Amaldiçoado.
2 II - Amaldiçoado.
Faltando apenas 4 dias para a convenção, as expectativas estavam a mil, quase todos os quartos estavam reservados e a decoração tinha ficado perfeita. O hotel em si já era de se arrepiar, construído no estilo barroco o hotel lembrava um grande castelo mal assombrado. O Hall de entrada tinha 5 metros de altura, com um piso ladrilhado em preto e branco, continha várias colunas largas bem detalhada, com um jogo de 3 sofás e uma mesa de centro virados para uma lareira, no canto esquerdo, e no canto direito a recepção. Tudo isso com várias pinturas barrocas pintadas nas abóbodas do teto.
Daniel corria para lá e para cá ajudando no que podia para os preparativos do evento, a cidade estava comentando sobre isso, finalmente o dono sombrio e solitário que vivia trancafiado no quarto com seu martírio tinha se transformado em um chefe alegre e sorridente que perambulava pelo hotel cumprimentando e ajudando cada funcionário. Muitos ainda achavam que ele tinha matado o próprio irmão, por mais que seu álibi de estar com uma mulher no seu quarto fosse incontestável.
Dois policias adentravam pela porta da frente, a Tenente Alétris e seu novo parceiro que tinha o olha fixado nas pintura nos teto demonstrando um misto de admiração e medo sobre o lugar.
– Bom dia Senhores! – Disse Daniel enquanto limpava a mão nas calças para estende-la.
– Olá Sr Hamsworth – Ela olhou para a mão e ignorou passando por ele. – muito animado o senhor para uma segunda.
– Bom, a convenção é esta semana ainda e está tudo certo para meu negócio bombar. –disse Daniel animado.
– E onde o senhor estava ontem a noite? – perguntou Alétris virando-se na direção de Daniel.
Eu? Por-por quê? – questionou claramente confuso.
– Porque uma prostituta foi assassinada ontem num pequeno motel de estrada e só foi encontrada porque os urubus estavam amontoados na porta do quarto e o dono foi checar. – Faz-se um silencio incomodo no hall inteiro – Bom, se poder me dizer onde estava, posso deixar você seguir com suas tarefas.
– E o que eu tenho a ver com uma prostituta? Com essa mulher? – perguntou Daniel, claramente indignado.
– Era a mulher do dia do assassinato Sr Hamsworth, e curiosamente estava escrito novamente na parede, Amaldiçoado. – disse ela fazendo um gesto com as duas mão para dramatizar a palavra. Alétris o fuzilou com seu olhar analítico querendo o menor sinal de vacilo na sua expressão, e tudo que conseguiu foi ver a tristeza e remorso que estavam por trás daquela máscara que ele usava como rosto.
– Eu não a vejo desde o depoimento, fui um mero cliente, não vejo sinceramente o por quê disso. – falou tentando transparecer mais a indignação.
– Ela foi esquartejada que nem seu irmão, e mais uma vez, nem o mínimo de vestígios.
– Entendo. – nesse momento sua expressão deixou transparecer toda dor que sentia pela perda do irmão e como num passe de mágica seu rosto tornou-se complacente novamente. – Se quiserem olhar nas câmeras, adoraria ajudar, pois fui dormir cedo ontem. Sabe como é, ajudar a carregar caixa, decoração, todos os preparativos...
– Por favor. – interrompeu a tenente, — nos mostre as câmeras.
Então ele acompanhou eles pelo corredor principal, passando pelos 4 elevadores com portas douradas.
– Essa mistura entre dourado e sombrio é de arrepiar – comentou Marcelo – parece de um anime que assisto.
– Marcelo, foco no que viemos fazer – virou-se para Daniel e perguntou. – pode me mostrar você entrando e saindo do quarto?
– Claro.
E assim ele fez, mostrou aos policiais que não estava mentindo, que entrou no quarto cedo e só saiu no outro dia cedo para o café da manhã.
– Bom, muito obrigado Sr Hamsworth. Manteremos contato. – Disse enquanto saia e puxava Marcelo ainda admirando a decoração do hotel.
Assim que saíram do hotel, Daniel pegou seu carro e dirigiu até a sua antiga casa no centro da cidade. A casa onde seu irmão tinha morrido. A casa amaldiçoada. Ele andou até a porta da frente, girou a chave e entrou. Tudo estava como tinha deixado após a morte de seu irmão a não ser por uma palavra pichada com spray vermelho no mesmo lugar onde foi escrito a palavra da outra vez. A mesma palavra, a palavra que o atormenta a um ano sempre: Amaldiçoado.
Fale com o autor