Alone in the Crowd
4 Spin-Off - Luna e Katsuo
Notas iniciais
POV’S LUNA
Bate uma saudade quando lembro daquela linda tarde de primavera. A grama estava mais verde do que nunca, uma canção tão bela dos pássaros que pareciam penetrar nossas mentes e nos colocando em transe. E, quando achava que o dia não poderia estar mais perfeito, encontro ele, deitado na relva debaixo de uma árvore. Katsuo, de olhos fechados, com os ouvidos atentos à natureza do momento.
Ia tentar dar um susto nele, até voei um pouco para que ele não ouvisse. Mas, de nada adiantou, esqueci que suas orelhas de dragão escutavam até seus batimentos cardíacos.
– Oi Luna, tudo bem? – disse ele se despreguiçando – Deite aqui também. Vamos ouvir os pássaros cantando.
Para mim, deitar era quase como fazer uma cirurgia. Minhas asas são bastante finas e delicadas, então, tenho que agachar-me lentamente. Acreditem, valia a pena.
Fechei os olhos, e ouvi junto à ele, o som da natureza: águas da cascata caíam, faunos faziam uma música bem bonita enquanto dançavam em um grande círculo. As pixies batiam suas finas asas, fazendo um som agudo, mas que ficava em harmonia.
Tudo foi interrompido, quando um forte vento bateu em meu rosto. Imediatamente abri os olhos: era Katsuo, que bateu as asas para voar, entanto me levava junto à ele. Não era a mesma coisa quer voar por si só. Os músculos de suas asas eram bem fortes, ele voava bem mais alto e mais rápido. Era uma experiência muito boa, mas não era a primeira vez que ele fez isso.
Quando ele começou a ir mais rápido, ele me abraçou, para garantir que não ia cair. Por acaso, eu corei naquele momento. Antes eu estava segurando a mão dele apenas. Minhas asas conseguiam me estabilizar no ar.
Já que meu rosto estava em seu ombros eu só via o céu naquele momento. Então, ele, não sei como, começou a planar de ao contrário. Sim, as asas estavam para baixo, e ele se mantinha no ar. Era realmente impressionante, tanto o fato de ele conseguir fazer aquilo, tanto como a vista dos bosques lá em baixo, pequenininhos como um passarinho.
Estávamos bem alto, há uns cem metros de altura. Quando, do nada, entramos em queda livre: ele recolhe suas asas, e começa a olhar nos meus olhos enquanto abre um lindo sorriso
– Gostou até agora? Se sim, daqui pra frente só melhora! – disse ele, seguido de uma risada.
A cada momento a adrenalina aumentava, enquanto ficávamos cada vez mais próximos do chão. Quando faltavam apenas três metros para darmos de cara na grama, suas enormes asas se abriram, o impulsionando para frente, e adentrando no nos galhos de um colossal baobá.
Nos deitamos juntos em cima de um enorme galho, maior que uma cama de casal. Pela primeira vez, minhas asas sumiram (algumas fadas conseguem fazer que elas desapareçam temporariamente).
– Às vezes, eu sinto falta de alguém importante na minha vida... – começou ele, com uma voz doce e preguiçosa – Alguém que eu precise o tempo todo... Tipo... Tipo meus pais. Alguém que eu não consiga viver sem ela por muito tempo...
– Às vezes também tenho essa sensação... – respondi
– Espera... Parando pra pensar, eu acho que já achei esse alguém...
– Q-Q-Quem? – gaguejei.
– Você ainda não percebeu?
– N-não... – quase certeza que corei nesta parte
– Bobinha... – em seguida, ele ficou por cima de mim, com suas asas fazendo uma espécime de casulo com nós dois dentro — É você!
Antes que eu pudesse responder – que por acaso, seria algo semelhante – ele me beijou. Tomei um pequeno susto quando ele se aproximou, mas, em seguida, também entrei na dança. É difícil descrever, não se se era um baile com nossas línguas, ou uma briga entre elas.
Ficamos assim por quase um minuto, até eu ficar sem fôlego. Porém, repetimos isso várias vezes.
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