...Enquanto eu andava desesperado pelas sombras da noite e a nevoa de uma noite fria e assustadora, eis que aparece do nada a menina de novo, ela parecia um pouco triste, estava com um olhar de vingança, mesmo assim sombria. Quieta. Com a cabeça baixa. Aproximei-me dela e perguntei de novo:


-Érr, o que aconteceu com você? E você mencionou algo sobre os seus pais. Conte-me!


A menina respirou fundo e contou com uma entonação de ódio.


- A história... Essa história começa com meus pais. Eu estava no meu quarto, dormindo. Derrepente eu ouvi gritos. Gritos de terror. — e na mesma hora que ela dizia isso, alguém gritou de algum lugar distante. — Eu fui para o quarto de meus pais, e lá estavam eles. Manchas de sangue escorriam de seus corpos e encobriam toda a cama, aonde eles estavam deitados. Meus pais... Eles morreram. Eu irei me vingar.


Fiquei surpreendido, pois era o mesmo o que tinha acontecido com meus pais.
Derrepente saiu uma lagrima dos olhos da menina, lagrima de desespero, dor, tristeza... Tudo o que há de ruim para uma pessoa sentir. Acompanhei o sentimento dela e disse com a voz a um triz a chorar:


-Pois , aconteceu o mesmo comigo!


Reparei rapidamente, será que nós estamos em busca da mesma pessoa para se vingar?


-Vou me vingar pouco a pouco... — falou ela ainda com a cabeça baixa e sombria. — Mas sei que vou vingar meus pais.


Uma trovoada cortou o céu e rapidamente ela desapareceu e naquela noite fria, cheia de sereno e nevoa deixou um rastro da voz daquela menina se desfazendo com a frase "Irei vingar meus pais..." que ia desaparecendo aos poucos. Eu estava ali, chocado com o que havia acontecido. Aquela menina... Quem era aquela menina? Comecei a andar por aí, sem rumo. Novamente, eu não tinha ninguém para abraçar, para aliviar a minha dor. Eu me sentia muito triste... Uma lagrima saiu do meu olho e começou a chover. Estava ali, no meio da chuva. As nuvens haviam coberto a Lua cheia, que refletia no lago.

Estava com fome e com frio. Continuava perambulando por aí, quando esbarrei em um homem. Eu estava de cabeça baixa, por isso só consegui ver seus pés escuros e assim que levantei a cabeça, seu corpo era como uma sombra. A escuridão dominava aquela noite. Quando um raio iluminou tudo, e pude ver que o "homem" não era vivo, e sim um manequim. Eu dei um pulo de susto, já que eu pensei que era um homem de verdade. Eu comecei a analizar ele, e em seus pés, havia uma bonequinha... Atraz dela, estava escrito... Kelley.


Continua....