Almost family
6 Life goes on...
Notas iniciais
– Clara? – Marina chamou do quarto.
– Já estou indo. – Respondi, eu estava apoiada contra a pia enquanto me encarava no espelho. Eu balancei a cabeça expulsando todos aqueles pensamentos.
Voltei para o quarto e me sentei na beirada da cama, Marina chegou um pouco mais para o lado e levantou o edredom para que eu entrasse, eu deitei de lado de costas para ela, ela nos cobriu e me abraçou. Eu sentia todo o corpo dela junto ao meu, todo mesmo. Ela deu um beijo demorado em meus cabelos e os afastou um pouco, apoiou seu rosto contra mim e relaxou o corpo. Em poucos minutos ela estava respirando uniformemente e eu supus que já estava dormindo. Eu demorei mais um pouco, lembrei do meu dia, de tudo o que aconteceu tão de repente, pensei na minha irmã e do que seria de nós nessa casa enorme sem nossos pais. E se tentassem tirar a Sophia da gente? Eu me senti nauseada com o pensamento e tentei deixar isso tudo de lado, só então eu adormeci.
Acordei da mesma forma que dormi, de lado mas quando virei Marina não estava. Depois de trocar de roupa e larvar o rosto, fui até o quarto da Sophia e Marina estava lá com ela já arrumada e ele estava a alimentando.
– Por que você colocou essa roupa nela? – Eu franzi o cenho enquanto me aproximava. Ela estava com um vestido lilás que só seria usado em uma festa.
– O advogado vem hoje e um oficial de justiça também. Ele precisa ver que sabemos cuidar dela. — Ela deu um beijo nas pequenas mãos da bebê que estavam pegando em seu rosto enquanto mamava.
– Ai meu Deus! Esse vestido não fica bem pra usar de dia Marina. – Eu fui até o armário dela e peguei uma blusa vermelha e short. – Esse é melhor. – Eu mostrei a ela.
Ela balançou a cabeça. – Não, é muito simples.
Eu bufei e desisti. Aproximei-me da bebê e dei-lhe um beijo na testa e ela colocou as mãozinhas no meu rosto. Eu fiz-lhe um carinho e depois olhei para a Marina que estava me olhando e esperando o mesmo. Eu ri pra ela e fui em direção a porta rindo.
– E eu? Nem um beijo no seu meia-irmã. – Ela ria enquanto falava. – Ta vendo Sophia, que sorte você tem.
Eu ri e olhei pra trás, mas não voltei.
Rosa estava na cozinha e assim que eu lhe dei “bom dia” ela largou tudo o que estava fazendo e veio me abraçar. Rosa sempre fora muito atenciosa e gostava de verdade da minha mãe após tanto tempo conosco.
– Minha querida, você pode me chamar sempre que quiser. Eu posso me mudar e ficar aqui por um tempo, você sabe, até tudo estar em ordem. – Ela limpou algumas lágrimas com as mãos. – Você deve ter muita coisa em sua cabeça agora. Ah, eu sinto tanto. – Ela apertou minhas mãos.
– Está sendo muito difícil Rosa, — Eu respirei fundo, — mas a filha do Ricardo irá ficar por aqui, nós vamos lidar com essa situação juntas. – Eu sorri carinhosamente para acalmá-la.
– Ela está ai? – Ela pareceu surpresa. – Ainda bem que não entrei no quarto para tirar a poeira, não sabia que a moça estaria dormindo.
Eu não disse nada, apenas assenti. Eu não saberia explicar o por que dela não ter dormido em sua cama.
Depois de conversar com Rosa eu liguei para meus avós que ficaram bem mais tranquilos ao saber que estávamos bem e que a Sophia estava reagindo normalmente até o momento. Só foi o tempo de colocar o telefone na base e a campainha tocou. Eu subi depressa para chamar a Marina, mas encontrei-a já a caminho no corredor. Nós descemos devagar e a Rosa já havia direcionado o nosso advogado e o oficial de justiça até a sala de jantar. Fomos totalmente pegas de surpresa quando nos deparamos com mais uma pessoa com eles, uma assistente social. Ela estava bem séria e nos olhava com curiosidade, mas acho que isso fazia parte do trabalho dela. Nós sentamos lado a lado de frente para eles. Depois dos cumprimentos formais, o advogado começou.
– Eu estou indo a partir do conhecimento que eu acredito que ambas tenham sobre o testamento. – Ele estava folheando seus papéis.
– Mas nós não temos, — eu expliquei. – Minha mãe iria sentar conosco para nos falar mas isso não aconteceu.
Ele parou o que estava fazendo e nos olhou. Seu olhar vagou por nós três e depois prosseguiu e depois para o oficial de justiça, que com um aceno de cabeça o deu permissão para continuar.
– Bom, — ele nos passou uma folha e eu tive que rapidamente tirar da frente da Sophia que tentou amassar. Marina riu ao invés de segurá-la. Ele prosseguiu. – Tudo o que interessa agora é o tópico referente "caso de falecimento". A casa, os outros patrimônios, a empresa do Ricardo e o bebê. – Ele olhou para ela e sorriu. Ninguém conseguia olhar para ela e não sorrir.
Eu não conseguia acreditar no assunto tratado, não conseguia empurrar de lado a tristeza para poder prestar atenção. Meus pensamentos sempre estavam divididos entre o presente e em nossos pais.
– A casa, — o advogado começou a explicar. – terá a hipoteca de um ano quitada pelo estado, vocês precisam se comprometer apenas com as contas. As empresas, sendo elas a sede e as filiais estão sob a presidência do seu tio, Marina, uma vez que você não demonstrou interesse em continuar o legado do seu pai e os outros patrimônios, sendo eles os apartamentos de sua mãe, — ele olhou para mim, e os do seu pai. – Ele apontou com a caneta para a Marina. – Eles estão em nome das três filhas. Contudo, o apartamento na Barra da Tijuca da Sra. Fernandes e o de Londres, que era da Marina juntamente com a mãe, estes só poderão ser vendidos quando a Srta. Sophia atingir a maior idade. Vocês possuem liberdade para fazer o que quiserem com os outros patrimônios desde que concordem com a decisão e pensando que isto beneficiará as três. Vocês podem assinar e responder por ela em qualquer situação até que ela atinja a maior idade por que perante a lei vocês possuem sua guarda imediata em caso de falência de ambos os pais.
Eu não sabia que estava prendendo a respiração, mas com essas últimas palavras eu soltei um suspiro de alívio e fui pega de surpresa quando a Marina que estava sorrindo também segurou a minha mão e apertou enquanto distraía a Sophia sentada em sua perna.
– Vocês querem perguntar algo? – O advogado disse.
Nós balançamos a cabeça ao mesmo tempo de forma negativa.
– Só precisa ficar claro, que vocês não podem pegar a criança uma da outra e decidir criar sozinha. Está bem claro no testamento que a criança está na responsabilidade das duas. Se acontecer alguma coisa, se vocês se desentenderem ou simplesmente decidir morar em casas, estado ou país diferente, o que seria normal tendo em vista as circunstâncias, a decisão da guarda passará para o juiz. Quaisquer dúvidas não hesitem em me ligar. — Ele disse formalmente.
Nós não estávamos sorrindo mais, isso foi totalmente inesperado e acho que para Marina também. Não, de jeito nenhum eu deixaria ela me separar da minha irmã e acho que ela não o faria. Nós nos despedimos do advogado, do oficial de justiça e da assistente social, que só estavam para fiscalizar a reunião. Fomos para a sala e sentamos no sofá, eu me deitei e coloquei a cabeça em sua perna. Depois de respirar fundo, nós rimos.
– Dá pra acreditar no que eles fizeram? – Marina balançou a cabeça como se não estivesse acreditando.
– Eles não fizeram de propósito, ninguém faz pensando que vai morrer, só por precaução mesmo. – Eu disse distraidamente.
– Estamos presas uma a outra por 18 anos no mínimo – Ela riu e colocou a Sophia na minha barriga.
Eu puxei meus joelhos e ela encostou neles. Eu segurei em seus bracinhos e ela ficou rindo enquanto nos olhava.
– Ela realmente lembra você quando era bebê – eu disse. – Sua mãe enviou umas fotos para o meu e-mail. – Eu ri.
– Desde o dia que nasceu... Idêntica. – Ela riu e penteou com os dedos os meus cabelos para trás. – Ela tem um pouco de você... os olhinhos, por exemplo. Parecem os mesmos, só que menores.
Ela ficou olhando para mim e para nossa irmã como se estivesse comparando. Eu ri, mas a Sophia se cansou da nossa conversa e se forçou para deitar, eu soltei suas mãos e ela apoiou a cabeça em meu peito, eu pousei minha mão em suas costas tão pequenininhas e fiquei acariciando-a.
– Já te acha uma chata. – Eu disse tentando parecer séria.
– Tenho certeza que ela só está enjoada de ouvir que ela é linda como a irmã. – Ela sorriu sedutoramente e aproximou seu rosto do meu.
Eu ri e virei meu rosto. Ela deu uma risada e trouxe de volta até ela.
– Você não precisa me segurar – eu disse, rendida.
Ela soltou meu rosto e me beijou nos lábios. Todas as brincadeiras foram esquecidas conforme se tornava mais intenso. Eu não podia me mover mas isso não impedia dela fazer o que bem entendesse com a sua língua. Eu suspirei baixo e ri em seguida, desviando minha boca.
– Ah, Clara.. – Ela disse balançando a cabeça, depois sorrindo.
Eu ri. Sophia estava dormindo e eu gentilmente levantei e coloquei-a no cercadinho. Voltei e sentei ao lado dela. Nós começamos tudo de novo, dessa vez, podendo nos mover ela pressionou seu corpo contra o meu e eu cai deitada contra as almofadas do sofá. Ela veio por cima de mim e sem parar de beijar deslizou sua mão pela minha coxa, ela passou os dedos e apertou um pouco, meu corpo todo ficava quente com o contato tão íntimo e gritava por mais. Eu poderia dizer que o dela também e era bem claro o quanto nos queríamos. Nós ficamos ali até que estávamos ofegantes e desarrumadas. Eu não conseguia tirar os olhos da sua boca vermelha de tanto me beijar e eu ri com a imagem. Dei um beijo em seu rosto e comecei a levantar.
– Você pode me deixar nos meus avós? – Ela havia dito que iria à empresa hoje para deixar alguns documentos de importância e depois ela ficaria todo o resto da semana em casa.
– Sem problemas, não é caminho, mas o que eu não faço pela minha meia-irmã? – Ela sorriu e segurou meu rosto dando um beijo carinhoso nos meus lábios. Eu a mordi em seguida e levantei rápido.
Ela ficou rindo e eu fui pegar as coisas da Sophia para sair.
***
Os dias se passaram eventualmente e a Marina já iria voltar a trabalhar no estúdio que estava montando com a Vanessa. Faltava menos ainda para o Natal e não sabíamos se meus avós viriam ou nós que iríamos para lá. Íamos adiando tudo o que dava para nos concentrar apenas na Sophia. Marina não desgrudava da irmã nem por um segundo e era ainda pior do que eu. Na noite anterior, ela reclamou a noite toda por uma pequena inflamação na garganta e febre. Ela passou a noite acordada com ela. Acabaram dormindo o dia todo e eu fiquei maior parte dele com a Juliana, por ser domingo.
– Como estão as coisas? – Ela perguntou.
– Estamos levando sabe, a Sophia está muito acostumada a nós duas, até a ela por causa das conversas por webcam. É como se não tivesse ido por meses.
Juliana riu e refletiu por um momento. – Ela se parecem muito, agora que está crescendo, nossa. Eu não havia notado antes.
Eu ri concordando.
– E vocês? – Ela me cutucou com o cotovelo e me deu aqueleolhar – Já....?
– Não!!! – respirei fundo fingindo estar incomodada com a pergunta. — Não.
– Vocês são estranhas.
Nós rimos mas eu não falei nada.
Juliana ajudou a arrumar meu guarda-roupa e até descobriu que tinham coisas dela no meio. Eu fiquei tão distraída que já havia anoitecido quando a Marina entrou com a Sophia no colo e sentou em minha cama, ela colocou a bebê lá para engatinhar, ou tentar, enquanto conversávamos.
– Oi Marina, estava aqui falando com a Clara que ela ficaria linda se usasse esse vestido. Você não concorda? – Juliana segurava um vestido preto e curto que ganhei quando eu tinha 17 anos, que por algum motivo estava perdido dentro do meu armário.
– Juliana. – Eu puxei das mãos dela e joguei de volta no armário.
Marina estava rindo. – Do pouco que eu vi, posso dizer que não deve ficar muito bom nela. Ela cresceu... – ela olhou para mim e depois para Juliana rindo. – Sabe o que eu digo? – Ela gesticulou se referindo aos meus seios.
Juliana imediatamente entendeu e caiu na risada. Eu balancei a cabeça.
– Eu nem sequer usei aquela roupa.
Havíamos terminado de arrumar tudo e algumas roupas estavam separadas para doar, outras a Juliana pegou junto com as dela que estavam comigo e depois nós descemos.
– Você não quer jantar? Podemos pedir alguma coisa, chinesa? Pizza? Fica, Juliana. – Eu insistia.
– Desculpa, Clara. Tenho que trabalhar amanhã de manhã e ainda preciso terminar um projeto para entregar. Mas eu adorei tudo, foi muito bom rever vocês. Era tão bom quando estudávamos. – Ela se entristeceu por um segundo, mas logo voltou a sorrir.
Nós a levamos até a porta. Marina pegou a Sophia que estava no colo da minha amiga e nós nos despedimos, já passava das 21 horas quando ela se foi.
– Nós vemos pedir pizza, não é? – Marina perguntou enquanto ligava a tv.
Eu sorri e peguei o telefone para pedir. Fui em seguida preparar as mamadeiras da Sophia que ela tomava antes de dormir e de madrugada. A pizza chegou bem quando havia terminado de preparar a última.
Nós comemos sentadas no sofá, com as mãos mesmo enquanto a Sophia brincava com coisas barulhentas em seu cercadinho. Nós rimos e conversamos enquanto comíamos assistindo a um filme dos anos 80.
Mesmo após terminar de comer, ficamos deitadas no sofá olhando para a tv mas não estávamos mais assistindo, mesmo que estivéssemos olhando para ela.
– Nós poderíamos mudar para o apartamento da Barra, o que você acha? – Eu disse enquanto ela estava acariciando meus cabelos. Marina estava sentada e eu apoiada em seu corpo entre suas pernas. Era tão confortável.
– Como ele é? Mas o que há com a casa?
– O apartamento é grande, não é cobertura mas não teríamos problemas, só que ele só tem dois quartos. – Eu respirei com os olhos fechados por um momento. — Não há nada com a casa, só é muito grande.. agora.
Ela continuou enrolando fios dos meus cabelos nos dedos. – Dois quartos, — ela riu. — Podemos pensar na possibilidade.
– O que nós vamos dizer quando ela perguntar pelos nossos pais. – Eu olhei para a Marina.
Ela estava olhando para a tv, mas me olhou depois de um momento. – Vamos dizer a verdade. E vamos dizer que nós a amamos muito, que eles também a amavam. Não se preocupe com isso agora. – Ela beijou minha testa e voltou a olhar para a tv.
***
Eu subi para dar banho na Sophia e coloca-la para dormir após mamar. Em poucos minutos ela estava em seu berço adormecida. Eu fui para o banho e Marina já estava tomando banho em seu quarto. Eu coloquei um pijama de cetim e fui para a cama.
Virei para o lado oposto ao da porta para dormir, não me sentia cansada mas o sono já estava me vencendo. Marina deitou ao meu lado depois de muitos minutos.
– Clara? – Ela se aproximou do meu ouvido para chamar meu nome. – Você dormiu?
– Hmmm – Eu fiz com a garganta, meus olhos já fechados.
Ela afastou os meus cabelos e cheirou meu pescoço, ela beijou por ali e me puxou pela barriga ate estar colada á seu corpo.
– Está com sono? – Ela deslizou a mão pela minha barriga e subiu, parando a milímetros dos meus seios. Meu corpo se arrepiou ao toque e imediatamente senti minha barriga se contorcer levemente.
– Não, — eu disse virando para ela.
Eu trilhei beijos demorados e molhados pelo pescoço dela e a resposta do corpo dela me fez sorrir. Ela sussurrava meu nome enquanto eu beijava e mordia por toda a extensão de um lado ao outro. Eu pressionei meu corpo contra o dela sentindo suas mãos deslizando até a minha bunda e apertando levemente e então pelas minhas coxas.
Ela começou erguendo minha blusa arrastando suas mãos pelo meu corpo até me obrigar a afastar a boca de sua pele. Nossos lábios estavam entreabertos e nossas respirações pesadas. Eu estiquei meus braços ajudando-a a retirar a peça e ela a deixou ao nosso lado, e então sorriu passando os olhos do meu colo até os meus seios. Ela deslizou o dedo indicador de uma extremidade à outra e eu mordi o lábio e fechei meus olhos sentindo minha pele arrepiar.
Ela deitou por cima do meu corpo entre as minhas pernas e mordeu meu lábio, chupando-o em seguida. Eu apertei minhas mãos nas costas dela e ela me beijou profundamente. Ela movimentou o corpo pelo meu lentamente entre o beijo fazendo-me suspirar com a proximidade.
Ouvimos um choramingo baixo pela babá eletrônica e paramos na mesma hora todos os movimentos. Nós olhamos em direção ao corredor e de repente estava completamente silencioso. Não precisou de outro segundo para Marina voltar a explorar meu colo com sua boca deliciosamente molhada. Eu subi minhas mãos pelas costas dela passando minhas unhas que não eram compridas, mas o suficiente para fazê-la gemer contra a minha pele.
Marina sentou sobre mim de repente e encarou o meu corpo à meia-luz. Desceu as mãos até encontrar a barra do meu short, descendo-o. Eu levantei um pouco minha cintura para ajuda-la a retirar a peça. Ela sorriu enquanto se abaixou e levou sua boca ao meu ombro esquerdo e o beijou.
Ela deslizou seus dedos pelo meu braço e bastou apenas esse movimento para fazer toda a minha pele se arrepiar. Marina desceu os beijos pelo meu colo até o meio dos meus seios e empurrou levemente meu corpo contra a cama. Ela deitou ao meu lado dessa vez, com uma perna sobre a minha e apoiando sua cabeça com o braço na cama, ficando mais alta do que eu. Eu fechei meus olhos e contorcia meu corpo sentindo sua boca circulando um dos meus seios com a boca, dando chupadas lentas e deixando um rastro quente pela minha pele. Minhas mãos estavam contra a colcha da cama, apertando e puxando enquanto minhas pernas estavam inquietas em reação a provocação dolorosa. Ela passou a boca pro outro seio eu apertei meus olhos fechados, mas sua blusa estava raspando contra a minha pele e me fazendo cócegas.
– Marina, — Eu sussurrei, meio rindo, meio mordendo o lábio.
– O que foi? — Ela me olhou preocupada.
– Sua blusa. Posso tirar? – Eu já estava com as mãos na barra da peça e quando ela sorriu e ergueu os braços dando-me passe livre, eu puxei gentilmente.
O perfume dela predominou pelo quarto inteiro e a cada movimento que ela fazia, eu me sentia anestesiada pelo cheiro delicioso de sua pele. Após a peça ser retirada, meus olhos caíram para os seios firmes dela. Eu levei minhas mãos a eles, que se encaixaram perfeitamente e os massageei lentamente, sentindo-os endurecer sob minhas palmas. Marina fechou os olhos e voltou a deitar sobre meu corpo, agora extremamente melhor com o contato direto do meu corpo ao dela. Eu passei meus braços pelos ombros dela e a puxei para meu rosto, beijando-a com vontade. Marina desceu a mão pelo meu corpo até minha coxa, passando suas unhas pela parte interna, fazendo meu corpo se contorcer.
Ela me provocou de todas as formas até que eu estivesse ofegante entre o beijo, me sentindo completamente excitada por suas carícias lentas pelas minhas coxas. Senti a mão dela escorregar pela minha intimidade por cima da calcinha e apertei meus olhos. Era tão íntimo. Era para eu estar nervosa, mas o desejo era o suficiente para me fazer empurrar qualquer outro pensamento para longe.
O beijo não parou, ao contrário. Marina chupou minha língua com vontade e nos beijávamos em um ritmo apenas nosso. Ela empurrou sem aviso a mão por dentro da peça e eu gemi entre o beijo, sentindo o contato dos seus dedos com meu sexo. Ela massageou lentamente e eu imediatamente parei o beijo, gemendo longamente contra a sua boca. Eu afastei a minha perna, aquela que não estava de baixo dela, para o lado e ela movimentou os dedos ainda mais. Introduziu um dedo e brincou com ele, dentro e fora fazendo-me gemer ainda mais contra o seu pescoço.
Eu a senti sorrir contra a minha mandíbula entre os beijos. Marina também gemia contra a minha pele a cada vez que seu dedo escorregava para dentro de mim. Eu empurrei meu quadril querendo mais, mas ela fazia tudo com calma e delicadeza. Ela retirou a mão e eu chorei com o vazio que senti.
– Você está bem? – Marina disse ao sentar em seus joelhos entre as minhas pernas.
Eu levei minhas mãos aos meus cabelos e os penteei com os dedos para trás, balançando a cabeça negativamente. Ela riu.
– É sério. Você está bem com o que está acontecendo?
Ela passou as mãos na minha cintura, descendo ambas as mãos até as laterais da minha calcinha e eu apertei minhas mãos contra o colchão. Eu respirei fundo.
– Por favor. Continua. – Eu sussurrei, incapaz de falar mais.
Marina riu de satisfação e desceu a calcinha pelas minhas pernas. Ela deitou o corpo entre as minhas pernas e segurou as minhas coxas abertas com seus antebraços. Eu gemi em antecipação e me apoiei em meus cotovelos para vê-la. Nossos olhares se encontraram e ela deslizou a língua pelo centro da minha excitação lentamente. De baixo para cima. Eu senti sua língua em cada centímetro, seu hálito quente, seus lábios. Eu deixei meu corpo cair quebrando assim o contato dos nossos olhos. Eu os fechei e mordi meu lábio e então ela começou a chupar com vontade. Precisei colocar minha mão na boca para sufocar meus gemidos mais altos. Meu corpo se contorcia de acordo com a tensão que ia se formando no sul da minha barriga. Eu não conseguia pensar em mais nada e tudo o que eu tinha em minha mente era a imagem de Marina à minha frente. Ela deslizou novamente o dedo e me fodia de acordo com a velocidade que sua boca trabalhava em mim. Eu chamava seu nome em sussurros entre os gemidos e sentia suas carícias contra minha coxa com sua mão livre. Eu despejei um monte de palavras incoerentes seguidas do seu nome repetidas vezes quando finalmente uma explosão de prazer atravessou o meu corpo inteiro, fazendo chacoalhar juntamente com as contrações da minha intimidade.
Eu nunca havia sentido nada parecido. Uma sensação imensamente gostosa de satisfação me fez gemer longamente e apertar minhas mãos com ainda mais força contra o colchão.
Estávamos ainda ofegantes e nos acariciando, quase pegando no sono quando o aparelho de monitoramento da Sophia soou com um choro manhoso dela. Nós respiramos fundo e rimos.
– Quetiming... – Marina disse rindo enquanto nos levantávamos. – Eu vou.
Ela me deu um beijo carinhoso nos lábios e depois um monte deles no pescoço, levantou vestindo blusa.
Eu voltei a deitar na cama, com as mãos nos meus cabelos e um sorriso nos lábios.
***
Nossa vida realmente estava seguindo adiante. Era quase uma rotina, Marina saia para trabalhar bem cedo, mas sempre tomávamos café da manhã juntas e logo após eu inventava mil coisas para fazer enquanto a hora insistia em não passar, ela ligava quando o tempo todo para saber como estávamos e à noite sempre trazia uma comida diferente para jantarmos juntas enquanto conversávamos sobre nosso dia. Ela tomava banho ou às vezes simplesmente me arrastava com ela e eu não posso negar que adorava essa parte.
Nós ríamos assistindo a algum programa, filme ou até desenho quando a Sophia estava muito manhosa e não queria ficar longe de nós duas enquanto tomávamos sorvete do pote com apenas uma colher. Marina não deixava a nossa irmã muito tempo fora de seu colo quando estava em casa e ela, obviamente, acostumou-se. De dia eu não aguentava ficar com ela para todos os lados por que ela estava crescendo, e rápido.
***
Faltavam três dias para o Natal e eu finalmente marquei de levar meus primos às compras. Marina disse que nos encontraria às 14 horas em frente a uma loja de brinquedos no shopping. Ela estava 10 minutos atrasada e as crianças estavam impacientes querendo entrar. Pedro estava com a Sophia enquanto eu tentava impor algum respeito às duas menores. Finalmente Marina apareceu e ambas correram para abraça-la. Depois de matarem as saudades e terem permissão, eles entraram correndo na loja e as perdemos naquela imensidão. Marina pegou a Sophia e a colocou orgulhosamente em seu colo. Pedro sorriu e foi andando na nossa frente. Marina e eu nos beijamos carinhosamente e entramos. Conversávamos sobre como havia sido sua manhã enquanto ela deixava a Sophia derrubar as coisas das prateleiras e eu ia recolhendo pacientemente. As crianças vinham nos mostrar o que estavam escolhendo até verem algo diferente e trocar. Foram mais de três horas até que todos haviam escolhido seus brinquedos. É claro que Marina faria alguma surpresa para eles na véspera de Natal. Nós combinamos com meus avós que todos iriam lá pra casa como sempre fazíamos.
Marina comprou tantos para Sophia que ela não usará alguns deles por pelo menos cinco anos. Eu só balançava a cabeça quando ela mostrava o que queria que eu pegasse por que não adiantava discutir. Depois de guardar os brinquedos em seu carro que estava estacionado por ali, nós fomos escolher presentes para nossos avós e depois comer com as crianças.
Elas queriam sentar sozinhas e então nós escolhemos uma mesa ao lado deles, ambas ao lado de uma enorme janela de vidro onde dava pra ver o movimento na rua. O restaurante não estava cheio, mas também não estava vazio, tínhamos que ficar de olho. Eles pediram batatas-fritas e refrigerantes e nós duas apenas suco.
– Marina, você já percebeu como está acostumando essas crianças? Você dá tudo o que eles querem. Elas, principalmente. – Eu disse séria enquanto passava a mamadeira da Sophia para ela.
– Você não reclama quando eu dou o que você quer. – Ela deu aquele sorriso que eu amo e foi difícil não se distrair. – São brinquedos, não é grande coisa. – Ela disse fazendo pouco caso enquanto alimentava a nossa irmã.
– Não vou deixar você fazer isso com ela, — Ela olhou pra mim assim que eu disse e eu apontei com o queixo para a Sophia. – não mesm... – Ela se aproximou e mordeu o meu lábio interrompendo-me, nos beijamos e rimos. Em poucos segundos a Julia se aproximou da nossa mesa e paramos para olhar pra ela.
– Clara, banheiro, por favor. – Ela disse entre pulinhos e eu levantei para leva-la.
Quando eu estava saindo com a Julia, encontramos a irmã a caminho e então o esperamos. Julia estava radiante e doida para estar em casa para usar seus brinquedos novos. Mesmo que estivesse claro que eram para abrir no sábado, véspera de Natal, nenhum deles iria obedecer. Do corredor eu vi Marina conversando com uma ruiva de costas, mas que eu conhecia muito bem para franzir o cenho. Sophia, que já havia mamado estava em pé no colo da Marina babando sua blusa e sorrindo para a Vanessa que brincava com ela. Mari saiu do banheiro e nós estávamos a caminho da mesa quando Marina apontou para mim e ela sorriu acenando. Ela se sentou à nossa mesa de frente para Marina e onde eu estava sentada, que agora estava ocupada com a bolsa da Sophia. Respirei fundo disfarçadamente e dei o meu melhor sorriso enquanto as meninas correram de volta para a mesa com o irmão mais velho e eu me sentei ao lado da Marina.
– Olá Clara, que surpresa agradável! – Ela disse sorridente.
– Olá, Vanessa. – Fiz o meu melhor.
– A Van estava passando e nos viu, não tem uma ótima visão? – Marina disse com humor enquanto fazia a nossa irmã dançar em suas pernas.
Eu apenas sorri e concordei com a cabeça.
Acabei apoiando minha cabeça entre minhas mãos enquanto ouvia elas falando por um bom tempo sobre o início do ano e então descobri com quem Marina saia tanto e por que tinha tantos amigos no Rio. Elas saiam juntas e ela acabou se juntando aos amigos da Vanessa. Ela é mais ou menos uma dessas socialites que não fazem nada e estão sempre em festas ou por ai comprando compulsivamente e que por acaso decidiu estudar fotografia. Eu sorria educadamente quando elas falavam algo engraçado – para elas – por que eu estava alheia à conversa. Elas estavam relembrando conversas das quais eu não havia participado e festas das quais elas haviam ido juntas e eu estava entediada.
Sophia começou a se forçar para o meu lado com seus bracinhos esticados para mim e eu a peguei. Ela deitou a cabeça no meu ombro e relaxou, cansada de tanta bagunça. Eu estava limpando a boquinha dela e não estava nem ouvindo a conversa das duas quando a Marina esticou o braço por trás de mim e me abraçou, quando eu o olhei, ela me beijou nos lábios rapidamente fazendo a amiga engasgar com suas palavras. Ela disfarçou e continuou a falar, assim como eu que voltei para o que estava fazendo. Muitos minutos depois, eu olhei em meu relógio para ver que já estava bem tarde.
– Com licença, — Eu as interrompi — mas nós temos que deixar as crianças ainda hoje na minha avó – Eu sorri e me levantei pegando a bolsa da Sophia. — Foi um prazer. — Eu olhei para Vanessa e sorri educadamente.
– Eu vou só pagar a conta. — Marina pegou a bolsa da minha mão e colocou em seus ombros. Eu ri com a imagem.
Fui até a mesa das crianças e os chamei para irmos e os acompanhei até o carro. Marina destravou o alarme ainda quando estava saindo do restaurante e as crianças entraram depois que eu coloquei a Sophia na cadeirinha. A gritaria estava me irritando e eu estava começando a sentir uma leve dor de cabeça. Sentei no banco da frente e depois de colocar o cinto, fechei meus olhos com a cabeça encostada contra o banco.
Não abri os olhos mesmo sentindo a Marina entrar e fechar a porta do carro, ela me deu um beijo no pescoço e eu abri os olhos por um momento, encontrei-a sorrindo para mim e logo depois ela deu partida. Eu poderia ter cochilado se não fosse pelo seu perfume que estava me distraindo e sua mão pousada em minha coxa. Ah, e a gritaria no banco de trás também.
Paramos na casa da minha avó e já era noite. Enquanto as crianças levavam seus brinquedos para dentro nós conversamos com a minha avó sobre a véspera de Natal. Dei um beijo neles e nós fomos para casa. Testamos alguns brinquedos novos da Sophia na sala enquanto ela estava escalando a barriga da irmã. Ela ficava de colo em colo se divertindo com a bagunça. Nós trocávamos beijos que eram interrompidos por ela e ríamos quando suas mãozinhas tentavam separar nós duas. Marina foi tomar banho no chuveiro com a Sophia e ela até chorou na hora de sair. Eu a levei para coloca-la para dormir e antes de terminar de vesti-la ela já estava sonolenta, com a mamadeira rapidamente adormeceu. Eu sai devagar do seu quarto e quando estava entrando no meu, Marina me segurou por trás, toda molhada e de toalha e me levou para o banheiro. Nós tomamos banho juntas, ela outra vez, e trocamos muitos beijos durante. Estávamos rindo quando deitamos na cama, ambas encharcadas deixando um rastro de água pelo chão e molhando toda a cama. Nós paramos de rir e ficamos nos encarando com a respiração bem alterada, nossos lábios quase encostando um no outro. Ela acariciou meu rosto com dois dedos e deslizou o rosto até o meu pescoço. Ela beijou por ali e foi como um martírio suas mordidas lentas seguidas de beijos. Meu corpo todo arrepiado clamava por ela. Eu estava de olhos fechados com as mãos bem espalmadas em suas costas.
– Eu te amo, Clara. – Ela sussurrou entre um beijo e outro e ergueu a cabeça novamente para me encarar. – Tem sido assim por um tempo.
Eu abri os olhos no momento em que o ouvi e senti meu coração falhar uma batida e em seguida acelerar completamente. Eu tinha certeza que ela sentia meu coração por que estávamos em completo contato. Ela mordeu o meu lábio ainda me encarando.
Eu respirei bem fundo e levei minhas mãos até o seu rosto. Eu a acariciei ternamente e sussurrei com os lábios nos dela. – Eu te amo.
Nós nos beijamos entre gemidos baixos enquanto começávamos a fazer amor. Muito tempo levou até que adormecemos por puro esgotamento. Eu devo ter dormido sorrindo tamanha era a minha felicidade em ter escutado aquelas palavras e tê-las dito. Eu a amava completamente.
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