Alurion
2 Descoberta
Notas iniciais
Morgan olhou para Julieta, que parecia tão confusa quanto qualquer outro ali naquela sala.
–Alguém pode me explicar o que acabou de acontecer aqui? – disse um garoto alto, com pequenos olhos verdes e cabelos cacheados. – Por favor.
Todos se entreolharam, equívocos. A Pedrinha começou a afundar no solo, lentamente. O chão dissolveu-se. Eles começaram a cair. Julieta esticou-se até Morgan, enquanto caíam, agarrou sua mão e abraçou-a.
–Se for pra cair, que caiamos juntas – sussurrou a garota no ouvido de Morgan. – e se for pra morrer...
–Que morramos juntas – sussurrou Morgan completando sua fala. A garota não sabia como ou porque, mas sabia que se algo acontecesse a ela, Julieta também padeceria, e vice-versa.
Continuaram caindo. Parecia que jamais atingiriam o solo. Era uma sensação ao mesmo tempo de liberdade, leveza e pânico.
Quando finalmente chegaram ao chão, viram-se em um lugar completamente diferente do anterior, nada de salas ou corredores. Era um lugar descampado, com um extenso gramado verde escuro, irregular e esburacado, que parecia não ter fim. O céu era levemente rosado e sem uma única nuvem. Não parecia haver mais nada, nem ninguém ali, além deles.
Morgan sentou-se procurando por Julieta, que estava ao seu lado, observando-a com muito interesse.
–Quem é você? – disse Julieta, um pouco alto demais.
–Mas o que...?
–Não você, menina. Vire-se!
Uma garotinha estava parada atrás de Morgan, encarando-os. Ela não aparentava ter mais do que sete anos; tinha longos cabelos loiros, radiantes como os raios de sol pela manhã, grandes olhos de um azul turquesa estonteante e um nariz pequeno e arrebitado. Seu olhar parecia ser capaz de enxergar dentro de seus corpos, para além de suas almas, dando-os a sensação de que poderia penetrar suas mentes e saber tudo sobre eles.
–Eu sou Olivia – disse a pequena. – Bem vindos, eu esperava por vocês.
Olivia fechou os olhos, sentou-se no chão e discorreu algumas palavras, em um idioma que Morgan não conhecia, parecia um feitiço.
–Drake, Morgan, Nick, Marco... O pôr do sol os espera nas areias do norte, vocês serão colocados à prova. Os portais estão trancados. Patronos e eleitos devem se unir.
Levantou-se calmamente, abriu os olhos e, sem dizer mais nada, andou até a margem de uma das crateras no chão, abaixou-se e lentamente enfiou a mão no buraco. Ao tira-la de lá estava segurando uma pedrinha brilhante, a mesma que os fizeram cair, colocou-a na palma da mão de Morgan, que a guardou no bolso, e então, sem mais nem menos, desapareceu.
Cerca de meia hora se passou e eles continuavam em silêncio.
–Como estão todos calados, tomarei a iniciativa de fazer as devidas apresentações... Chamo-me Eric. Guardião da terra, meu dever é proteger o Marco. – disse um garoto loiro, não muito alto, com cabelos lisos que lhe caiam aos ombros. Seus olhos eram serenos e acinzentados. Usava vestes verdes; girou nos calcanhares, ficando de frente para os outros e apontou para um garoto pequeno, de cabelos ruivos e espetados. Suas bochechas eram rechonchudas e forradas de sardas.
–Agora eu! Meu nome é Julieta, protetora da água, meu dever é ajudar a Morgan – disse ela exibindo um largo sorriso, e puxando a garota de cabelos castanhos, presos em uma trança, olhos amendoados e jeans rasgado, que ficou enrubescida, para junto de si.
–Sou Pablo. Patrono do ar, meu dever é instruir o Nick – disse um garoto de olhos verdes, cabelos cor de palha que apontavam para todas as direções, as orelhas bem salientes e usava vestes roxas; enquanto punha a mão nas costas de um garoto com traços orientais, cabelo raspado e piercings na sobrancelha.
–Simon, mestre do fogo e protetor do Drake – disse um rapaz de rosto fino, cabelos lisos e olhos azuis, que usava vermelho; enquanto apoiava sua mão no ombro de um garoto alto, com pequenos olhos verdes e cabelos cacheados.
O clima entre eles ficara um pouco menos denso, mas ainda não estavam confortáveis uns com os outros.
–Areias do norte... – resmungou Eric, consigo mesmo.
Permaneceu, por cerca de 10 minutos, andando de um lado ao outro, em grandes passadas e olhando para o céu cada vez que completava uma volta, parecia aflito. Até que, sem mais nem menos, pôs-se a correr em direção ao horizonte.
–Sigam-me! – gritou, sem parar de correr.
Todos o obedeceram sem questionar, Morgan hesitou por um momento, mas logo partiu atrás dos outros; era difícil se locomover ali, o terreno era muito instável e esburacado, ela tropeçava o tempo todo, nunca fora muito adepta a corridas. Aquela pedrinha balançando em seu bolso a estava deixando irritada e ela nem ao menos sabia o porquê de estar com aquilo.
Eric enfim parou. Quando os outros o alcançaram estavam todos ofegantes e cansados, encontravam-se em uma praia de areias brancas como a neve. A água do mar era de um verde tão claro e luminoso que parecia falso e deixava a entrever, logo abaixo da superfície, o contorno das algas que subiam do fundo que em contraste com aquele céu cor-de-rosa, deslumbrava-os de tal maneira, que chegavam a ficar hipnotizados. Na beira do mar havia um bloco de mármore, cheio de runas, que emanavam uma luz alaranjada. Havia um orifício bem ao centro. Morgan olhava nervosa para o bloco, sabia exatamente o que cabia naquele furo.
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