Almost family
7 So make a wish...
A noite da véspera de Natal me fez ver o quanto as coisas podem realmente mudar de um ano para o outro...
Meus avós estavam sentados rindo e nos assistindo brincar de mímica com as crianças e entre risadas, estávamos tentando preencher a lacuna que minha mãe e o Ricardo deixaram. Mesmo com o tempo passando, a dor continuava ali. Mas não era disso que se tratava essa noite, pois era a oportunidade que tínhamos de reunir a todos em uma noite agradável e “feliz”. Agora era a vez da Mari fazer mímica e ela estava tentando dar dicas do nome de algum filme, mas ninguém conseguia adivinhar.
– Clara, me ajuda na cozinha? – Marina disse um pouco alto demais, como se quisesse que todo mundo a escutasse.
Eu concordei com a cabeça, mesmo sem saber no que ela precisaria de ajuda, e entreguei a Sophia para minha avó.
– Já ta na hora de... – Comecei, mas a Marina me empurrou contra o balcão assim que já não estávamos mais a vista dos outros e me beijou com vontade.
Eu ri pega de surpresa, mas o beijo sensual me fez querer mais dela ali mesmo. Ela passou os braços por de baixo dos meus e apoiou as mãos contra o balcão atrás da gente e eu a abracei pela cintura. Mesmo com as risadas altas vindas da sala de estar, era como se estivéssemos sozinhas.
– É difícil ficar sem te beijar. – Marina sussurrou entre o beijo. O corpo totalmente junto ao meu. Eu concordei com a cabeça esboçando um sorriso sem abrir os olhos. Meus olhos fechados, sentindo os lábios dela contra os meus. – Mas temos que voltar.
Eu choraminguei de brincadeira quando ela se afastou, mas acabei seguindo-a de volta para a sala. Marina pegou a câmera quando passamos pela mesa de centro da sala e começou a tirar fotos aleatórias. Um pouco mais tarde, fui a primeira a sair da brincadeira e foi exatamente quando estava pegando uma taça de vinho que o meu celular tocou.
– Juliana! – Cumprimentei-a alegremente enquanto caminhava para a varanda por causa do barulho.
– Clara, — Ela disse no mesmo tom que eu. — Eu só queria saber como estão as coisas e desejar Feliz Natal. – Eu quase pude vê-la sorrindo.
– Obrigada. Feliz Natal, Ju. Está tudo bem, estamos distraindo as crianças mais um pouco antes dos presentes.
Eu continuei conversando com a Juliana por mais alguns minutos até que eu vi um carro que eu não conhecia estacionar em frente. Eu me despedi rapidamente da Ju e coloquei as mãos na grade da varanda. O nosso quintal era bem extenso e por estar escuro eu não conseguia reconhecer, mas mesmo que não estivéssemos esperando mais pessoas, não foi difícil supor quem seria. Sorri para ela quando nossos olhares se cruzaram.
Vanessa subia as escadas da varanda com alguns presentes em seus braços e um sorriso em seu rosto. Eu desci alguns degraus para ajuda-la com as coisas que estavam quase caindo dos braços curtos dela.
– Que surpresa boa. – Eu disse.
– Desculpa a intromissão, Clara. Espero que não se incomode.
– Não... De jeito nenhum. Vamos entrar.
Guiei-a para dentro e na sala estavam todos prestando atenção em Pedro enquanto ele estava fazendo alguma mímica estranha.
Marina levantou em um pulo quando viu a amiga e veio cumprimenta-la.
– Vanessa, você veio!!. – Marina disse enquanto a abraçava.
– Desculpa não ter confirmado antes, – Ela disse sorrindo. – Aqui, — ela estendeu os presentes. – Tem pra Sophia, pros seus priminhos – ela me olhou e sorriu. – e pra vocês duas.
– Obrigada. – Nós respondemos juntas e sorrimos.
Marina foi levar os presentes para debaixo da árvore e Julia a ajudou com os que estavam comigo.
– Você pareceu não saber que havia possibilidade de eu aparecer, desculpa por não ter ligado antes. – Vanessa disse.
– Não faz mal. É bom pra ela ter alguém que a conhece perto também. – Eu olhei pra ela e dei um meio sorriso.
– Ela me convidou naquele dia no restaurante, quando nos despedimos. Pensei que ela avisaria.
– Ela deve ter esquecido, — eu disse com um tom de “tanto faz”. – tem muitas coisas em sua cabeça agora.
Ela concordou e depois foi sentar perto da minha avó que estava brincando com a minha irmã. Sophia ficou séria logo que viu o rosto estranho se aproximando, assim como eu, eu ri com o pensamento. Era egoísta querer que ela se desse bem com a minha família e não com as amigas da Marina mas não era minha culpa se ela não estava rindo enquanto Vanessa brincava com ela.
– Me desculpa, Clara. – Marina disse em meu ouvido me abraçando por trás.
Ainda estávamos na sala, porém estavam todos distraídos.
– Seria bom ter me preparado, mas ela é legal. – Ela passou as minhas mãos pelos braços dela que estavam em minha barriga e segurei em suas mãos. Virei meu rosto de lado e dei beijos no rosto tão delicado e cheiroso dela. – Sei que não fez por mal.
Nós trocamos beijos carinhosos e sorrisos e depois ficamos assistindo o que acontecia a nossa frente.
– Ah! A Juliana me disse ainda pouco que tem uma vaga livre pra fevereiro na empresa onde ela trabalha. Um publicitário que será transferido e o gerente perguntou a Ju se ela indicava alguém.
– Clara, isso é muito bom. – Marina disse contente. – O que você disse?
– Eu disse que pensaria e responderia depois, ela disse que tem um prazo de até meados de janeiro para dar a resposta.
– Nós poderíamos tirar alguns dias e ir a Disney mês que vem com a Sophia por que depois você não vai poder por pelo menos 1 ano. – Ela disse no meu ouvido, só nós dois podíamos escutar o que estávamos conversando.
Eu ri, — É uma boa ideia.
Depois de alguns minutos, Marina finalmente deixou que abrissem os presentes e ficaram todos distraídos, eu estava abrindo os da Sophia com ela sentada em meu colo, Marina estava filmando tudo e fazendo-a sorrir. Ela estava dando pulinhos no meu colo e forçando as perninhas para pegar o presente e quando conseguia, rasgava todo o embrulho. Nós ríamos de sua alegria e logo ela estava com o sofá cheio de brinquedos e roupas espalhadas. Eu passei ela pro colo da Marina e tirei um tanto de fotos das duas, em algumas ela olhava pra mim rindo e eu sorria pra ela de volta.
Nós jantamos todos juntos e depois que as crianças foram dormir, Vanessa se despediu e foi embora. Meus avós subiram depois de um tempo para dormir também. Eu e Marina estávamos no sofá, meio deitadas e a nossa irmã estava dormindo em minha barriga.
– Daqui a pouco ela não vai caber mais aí. – Marina disse enquanto ria e acariciava os cabelos dela que já caiam por sua testa.
Eu estava revendo as fotos que ela havia tirado em sua câmera.
– Cada dia mais pesada, minhas costas doem. – Eu disse distraidamente.
– Sete meses, e não fizemos a festinha dela esse mês. – Ela pegou a câmera quando eu havia colocado ela de lado e virou a lente para nós duas. – Sorria.
Eu sorri e ela beijou o meu rosto. Ela mostrou a foto e nós rimos, mas tinha ficado linda.
***
Na véspera de ano novo nós ficamos sentadas no último degrau da escada da varanda mostrando para a Sophia os fogos que soltavam por todos os lados em nosso bairro enquanto bebíamos champanhe e fazíamos ela rir. Nos beijávamos também às vezes quando ela estava distraída por que isso a irritava de verdade.
Sophia estava no colo da Marina e dormia profundamente quando desejamos "feliz ano novo" uma a outra à meia noite com um beijo apaixonado. Mais tarde quando subimos, demos um beijo ao mesmo tempo nela quando estávamos colocando-a em seu berço. Eu prometi com aquele beijo que eu daria o meu melhor para fazê-la feliz nesse novo ano e em todos os outros. Marina me abraçou forte, nós sorrimos e ficamos um bom tempo apenas olhando-a dormir.
***
Já passava das três da manhã e eu estava cercada de fotografias no carpete da sala, muitas delas. Tão pouco tempo havíamos morado naquela casa e já havia tantas recordações. Nós pensamos sim em mudar para o apartamento que nos acolheria perfeitamente, mas preferimos que a Sophia tivesse a oportunidade de ver como nossos pais pensaram nela ao comprar esta casa. Nós havíamos mudado muitas coisas, dentre elas, cores e carpetes, decoração, móveis e a nossa cozinha foi completamente reformada de acordo com o meu gosto e com o da Marina, que resultou em uma moderna cozinha toda de inox e azulejos pretos e brancos. Eu estava escolhendo fotos para um vídeo que exibiríamos no aniversário de três aninhos da nossa Sophia.
Já era madrugada de sábado, seu aniversário começaria às 14 horas e iria até de noite. No nosso quintal seriam montados enormes brinquedos para todas as crianças que convidamos. Eu demorava minutos em cada foto relembrando os momentos que graças a Marina que sempre estava com a câmera, capturou todos.
Eu estava sorrindo com uma foto da nossa viagem a Disney, onde Marina segurava orgulhosamente a Sophia em seu colo, o outro braço estava me segurando forte e nós sorríamos para a foto enquanto Sophia ria da grande Minnie ao nosso lado. Em seguida estava a foto onde Sophia estava sentada na nuca de Marina e nós estávamos nos beijando e sorrindo, suas mãozinhas em nossas cabeças. Eu fui passando todas as fotos da viagem e não pude evitar de sorrir. As fotos dela dando os primeiros passinhos pelo chão de madeira me fizeram rir ao lembrar de quando ela de repente se colocou de pé e nós estávamos no sofá vendo uma reprise de uma série de comédia. Segundos antes ela estava sentada brincando no chão e de repente ela se colocou de pé. Nós levantamos rindo e Marina correu até a bancada da cozinha para pegar a câmera que havia deixado ali onde ela havia filmado a Sophia falando coisas sem sentido. Nós ficamos em frente a ela rindo e chamando. Ela parecia indecisa pra que lado ir e Marina encheu de cliques, e eu filmava, quando ela deu o primeiro passo lentamente, logo após o segundo e depois não parou mais. Havia fotos de quando eu estava montando o portão nas escadas e fotos e mais fotos da Sophia correndo de nós dois. Não havia uma foto em que ela não estava sorrindo e eu olhava as fotos com lágrimas correndo pelo meu rosto. Seu primeiro aninho quando vestimos nossa pequena bebê de princesa. Eu peguei a foto onde eu, Marina, nossos primos, avós e ela, estávamos sorrindo alegremente atrás da enorme mesa decorada com personagens da Disney. Eu fui separando algumas das fotos mais importantes e estava tão distraída que não escutei os passos da Marina até que ela beijou minha bochecha, me fazendo sorrir.
– Já estava subindo. – Acariciei-a com minha mão e virei meu rosto para beijá-la.
– Sem sono? – Ela estava com o rosto amassado e os olhos pequenos de sono, eu sorri e dei mais um beijo nela. Larguei as fotos e sentei de lado em seu colo no sofá abraçando-a.
– Completamente. – Eu a beijei mais uma vez e após o beijo ela segurou uma das minhas mãos e beijou-a. Ela olhou as fotos no chão e em seguida diretamente em meus olhos.
– Andou chorando? – Ela passou um de seus dedos pelo meu rosto e a pele estava um pouco molhada.
– Apenas emocionada. – Eu sorri carinhosamente e deitei em seu ombro. – Passou tão rápido.
– Daqui a pouco eu vou ter que retirar o que disse anos atrás sobre carrega-la até os oito anos. – Nós rimos. – Você tem que falar pra Vanessa não encher ela de doces.
Eu ri mais um pouco e então meus olhos desceram um pouco para o seu corpo. Marina estava sem camisa, apenas com um top preto e com um short curto que ela gostava de dormir. Minha mão estava acariciando seus braços enquanto conversávamos. Ela se abaixou e pegou um dos álbuns no chão e colocou em minhas pernas, passando as fotos.
– Olha essa, — Ela mostrou o nosso jantar simbólico de noivado e nós não pudemos evitar a risada alta. Marina havia combinado com Vanessa para tirar as fotos quando ela estivesse anunciando e ela capturou o exato momento da Julia chorando com ciúmes da gente. O jantar não foi o mesmo por que nós tivemos que acalmá-la e todos terminamos rindo quando ela subiu as escadas correndo. Ela segurou mais uma vez a minha mão e beijou o anel. – Já fazem dois anos.
– Ela ainda me odeia. – Eu dei um beijo demorado em seu pescoço e ela fez um som delicioso com a garganta, me fazendo sorrir.
Marina continuou passando as fotos. Rimos das fotos da Sophia com as mãozinhas cheias de ração da cachorrinha que nossos avós deram pra gente. Eu estava limpando enquanto Marina tirava fotos e ria juntamente com a Sophia que sempre se divertia com a minha preocupação exagerada.
Havia fotos dela tomando banho, comendo, dormindo, correndo, andando, tentando abrir o portãozinho da escada, montando na cachorra que rapidamente cresceu e dava três dela facilmente. Fotos dela dançando junto comigo e outras com a Marina.
Eu peguei a foto onde estava ela e a Marina dormindo na mesma posição, ambas de lado com as mesmas feições e braços juntos à frente do corpo. – Olha isso que coisa mais linda. – Eu beijei a foto e ela riu puxando-a.
Ela me puxou para um beijo apaixonado e se levantou deixando as fotos caírem do meu colo e das minhas mãos enquanto eu abraçava sua nuca. Ela foi em direção as escadas parando para abrir e fechar os portões de segurança até estarmos em nosso quarto. Havíamos reformado também, o que antes era meu, agora tinha uma enorme cama e já não era mais roxo e sim branco e azul claro. Nossas roupas estavam no mesmo armário e o quarto da Marina agora era uma biblioteca e também onde estavam nossos computadores.
Ela me deitou em nossa cama e deitou por cima de mim com suas mãos segurando meus pulsos acima da minha cabeça. O beijo agora estava mais lento enquanto provávamos nossas línguas. Pequenas mordidas em seu lábio fazia com que ela pressionasse com força seu corpo no meu. Eu respirei ofegante quando ela desceu até o meu pescoço entre beijos e deu mordidas leves. Eu beijei seu braço que estava cercando meu rosto e respirei fundo sentindo o aroma delicioso de sua pele.
– Você não estava com sono? – Eu disse com meus olhos fechados enquanto ela desceu até um dos meus seios por cima da blusa folgada e roçou a boca entreaberta, arrepiando-me.
Ela levantou o rosto ao mesmo tempo que roçou a coxa entre as minhas pernas.
– Você acha que eu estou com sono agora? – Ela me encarou e sorriu lascivamente. Eu ri juntamente e tentei puxar minhas mãos ainda presas. Elas coçavam para tocar-lhe, mas ela as manteve presas por mais um tempo.
Marina segurou ambos os pulsos com apenas uma mão enquanto a outra desceu arrastando-se pelo meu corpo até a bainha da longa blusa que eu usava, além de uma calcinha. Ela subiu a blusa até expor meus seios e eu fechei meus olhos mordendo meu lábio sentindo sua boca quente chupar meu seio. Eu choraminguei quando a pressão que ela fazia entre as minhas pernas estava me matando de desejo.
Ela desceu a mão livre por dentro da minha calcinha e eu suspirei de prazer enquanto tentava me adequar ao seu ritmo. Eu gemia gostosamente baixo por que eu sabia que ela amava. Eu quase alcancei o clímax com seus dedos, mas ela prevendo parou e soltou meus pulsos enquanto depositava um beijo em meus lábios. Ela começou tudo outra vez, lentamente. Eu deixava escapar gemidos entre o beijo sentindo o meu corpo clamar alívio. Ela estabeleceu um ritmo não lento demais nem rápido e se afastava para me olhar nos olhos. Eu tentava ao máximo manter meus olhos abertos encarando-a e acariciando seu rosto. Meus olhos fecharam-se quando estava perto do ápice, nos apertávamos igualmente e então todo o meu corpo se contorceu e eu chamei alto pelo nome da mulher que eu amava.
***
Eu acordei primeiro que a Marina e depois do banho, sentei ao seu lado na cama e dei-lhe um beijo carinhoso nos lábios. Ela sorriu e me puxou me dando outro.
– Bom dia meu amor, — Eu disse e dei um beijo em sua testa, penteando seus cabelos para trás. Eu sabia que ela não estava acordada. Levantei e fui para o quarto da Sophia, que correu para me abraçar.
Eu a peguei no colo e a joguei no alto recebendo o sorriso que eu mais amava no mundo. Eu passei meus dedos pelos seus cabelos que estavam enormes e caindo pela testa dando-lhe um beijo no pescoço e ela se jogou para trás dando risadas como sempre fazia.
– Clara, — Ela disse rindo, uma forma de pedir socorro às cosquinhas que viriam.
– Feliz Aniversário, minha princesa, — eu levei meu rosto até sua barriguinha e dei leves mordidas e ela rapidamente estava vermelha de tanto rir. Suas mãozinhas tentavam afastar meu rosto.
– Por favor,- Ela disse com dificuldade e eu rindo, afastei meu rosto. Eu sorri para Vanessa que estava no quarto também.
– Bom dia, Clara. – Ela disse enquanto estava arrumando os livros na estante da Sophia.
– Bom dia, — Eu disse abaixando a Sophia e ela voltou correndo para a mesinha onde estava desenhando.
– Já decidiu que roupa ela vai usar? – Nós olhamos para o sofá cheio de roupas em cabides e capas e eu automaticamente balancei a cabeça negativamente.
– Eu quero essa, — Sophia rapidamente apontou para um conjunto de blusa amarela e short jeans com cinto.
– Esse é muito simples pra minha princesa, — eu ajoelhei perto dela puxando-a para mais um beijo, dessa vez em seus cabelos que ainda estavam molhados do banho.
Vanessa como sempre, já havia dado banho nela. Normalmente, ela não estaria aqui por que eu não trabalhava aos sábados. Mas ela quis vir por que sabia a correria que seria. Desde que eu havia começado a trabalhar, dois anos atrás, Vanessa e Marina ficavam de dia com a Sophia, no estúdio ou aqui e eu acabei até gostando do jeito com que ela cuidava da minha irmã. Ela demonstrou ser tão carinhosa com a Sophia que foi impossível não gostar.
Eu deixei para decidir as roupas depois e desci. Já eram quase nove da manhã e o buffet e os brinquedos chegariam logo. Cumprimento a Rosa, que também veio para ajudar e peguei um copo de suco de laranja.
– Rosa, você pode ficar e dormir aqui, pode ficar na festa sem se preocupar. – Eu sorri.
– Clarinha, você é tão carinhosa. – Ela passou a mão em minha cabeça como se eu fosse uma criança. – Minha filha virá com os dois pequenininhos. Eu poderei voltar com eles, mas obrigada por se preocupar.
– Ah, que bom que eles virão, seus netinhos são adoráveis. – Eu disse sorrindo.
A campainha tocou quando eu estava colocando o copo sobre a pia, eu abri para o buffet e os decoradores que logo deixariam a casa com aparência de festa. Eu entreguei as fotos e vídeos para o animador que faria o vídeo que ficaria sendo exibido sem parar na tv. Fotos gigantes da Sophia foram feitas especialmente para a festa e estariam por toda a parte. Os brinquedos começaram a ser montados no quintal. Um imenso pula-pula e um escorrego inflável que era quase da altura da casa estavam ganhando forma. Havia cabines fotográficas e piscina de bolinhas. O trato era segurar a Sophia ao máximo lá em cima mas quando ela conseguiu entrar no nosso quarto e subir na cama onde Marina estava dormindo, viu aquele imenso colorido de brinquedos e começou a chorar.
– Sophia, — Eu disse tentando puxar ela pro meu colo mas ela se agarrou na Marina que ainda dormia, às 11 da manhã. – Vem cá, vou te dar o seu presente.
– Eu quero ir lá. – Ela chorou manhosamente.
– Clara, — Marina disse jogando o braço por cima do rosto. – Pega ela.
– E você.. já era pra estar acordada. – Eu disse subindo na cama enquanto a Sophia se enfiava debaixo do edredom com a Maria sem roupa.
– Ah meu Deus, — eu comecei a rir quando a Marina abriu os olhos vendo a Sophia se agarrar a ela.
– Clara!!! — Ele disse com os olhos arregalados e eu comecei a rir.
Eu consegui pegar a Sophia e desci da cama, ela se deitou em meu ombro e continuou chorando.
– Maaa, — ela chamava a Marina entre o choro dengoso.
Marina vestiu rapidamente a blusa que ela mesmo havia tirado de mim na madrugada passada e levantou aliviada, pegou a Sophia que se deitou em seu ombro soluçando e então nós demos um beijo rápido. Peguei o almoço da Sophia que estava na mesa de canto, Marina sentou na cama com ela em seu colo e ligou a tv em algum desenho que logo prendeu a atenção dela enquanto ela a alimentava.
Faltava apenas uma hora para a festa quando tudo estava pronto e o fotógrafo chegou. Marina queria tirar todas as fotos mas concordamos que ela não aproveitava nada quando estava trabalhando. Logo em seguida os garçons e depois meus avós com meus primos chegaram. Eu os recebi e depois de conversar um pouco com eles, subi.
Depois de escolher uma roupa para a Sophia, eu fui para o meu quarto e por incrível que pareça, Marina estava cochilando.
– Eu sempre deixo você tão acabada. – Eu disse, montando em suas costas. Ela sorriu preguiçosamente.
– Só estava esperando você. – Ela disse com a voz rouca de sono e eu me abaixei dando-lhe um beijo em seu rosto.
Nós fomos pro banho juntas, mas não podíamos demorar. Até por que a Sophia estava batendo na porta do quarto com seus punhos fechados.
Eu coloquei uma camiseta e short jeans e Marina um vestido longo, mas fresco já que teríamos uma tarde inteira para correr atrás da Sophia. Ela abriu a porta quando estávamos vestidas e nossa irmã entrou pisando fundo com raiva e subiu na cama, seus bracinhos cruzados junto ao corpo.
– Sophia, por que esse bico? – Marina passou o dedo na boquinha dela até ela desmanchar a cara feia e sorrir.
Eu estava penteando meu cabelo e sorrindo da cena.
– Nada, — ela tentou novamente ficar emburrada, mas a Marina estava dando beijos em sua barriguinha e ela estava cedendo. – Eu quero descer.
– Nós vamos descer juntas. – Ela disse.
Ela sorriu, subiu na cama e foi correndo para a janela.
Eu estava passando rímel quando eu a vi chegar por trás de mim e me abraçar. Eu fechei o produto e coloquei sobre a pia do banheiro. Eu encarei seu sorriso pelo espelho e sorri também. Virei meu rosto para beijá-la, mas ele foi interrompido por pequenas mãozinhas que abraçaram nossas pernas e nós rimos.
Eu a levantei e coloquei-a sentada sobre a pia do banheiro ficando entre as suas perninhas. Marina continuou atrás de mim me abraçando, ambas assistindo eu terminar de me maquiar.
Quando eu terminei, recebi um beijo no pescoço e logo que peguei a Sophia, ela me beijou no rosto e eu sorri.
Marina a pegou no colo e nós descemos juntas. A nossa sala estava um mar de crianças, nosso bairro era bem popular por ter várias famílias com crianças pequenas. Graças a Sophia, nos fizemos muitas amizades na rua e no bairro, quase todo final de semana havia uma festa de criança para ir. Sophia rapidamente se sacudiu para descer e logo correu com as crianças até a perdemos de vista. Os pais nos cumprimentavam e elogiavam a comida e a decoração. Nós sorríamos e automaticamente agradecíamos a todos por vir. Marina e eu andávamos de mãos dadas pela festa, com ela sempre beijando minha mão e eu a dela.
Nós assistimos a nossa irmã correndo com várias crianças de sua idade e outras mais velhas pelos brinquedos. O fotógrafo não perdia um movimento dela e nós rimos quando ela gritava por nós duas no pula-pula. Ela sempre gradava mais na Marina quando estava muito feliz ou manhosa. Eu era sempre quem a forçava a tomar banho, comer ou dormir e Marina era quem fazia festa todo dia, deixava ela dormir quando quisesse e comer danone antes do almoço. Nós nunca a incentivamos a chamar nós duas de mãe, mas a primeira coisa que ela disse de verdade foi ‘’ma’’ para a Marina, e pensamos que fosse um apelido, até ela me chamar de “ma” também. Nós ensinamos que somos irmãs e sempre mostramos fotos dos pais dela ensinando quem é quem e seus nomes, mas ela chama a gente de “ma” quando quer, não há quem a faça mudar.
Depois de horas brincando, ela estava suada e seus olhos estavam brilhando de tanta alegria. Minha avó estava abraçada comigo enquanto a olhávamos ela de um lado para o outro.
– Essa criança não poderia ser mais feliz. – Minha avó disse.
– Claro que poderia, vó, — Eu disse pensativa. – Todo mundo precisa de mãe ou pai.
– Ou de irmãs que a amem. – Ela disse depois de um tempo.
– Quem sabe onde não estaríamos agora, eu nunca imaginei que estaria aqui com 25 anos. – Eu disse acenando e sorrindo quando ela gritou por mim enquanto brincava. – Marina também.
– Vocês estão onde devem estar. – Ela sorriu e pegou a minha mão. A mão da aliança e passou o dedo por ela. – Tudo tem um propósito. Nunca se esqueça.
Eu olhei para ela quando ela se afastou sendo levada pelos meus primos.
Minha avó sempre falava como se soubesse das coisas, eu fiquei tanto tempo olhando minha aliança e pensando que não sei a quanto tempo a Marina estava ao meu lado me chamando. Eu a olhei e respondi seu sorriso.
Ela me abraçou e beijou minha testa. Vimos a Sophia correr até nossas pernas e se jogar nos abraçando. Marina a levantou no colo e ela estava respirando ofegante de tão cansada.
– Essa é a melhor festa. – Ela disse por cima da música com sua voz infantil e suas palavras enroladas. Nós rimos e a beijamos. O fotógrafo estava enchendo de flashes e percebemos que a maior parte da sala estava olhando. Acho que todos se emocionaram com a cena por que um sonoro ‘’Awn’’ e aplausos explodiram pelo ambiente. Nós rimos ainda mais.
Momentos depois nós cortamos o bolo que era rosa com lacinhos em pasta e cantamos parabéns. Sophia estava mais sorridente do que nunca e toda suja de bolo momentos depois.
Já estava bem escuro quando só restavam meus avós com meus primos e Vanessa, que já estavam se despedindo e indo embora.
– Vejo você segunda, docinho. – Vanessa disse dando um beijo na Sophia.
– Obrigada por tudo, — Eu disse dando-lhe um abraço.
– Você sabe, eu amo vocês. – Vanessa disse e sorriu alegremente.
Os brinquedos estavam sendo desmontados e a equipe do buffet estava recolhendo tudo e limpando. Assim que meus avós foram embora e toda a equipe também, nós nos esparramos no sofá e respiramos fundo. Eu tirei meus saltos que estavam me matando e Sophia imitou tirando seu sapatinho e nós rimos.
Ela se soltou do colo da Marina e subiu na minha barriga, ela deitou com uma perninha pendurada ao lado do meu corpo e a outra esticada no sofá, desde de bebê ela adorava deitar assim. Seus olhinhos sonolentos estavam quase fechados. Eu estava acariciando seus cabelinhos e Marina os meus.
– Essa foi realmente boa, estamos pegando o jeito... — Marina disse. – Diferente da primeira, quando acabou o refrigerante e o gelo no meio da festa. – Nós rimos lembrando.
– Ou da segunda, quando a Sophia dormiu no meio e tivemos que acordá-la pro bolo. – Eu disse.
– Acho que pegamos o jeito e ela realmente curtiu essa. – Ela me beijou carinhosamente. Eu suspirei baixinho e empurrei seu rosto com a mão devagar antes que perdesse o controle da situação e então sorri silenciosamente.
– Ela estava tão feliz. – Ela disse dando um beijinho nos cabelos da Sophia que agora estava dormindo tranquilamente.
– Ela é feliz, — Eu disse.
– Nós somos felizes. – Nós sorrimos e ficamos um bom tempo ali revivendo a festa e rindo, enquanto a nossa Sophia dormia dando sorrisos em seus sonhos.
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