Eu comecei a analisar o manequim, e em seus pés, havia uma bonequinha... Atras dela, estava escrito... Kelley. Peguei a bonequinha em minha mão e vi que sua perna de pano estava rasgada e um de seus olhos pretos de botão, não estava ali. Não sei o que houve com aquela bonequinha, mas tinha a terrível sensação de que aquela boneca medonha era daquela... Menina misteriosa, que poderia ter o nome Kelley. Comecei a andar novamente procurando Kelley, quando olhei para cima. Ela estava na sacada do segundo andar de um prédio de quatro andares abandonado. Ele estava totalmente destruído e velho, com risco de cair. Eu chamei ela dali de baixo, mas ela não me deu atenção. Seus cabelos roxos balançavam com o vento forte da chuva, junto de seu vestido. Resolvi subir até lá para alertar ela sobre o prédio.


-Ei, menina! — chamei ela. — Esse prédio está bem velho, é melhor você descer.


-Eu corro riscos. Nada importa mais. Não tenho família nem familiares... Estão todos mortos. — ela respondeu calmamente com sua voz suave, porém parecia triste.


-Todos os seus familiares... Mortos?!


-Parece que é uma espécie de praga. E ela está em minha família. — enquanto ela falava, pela primeira vez, ela se virou, veio até mim e me olhou nos olhos. -Pode ter pegado em você também... Talvez. Talvez...


Silencio por algum tempo. Será que a "praga" teria atingido a mim e a minha família?


-P-Praga? — perguntei. -I-Isso é uma brincadeira?!


Como sempre, ela demora para responder.


-É melhor você se afastar de mim, Drake.


-Eu tenho uma dúvida... Seu nome... É Kelley?


Ela olhou para o chão e se virou.


-Talvez.


A menina que poderia se chamar Kelley, entrou novamente na sacada e as cortinas rasgadas quase foram levadas pelo vento forte que soprou do nada, cobrindo a menina. Quando o vento parou, ela não estava mais ali. Comecei com o desespero. Ela podia ter caído dali!


-KELLEY! — gritei.


Fui até a sacada e olhei para baixo. Tudo o que vi era a calçada e os pingos de chuva caindo. Respirei fundo e me apoiei na barra de segurança da sacada... Então, ouvi algo. Mas eu não sabia o que era exatamente. Parecia algo... Rachando?! Olhei para traz e vi a parede toda rachada e a rachadura ia se espalhando pelo prédio inteiro. E percebi que... O prédio ia cair! A bonequinha que eu segurava, não estava mais em minhas mãos quando percebi, estava pendurada pela mão e quase caindo da sacada. Comecei a me desesperar.


-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!