Alone in the Crowd
3 Libertação
Notas iniciais
[...]
Tudo ficou silencioso, como a madrugada de uma pequena vila. Cessara todo o barulho da arena: gritos, vaias, tudo havia se calado, diante do cadáver e do jovem vencedor. A plateia real, ao verem o que criaram, ao mesmo tempo que impressionados, cobiçavam cada vez mais escravizar Katsuo. Tudo isso poderia ser visto só de olhar nos olhos de alguma delas.
Ofegante, Katsuo cai de joelhos, ao ver o que causou. Um grande remorso o atingiu em instantes. As asas sumiram, os chifres e tudo mais: tudo nele por um momento estava completamente humano, tanto por dentro como por fora. Os pensamentos ruins o assolavam freneticamente, como se cada um fosse daquelas bolinhas que pulam, e sua cabeça fosse uma pequena caixa. Tudo girava em sua mente, e então, caiu a chorar por arrependimento, enquanto era arrastado de volta para sua jaula
No meio daquele tornado de emoções, que começou quando lembrou que o homem tinha família, lembrava se com cada vez mais detalhes do único ataque que matou ambos seus país no meio da guerra: um homem alto e esbelto, de cabelos loiros e armadura dourada como seus cabelos (provavelmente o líder do batalhão) carregando uma espada triangular maior que ele, ateou uma onde azul de magias que decepou os dois dragões. Então, lembrou-se como era horrível perder o pai ou a mãe
Não comeu nem bebeu nada por três dias, apenas ficou encolhido, com o rosto entre os joelhos, afundado em suas próprias lágrimas. Nada o conseguia tirar de lá, nem mesmo o exército, para ele treinar.
– Eu deveria ter deixado ele me matar... Eu não tenho família mais... Meus amigos não sentiriam minha falta, até porque nesses dezoito meses, nenhum deles veio me buscar... Nem mesmo a Luna... – Pensava o garoto, considerando suicidar-se.
Ao longo de um mês, ele foi voltando a comer e beber regularmente, mas permanecia cabisbaixo e sem treinar, diferente do que os guardas queriam. Então, o exército entregou os pontos: resolveu liberta-lo sob vigilância integral. Ele estava “livre”, mas era observado 90% do tempo.
Isso permaneceu por cerca de seis meses. Nesse ponto, já não era mais vigiado, apesar de todo o reino roçar os dentes de raiva por ele ser uma falha experiência, que desandou por uma mera luta.
TIME BREAK
Finalmente, ele pode visitar o vale e rever todos os seus amigos, principalmente Luna, no qual tinha sentido uma grande falta. Após sair das muralhas da cidade, abriu suas asas, e começou a voa em alta velocidade em direção às montanhas. Era um caminho um pouco longo, cerca de uma hora voando em alta velocidade.
Planava em uma altitude muito baixa, adentrando em densas florestas e desviando de árvores com uma velocidade incrível. Girava, recolhia e abria suas asas, virava, subia e descia: uma graciosa dança que passava dentre os lindos ipês de diversas cores. Katsuo já com um sorriso esboçado no rosto, subia e descia daquele mar de folhas, como um golfinho faz no mar quando está em alta velocidade. Alguns pássaros eram espantados, folhas recobriam parte de suas asas e sua roupa estava molhada pelo orvalho daquele nascer do sol.
Já havia passado da metade do caminho, e o bosque já tinha acabado, Katsuo estava sobrevoando planícies, totalmente ao ar livre. Mas, tudo tem um fim: o reino provavelmente observou a saída do jovem da cidade, o que estava proibido no contrato de liberdade condicional. Então, o seguiram a cavalo, sem que ele percebesse, para saber se ele realmente visitaria Arkhsend. Quando já se aproximavam das montanhas, os cavaleiros começaram uma chuva de flechas contra o dragão, que estava metade na forma humana.
Quase todas foram desviadas, algumas pegaram de raspão, apenas causando um superficial corte na pele.
– Karyuu no Yokugeki! (Bater de asas do dragão de fogo) gritou Katsuo, enquanto suas asas se envolviam de uma chama azul, que se dispersou em uma onda de chamas em direção aos cavaleiros com uma grande batida de asas.
O fogo atingiu os perseguidores, que desistiram de segui-lo. Quando percebeu, já estava no pé da montanha. Voou para cima, perto do paredão rochoso, seguindo suas curvas e relevos.
Toda a expectativa de todos felizes e o esperando de braços abertos foi quebrada com um olhar: um homem familiar, de armadura dourada fazia uma chacina. Faunos, dríades, náiades e fadas eram mortas em sequência. O ódio cobriu Katsuo instantaneamente. Voou numa velocidade que foi quase instantâneo o soco que quebrou o peitoral reluzente reluzente do cavaleiro. Já não se importava mais se ele tinha família ou não, que nem o outro homem. A magia e a adrenalina corriam em suas veias novamente, só que agora era maior, já que estava no ar mágico do vale. Mayson, o cavaleiro arcano, quase caiu com o soco, mas se estabilizou rapidamente. Menos de um segundo depois, deu um golpe com sua enorme espada em direção ao Katsuo. Era um golpe tão forte, que o ar tremeu e se criaram pequenos ventos. Porém, foi interrompido com as mãos já transformadas em garras de Katsuo, como se fosse o soco de uma criança.
Mayson recuou, e logo em seguida, lançou uma onde de água ácida para frente (ele era um arcano de água), mas foi evaporada com uma bufada de chamas azuis, que acertou de raspão o cavaleiro. O rastro de destruição se criou em poucos segundos: restos de um peitoral dourado, grama derretida e queimada, com uma rocha parcialmente derretida ao fundo.
– Você... – começou Katsuo – Por que? Por que você... Por que você mata todo mundo... Tudo que é importante para mim... Tudo que eu amo... Meus pais, meus protegidos... Por que?
– Por diversão e prazer. Eu faço isso pra prevenir que seres inferiores como você, não cause algum tipo de catástrofe, como a guerra. Sem concorrência e inimigos, maior é o nosso poder. – Respondeu ele
– Insignificantes? Até onde eu sei não foram os dragões, nem as fadas, nem os faunos que começaram a matar todos espontaneamente e sem escrúpulos. – Argumentou o dragão
– Como eu já disse, é divertido ver as faces apavoradas desses seres frágeis como vidro. Me dá praz– Mayson foi interrompido com um soco flamejante que o ateou há uns seis metros de altura.
A expressão do mago de chamas ficou profundamente séria. Seus olhos semicerrados, cheios de ódio, pareciam sem alma. A força se tornara sobrenatural: cada soco que ele dava no homem lhe arrancava um bocado de sangue. Provavelmente já havia destruído um ou dois órgãos internos do dourado. O “coitado” mal conseguia revidar, e, quando conseguia, era completamente inútil.
Assim ficou por cerca de um minuto, com Mayson quase morto. Até que, de repente, em meio às fadas, surge uma linda fada borboleta de asas azuis e cabelo loiro: Luna
– K-K-Katsuo? É você mesmo aí dentro? – disse , gaguejando
– Luna? – ele respondeu, arregalado os olhos e voltando à sua forma humana. — Você ainda esta viva? Que... Saudades... – Então correu e abraçou a fada, que não era tão pequena (cerca de um metro e meio)
– Por que você fez isso? O Katsuo que eu conheço não faria isso... Ele nem sequer ousaria atacar um humano... Esse não é o Katsuo... Que eu me apaixonei... – disse a garota j
Acho que eu nem preciso dizer que eles se beijaram depois, né? Foi bem romântico, foi um daqueles momentos que quebram o clima tenso do momento.
Mayson estava caído no chão na hora, já desmaiado. Katsuo o levou até a ponta do castelo são, pendurando-o no topo da torre mais alta do castelo real. A partir daí ele viveu lá pelo resto dos seus dias, que eram muitos, por acaso. Era mais agradável a forma humana, mais aconchegante e mais bonita também.
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