Amando um amigo
22 Aliança
Notas iniciais
Eduarda permaneceu como estátua. Ela não conseguia raciocinar, por mais que quisesse. O excesso de informações ao mesmo tempo, a atormentou. O que afinal estava acontecendo?
Ela poderia simplesmente empurrá-lo, mas as mãos dele a apertavam. Ela caiu em si quando sentiu que o beijo estava para terminar e o empurrou com mais força, desta vez, conseguindo se soltar. O destino parecia estar contra Lucas e Eduarda, já que João Lucas não estava mais lá para ouvir sua atitude.
– Você é louco? Eu sou casada e você... Você vai se casar daqui a meia hora! Meu Deus... — ela não acreditava naquilo.
– Tinha que provar seu beijo pela última vez... Eu precisava.
– Você precisa de um tapa na sua cara, isso sim, pra ver se toma vergonha... — ela o olhou. — Seu maluco! — ela saiu às pressas dali, se batendo com Maria Marta no corredor.
O choque dos dois corpos, fez com que Eduarda caísse por chão. De dentro do escritório, saiu Felipe. Ele baixou sua mão, oferencendo-a para Du se levantar.
– Então é verdade? — Marta os perguntou. — Pensei que fosse um delírio do João Lucas, mas pelo visto... Poderia pensar isso de qualquer pessoa, Eduarda, menos de você! Te confiei meu filho, para que você casasse com ele... — ela parecia indignada.
– Quê dona Marta? — ela levantou-se do chão, ignorando Felipe que lhe ofereceu ajuda. — Não é nada disso que a senhora está pensando... Eu juro! Me deixa explicar, por favor. — os olhos dela estavam marejados. Mesmo não sabendo, ela desconfiava que Lucas tinha ouvido algo e entendeu errado. — Por favor... — ela estava suplicando.
– Não! Eu não vou mais fazer parte dessa palhaçada... — Maria Marta deu as costas.
. . .
– João Lucas! Por favor, me ouve! — Eduarda berrava para ele, que entrava dentro do carro. — JOÃO LUCAS! — dos olhos dela, caíam lágrimas.
Ela observou o carro partir. Foi a cena mais triste que ela já havia visto na vida. Ela sentia um misto de ódio, com tristeza. Ela queria matar Felipe por ter provocado toda aquela tempestade. João Lucas, provavelmente, não acreditaria nela.
Natalia, surgiu atrás de sua filha.
– O que tá acontecendo, filha? — ela olhou Eduarda.
– Meu mundo mãe. — Du encarou sua mãe. — Meu mundo tá desabando! — ela despencou sobre os braços de Natália, que viu sua filha desmaiar em sua frente.
– EDUARDA, EDUARDA! — ela amparou o corpo mole da filha, que insistia em cair, como se houvesse um imã no chão.
. . .
– O que houve com a Du, doutor? — João Lucas perguntou, se amaldiçoando por estar preocupado com sua esposa. — E meu filho?
– FALA, PELO AMOR DE DEUS! — Maria Marta berrou, assustando aos enfermeiros que ali passavam. A resposta do médico foi imediata.
João Lucas e Maria Marta, assim que chegaram em casa, receberam a notícia que Du havia desmaiado frente aquela mansão, onde aconteceria o casamento. Se Lucas já estava péssimo, agora ele sentia seu chão se abrir. Sem pensar, voou com o carro em direção à Clínica.
– A Eduarda e o filho estão bem, sim. — o Medico finalmente negou qualquer sofrimento para com aquela família. — Ela sofreu uma queda de pressão! Ela está grávida e ficou nervosa por algum motivo... Mas isso não me interessa! Por favor, tentem não alarmá-la com nada. Se me dêem licença... — o médico sumiu da frente deles, deixando-os aliviados.
– Pelo menos meu filho e a D... — ele corrigiu. — Meu filho tá bem!
– Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Natalia perguntou. — Eu não tô entendendo nada! — ela bateu suas mãos contra suas coxas, cobertos por um vestido vermelho sangue.
– O que está acontecendo é que a Eduarda foi pega aos beijos com o noivo que vai se casar hoje! É isso que está acontecendo! Sua filha é uma pilantra! — Marta a respondeu.
– Impossível. A Eduarda nunca faria isso... Ainda mais com o João Lucas! — ela disse para ele. — Ela te ama!
– Tá tudo tão confuso, cara... — ele estava chorando, de novo. Era o que ele fez durante o fim daquela tarde. — Tão confuso... Só quero um pouco de paz! — ele parecia que ia desabar. — Eu só queria continuar minha vida e apagar essa desconfiança que tenho agora da Du, queria ela do meu lado...
– Não se torture, Lucas. — Maria Marta pousou suas mãos sobre a coxa do seu filho.
– Mas você sabe, João Lucas, minha filha te ama! Foi algum mal entendendido... Tenho certeza! — ele apenas ouvia, sem nada dizer. — Se você ouvisse ela... Tenho certeza que ela iria explicar tudo!
– Por favor, Natália, dê um desconto! — Marta a repreendeu. — O João Lucas está péssimo, olha. Não é bom que eles conversem agora... Vão acabar discutindo! Até porque eu quero entender essa história também. — ela olhou para seu filho. — Filho, por mais que eu tenha visto... Eu conheço a Eduarda! Você conhece ela mais do que ninguém, meu Deus do céu. Me recuso a acreditar que ela te traiu!
– Mãe, eu preciso de um tempo. — foi o que ele disse, apenas isso, mais nada.
João Lucas sentiu seu chão se abrindo aos poucos. Ele queria dormir e acordar, pensando que aquilo fosse um pesadelo terrível. O pior era o filho que Du carregava. Como eles iam entrar em um consenso, se fosse caso de separação? Ele já pensava em se separar. Também, pudera, nem tempo para pensar ele teve.
. . .
– E o Lucas? — Du perguntou por ele, deitada na cama de hospital. Marta e Natália a olhavam.
– Filha, tenta descansar... Esquece ele, pelo menos hoje. Pensa no seu filho!
– Tu acha que eu vou conseguir parar de pensar no Lucas? Eu amo ele, cara!
– Respondendo sua pergunta, Eduarda: o João Lucas foi pra casa, ele precisava descansar. Pensar na vida dele! — Maria Marta a respondeu.
– Puxa, nem pra vir me ver...
– E você acha que não? Ele só não entrou aqui! — Maria Marta a olhava, descrente por ela pensar que Lucas conseguiria ficar longe dela. — Ele olhou pelo vidro... Pelo amor de Deus, quando vocês vão entender que vocês se amam? Um ao outro?
– Peraí, a senhora já sabe, dona Marta? Da verdade?
– Ainda não... Mas tenho certeza que você não seria capaz de trair meu filho!
– A algumas horas atrás a senhora tava me escurraçando...
– Foi nervoso do momento. Depois, parei pra pensar melhor!
. . .
– Posso falar com você? — ela perguntou, olhando para o rosto de seu marido que mantinha seus olhos vidrados na tela do computador. Não teve resposta. — Eu tô falando contigo, cara. — ela chamou ele, de novo.
– Sabia que o Felipe não casou? — ele ainda olhava o computador. Ele estava frio com ela.
– Não. — foi isso que ela respondeu. — Não me interessa nada do Felipe!
– Não foi o que pareceu quando eu vi o beijo apaixonado de vocês. Parabéns, Eduarda! Você devia ser atriz. Me enganou durante um ano, e eu aqui, pensando que você me amava de verdade... — havia mágoa na sua voz.
– Posso explicar o que aconteceu? — a voz dela embargou. Ela tinha medo de estar tudo acabado. — Cadê sua aliança? — ela percebeu a falta do laço de amor deles, no dedo dele.
– Tirei. — foi o que ele disse, não respondeu à pergunta sobre a explicação. Uma lágrima solitária caiu do rosto de Du, que sentiu que estava perdendo Lucas aos poucos.
– A minha continua aqui. E vai continuar. — a voz falha, dela.
– Mesmo que papéis nos separem? — ele a perguntou, dessa vez, olhando a sua esposa. Os olhos de João Lucas se ensoparam de lágrimas, mas ele não se permitiu chorar.
– Mesmo que o mundo caia sobre minha cabeça. — ela respondeu. — O que você viu?
– Você se agarrando com o Felipe. Ouvi, na verdade.
– Eu não tava me agarrando com o Felipe.
– Ah não? Então o que vocês estavam fazendo trancados naquela sala, sozinhos? — as lágrimas do olho dele, sumiram. Existiu apenas a raiva com que ele falava.
– Ele me chamou pra conversar, eu fui... Aí ele começou a falar que ainda me ama, que se eu quisesse, ele deixava tudo pra ficar comigo...
– E você, comovida, aceitou? Felicidades. — a voz dele embargou, quando interrompeu.
– Deixa eu terminar? — o silêncio cobriu por um tempo, ela tentava manter a calma. — O Felipe disse isso, aí eu disse que gostava muito dele e... — ela viu lágrimas descer sobre o rosto de Lucas. — e eu disse que eu te amava. Te amo. Ele me beijou à força, era mais forte que eu...
– Seu amor por ele? — ele chorava, à essa altura.
– Não, cara. Ele era mais forte que eu. Não dava pra sair daquele beijo, cara. Eu te amo. Amo demais. Não faz assim... — ela se referia à suposição de divórcio.
– Eu preciso, Du. — ele começou. — Preciso de um tempo... Se eu tomar uma decisão agora, vai ser a separação, e... E eu preciso pensar antes de fazer isso.
– Tudo bem. — ela enxugou as lágrimas. — Tá. Você tá certo. Eu te amo, tá? — ele não respondeu. — Eu vou pegar minhas coisas aqui e levar pra outro quarto...
– Não. Você tá grávida... Fica aqui, eu saio.
– Não, Lucas... Eu vou!
– Eu já disse que você fica aqui, Eduarda.
Ela não o questionou mais. Nem sobrepôs mais nada. Ela apenas assentiu. Observou João Lucas levar suas roupas daquele quarto, e algumas lágrimas caíram.
Ela nunca havia imaginado ver aquela cena. Ele estava indo embora. Talvez, pra sempre. Talvez, ele nunca fosse mais a perdoar nem acreditar nela. João Lucas precisava de um tempo, não era escolha, ele só precisava. Precisava saber o que queria, se acreditaria. Precisava entender o que estava sentindo.
E foi aquilo, ele se foi daquele quarto. Uma cama enorme sobrou, o travesseiro impregnado com o cheiro de João Lucas, foi o que sobrou. Sobrou as lágrimas, se afogar com elas. Sobrou as lembranças.
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