Almost family
10 In the morning I'll be with you...
Notas iniciais
Estávamos há alguns dias em Londres e já havíamos levado a Sophia em tantos lugares para distrai-la que nós chegávamos em casa prontas para dormir de tão cansadas. Só então passei a entender por que as pessoas levam babás em suas viagens, o que eu achava desnecessário fazia total sentido.
Todos os dias Marina descarregava de sua câmera centenas de fotos de nós três pelos pontos turísticos e parques e todos esses passeios ajudaram a Sophia a se adaptar com o ambiente totalmente novo, embora ela ainda não quisesse dormir sozinha, e ela me chutava a noite toda. Marina tentou trocar de lugar comigo mas ela virava pra mim do mesmo jeito. Mas enfim pudemos respirar por que a mãe da Marina há pouco veio pegar a Sophia para sair com ela e nos dar algum tempo.
– Que paz! – Marina se jogou no sofá de braços abertos e pernas relaxadas cinco segundos depois que a elas saíram.
Eu me sentei com um creme para hidratar a pele.
– Não faça isso, é maldade. – Eu ri enquanto espalhava o produto em um dos braços.
– Clara, ela está fazendo de propósito. Eu vejo naqueles olhinhos dela. – Ela estava de olhos fechados e a cabeça nas costas do sofá, deitada e sentada, um pouco dos dois.
– Não é de propósito, ela só está animada por estar aqui. – Eu disse com humor. Terminei de passar o creme nas pernas e o coloquei de lado.
Ela riu e se aproximou para deitar a cabeça nas minhas pernas e voltou a fechar os olhos. Eu passei os dedos penteando seus cabelos para trás e ela abriu os olhos virando o rosto para o lado e cheirando a minha pele.
– Meu Deus, esse perfume. – Ela estava roçando o nariz pela minha coxa e eu sorri quando ela pegou o meu braço e cheirou a minha pele.
– Você gosta? – Eu disse ainda acariciando os cabelos dela enquanto sorria.
– Eu amo. – Ela respirou fundo e começou a dar vários beijos pelo meu braço. – Meu Deus, eu amo.
Eu ri um pouco com os beijos leves na parte interna do meu braço e me abaixei para dar-lhe um beijo nos cabelos dela.
– Eu to com saudade, amor. – Eu disse com os meus olhos fechados e o rosto entre os cabelos dela.
Ele fez um som com a garganta e se sentou em um segundo, me puxando para o colo dela e a cena toda aconteceu em um piscar de olhos. Os olhos dela brilhavam e eu sabia que era o espelho dos meus tamanha era a nossa vontade uma da outra depois de tanto tempo. Marina ergueu a minha blusa completamente expondo meus seios. Suas mãos levaram meus cabelos para trás e eu os prendi em um coque frouxo. As mãos dela seguram a minha cintura quando eu me abaixei e a beijei profundamente. Ela passou as mãos pelas minhas coxas e logo após as deixou em minha bunda, apertou por ali e me imprensou contra o seu corpo. Minhas mãos estavam novamente em seus cabelos quando ela deslizou a boca até a minha orelha e deu mordidas por ali, em seguida em meu pescoço. Eu mordi meu lábio segurando um gemido e fechei os meus olhos.
Eu passei a rebolar lentamente sobre o seu corpo e ela gemeu em resposta, sua boca estava descendo até um dos meus seios. Ela chupou um de cada vez e eu rebolei com mais vontade me sentindo tão excitada que era como se nenhuma roupa estivesse entre nós duas. Eu levei meus lábios até o pescoço dela e dei beijos e mordidas, ela respondia apertando o meu corpo com as mãos.
Me aproximei do ouvido dela e sussurrei um pouco ofegante. – Eu te amo.
Ela parou os movimentos e eu a encarei. Nossas bocas estavam a centímetros e nossa respiração estava tão misturada como se fosse apenas uma. Ela sussurrou com os lábios agora colados nos meus. – Eu te amo.
Eu sorri em resposta e mordi o lábio dela que estavam encaixados entre os meus e em seguida nos beijamos demoradamente. Eu a abracei quando senti sua mão deslizar para dentro do meu short e iniciar movimentos lentos e ao mesmo tempo ritmados. Gemia enquanto sentia os beijos dela em meu ombro e rebolei em seus dedos por que era impossível se manter parada. Marina respirava pesadamente me meu ouvido e foi quando eu desci uma das minhas mãos e a surpreendi quando repeti os mesmos movimentos em sua intimidade, fazendo-a gemer alto. Éramos uma mistura de amor, tesão e desejo que crescia a cada segundo até que explodimos pouco tempo depois, juntas.
***
Um pouco mais tarde, fomos almoçar em um restaurante não muito longe do apartamento. Era um lugar super aconchegante e havia uma varanda extensa no segundo piso com mesas ao ar livre, nós sentamos em uma próxima a rua que dava vista para um parque com um lago. Estávamos esperando o nosso pedido quando a vi olhando o visor do celular. Marina já havia ligado infinitas vezes para sua mãe querendo saber como a Sophia estava e nem parecia aquela que sentiu alívio um pouco mais cedo.
– Marina, você não vai ligar de novo. – Eu disse pegando o celular de sua mão, mas ele vibrou no momento em que eu abri a bolsa para guarda-lo. Eu atendi sem assim que vi de quem se tratava.
“Alô.” – Eu disse rispidamente.
“Clara? A Marina não está?” – Vanessa disse.
“Não, ela está no banho.” – Ela estava me olhando sem demonstrar nenhuma emoção.
“Bom, depois eu ligo então.” – Ela disse, alegre demais.
“Não, você não vai ligar. Nem pra ela, nem pra mim. Você também não vai chegar perto da minha irmã, por que você não vai mais trabalhar com a Marina, e isso sou eu quem está falando, não ela.” E eu desliguei em seguida.
Eu pensei duas vezes antes de guarda-lo e acabei deixando junto ao meu na mesa para o caso da mãe da Marina ligar.
– Você foi direto ao ponto. Eu gostei. – Ela sorriu e segurou a minha mão dando um beijo demorado.
Eu respirei fundo e rolei meus olhos. – Gosto de ir direto ao ponto. – Eu passei a minha mão pelo seu rosto e segurei seu queixo um pouco forte, ela fez um som de dor, fingindo, é claro. – Eu não gosto de mentiras e você sabe, se ela continuar ligando eu quero saber.
Eu soltei o rosto dela e ele ficou passando a mão, como se tivesse sido o suficiente para machuca-la.
– Ai amor, entendi. – Ela disse fazendo biquinho e eu sorri da sua encenação.
***
Depois de almoçar, nós ficamos passeando pela cidade de mãos dadas, como um casal normal e não com a responsabilidade de vigiar uma criança o tempo todo. Nós tiramos fotos juntas e rimos enquanto conversávamos tranquilamente, mas em determinado momento, ambas estávamos tristes e com saudades da nossa Sophia.
Quando estava quase no final da tarde, nós voltamos para o apartamento dela e só deu tempo de sentar por que o furacão Sophia chegou devastando tudo com suas mãozinhas segurando um algodão doce sem cabo, seus cabelos estavam todos colados e sua pele toda melada. Ela pulou em nós duas e soltou o algodão na Marina.
– Sophia! Por quê??? – Marina disse enquanto via a sua blusa toda melada.
– A vovó disse que você gosta. – Ela disse quando pulou em pé no meio de nós duas e depois se jogou nela. – É pra você.
A mãe da Marina estava rindo e eu não pude evitar. Ela estava tentando controlar mas o algodão se espalhou e ela desistiu.
– Gosto dele inteiro, não na minha blusa. – Ela respondeu para si mesma, meio choramingando.
Despois de rir muito do acontecido, nós estávamos conversando sobre como havia sido o passeio delas enquanto a Sophia e a Marina comiam o algodão que agora estava na mão dela. Sophia às vezes colocava um pedaço na minha boca e acabou me sujando toda também com suas mãos meladas no meu rosto.
Tivemos que tomar banho depois da bagunça e o sofá precisou ser limpo duas vezes até sair todo o açúcar. A mãe dela jantou conosco e depois foi embora. Nós assistimos um filme com a Sophia mas ela estava elétrica e não parou um minuto sentada. Queria brincar de tudo e assistir ao filme ao mesmo tempo e eu estava cansada só de ver e de escutar a voz incansável dela. Sempre que eu me aninhava ao peito da Marina, ela puxava uma ou outra com ciúmes então ela sentou em uma ponta do sofá e eu em outra, só assim ela nos deixou em paz, não tinha como não rir diante dessa situação e eu sentia uma falta imensa daquela manhã que já parecia tão distante.
Quando nos deitamos eu logo me preparei para mais chutes, mas a Marina colocou um edredom extra nas minhas pernas e serviu por que eu sentia levemente as pernas dela contra mim.
***
Era o nosso décimo sétimo dia em Londres e nós duas estávamos esgotadas no lugar de relaxadas, Marina comprou passagens de volta para o dia seguinte bem cedo e eu avisei Rosa e meus avós que estaríamos chegando de noite. Marina se certificou de ter comprado presentes para todos e não adiantava falar, ela não se poupava quando o assunto era presentes para os meus primos que já estavam para lá de mal acostumados.
Nós passamos o dia arrumando as malas que trouxemos e as novas para levar tudo o que compramos, a mãe da Marina passou o dia ajudando com a Sophia por que eu já não tinha mais voz e nem espaço no rosto para olheiras. Exageros a parte, foi uma ajuda e tanto.
No dia seguinte nós tomamos café da manhã no aeroporto enquanto esperávamos o nosso voo que era às 8h. Sophia ficou relutante de largar a mão da mãe da Marina quando percebeu que ela não estava vindo com a gente.
– Sophia, aqui é a casa da vovó. Nós estamos voltando para a nossa. – Marina disse quando ela começou a ficar vermelha e com os olhos cheios d’agua. – Ela irá lá daqui algum tempo, se você convidar ela.
Sophia no mesmo momento levantou a mãozinha e chamou com os dedinhos e suas lágrimas já escorrendo.
– Não, não assim. Pelo telefone quando chegarmos em casa. Tá bom? – Ela perguntou, mas Sophia não aceitou e ficou chorando em silêncio enquanto a mãe dela era só lágrimas também. Nós fomos para a sala da primeira-classe e esperamos. Ela acabou se distraindo com o meu celular e logo estávamos no avião.
Eu e Marina estávamos de mãos dadas e minha cabeça estava em seu ombro. A cada vez que eu respirava, o perfume inebriante dela me consumia por inteira. Eu suspirei baixo e ela me olhou com um sorriso torto, o meu favorito.
– Se eu não te conhecesse, você passaria por uma adolescente apaixonada. – Ela sussurrou.
– Sou quase isso, tirando a parte da adolescente. – Eu levantei meu olhar até encontrar o dela. – Às vezes. – Eu sorri.
Ela me beijou carinhosamente e eu me derreti quando ela segurou na minha nuca e massageou lentamente de acordo com o beijo. Eu gemi de forma que só ela escutasse e ela respondeu mordendo o meu lábio.
Nós estávamos entretidas e de olhos fechados quando um leve toque em meu ombro nos interrompeu. A comissária estava apontando seu dedo para a Sophia por que ela estava apertando descontroladamente o monitor na poltrona à sua frente.
Marina começou a rir mas a comissária estava séria.
– A filha de vocês não tem idade suficiente para manusear o aparelho sozinha. – Ela disse.
– Desculpa, nós vamos ligar para ela. – Eu olhei para a Marina para que ela fizesse alguma coisa, mas ela não fez nada além de rir e a Sophia continuou em pé batendo seus dedinhos na pequena tela touch.
– Por favor. – Ela disse e se retirou.
Eu dei um tapa no braço da Marina e ela enfim se moveu e segurou os bracinhos da Sophia. Ela puxou a irmã até o colo e ela deu um gritinho. Poucos passageiros estavam a bordo, mas os poucos que estavam não se importaram com os gritos de quando ela começou a sorrir com a Marina dando mordidas na barriguinha dela. Eu sorri e segurei o rostinho dela que agora estava em meu colo e enchi de beijos. Ela segurou o meu enquanto sorria.
Nós logo tivemos que colocar o cinto e a Marina ligou um filme pra ela que dormiu depois de alguns minutos voando.
***
Nós chegamos em casa e meus avós quase me sufocaram em um abraço caloroso e as meninas em Marina e Sophia. Pedro, o mais velho estava entretido em seu videogame e quando eu o cumprimentei, ele apenas sorriu e disse “oi Clara”, sem tirar os olhos do aparelho.
Depois da distribuição de presentes e um breve resumo da viagem, eles foram embora com a desculpa de que as crianças tinham lição de casa para fazer.
– A menina ruiva anda ligando muito para saber de vocês. – Rosa disse quando estávamos sozinhas em meu quarto, desfazendo as malas.
– Ela disse o que quer? — Eu disse do banheiro quando fui colocar os produtos em seu lugar.
– Não, ela disse que era urgente. A mãe dela também ligou e me perguntou o que vocês falaram com a menina e se sabem por que ela está furiosa.
– Hum... Eu só disse que ela estava dispensada. Marina também.
Eu procurei o nome da mãe da Vanessa na agenda e liguei, ela respondeu no segunda chamada.
“Olá, é a Clara. Tudo bem?” – Eu disse.
“Meu Deus, nada bem. Vocês já voltaram?” – Ela parecia agoniada.
“Nós chegamos hoje. O que está acontecendo?”
“A Vanessa, ela sumiu faz alguns dias. Não é a primeira vez e eu sei que ela está em perigo por aí.” – Ela estava chorando. “Na última vez que eu a vi ela estava muito furiosa com vocês, mas com você principalmente. Eu não sei onde ela está, eu ligo todos os dias para todos que eu conheço da época em que ela saia muito e ela não está em lugar nenhum.”
“ Eu vou conversar com a Marina e talvez ela tenha uma ideia de onde ela esteja, não fica preocupada, como a senhora disse, ela já fez isso antes.” – Eu estava chocada.
“Ela disse para mim na manhã que a Marina ligou dizendo que não precisaria mais dela, que você tinha ciúmes por que ela e a menina gostam mais da minha filha do que de você. Minha querida, me desculpa por tudo isso, a Vanessa era muito agressiva quando passou a usar drogas, mas ela largou há muito tempo, quando ela começou a trabalhar com a Marina ela realmente estava bem, a mãe da Marina deve ter te contato o lado ruim da história, mas a Vanessa mudou.”
Eu bufei e rolei meus olhos.
“Ok, eu vou conversar com a Marina. Eu lamento por tudo isso.” – Eu realmente lamentava, ela não tinha culpa.
Nós desligamos e eu de imediato contei para a Rosa.
– Bom, isso é no mínimo preocupante. – Ela disse quando eu terminei. Eu tive que repetir tudo quando a Marina entrou no quarto perguntando o que era preocupante.
Ela não disse nada por um bom momento. Ela pegou o celular discando algum número e saiu do quarto. Sua mandíbula apertada e os olhos vazios deram uma noção da raiva que ela estava sentindo.
Eu continuei desfazendo as malas e conversando com a Rosa, nosso assunto era o mesmo desde a ligação. Mais ou menos meia hora depois ela voltou.
– Você não sai daqui sem segurança. – Ela disse, — terá uma equipe na casa e uma para te acompanhar.
– Marina, isso é... – Eu comecei.
– Necessário. — Ela se virou e saiu do quarto novamente.
– Talvez seja mesmo. – Rosa concluiu.
Eu não conseguia pensar no que a Vanessa poderia fazer. Puxar meu cabelo? Me xingar? Nada disso parecia precisar de segurança pessoal. Eu continuei desfazendo as malas e Sophia veio para a minha cama mostrar para Rosa as coisas que havia ganhado em Londres. Logo nós estávamos rindo, contagiadas pela alegria da nossa pequena.
***
Eu praticamente tenho passado mais tempo dentro de casa do que em toda a minha vida mas pelo menos não estava sozinha com a Sophia já que a filha mais nova da Rosa que havia completado seus 14 anos ha pouco estava passando os dias com a gente para que a Sophia acostumasse com ela, o que não foi nada difícil já que se deram bem no mesmo dia. Ela ficava o tempo todo brincando com a minha irmã, dava banho e atenção, eu praticamente não tinha trabalho algum à noite quando ela já estava muito cansada para querer brincar. Eu não saia por que eu tinha medo, era por que eu não queria um monte de gente me acompanhando para todos os lados, carro seguindo o meu e essas coisas. Mesmo tentando convencer a Marina de que não era necessário, ela não suspendera a segurança.
Juliana estava passando aqui quase todos os dias depois do trabalho com o marido e era bom ter alguém para conversar e passar o tempo. Mas hoje era domingo e eles ficaram de vir jantar aqui.
– Você está cortando errado. – Eu disse quando Marina cortou os cubos do tomate grandes demais. Eu ia pegar a faca da mão dela mas ela puxou.
– Você não me ensina, você simplesmente faz e eu não aprendo. – Ela disse e pareceu uma criança se defendendo. Eu ri.
Eu estava lhe mostrando calmamente como fazer e depois fui ver a panela do molho. Desliguei o fogo para esperar o único ingrediente que faltava.
– Marina, me deixa fazer. Falta só o tomate e você está aí cortando esse aí faz horas
Eu a abracei por trás um pouco forte.
– Não me distraia Clara. – Ela disse séria e eu ri mais ainda.
Eu voltei para a panela quando ela terminou com os tomates e liguei o fogo. Mexi até cozinhar bem e dessa vez ela que me abraçou por trás. Nós arrumamos a mesa e ela foi levando a comida até estar tudo arrumado. Sophia estava na sala assistindo desenho e pintando, mais o móvel do que o papel. Eu tomei banho primeiro e Marina ficou olhando a Sophia, coloquei uma blusa branca decotada em v e um suéter de caxemira azul escuro, coloquei um short jeans básico e sandálias. Passei apenas um rímel e gloss da cor dos lábios, deixando meus cabelos soltos caindo pelos meus ombros.
Borrifei um pouco do meu perfume e desci.
– Amor, você pode ir se aprontar. – Eu disse quando estava nos últimos degraus da escada e ela se levantou. Seu olhar me estudou, parando tempo demais no meu decote.
– Isso tudo é pra mim? – Ela me abraçou pela cintura colando nossos corpos. Eu sorri.
– Não deixa de ser, você gostou? – Eu disse com a maior inocência que pude.
Ela primeiro deu uma fungadinha no meu pescoço e isso foi o suficiente para me arrepiar por inteira. Eu segurei em sua blusa com as mãos fechadas e meus olhos também. Ela fez um som gostoso com a sua garganta que era um “hummm” tão primitivo que eu senti meus joelhos fraquejarem. Ela riu e soltou uma mão do abraço em minha cintura e desceu seus dedos pelo meu decote que estava colado ao meu corpo, ela terminou com um beijo no meu colo e eu abri os olhos a tempo de encontrar seu olhar.
– Eu não poderia ter gostado mais. – Ela sorriu e ia beijar meus lábios mas eu virei o rosto e pegou na minha bochecha.
– Vai tirar meu batom. – Eu fiz parecer importante mas me arrependi quando olhei seus lábios e minha boca encheu d’agua. – Vá pro banho, anda. — Eu me soltei do seu abraço apertado e possessivo dando-lhe tapinhas, ela subiu rindo e balançando a cabeça.
Eu olhei para a Sophia que havia parado de desenhar e estava olhando em nossa direção. Pela primeira vez em.... não, pela primeira vez mesmo ela não nos separou ou chorou com ciúmes.
Eu sentei no sofá e a chamei com meus dedos quando ela fez menção de vir. Ela subiu em meu colo correndo e eu comecei a arrumar seu cabelo que já estava meio fora do lugar.
– O que foi princesa? – Eu perguntei dando-lhe um cheirinho no pescoço.
Ela se encolheu toda e gargalhou por que era sensível demais naquela parte do corpo, suas mãozinhas tentaram afastar meu rosto e antes eu dei uma mordidinha em seu pescoço. Ela se aninhou no meu colo e olhou pra tv que logo prendeu sua atenção.
Marina desceu minutos depois e seu perfume inebriou todo o cômodo. Ela se sentou ao meu lado e pegou as pernas da Sophia até estarem em seu colo e ela sorriu pra a Sophia quando ficou brincando com a barra do vestidinho dela. Marina segurou a minha mão, nossos dedos se entrelaçaram e pousamos nossas mãos acima das pernas da Sophia. Ela olhou e colocou a mãozinha dela em cima. Nós rimos e Marina deu beijos na mãozinha dela e depois em meu rosto.
Nós ficamos um bom tempo rindo do desenho que estávamos assistindo até que a campainha tocou. Sophia deu um pulo toda sorridente e eu fui com ela abrir a porta. Juliana e o marido chegaram e depois de nos cumprimentarmos, Marina pegou o vinho que eles trouxeram e Sophia já estava tentando rasgar o embrulho do presente que deram a ela.
Era uma coleção de dvd’s de filmes infantis e ela não deixou a Marina em paz enquanto ela não colocou o primeiro.
– Meu Deus, isso irá distraí-la pelo resto do ano. – Eu disse segurando a mão da minha amiga enquanto íamos até o sofá. – Você é a melhor tia, ela tem razão. – Nós rimos.
– Como se você não a conhecesse, Clara. Ela irá ver por alguns minutos e irá procurar outra coisa.
Nós rimos e ficamos assistindo a ela sentar pra assistir ao primeiro. Marina nos serviu um pouco de vinho e deu suco pra Sophia não ficar pedindo do nosso. Ela e o marido da Ju ficaram conversando próximos a enorme janela panorâmica e nós continuamos no sofá.
– E ai, sobre “aquele” assunto, ela já te chamou para conversar? – Juliana perguntou de forma que só eu escutasse.
– Não, e eu to só deixando pra ver onde isso vai dar. Eu não posso acreditar que na cabeça dela, ela não me deva uma explicação.
– Eu também. Bom, eu sei de uma coisa, você vai precisar tocar no assunto por que ao ver dela, parece que está tudo bem.
– Realmente está, sabe. Nós estamos bem outra vez, só que eu não entendo o por que dela nunca ter me falado sobre a adoção e as drogas.
– Talvez ela teve medo de você não aceitar que ela ficasse perto da Sophia, e acima de tudo, temos que reconhecer que ela nunca fez nada com a menina, até se dão bem. Diferente de se tivesse sido alguém completamente desconhecido. – Juliana disse e nós ficamos pensativas.
– Sim. Eu estou ciente sei disso, mas ela falou para a mãe dela de um jeito que era como se ela quisesse as duas pra ela. Louca.
Nós rimos e bebemos nosso vinho. Conversamos por mais algum tempo e fomos jantar. Revirei meus olhos em todas as vezes que recebíamos um elogio sobre a comida e Marina falava que eu a tinha ajudado e não o contrário. A conversa basicamente circulava na Juliana contando como estavam as coisas na empresa onde eu trabalhava. E o assunto principal era a Sophia. Até que o marido da Ju guiou a conversa para outro assunto.
– E vocês, vão ficar noivos pra sempre? – Deu pra ver a Juliana brigando com ele e eu sorri olhando pra Marina.
– Bom, em breve mudaremos isso. – Marina disse e sorriu. – Não é amor? — Ela me olhou ainda sorrindo.
– Você que está dizendo. – Eu sorri cinicamente.
– Vocês basicamente estão casadas, quando casarem será apenas um pedaço de papel. – Ele disse entre risadas.
– Me desculpem por isso. – Juliana disse corando.
– Não tem problema, estamos em amigos. – Eu ri tranquilizando-a e logo após todos riram. – Ele tem razão, nós vivemos há anos juntos e temos uma criança.
Sophia riu como se estivesse entendendo e nós todos rimos também. Quando havíamos acabado eu comecei a retirar as coisas. Juliana me ajudou e Sophia ficava pra lá e pra cá atrás de nós duas enquanto ajudava com coisas extremamente leves e não perigosas. Eu levei a sobremesa, uma Cheesecake de morango que era a minha especialidade.
Todos comeram calados e concentrados emitindo alguns sons de prazer que me deixavam com um sorriso enorme e a sensação de missão cumprida. Tive que segurar o braço da Marina quando ela queria seu terceiro pedaço e Juliana fez o mesmo com o marido.
Juliana me ajudou novamente com a mesa e depois que estava tudo na lavadora de louças, nós fomos até a varanda, onde estava Marina com a Sophia e o marido da Ju. Havíamos comprado um parquinho de quintal para a Sophia e Marina estava empurrando ela lentamente no balanço. Não havia como ignorar os cinco seguranças circulando por ali e ao lado da casa. Nós sentamos na escada e ficamos assistindo a tudo e conversando até que era tarde demais e eles precisaram ir embora. Nós nos despedimos e entramos.
***
Estávamos brincando com tinta guache com a Sophia e já passava da meia noite. Nenhum de nós três com sono então continuamos e em determinado momento as tintas já estavam acabando. Marina pediu que eu pegasse uma caixa nova no armário de brinquedos da Sophia em seu quarto. Eu fui até lá e acendi as luzes, estranhei o fato de a janela estar aberta até tão tarde sendo que eu me lembro de ter fechado ainda pela tarde quando a Sophia tomou banho. Fui até lá novamente e fechei.
Eu olhei ao redor do quarto por um momento vendo se havia algo fora de lugar e meu olhar caiu até a parte de trás do nosso quintal onde havia dois seguranças circulando. Eu voltei meu olhar para o quarto até que vi um pedaço de papel dobrado no travesseiro da Sophia.
Eu cheguei lá em poucos passos e quando abri dizia:
Tic tac, a sua vez de brincar de casinha está acabando, tic tac.
– Marina! – Eu gritei e em segundos ela estava aqui, a Sophia em seu braço. Ambos com o mesmo olhar de preocupação. Eu a peguei e dei o bilhete a Marina.
– Meu Deus, Marina. – Eu estava tremendo. – Quem esteve aqui? Com toda essa segurança que você colocou. Entraram aqui.
Minha voz estava um tom acima do desespero e eu senti meu corpo todo tremer, me sentei e quando a Sophia sentiu minhas mãos tremendo ela começou a chorar. Eu não conseguia acalma-la por que a Marina estava lendo e relendo e eu queria saber no que ela estava pensando.
– Isso não é sério, ela não faria nada com você. – Ela simplesmente disse.
– Quem mais iria falar isso se não quisesse me machucar, pelo amor de Deus.
Marina só balançou a cabeça e pegou de volta a irmã, ela puxou literalmente a minha mão e eu tropecei quando fiquei em pé até acompanha-la. Ela gritou pelo chefe da segurança e eu quase tapei meus ouvidos como a Sophia estava fazendo enquanto chorava. Marina estava vermelha, gritando xingamentos com o rapaz alto e forte que estava ouvindo sua reclamação sem dizer nada, com seu rosto impassível enquanto analisava o bilhete.
Quando a Marina estava se acalmando, em partes, o rapaz a guiou até o lado de fora e eu não ouvi mais nada. Eu abracei forte a minha pequena e bastou eu ficar calma pra ela também ficar. Marina entrou e subiu na companhia do chefe de segurança e de mais dois homens. Eu escutei passos firmes acima do teto e móveis sendo arrastados. Sophia estava olhando assustada para a escada e eu fiquei passando a mão em seus cabelos até que ela deitou em meu peito, eu a balancei levemente até que ela dormiu. Eles já estavam lá em cima há quase uma hora e eu já não aguentava mais esperar quando eles finalmente desceram.
Marina se sentou ao meu lado, nas suas mãos estavam mais papeis do mesmo que achei na cama da Sophia, quando ela me viu olhando começou:
– São todos iguais, estavam por toda a parte. Eles estão procurando digitais, mas está tudo perfeito pelo que deu pra ver, não tem nada faltando também.
– Tenho certeza de quem foi, não preciso de digitais. — Eu disse baixo.
– Você está com raiva. De qualquer forma, eles vão achar alguma coisa.
Eu balancei a cabeça e uma lágrima rolou até que ela a parou com o polegar. Marina me beijou carinhosamente e me abraçou de lado.
– Por que nós não vamos passar um tempo no apartamento da Barra? – Ela sugeriu. – Iríamos nos divertir um pouco fazendo um novo quarto pra essa pequena. — Ela acariciou os cabelos suados da Sophia e eu concordei com a cabeça novamente.
Nós ficamos por mais um bom tempo esperando que liberassem o andar de cima, minha cabeça em mil pensamentos sobre o porquê e de como ela entrou no quarto da Sophia sem que ninguém percebesse. Acabei ficando exausta e dormindo no ombro da Marina.
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