Am I loving you?
24 Sabe, Beca...
Notas iniciais
(POV Chloe)
Eu ainda estava em êxtase com as coisas acontecendo rapidamente daquela maneira. De vez em quando meus olhares e os de Beca se cruzavam entre a enorme distância que estávamos. Ela conversava com Amy na cozinha enquanto as meninas fofocavam sobre querer dar uma festa. Lógico que minha cabeça estava em outro planeta e eu nem prestava atenção no que elas diziam. Eu só pensava nela. Merda, eu estava mais do que apaixonada por aquela garota e, só de pensar que dessa vez talvez houvesse uma chance, eu já tinha vontade de quebrar essa distância entre nós e tomar ela em meus braços. Então a porta da frente se abriu e meus pensamentos se perderam.
—Chegamos! Colocaram fogo na casa ou ainda não? — Anna perguntava enquanto fechava a porta atrás de si.
Quando ela me viu, olhou na mesma hora para Beca e abriu um enorme sorriso. E tenho certeza que não era um sorriso comum. Ai, meu Deus? O que estava acontecendo?
—Ora, ora, ora, nossas meninas voltaram! E por favor, me digam que se acertaram? Não quero chamar a polícia da próxima vez.
As meninas gargalharam. Cynthia a abraçou e lhe deu um beijo.
—Beca e Chloe são um caso perdido – falou antes de sussurrar algo no ouvido de Anna e a beijar novamente.
Era só eu, ou aquelas duas estavam bem menos discretas do que o normal? Olhei para Beca, que olhava para mim. Ela deu de ombros como quem diz “também não entendi”.
—Trouxemos pizza – Anna jogou a caixa de papelão que carregava em cima da mesa de centro.
—Graças a Deus! – Amy gritou antes de voar na comida, assim como todas as outras fizeram também. Menos Beca, que ria pra mim ainda na bancada da cozinha.
—Agora, se derem licença – Anna falou, enquanto puxava sua noiva pelo braço em direção as escadas – Temos um assunto para resolver lá em cima.
É, definitivamente, elas estavam bem menos discretas que o normal. Acho até que Anna estava meio bêbada. E eu não fazia ideia de onde elas estiveram todo esse tempo.
—O nome desse assunto é sexo? – Stacie perguntou rindo daquele jeito nada discreto dela também.
—Inveja? – Anna gritou já no segundo andar. Depois disso só ouvimos barulho de porta se fechando.
Estava me segurando mas acabei gargalhando como as outras estavam fazendo agora.
—Stacie, você não presta! – joguei uma almofada nela.
—Aquelas duas estão num fogo desde cedo – disse Amy — Me deu até saudades do meu Bumper.
—Você pelo menos tem a pizza. E eu que não vejo o Benji há um tempo – Emily suspirava encarando seu pedacinho de pizza na mão.
Sorri. Tadinha, tão jovem e já sofrendo com o amor.
—Ah, parem de reclamar! — gritou Stacie com as mãos pra cima — Pelo menos vocês tem um cara pra quem dar sempre que quiserem! Essa vida de solteira tá difícil!
—Ah, Stacie, até parece! – Amy continuou – A pobre coitada você!
Olhei para Beca e quase soltei uma gargalhada. Sua carinha estava me dizendo “pelo amor de Deus, me tira daqui!”. Fiz um sinal indicando a porta dos fundos da casa e ela pareceu entender. Assentiu e saímos rapidamente enquanto as meninas discutiam sobre aquelas questões.
—Ufa. Não estava mais aguentando essa discussão.
Beca falou quando pisamos no jardim atrás da casa. Ali era um bom lugar. Já estava anoitecendo, então havia uma brisa fria por ali, o que era bem agradável. Ao lado da porta da casa havia um banco de madeira.
—Nem me fala! Stacie é muito maluca, nossa...
—E o que deu naquelas duas? Até nessas horas a Anna se parece com a Stacie. Impressionante.
—Verdade – sorri.
De repente o silencio mostrou-se presente, um tanto quanto constrangedor e paramos de andar. Beca me olhou nos olhos e meu coração disparou violentamente no peito.
—Viu? Conseguimos – ela falou.
Sua mão tocou a minha, o que me fez pensar se havia sido de proposito ou não.
—Ainda bem. Obrigada por ter ido comigo. Foi... muito bom.
As imagens da noite passada bombardeavam minha cabeça. Como eu queria beijá-la nesse momento e ter certeza de que tudo aconteceu; de que ela também se importava. De que, agora que voltamos, as coisas iriam mudar como ela havia dito. Mas e o medo?
—Foi...
Seu olhar baixou para meus lábios e rapidamente voltou aos meus olhos.
—Chloe, posso te fazer uma pergunta?
Engoli em seco.
—Claro.
—A Stacie sabe o que aconteceu entre a gente? Tipo, antes de virmos pra cá e tal.
Senti minhas bochechas pegarem fogo na mesma hora. Como será que Beca havia descoberto? Será que Stacie abriu o bocão?
—Ei – ela segurou minha mão – Relaxa. Não tem problema se você contou. Eu contei pra Amy mas a fiz jurar que não contaria nada para as meninas.
—S-sim eu contei. Mas só porque ela me pressionou – me apressei em dizer.
Beca sorriu aquele sorriso tímido dela que era tão difícil de aparecer.
—Tudo bem, mas acho que ela quase contou para a casa toda.
Então a morena me contou eu fiquei sabendo das fofocas da Stacie para as meninas, mas aliviada ao mesmo tempo por ela não ter contado nada, apenas ter dado sua opinião.
—Ah, Stacie... – suspirei — Mesmo que não tenha falado nada, ela não precisava aguçar a curiosidade das meninas.
—É – Beca respondeu – Mas deixa pra lá. Eu só perguntei por curiosidade.
Nos olhamos por mais alguns segundos.
—Bom, Chlo, o dia de hoje foi bem cansativo. Acho que vou deitar.
Me senti triste, não queria que ela já fosse para o quarto. Foi tão bom quando dormimos juntas, e todo o resto. Pra quem não queria que ela me acompanhasse até a outra cidade, essas últimas horas foram umas das melhores da minha vida. Agora uma parte de mim tinha consciência de que a menina que eu tanto amava dizia sentir algo por mim também, mesmo que isso ainda fosse um pouco confuso em minha mente.
—Claro. Eu vou também.
Seus braços me envolveram em um abraço. O melhor de todos.
—Estou muito feliz por termos nos acertado – ela sussurrou em meu ouvido enquanto ainda estava presa em seus braços – E por tudo o que fizemos hoje.
Essa última parte fez meu coração querer sair pela boca.
—Você não faz ideia – sussurrei de volta.
Nossos corpos se descolaram um pouco e antes que eu pudesse ao menos respirar, sua boca já estava na minha. Naquele momento não liguei que as meninas estavam logo ali na sala e poderiam a qualquer momento ver isso. Não liguei para mais nada, apenas para aquele beijo.
—Boa noite – ela sussurrou.
Então nos afastamos completamente e entramos na casa.
(POV Beca)
Não dava. Eu juro que tentava deixar a Chloe a vontade para assimilar tudo que estava acontecendo. Tudo o que eu havia falado para ela ontem e nessa manhã eram realmente muita coisa. Mas era só eu olhar para ela que toda minha razão deixava de existir. Desde a primeira vez que nos beijamos, aquilo não saiu da minha cabeça, mas eu precisava lutar contra tudo o que achava sentir por ela. Era tudo muito novo e parecia tão errado. Mas chega uma hora que temos que parar de lutar e nos ouvir por dentro, ouvir nosso coração.
Antes de subir para o meu quarto, me despedi de Chloe e passei na cozinha para comer algo; estava com fome. As meninas já não estavam mais na sala, então imaginei que tivessem ido dormir. “Ótimo, um pouco de paz”, pensei. Mas assim que entrei na cozinha, dei de cara com Anna. Ela usava um roupão todo chique, como suas camisolas e bebia um suco, e parecia ótima com sua cara pós-foda.
—Anna, oi. Desculpa, não te vi aqui – disse assim que a avistei.
—Beca, relaxa. Fica a vontade, menina – ela sorriu.
Abri a geladeira, peguei o ultimo pedaço de pizza que estava na caixa e agradeci mentalmente por aquelas doidas terem deixado alguma coisa. Em seguida coloquei para esquentar. Anna ainda estava ali e podia jurar que, pelo canto do olho, via seu olhar penetrado em mim.
—Sabe, Beca, eu já me relacionei com homens – ela começou.
Puta que pariu. Congelei na mesma hora. O que ela estava começando a falar? Como forma de educação, me virei para ela e garanto que minha cara demonstrava que eu não estava muito afim de falar. Mas ela continuou:
—Eu não comecei a gostar de meninas do nada. Quando eu estava na faculdade, como vocês estavam, eu tinha uma amiga, não muito próxima. Estávamos jogando um jogo com mais alguns amigos em uma noite e, como forma de desafio do jogo, eu tive que beijá-la.
Comecei a comer a pizza e meu estômago revirava. Tinha quase total certeza de saber o motivo pelo qual Anna me contava essa história.
—Então eu a beijei. Mas o que ninguém sabia é que, essa menina sempre me deixava nervosa e eu nunca entendia o motivo. Ela era linda e muito sexy, mas como eu sempre saí com caras e naquele momento eu estava de caso com um, nunca pensei na possibilidade de me sentir atraída por ela. Achava que era só coisa da minha cabeça – Anna continuou, e seu sorrisinho ainda estava nos lábios – Mas não era. Depois que nos beijamos, eu quis mais. Fiquei alucinada com aquele beijo que demos. Nunca tinha experimentado nada como aquilo.
Tá. Agora eu tinha 100% de certeza do motivo dessa conversa. Peguei até uma Coca para ajudar a engolir a pizza, porque depois do início desse papo, a fome já havia ido embora.
—Ela foi a primeira menina com quem transei – Anna tomou mais uma golada de seu suco antes de prosseguir – E, nossa. Como foi diferente.
Ela estava realmente se abrindo comigo. E agora a curiosidade estava batendo forte. Diferente como? Então, como se ela lesse meus pensamentos, continuou:
—Tudo com uma mulher é mais intenso, mais prazeroso. E digo isso por experiência própria. Eu nunca fiquei com um cara que tivesse me dado tanto prazer quanto uma mulher, sério.
Dei uma engasgada com minha pizza..
—Mas vamos para a parte mais importante: o sexo. O sexo é outra coisa. Nem se compara.
Então ela olhou bem nos meus olhos e piscou pra mim. Meu Deus.
—Eu estava com medo de gostar de mulheres. Medo por achar que tinha algo de errado comigo, medo por não me aceitarem. Medo por muitas coisas. Mas, não podemos viver assim, não é mesmo? Não podemos reprimir nossos desejos.
Assenti, boquiaberta. Era como se eu estivesse hipnotizada.
—Então liguei o foda-se e fui ser feliz – ela deu sua última golada na bebida antes de se levantar da bancada e me lançar um olhar amigo – Bom, era apenas isso. Desculpa se tomei seu tempo, Beca. Eu precisava, sei lá, desabafar e você foi perfeita. Obrigada. Boa noite.
Depois de um sorriso amarelo, lhe dei boa noite e voltei a encarar a pizza em meu prato. A pizza que seria jogada fora.
—Obrigada, você – sussurrei, mesmo sabendo que ela não ouviria.
Fale com o autor