Notas iniciais
Lá vai mais um... Boa leitura!

Eduarda continuava imóvel. O seu nervosismo era nítido. Ela saiu em disparada de casa, atormentada. Ela sentia sua visão se turvar, quando recebeu uma mensagem em seu celular. Era João Lucas. Ela visualizou, mas não respondeu.

Apertou a campainha da casa de Lucas, sendo recebida por Silviano.

Silviano: Senhorita Eduarda! Está tudo bem? — ele viu suas lágrimas, que caíam a todo instante. Eduarda nada respondeu a Silviano, apenas o tirou de sua frente vendo Lucas sentado na sala. Ele não estava sozinho. Maria Clara, José Pedro,Maria Marta, José Alfredo e Daniele, estavam também sentados no enorme sofá da sala. Suas lágrimas caíam e João Lucas sentiu seu chão se abrir ao vê-la chorando.

JL: Du? Du, que foi? — ele se levantou em direção à ela, a levando para um abraço, mas Eduarda o empurrou. — Que foi? O que eu fiz?

Du: TU ME ENGRAVIDOU! — João Lucas sentiu o peso das palavras o engolirem. Ele estava frustrado. Todos se entreolhavam, assustados.

Lucas sentiu uma insegurança enorme. Ele não sabia se estava preparado. Era muito cedo pra ele criar perguntas.

JL: Quê? — ele disse numa voz falha.

Marta: O QUÊ? Era só o que me faltava... Tem certeza, mocinha?

Du: Claro que eu tenho certeza! A senhora acha que eu ia brincar com isso?

JP: Não acredito nisso... Lucas, você engravidou essa garota?

Marta: Meu Deus do céu, mas você disse que não tinha nada com meu filho!

Du: Mas não tínhamos. Foi só uma vez... A gente, a gente... A gente deixou se levar! CARALHO! Isso não podia ter acontecido...

JA: Mas aconteceu, e agora o meu neto está aí, dentro de você!

Du: Não rola, eu não vou ter esse filho!

JL: Du! Como assim? Você não iria ter coragem...

Du: EU NÃO IRIA TER CORAGEM? JOÃO LUCAS, ACHO QUE TU NÃO TÁ ENTENDENDO MUITO BEM... TU ME ENGRAVIDOU! QUE PORRA!

JL: A culpa não é minha, Du... Tu tá nervosa, não fica assim... — ele a apertou contra seu peito, abraçando-a.

Marta: Está tudo muito bom, está tudo muito bem... Mas a garota não quer ter o filho, e se caso a mocinha querer entrar em um acordo, vai ser ainda melhor pra todos! — Marta lhe olhou — Quanto você quer? — Eduarda engoliu sem nada dizer. Como se ela fosse dessas.

JA: Marta, chega! A Eduarda vai ter meu neto, sim. Querendo ou não querendo.

Du: O senhor não pode me obrigar! — ela disse, o enfrentando — Não pode. Sinto dizer que o mundo não gira ao redor de José Alfredo Medeiros. Eu vou ter esse filho se EU QUISER, e ninguém vai me obrigar a nada. NADA!

JL: Ei Eduarda... Calma, tá? Vem, vamos subir!

Já no quarto, Lucas abraçou Eduarda, querendo confortá-la. Ele não queria se mostrar abalado. Ele queria ser forte para passar isso pra sua amiga.

JL: Não fica assim...

Du: Lucas, eu tô sem chão, cara. Não era pra ter acontecido... Não era nem pra gente ter transado!

JL: Tu tá arrependida? — ele diz sem esconder sua frustração.

Du: Não sei... Não sei de nada!

JL: Só não fica assim... Odeio te ver triste. Poxa, abre um sorrisinho pra mim, vai. — ele lhe acariciava — Vai, por favor, um sorrisinho. — ela abre um sorriso, meio torto.

Eles nada mais disseram. Eduarda estava cansada... Foi um dia e tanto pra ela. No abraço de Lucas, sentiu seu corpo amolecer.

Du: Que sono... — ela fechou seus olhos, que ainda estavam contra o peito de Lucas.

JL: Vem... — João Lucas a deitou na cama, em seus braços.

Eduarda capotou. Estava tão cansada que dormiu como uma pedra. Seu corpo pesava. João Lucas acariciou seus longos e lisos fios vermelhos, até também pegar no sono.

Os raios solares entravam dentro dos olhos fechados de Eduarda. Ela se levantou do corpo de João Lucas e resmungou por ter de acordar assim. Era uma coisa que ela odiava!

Entrou no banheiro, escovou seus dentes e tomou um banho. Uma ducha gelada. Vestiu um short curto jeans, com uma camiseta folgada, acompanhada de uma sandalha com estampa de bicho e pedrinhas. Fez um coque em seu cabelo, e começou a maquiagem. Uma sombra básica do tom de sua pele, seguido de um delineador e um blush, básico. Ela ainda se maquiava quando Lucas acordou.

Ele se vira pro lado e sente falta de Eduarda, que estava deitada em seus braços.

JL: Du? — ele a chamou, ainda de olhos fechados.

Du: Oi, Lucas.

JL: Vai pra onde? — diz assim que vê Eduarda se arrumando.

Du: Voltar pra casa... Meu pai vai me matar se souber que tô grávida, e ainda de um filho teu.

JL: Quem disse que tu vai voltar pra casa? Tu vai morar aqui, Eduarda. Eu não vou deixar você lá com aqueles teus pais de merda!

Du: Lucas, eu não posso vir morar aqui. Tenho que dar alguma satisfação pra eles, mesmo eles sendo uns pais desnaturados.

JL: Eu vou lá... Pronto! Tu fica aqui, que eu vou lá buscar suas coisas.

Du: Lek... — Lucas a interrompe.

JL: Não adianta, Eduarda. Não vou te deixar perambulando perto dos teus pais e ponto final!

Du: Beleza então... Já que tu tá encafifado com isso... Mas ó, Lucas, eu vou ligar pra Natielle pra saber se o Isaac tá lá... Se ele te pega zanzando lá em casa, ele te mata! E não se mete em confusão... Não dá bola pras provocações da minha mãe. Ela é doida por um barraco, aí tu já viu, né...

JL: Então tá beleza. Segura um dez aí e liga pra tua irmã, que eu vou tomar um banho! — diz, e vai até Eduarda e lhe beija.

Depois de um banho e se certificar que Isaac não estaria lá para atazanar sua vida, João Lucas seguiu em direção à casa de Du. Ele estacionou na frente e chamou pelo nome de Natielle.

JL: Natielle! Natielle! NATIELLE! — para seu azar, quem apareceu na porta foi Natália. Mãe de Eduarda.

Natalia: João Lucas Medeiros? O quê tu quer aqui? A Eduarda não está... — ela aparecia por dentro do portão, trancado.

JL: Eu sei que a Du não está... Eu vim pegar as coisas dela! Será que dá pra senhora abrir e pegar pra mim, ou eu mesmo pego...

Natalia: Pegar as coisas dela? Como assim? Ela vai viajar?

JL: Não, ela vai morar comigo.

Natalia: O quê?! E a ingrata, onde está? Quer dizer que agora que ela está nadando na bufunfa vai dar as costas pra gente?

JL: Olha, a senhora pode ter certeza, que ela não é a ingrata da história. Pensa antes de falar qualquer coisa, principalmente em relação a Du comigo. Posso entrar pra pegar as coisas dela?

Natalia: Que sem vergonha... Mas é muito intrometido mesmo, viu. — ela abre o portão, o deixando entrar — Pega o que tu quiser lá no quarto dela, eu só não vou fazer mala nenhuma porque tenho mais o quê fazer. Não sou desocupada! — Lucas não entendia como Eduarda suportava sua mãe. Ele entrou em seu quarto, abrindo seu guarda-roupa.

João Lucas pegava suas peças de roupas e observava. Os shorts, eram sempre curtos. Camisetas com nomes de bandas que ela gostava. Seu fone de ouvido com a gravura de Manoela Gavassi, de lado, e ele lembrou que aquela era sua cantora preferida. Suas calças pretas, coladas no corpo. Sua cartela de maguiagem. Cores vibrantes, batons de tons variados. Desde o vinho até o rosa bebê. Ele abriu sua gaveta na qual guardava peças íntimas e esvaziou-a, arrumando tudo numa mala.

Pegou seus sapatos, que na maioria eram botas pretas da moda, saltos altos e sapatilhas estampadas.

Abriu outra porta do pequeno guarda-roupa e deu de cara com a parte de perfumes, brincos, colares, tornozeleiras, braceletes. Quando já ia fechando a porta novamente, percebeu fotos imprimidas de Lucas abraçado com ela, fazendo biquinho para selfies, coladas com figurinhas de caderno em formato de coração. Tirou as fotografias, descolando com cuidado para não rasgar, e colocando também dentro da mala. Ele sorriu feito bobo.

Ah, Eduarda... Te amo!

Notas finais
Heeeeeey! Como vão? Hoje, acho que vai fechar de trovões aqui! O tempo está ruim... Mas se caso não chover, nem dar trovoada, eu posto o próximo! Beijo!