Always and Forever

10 O namorado da Maya


O fim de semana acabou e a semana recomeçou, não que achasse ruim, mas gostava de passar o dia com a Aly longe da escola.

A manhã estava um pouco fria, mas o sol já estava brilhando e queimando a retina de quem se atrevesse a olhar, fiquei parado admirando-o, meus olhos ardiam, mas não me importava porque o sol me lembrava a Aly, talvez o brilho dos seus olhos, ou os seus cabelos, ou apenas ela por inteiro, não sei, coisa de homem apaixonado? Isso é muito novo pra mim.

Senti uma mão em meu ombro, ainda hipnotizado com o sol, deixei por isso mesmo até que a mão apertou seus dedos em meu ombro, virei-me para ver quem era e pra variar, era a Maya.

— Precisamos conversar. — Disse ela. Seus cabelos estavam mais bagunçados que os do Paul Stanley — vocalista da banda Kiss —, seus olhos estavam inchados e ela estava com olheiras.

Tentei segurar a risada, mas foi meio difícil, coloquei a mão em minha boca e pigarreei. — Conversaremos.

Ela me jogou um olhar repreensivo, balançou a cabeça e sentou-se na cama, olhou para mim por um instante e logo em seguida balançou a cabeça em sinal de que eu sentasse ao lado dela.

Virou-se para mim e tocou em minha perna. — Eu estou namorando.

Levantei uma sobrancelha e sorri meio sem graça. — E daí?

— E daí que minha mãe não gosta dele.

— Qual o nome dele?

— Jack. Jack Walker. Não lembra?

— Lembro. Eu tenho que me arrumar para ir pra escola. Sugiro que faça o mesmo.

— Mas...

— Bom dia, irmãzinha.

Coloquei-a para fora do quarto.

Tudo bem, minha irmã está namorando um carinha que me deixa irritado quando fala com a minha namorada, está bem, isso é normal. Não, não é normal, eu não gostei desse namoro, mas quem sou eu para dizer algo? Afinal, achei que ele estivesse namorando com a Crystal, mas a Crystal é a Crystal. Será que nem ele suportou ela?

Baguncei meu cabelo para ajudar a espantar meus pensamentos sobre esse Jack Walker, meu possível cunhado.

Me arrumei para a escola. Uma blusa azul, jaqueta e calça jeans escuro.

Desci as escadas, minha mãe estava na sala, correndo de um lado para o outro, catando as coisas da Lola e do Vince para a escola enquanto os dois assistiam televisão, Maya estava parada na porta passando torpedo pra sei lá quem e sorria a cada bipe que o celular dava.

Mamãe virou-se para mim. — Bom dia, querido. Eu estou mega atrasada para uma reunião, tenho que correr para deixar os meninos na escola. Não fiz café, mas você já está grandinho, tem até namorada e com certeza não se importará em ir com a Maya. — Beijou meu rosto e saio puxando Lola e Vince para fora de casa.

As gargalhadas da Maya estavam me irritando, tomei o celular de sua mão e li as mensagens que tinham de “Gato”.

Comecei a ler as mensagens em voz alta. — Gato: Tô ansioso pra te ver, gata. Eu: Eu também, já contei a minha mãe da gente, xuxu. Gato: Ela vai m...

Maya agarrou minha cintura. — Me dá, isso é invasão de privacidade.

— Ela vai me adorar. — Continuei, mas tentando conter o riso. — Eu: Na verdade não. Gato: Mas você adora. Eu: Eu amo. — Joguei o celular pra ela, comecei a rir alto. — Pior que eu isso ai.

— Vai à merda, Nicholas. — Disse ela irritada.

— Vou pra qualquer lugar com você, gata, porque eu sou o gostosão.

— Idiota!

— Gata!

Eu juro que se eu ver esses dois nessa maluquice na minha frente eu vomito.

Ao chegar na escola Maya saiu do carro sem nem desligar e pulou nos braços do Jack, balancei a cabeça, desliguei o carro e sai do mesmo.

— O que aconteceu com a Maya? — Perguntou a Aly aproximando-se de mim.

— Foi enfeitiçada, nunca a vi assim.

Ela riu. — Ela diz o mesmo sobre você em relação a mim.

Abracei-a pela cintura. — Acha que eu sou assim, meu pudim de morango?

Ela riu mais alto e abafou seu riso em minha camisa, voltou a olhar pra mim e disse em um tom teatral. — Mas, claro, meu amorzão.

Sorri e aproximei meus lábios nos delas e os beijei. — Não sirvo pra isso.

— Você é tão fofo, Nite.

O sinal da primeira aula tocou.

— Vamos?

— Não, eu tenho que ir na diretoria resolver umas coisas. Ok? Te encontro no final da terceira aula.

— Tudo bem então.

Senti seus lábios tocarem nos meus, ela se afastou e andou até a entrada do colégio. Seus cabelos balançavam junto com seu casaco fino quase caindo de seus ombros. Balancei a cabeça e entrei no colégio indo direto para a aula de filosofia. No caminho me surpreendi com Maya e Jack se pegando nos corredores, sinceramente, aquilo me deu um nojo danado.

Entrei na sala e sentei ao lado de uma garota morena de cabelos um pouco abaixo dos ombros, ela parecia bastante atenta na aula em que quase todos estavam dormindo.

— Bom dia! — Sussurrei para a garota.

Ela olhou para mim e assentiu com um sorriso breve.

Ela anotava as coisas que o professor falava, anotava em duas partes: Concordo e não concordo. Nas que ela não concordava tinha uma setinha com o motivo ao lado, talvez a sua própria teoria do que se foi dito. Confesso que nunca tinha a visto antes, talvez porque ela não fizesse questão de se destacar igual aos outros alunos.

O Sinal tocou para a segunda aula. Eu estava ansioso para o terceiro tempo, queria muito ver a Aly.

A segunda aula era da professora Jordana Foley e Jack Walker era do mesmo horário que eu e passava a maior parte do tempo batendo na mesa se distraindo da aula. O seu celular vibrou e era a foto da Maya que aparecia.

— Maya Harris? — Um cara que estava ao seu lado disse baixo, mas o não o suficiente que me impedisse de ouvir. — Essa menina é muito gostosa.

— Com certeza! — Disse o outro garoto.

— Só fico com as melhores. — Jack se gabou e soltou um sorriso largo.

— Estou atrapalhando vocês, garotos? — Repreendeu a Srta.Foley

— Você, maravilhosa desse jeito? Nunca atrapalha. — Zombou Jack, se virando para bater na mão dos outros dois.

A Srta.Foley revirou os olhos e voltou a dar sua aula.

Graças a Deus o sinal tocou para a aula de química, fui o primeiro a sair e o primeiro a chegar na sala, sentei no fundo e esperei até que Aly viesse.

Quando ela entrou na sala meu coração disparou, ela olhou para mim e sorriu, sorri de volta para ela até que o Jack chegasse e desse um abraço nela, fechei a cara, mas tentei parecer normal.

— Olá, minha princesa.

— Oi, Jack.

— Está maravilhosa.

Ela assentiu fechando os olhos lentamente e sorrio fraco.

— Deixa eu me sentar.

— Claro, claro, minha Deusa. — Ele beijou sua bochecha.

Apertei a folha do meu caderno com força, respirei fundo.

Aly sentou-se ao meu lado e beijou minha bochecha. — Oi, amor. — Sorri para que ela soubesse que estava tudo bem.

Depois da escola Aly foi para minha casa e ficamos deitados no chão do quarto ouvindo música, mas para a minha infelicidade, Maya aproveitou que mamãe chegaria tarde e chamou o Jack para ir pra lá.

Pude ouvi as risadas altas do Jack e da Maya e aquilo estava me deixando irritado demais. Sentei no chão e olhei para a Aly que me olhou preocupada e em seguida sentou-se.

— Está tudo bem? — Ela beijou meu ombro.

— Jack!

— Seu cunhado?

Olhei sério para ela. — Crystal me falou que vocês namoraram.

— Ah, amor, isso foi na infância. Quer dizer... Começou na infância, mas tem alguns anos.

— Crystal me disse que você terminaram ano passado.

— Então, é, eu já tinha terminado com ele, mas ele não aceitava isso. Nossos pais eram amigos e então ele vivia na minha casa e eu na casa dele, estudamos juntos desde sempre e no jardim de infância a mãe dele dizia que a gente ia casar e que eu era namoradinha dele e acho que acabamos levando isso para a nossa vida e começamos um namorinho que ficou sério na sétima série e ele parecia gostar mais de mim do que eu dele. Esse ano ele relaxou mais.

— Relaxou tanto que foi pro mesmo colégio que você. Namoradinha. Me poupe.

Ela riu. — Ciúmes?

Fechei a cara. — Não! — Vi seu sorriso. — Talvez.

Suas mãos deslizaram em meu rosto e seu sorriso cresceu. — Seu bobo, eu amo você. E além do mais ele está com sua irmã agora, nós dois seguimos em frente. Não sinto nada por ele, nada além de amizade e eu não sabia o que era amor até conhecer você.

— Eu sou um idiota.

— É mesmo. — Curvei minha cabeça para baixo. — Muito idiota. — Ela ergueu minha cabeça e meu deu um selinho. — Mas é o idiota que eu amo.

Levei minha mão para seu rosto, acariciei o mesmo e a beijei lentamente sendo retribuído na mesma leveza, deitei no chão e seu corpo caio sobre mim conforme o meu caia sobre o chão, a outra mão desceu para a sua cintura e em um grande desejo apertei, não muito forte, mas o suficiente para que ela sentisse o quanto eu a queria. Ela me olhou no intervalo do nosso beijo e em seu olhar eu pude ver que era eu quem ela amava e que é ela quem eu amo.