Altos e Baixos

10 Capítulo 9


A mãe de Katie, Sra. Paloma, fora quem abriu a porta para Dolly. Katie estava no quarto, jogada na cama, e nem ligara para o namorado desde que chegara lá, na manhã de ontem. Ela não tivera cabeça para falar com ele, nem com ninguém. Permanecera em silêncio no quarto, ouvindo música, ou vendo televisão, apenas em silêncio. Não conseguira tirar da cabeça as grosserias de Dolly, seu jeito seguro, e a idéia de um provável final permanente lhe atormentava.


Hoje, de cabeça um pouco mais fria, apenas mandara uma mensagem a Pitt respondendo as tentativas de aproximação dele, mentindo que estava na casa de Dolly com as amigas antigas, como se isso fosse uma explicação para a falta de atenção. E ele parecera compreender, pois não a incomodara mais.


A porta abriu por trás de si, e tudo que ela pôde dizer, sem nem encarar a porta, fora:


– Mãe, eu não quero nada.


– Katie? — Dissera, chamando a atenção da garota, que olhara para trás imediatamente, abrindo um grande sorriso, e correndo para abraçá-la.


Dolly fechara a porta do quarto, enquanto abria os braços para receber a amiga.


Instantes depois, as duas sentaram na cama, como sempre fizeram, e começaram a conversar:


– Então, como foi seu encontro?


– Katie, por favor... - pediu, levemente aborrecida.


– Que? — Não pôde evitar sorrir, estava muito feliz por pensar que o afastamento não havia durado tanto tempo, e que estar com Anne provavelmente só teria deixado Dolly com mais saudades da melhor amiga. Sorrira, satisfeita, em expressão de triunfo. - Só quero saber porque voltei a te ver tão cedo... Ontem você me deu a impressão de...

– É, eu sei. Eu estou muito confusa, Kat. E vou ser sincera com você, se estou aqui agora é por causa de Anne.

– O que? Por que? — Ficara séria de repente, desnorteada com o que acabara de ouvir.

– Ela me fez perceber que os planos que eu estava fazendo com ela, era apenas uma maneira de fugir da minha realidade instável com você. Por causa de Pitt, e os medos... os meus de te perder... e os seus de assumir o que você sente...

– Eu já assumi o que eu...

– Para você? Kat, as pessoas mais importantes nessa história, são eu, você e Pitt...

– E agora a Anne. — Não pôde evitar acrescentar o nome dela, de maneira sarcástica, agora até divertindo-se com a situação.

– Não, ela não quis entrar nessa história. Por que ela não quer ser um Pitt para mim... Como ele é pra você... uma fuga para você tentar escapar de seus sentimentos por mim.


– Pitt não é só isso para mim! - reagiu, irritada


– Então o que ele é? Por favor, diga, por que isso é tudo que eu preciso saber!


De fato, por ciúmes de Anne, Katie nem conseguira refletir ao certo sobre o que a amiga estava lhe dizendo. Apenas sentira-se na necessidade de negar o que a rival havia dito, mesmo que essa rival fosse sua amiga. Agora sentira ainda mais ciúmes de Anne, por saber que ela tinha tido uma atitude tão "nobre" em rejeitar Dolly, e a trazer de volta para ela.


Percebera que Anne conseguia manipular, estimular e incentivar reações de Dolly, com facilidade, e isso a deixara numa sensação de perigo iminente, por estar enfrentando uma rival muito mais forte. Realmente, Katie não via a hora de Anne voltar para a sua cidade. A sua presença constante na casa de Dolly, não seria uma coisa fácil de aceitar e lidar.


– O que ele é? Diga-me.


Katie voltara a si, retornando à pergunta de Dolly, que ficara sem resposta. Após pensar um pouco, isso foi tudo que ela pôde dizer:


– Pitt é meu amigo!


Obviamente, Dolly não ficara satisfeita pela resposta da outra, mas decidira deixar de lado, voltando o assunto para si mesma.


– Eu não sei se serei capaz de aceitar isso de... você e Pitt... e ao mesmo tempo, ficar com você... como se nada tivesse acontecendo.


– Eu só preciso de um tempo.


– Sim, mas você precisa de um tempo à sós. Tanto de mim, quanto dele. Não é certo o que você está fazendo, Katie. Você está traindo o seu "amigo", já se deu conta disso? Se algum dia ele souber, você acha que ele vai ser capaz de perdoar você?


– Mas ele nunca saberá!


– Como assim?


– Dolly, como assim digo eu! Você acha que mesmo se eu escolhesse ficar com você, eu começaria a me assumir para todos em minha volta?


Dolly se aborrecera.


– Então é isso que eu serei para você? Um amor escondido?


– Você não pode estar falando sério!


– Você que não pode! - disse levantando-se da cama, irritada, e dando alguns passos em direção à porta do quarto.


– Não, de novo não, Dol. — Katie levantou-se num impulso, foi até Dolly, parou de frente à ela e segurou sua mão - Não vamos brigar de novo, por favor... isso me mata sabia? Eu quero muito ficar de bem com você. - continuou, tocando no rosto da amiga, desviando o cabelo dela do rosto.


Face a face, Dolly sentira sua respiração ficar pesada, e agarrou Katie em um beijo, e elas foram dando passos para trás, até as duas se encostarem contra à parede do quarto.