Am I loving you?
25 Darmos um tempo
Notas iniciais
(POV Beca)
—Alo?
Meu namorado atendia minha ligação na terceira tentativa de falar com ele. Não sabia se ele não havia atendido as duas primeiras de proposito ou se realmente não as ouviu.
Eu precisava ligar para ele. Depois daquele noite que passamos juntos não nos falamos direito. Meu consciente me alertava que eu deveria ligar para ele para tentar arrumar essa confusão toda, mas eu só queria esquecer um pouco dos meus problemas. Até que, nos falamos por mensagem e depois ele havia me dado a notícia de que teria de voltar ao estágio. Uma parte de mim sentiu alivio e a outra, tristeza. Alivio porque eu não teria mais que “fugir” de certa forma de uma conversa para explicar meu comportamento estranho de umas semanas pra cá. Tristeza porque, mais uma vez estaríamos separados e dessa vez, um nó se formava em minha garganta e eu não podia mais desfazê-lo.
Era extremamente perturbador pensar que eu estava mentindo para o Jesse, meu namorado, meu melhor amigo; aquele que tanto me ajudou de diversas formas. E agora eu o estava jogando de lado sem ao menos dar uma explicação. A situação se agravava a todo momento. Era preciso que conversássemos.
Ouvi sua voz ao telefone e uma enorme vontade de chorar me veio. Engoli o choro e continuei:
—Oi, amor. Como você está?
Por um momento a ligação pareceu estar muda, mas logo depois sua voz apareceu:
—Oi. Estou bem.
Meu coração se apertou dentro de mim. Não, ele não estava bem.
—Ótimo. Bom, você não me ligou, então...
—E isso mudaria alguma coisa? Você nunca me atende.
Merda. Merda. Senti como se tivesse levado um soco.
—Jess, me desculpa. Eu... eu estou...
E então não deu. O choro saiu sem que eu pudesse segurar.
—Beca...?
Mas nenhum som saía da minha voz. Apenas as lágrimas brotavam de meus olhos e molhavam meu rosto sem que eu pudesse controlar.
—Jesse, me desculpe. Me desculpe. Por favor...
—Ei, não chora. Não chora, por favor.
Sua voz agora era mais doce e gentil. Enxuguei as lágrimas e respirei fundo:
—Eu só queria me desculpar por tudo. Por não termos nos encontrado depois daquela noite, por não ter respondido suas ligações, por agir de maneira estranha. Eu estou um pouco...
—Confusa? – sua voz saiu baixa.
Fechei os olhos. Merda, eu realmente não queria que as coisas tomassem esse rumo. Mas ao mesmo tempo era necessário. Meu coração doía. Infelizmente não consegui responder.
—Tudo bem – ele suspirou de maneira pesada – Nós dois sabemos que as coisas não estão como eram antes, Beca. Não faço ideia do motivo, mas...você está distante. E isso me machuca. Eu realmente queria estar com você.
Mais lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto ouvia sua voz do outro lado da linha.
—Eu estava morrendo de saudade de te abraçar, te beijar. Era para ser uma surpresa, pensei que fôssemos ficar juntos mas tudo deu errado. Bom...
Um silencio fez-se novamente na ligação. Por um momento eu podia jurar que Jesse também estava chorando.
—Acho melhor darmos um tempo.
—Jess... – sussurrei mas, novamente nada saia de minha boca.
—Eu fico aqui, você aí. Tem a presença das suas amigas. Vamos nos dar um tempo, Beca. Vai ser o melhor a se fazer. Assim os dois podem pensar melhor em tudo o que está acontecendo.
—Mas...
Eu sabia que era o certo a se fazer, mas meu coração estava machucado dentro de mim. Jesse era uma pessoa muito boa. De repente uma voz o chamou ao fundo da ligação.
—Beca, preciso ir. Fica bem. Eu te amo – ele disse as três últimas palavras bem devagar.
Com o coração apertado e enxugando as diversas lágrimas que ainda escorriam por meu rosto, reuni forças para terminar aquela ligação. Jesse, meu namorado há três anos, meu melhor amigo, meu confidente.
Eu precisava ser forte, mas antes que eu pudesse responder mais alguma coisa, a ligação cessou.
*****
Depois de uns vinte minutos, eu já estava mais calma. Estava respirando o pouco do ar fresco do lado de fora da casa enquanto ouvia algumas músicas. A música era sempre o melhor remédio pra mim. Passei as mãos no rosto e parecia que as marcas do choro já não estavam mais ali. Mesmo que tenha doído, falar com o Jesse foi a melhor coisa a ser feita. Agora uma parte de mim estava aliviada. Eu precisava dormir.
Entrei novamente na casa, já que eu falava com o Jesse no jardim e subi para meu quarto. Antes que eu pudesse abrir minha porta, aquela voz me chamou:
—Beca? – meus olhos encontraram os dela na pequena escuridão que fazia ali — Está tudo bem? Você está bem?
Então, sem pensar duas vezes, corri até ela e a abracei. Um abraço apertado, forte. No mesmo instante seus braços abraçaram minha cintura com força. Afundei meu nariz na curva de seu pescoço, sentindo seu delicioso perfume me permitir ficar ali por um tempo.
Chloe ainda me apertava contra seu corpo e não disse uma só palavra. Ficar abraçada nela era algo que eu poderia fazer o dia inteiro com o maior prazer.
Devagar, me afastei um pouco. Suas mãos tocaram meu rosto e seus olhos azuis me encararam.
—Ei, você está bem? Ouvi uns passos aqui no corredor e vim olhar. Não estava conseguindo dormir mesmo – ela me lançou um pequeno sorriso.
Uma onda imensa de felicidade tomou conta de mim. Vê-la ali parada se preocupando comigo era o que faltava para eu me recompor. Ela iria curar as pequenas feridas que agora estavam em meu coração. Ela era o pedaço que faltava.
—Agora está – respondi sorrindo para ela.
Senti que, mesmo eu não tendo explicado o que havia acontecido, Chloe sabia. Ela entendia tudo o que eu estava passando e o que eu sentia apenas quando nos olhávamos. Por algum motivo, tínhamos essa ligação. Ela não precisava me perguntar nada, bastava apenas um gesto para saber o que acontecia. E eu amava isso nela.
(POV Chloe)
Eu não precisava perguntar para obter uma resposta; já conhecia Beca há um bom tempo para entender tudo o que se passava com ela em um olhar. Alguma coisa havia acontecido naquele pequeno momento em que ficamos separadas. Ela não havia ido dormir e seu rosto parecia cansado.
Quando a abracei, senti seus braços me apertarem como se ela dependesse daquele abraço para viver. Ela estava triste. E alguma coisa me dizia, um sexto sentido talvez, que o Jesse estava metido nessa história. O motivo? Isso eu já não sabia, mas para Beca ter ficado daquele jeito, acho que boa coisa não era.
Decidi que não era o momento para perguntar nada, apenas a abraçar o mais apertado que eu conseguisse. E foi exatamente o que eu fiz. Depois de alguns minutos ou horas, não sei dizer; eu a perdia noção do tempo quando estava com ela; nos afastamos. Precisávamos voltar para nossos respectivos quartos, mesmo que a coisa que eu mais quisesse naquele momento fosse dormir agarradinha nela. Então nos despedimos e eu voltei a deitar na cama com Stacie, devagar para não acordá-la e, algo me dizia que, as coisas agora seriam diferentes. Então, com esse pensamento eu adormeci.
(POV Beca)
—Beca! Anda, levanta!
Ouvia alguém distante chamar meu nome e de repente luzes invadiram qualquer visão que eu tentasse obter.
—Ah, apaga a luz... – reclamei colocando o travesseiro na cara.
—Acho que não posso apagar o sol – Amy falou então tirou o travesseiro do meu rosto e o jogou em mim.
—Ai!
—Levanta! Já está tarde. E do dia tá lindo.
—Que se dane o dia. Me deixa dormir, Amy – tentei.
—Nossa, alguém aqui tá de TPM. Acho que vou ter que chamar a Chloe.
Dei um pulo ao ouvir seu nome. Chloe!
Me sentei na cama na mesma hora. O que? Ela realmente estava me chantageando com a Chloe? Tá vendo? É isso que dá contar as coisas para as suas amigas.
Dei o dedo do meio pra ela, que riu, me mandou levantar e desceu. Minha vontade era de colocar o travesseiro na cara, virar de lado e dormir, mas o nome que Amy havia falado despertou meu corpo. Eu precisava vê-la.
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