lucas respirou fundo, a fim de se acalmar — Relaxa, cara. Deixa isso pra lá... — ela sentia ele se acalmando — E aí, que tá pegando?
JL: Tu já pensou em, em me ver executivo?
Du: Quê? — ela mastigava as palavras, pensando em rir.
JL: O que tu acha de me ver trampando na império? — Eduarda gargalhou.
Du: Lek, espera... Tu vai trabalhar?
JL: Qual a graça nisso, dona Eduarda?
Du: Cara, que revolução... Quem diria, ein. João Lucas Medeiros, trabalhando, na império. Jesus! Mas aí, tu não tá tirando com a minha cara não, né?
JL: Não Du, não tô tirando com a tua cara... Tô pensando mesmo em trabalhar, lá.
Du: Tá aí, essa cena. — ela fez uma pausa — Essa cena eu quero ver! — Eduarda sorriu.
JL: Engraçadinha... — ele pegou em sua cintura — Vem cá, vem.
Du: Para Lucas, sai! Sai, cara! — João Lucas olhou para ela, sem entender sua reação — Meu pai, ele não tá de boa pro teu lado, não. Tá encafifado contigo... Falou que era pra eu largar dessa nossa amizade, que não tava certo eu chegando tarde, fez o discurso do politicamente correto. Como se ele fosse politicamente correto... — ela olhou pro lado.
JL: Que porra!
Du: É, mas eu vou dar um jeito... — Du sorri pra ele — Fica assim não, tá?
JL: Tá beleza... — Lucas, também sorri — Mas e aí, vamo lá pra casa, se jogar num game? — Eduarda sentiu seu estômago revirar.
Du: Ah, não, mais tarde eu apareço por lá...
JL: Qual foi, Du. Pô, vamo lá!
Du: Não quero... Eu vou voltar pra casa, tá?
JL: Então tá, mas vê se não some. Mais tarde te mando um whats.
Du: Ok. — ela se aproximou dele, olhou para os lados, e finalmente o beijou.
Quando Eduarda chegou em casa, estava enjoada. Deitou no sofá, tentando tirar aquela sensação de dentro de si.
Natielle: Que foi, Du? Você tá bem?
Du: Tô sim, Nati. É só um enjoo! Vai passar...
As horas passavam numa eterna lentidão. Du estava na sala, ainda deitada no sofá de sua casa, quando sentiu um cheiro, que pra ela, parecia enjoativo.
Du: Que cheiro é esse, hein?
Natalia: Comida, Eduarda! — ela resmunga baixo.
Natielle: Mãe, cadê o pai?
Natalia: Foi receber um cliente dele, aí...
Du: Tu nunca fala nada desses clientes do Isaac. Que mistério é esse que a gente não pode saber, ein?
Natalia: Não tem mistério nenhum, eu hein. Era só o que me faltava devendo satisfação pra minha própria filha... Vê se me erra, Eduarda! E venham pra mesa que o almoço tá pronto.
Eduarda, Natália e Natielle se sentaram na mesa. Du, tentou colocar uma colher de comida pra dentro, mas, no entanto, quando sentiu o gosto da comida, seu estômago revirou. Sentiu o efeito do enjoo lhe subir. Levantou da cadeira, às pressas, jogando os talheres no prato, e correndo para o banheiro. Se trancou lá, é pôde ouvir sua irmã lhe chamando.
Natielle: Du, Du! Você tá bem? — ela batia na porta.
Natalia: A tua irmã tá ótima, Natielle. Tá se fazendo de doentinha... — ela gritou — A comida tava ruim, Eduarda? Quero ver ir esquentar a barriga no fogão pra fazer melhor!
Que nojo! Nem parece minha mãe... O que será que tá acontecendo comigo, caralho?, ela pronunciava baixo.
Eduarda abriu a porta, deixando Natielle entrar.
Natielle: Du, olha pra mim! — ela lhe olhou — Tu sabe que eu me preocupo contigo. Tu tem alguma coisa com aquele teu amigo? Ou é só amizade mesmo?
Du: Qual foi, Natielle. Tá maluca? Eu hein.
Natielle: Eduarda, eu sei que você gosta dele, cara... Porque tu não assume? Vai, abre o jogo!
Du: Eu não tenho nada com o Lucas! Por que? Tu não tá achando que eu, eu... EU NÃO TÔ, NATIELLE!
Natielle: Se ficou nervosa é porque tem alguma coisa com ele sim... Vocês transaram?
Eduarda lembrou da falta de proteção em sua primeira vez com Lucas. Logo ela, que era tão decidida, lhe faltou o pensamento em usar proteção na hora, e não se lembrar disso. Ela nem podia imaginar em estar grávida! Imagina, iria estragar tudo... Aquilo lhe subiu a cabeça, fazendo-a sair correndo para fora de casa, enquanto Natielle gritava seu nome.
Natielle: Du, Du, EDUARDA! DU!
Du: Já volto, Nati! — ela correu, saindo de sua casa e indo até a farmácia da esquina.
Ela encarava aquele estabelecimento, temerosa. De repente, lhe subiu um medo que tomou todo seu corpo, a fazendo ficar ainda mais enjoada. Respirou fundo, tomou coragem e finalmente entrou.
Du: E aí, seu Marcos. Tudo bem?
Marcos: Oi menina Du! Estou bem sim, e você? Algum problema? Posso ajudar?
Du: Então, eu tô precisando de um... Um... Um teste de gravidez!
Marcos: Teste de gravidez? É para você?
Du: Não, não... — ela mentiu na cara dura — É pra uma amiga minha... Sabe como é... Será que dá pro senhor me arrumar, aí? — Marcos, o farmacêutico, lhe deu o teste do qual ela encarou — É seguro? Não tem erro, né?
Marcos: É seguro, sim! — Eduarda pagou o teste e foi para sua casa.
Ao chegar em frente, entrou rápido, para não ser questionada. Ela considerou ser sortuda por não ter encontrado ninguém na sala. Certamente, sua mãe estava deitada em seu quarto, e Natielle havia saído...
Ela entra pra dentro do banheiro, e faz o teste, esperando os cinco minutos exigidos. Parecia ser uma eternidade. Quando finalmente conseguiu olhar o teste, quase caiu pra trás.
PUTA QUE PARIU, EU TÔ FRITA!, ela pensou e manifestou em forma de lágrimas.
Foi feito. Parecia um pesadelo, aquela consequência.
Ela sentiu seu chão se abrir.
Ela queria matar Lucas. Queria se matar.
Ela queria bater nela mesma, e em Lucas.
Foi tão inconsequente, e teve uma consequência tão grande.
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