Notas iniciais
Minha primeira estória sobre a Trilogia Divergente, espero que gostem

Dante Brown andava pelo estúdio, observando as obras de arte penduradas nas paredes. Hoje em dia, os únicos artistas pertencem à Amizade, pelo menos foi o que ele ensinado antes de entrar para a Audácia. Isso o lembrou da única atividade que o acalmava em sua facção de origem, pintar e desenhar, seus pais sempre lhe disseram que algum dia, quando ele crescesse seria um artista plástico incrível, tal lembrança quase o fizeram chorar, mas pelo visto ele poderia seguir carreira como tatuador, assim que passasse pelo processo de seleção, — dessa forma não desperdiçaria seu talento natural para as artes —, entretanto o rapaz foi arrancado de seus devaneios por passos firmes vindo em sua direção.

— Você é Dante Brown? — O tom da grave voz masculina deixava claro a irritação de seu dono.

— Sim. — O moço afirmou e mal acabara de falar enquanto se voltava para seu interlocutor e sentiu os golpes do punho de um dos lutadores mais habilidosos da facção que escolhera.

— Você não deveria ter encostado um dedo em minha irmãzinha, muito menos engravidá-la, Aléxis, ela só tem dezessete anos e o que vai dela e do bebê se você se tornar um sem facção?! — Victor fez a pergunta numa mistura de grito com grunhido.

— Aléxis está grávida? — Ele questionou com a voz entrecortada devido a dor, parecendo feliz; Darthmouth estranhou, mas concordou com um movimento de cabeça.

O adversário de Victor Darthmouth estava caído no chão com a cabeça ensanguentada e desacordo depois de que Victor o empurrar e o golpear no ombro esquerdo com uma agulha de tatuagem, o que não era novidade para ninguém, pelo menos para os que nasceram na Audácia e para os que já estavam lá há algum tempo, todos concordavam que aquele novato não deveria ter engravidado a irmã mais nova de Darthmouth, mas a maioria teria preferido punir o rapaz de outra forma.

A cadeira de couro preto na qual ele estava sentado até que era confortável, mas o olhar de seu superior, que estava sentado do outro lado da mesa, não podia receber essa mesma classificação, ele parecia furioso.

— O que você fez foi horrível, por isso patrulhará a fronteira por tempo indeterminado — Rolth o informou.

— Sem problemas, chefe. — O rapaz concordou sarcástico.

— Sem esse sarcasmo, Darmouth, sua sorte é que o garoto sobreviveu, ele já havia passado no último teste para se tornar um de nós e será o novo tatuador e vai se casar com sua irmã, se ele tivesse morrido você teria recebido uma punição muito maior. — O superior dele o informou apoiando as mãos no tampo de metal frio da mesa ao mesmo tempo em que se inclinava para encará-lo com uma expressão séria no rosto. — Ah, você precisa ir à enfermaria se desculpar com sua irmã. — O homem completou lhe lançando um sorriso superior.

Quando a porta da enfermaria abriu com um ponta pé todos os que ali seguraram a respiração, pois temiam o que Victor faria a seguir.

— Bem, maninha, pelo menos você não escolheu um fracassado total para ter pai dos meus sobrinhos, boa sorte em lapidá-lo. — Ele disse à irmã.

— O que isso significa? — Dante perguntou com a voz ainda grogue devido aos efeitos da medicação que recebera.

— Significa que meu irmão está te dando uma chance de fazer parte da família, Dan. — A garota respondeu ao noivo pouco depois de lançar um sorriso de agradecimento para o irmão, antes que ele saísse batendo a porta atrás de si depois de ouvir Brown agradecê-lo.

Apesar de ouvir burburinhos sobre o fato de ser sido mandado para a Patrulha da Fronteira como punição por ter batido em seu futuro cunhado por ele ter engravidado sua irmã antes do casório, absolutamente ninguém ali, além de seu superior, possuía a coragem necessária para dizer qualquer coisa a respeito disso na cara dele por medo de seu temperamento difícil e de sua forte personalidade, as mesmas qualidades que o faziam um excelente lutador, um verdadeiro esteriótipo de um membro da Audácia, era também os mesmos fatores que lhe transformavam em uma pessoa difícil de lidar.

Rolth lhe aguardava, junto com um grupo de novos patrulheiros, perto dos trilhos do trem que os levaria para a área da fronteira e assim que o vê, o homem cerca de dez anos mais velho agarra a barra de metal na lateral do vagão e salta para dentro com leveza, como se não tivesse quase dois metros de altura, Victor repete o movimento para o assombro de alguns novatos que tiveram mais dificuldade que ambos para entrarem no vagão, o qual os levariam para seu novo posto.

No momento em que o trem começa a ganhar velocidade, o lutador segura as barras de metal em ambos os lados, com os braços bem esticados, e inclina-se para a frente, fazendo com que a maior parte do seu corpo se projete para fora do trem, sendo que suas mãos agarrando as barras de metal são tudo o que lhe impedem de ser lançado para fora do trem.

Ele estava concentrado na paisagem que passava diante dele: um oceano de prédios abandonados e em ruínas, que se tornavam menores à medida que o trem seguia seu caminho.

— O que você acha que está lá fora? — Mel, uma garota de traços asiáticos questionou, acenando com a cabeça em direção à porta. — Quer dizer, além da cerca. — Ela emendou dando de ombros.

— Um monte de fazendas, eu acho. — Outra garota respondeu.

— Eu sei, mas… e além das fazendas? Do que estamos protegendo a cidade?

— De monstros! — Um rapaz respondeu se achando engraçado.

Os freios do trem gritam e todos foram lançados para a frente a medida que o vagão perde velocidade. Não há mais ruínas de prédios ao redor, apenas campos amarelos e trilhos. Victor aproveita o impulso extra e solta das barras caindo ajoelhado em posição de defesa sobre grama, Erguendo os olhos ele notou que a cerca continuava para além de sua visão, em uma linha perpendicular ao horizonte. Do outro lado da cerca, havia uma aglomeração de árvores, a maior parte delas mortas, mas algumas ainda verdes. Guardas armados da Audácia também circulam pelo lado oposto. Darmouth, ouviu o barulho dos freios e virou a cabeça a tempo de ver o trem parar sob um toldo.

Levantando-se o moço seguiu com os outros para o refeitório e depois para o dormitório, fora instruído a descansar um pouco, pois naquele fim da tarde faria o reconhecimento e à noite seria sua primeira ronda, em breve descobria como sua vida seria daqui pra frente, bem, até decidirem que ele recebeu punição o suficiente.

Notas finais
Comentem e me façam uma autora feliz