Alurion
1 Bem vindos a Alurion.
Notas iniciais
Havia agua por toda parte. Morgan não sabia o que fazer, estava desesperada. Iria morrer se não fizesse algo.
A agua ia avançando por entre os móveis, já atingia seus ombros. O fluxo estava aumentando. A menina tentou gritar, mas a agua já atingira sua boca. Invadia suas narinas, mas ela ainda, inutilmente, lutava contra a agua.
Não queria morrer, não ali, não no dia de seu aniversario. Sua mãe logo chegaria em casa, o que faria se visse sua casa transformada em um aquário e sua única filha afogada?
Morgan chegara ao seu limite. Deixou a agua tomar conta de seu corpo, começou a afundar. Perdeu a consciência antes mesmo de atingir o piso.
Acordou em uma pequena sala de paredes azuis, teto azul e piso branco. Não tinha a menor ideia de onde estava ou quanto tempo ficara apagada. Isso não a preocupava, não no momento. Apenas uma coisa a intrigava: Para onde fora toda aquela agua?!
Tentou se levantar, mas uma força invisível a empurrava de volta cada vez que repetia a ação. Quando relaxou e desistiu de tentar, uma garota, de vestido azul, materializou-se; estava sentada em cima de sua barriga. Era bem bonita. Tinha cabelos cor de mel, na altura dos ombros, grandes olhos castanhos, nariz levemente adunco e uma boca pequena e bem desenhada.
– Quem é você? – indagou Morgan indignada. – O que diabos faz em cima de mim? E como fez isso?
– Meu nome é Julieta. – Disse a garota enquanto saía de cima dela. –Estou aqui para que você não se levante. E isso é segredo.
– Julieta? Como no...
– Sim – disse interrompendo-a –, como no livro de Shakespeare. E não, não tenho um Romeu.
– Que lugar é este? – perguntou, enquanto sentava-se olhando tudo a sua volta. – e por que é tudo tão azul?
– Aqui é o templo da agua. E você faz perguntas de mais garota. Aliás, ainda não sei o seu nome...
– Morgan Burke.
– Pois bem, Srtª. Burke – disse Julieta ao levantar-se – acompanhe-me.
Morgan levantou-se e a seguiu. Passaram por diversos corredores estreitos e salas exatamente iguais a que elas estavam anteriormente. Finalmente pararam, em frente a uma gigantesca porta dupla azul-escuro.
– Espere aqui. – ordenou Julieta. – Já venho.
Ela virou-se e entrou pelas portas azuis. Deixando Morgan sozinha. A garota ficou ali parada, olhando para seus pés descalços. Passaram-se menos de 5 minutos e portas rangeram. Julieta estava de volta, e acompanhada por uma mulher de vestes azuis. Uma mulher alta, muito alta.
– Você! – disse a mulher apontando para Morgan. – Venha comigo.
A “gigante” virou em um corredor à direita. Morgan e Julieta seguiram-na, por vários outros corredores estreitos e salinhas azuis. Andaram por quase 10 minutos, o que para Morgan pareceu uma eternidade. Pararam quando chegaram em uma grande sala, que, diferente de todas as outras que estiveram antes, tinha paredes brancas. Mas não estavam sozinhas ali. Havia outras três mulheres altas, três meninos e três patronos. Como Julieta, mas eles não usavam azul. Um usava roxo, outro verde e outro vermelho.
Calmamente as “gigantes” dirigiram-se ao centro da sala. Conforme andavam, iam desmaterializando-se. Fazendo seus corpos limitarem-se a pequenas esferas de energia, que se uniam gradualmente. Foi surgindo uma quinta gigante, de vestes brancas e cabelos negros.
– Bem vindos a Alurion, a dimensão dos elementos – disse enquanto fazia uma espécie de reverencia. – aqui começa a jornada que decidirá se vocês vivem ou morrem.
Uma nuvem de fumaça invadiu a sala, uma fumaça estranha e densa. Não demorou muito para dispersar-se, mas quando o fez a mulher já havia desaparecido. Em seu lugar restava apenas uma pedrinha brilhante.
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