Almost family
11 Colors and promises...
Notas iniciais
Capítulo dez.
Havíamos decidido que após o evento dos bilhetes a melhor alternativa seria passar um tempo fora. Na minha cabeça, tudo não passava de exagero da Marina, mas para tranquiliza-la, faríamos sua vontade. Nós pegamos duas malas pequenas e preenchemos apenas com o suficiente para ficar por alguns dias no apartamento da Barra da Tijuca.
Dois seguranças se ofereceram para descer com as malas enquanto Sophia escolhia os brinquedos que queria levar e eu ligava para a Rosa para avisa-la da novidade. Em seguida avisei minha avó também e Marina instruía o chefe da segurança com novas ordens.
Uma hora mais tarde já estávamos no apartamento onde eu morei durante a minha vida toda com a minha mãe e eu imediatamente lembrei que não havia estado aqui desde que nos mudamos para a casa no Leblon, meses antes da Sophia e eu só sabia que estava habitável por que a Rosa passava aqui toda sexta para retirar o pó.
Do lado de fora, o que víamos em primeiro lugar era apenas uma porta giratória e uma faixada toda dourada em um prédio de seis andares, que a primeira vista era um típico prédio de classe média e um porteiro que já era de idade avançada sentado na pequena guarita em próxima ao portão.
Quando me viu, ele automaticamente saiu de seu posto e veio de encontro com um sorriso largo no rosto, assim que eu saí do carro ele me abraçou como se eu fosse uma garotinha. Eu o apresentei para a minha “nova” família sem explicar muito e seu olhar pareceu confuso quando olhou para Marina, mas sua expressão não disse nada além de alegria por me rever. Ele pediu que alguns rapazes que estavam cuidando do jardim se encarregaram das malas enquanto entramos.
Sophia estava super animada com o lugar novo, por que o tempo todo avisamos que era a nossa segunda casa, então estava toda sorridente e inquieta quando a Marina pegou a chave para abrir a porta do último apartamento do corredor no sexto andar.
O apartamento era aconchegante. Não era imenso como a nossa casa e não estava tão bem decorado também. Sophia gritou e saiu correndo na frente para conhecer o que havia pelo corredor e nós olhamos uma para a outra e rimos. Nós entramos de mãos dadas e eu fui mostrando a Marina todos os cômodos passando primeiro pela a sala que fazia uma divisão em balcões com a cozinha americana, a sala de jantar logo ali ao lado e pelo corredor chegavamos a duas suítes que costumavam ser uma minha e a outra da minha mãe, um banheiro e uma pequena biblioteca. Todos do mesmo tamanho e até que eram espaçosos, mas os quartos estavam completamente sem vida.
Mais tarde no mesmo dia fomos comprar tintas e móveis. Até nos esquecemos dos problemas quando começamos a remontar o quarto da Sophia. Nós três estávamos mais pintadas do que o quarto que estava ganhando uma cor lilás que a Sophia havia escolhido. Ligamos o som alto e cantávamos enquanto terminávamos de pintar. Pela tarde os móveis chegaram e enquanto montavam no nosso quarto, nós montávamos os da Sophia. Ela dava pulinhos de alegria com as coisas novas. Nós deixamos tudo pelo meio e quando a tinha estava seca nós passamos um papel de parede com um tema infantil de bonecas e flores. Marina foi pintar o nosso enquanto eu limpava primeiro e depois arrumava suas roupas em seu novo armário e os brinquedos em um baú, alguns ficaram pelo tapete e ela começou a brincar enquanto eu terminava de colocar a cortina.
Fui ajudar a Marina e só acabamos o nosso quarto quando já era noite. Nós três tomamos banho juntas e mesmo com a ajuda da Marina para tirar a tinta do nosso corpo, demoramos quase meia hora. Eu dei janta a Sophia que dormiu em seguida em questão de segundos. Eu a coloquei na cama e voltei até o sofá, liguei a tv em qualquer coisa e me esparramei, morta de cansaço.
– Cadê ela? – A voz da Marina me despertou de um cochilo.
– Dormiu. – Eu ronronei, me espreguiçando.
– E você também, pelo jeito. – Ela riu e me deu um beijo na cabeça ainda em pé, atrás do sofá.
– Estava te esperando para comermos juntas. – Eu disse levantando e segurando sua mão enquanto ia até ela. Fomos até a cozinha e ela me abraçou enquanto eu servia a nós duas.
– Que cheiro bom. – Ela disse e apertou seus braços um pouco mais forte contra minha cintura.
– Eu sei que você gosta da minha comida. – Eu ri e virei o rosto para dar um beijinho em seu nariz.
– Também, mas eu me referia a você. – Ela me imprensou contra o balcão da cozinha e eu só tive tempo de largar a colher no prato e apoiar-me. Sentia todo o corpo dela pressionado contra as minhas costas.
Ela beijou o meu pescoço e afastou o meu cabelo com seu rosto e mordeu por ali, eu fechei os olhos e gemi baixo entre uma risada, encolhendo levemente meu corpo. Marina segurou meus braços com força e imobilizou meu corpo contra o seu totalmente. Seu peso me sufocava de uma forma incrivelmente boa e eu me rendi. Ela afastou com um braço as comidas que estavam por ali e uma mão sua pousou em minhas costas me forçando a debruçar à minha frente. Eu apoiei meu rosto no mármore gelado e ainda de olhos fechados eu chamei pelo seu nome.
– Ah, Clara! – Ela suspirou. Suas mãos se arrastaram por baixo da minha blusa até encontrarem os meus seios e ela os massageou gostosamente. Eu sorri de prazer com meus olhos fechados, mordi meus lábios e rebolei contra o seu o seu corpo, fazendo com que ela também gemesse baixinho. Nós ficamos provocando uma a outra pelo que pareceu ser muito tempo até que ela levantou a minha blusa até a metade das costas e beijou por ali dando mordidas entre os beijos que eram lentos, eu tentei me soltar, mas suas mãos me seguraram com mais força.
– Marina... – Eu choraminguei e tentei mais uma vez me soltar para me virar para ela mas fora em vão. Ela segurou meus pulsos com uma única mão aplicando uma certa força enquanto a outra estava começando a descer para a região sul do meu corpo quando ela rapidamente me soltou. Senti Marina ficar de pé e eu imediatamente a imitei, percebendo então por que ela havia se afastado.
Escutei o choro baixo da Sophia e em segundos ela apareceu no corredor que dava abertamente para a cozinha nos procurando.
Eu fui até ela correndo e me abaixei, ela estava com o rosto molhado de lágrimas e logo se aninhou em mim.
– Meu amor, o que foi? – Eu perguntei e a levei para a cozinha. Marina fingia não estar frustrada enquanto voltava a esquentar a comida. Eu a coloquei na bancada e a abracei junto a mim enquanto acariciava seus cabelos até ela se acalmar.
– Eu quero o meu quarto. – Ela disse entre soluços.
– Mas aquele é seu, amor. – Marina disse de imediato, agora pegando o prato e sentando em um dos bancos por ali.
– Eu pensei que você tinha gostado. – Eu disse enquanto enxugava suas lágrimas com meus dedos e beijava seu rostinho.
– Eu gostei, — Ela simplesmente disse e voltou a deitar em meu ombro.
Marina dividiu as colheradas entre nós duas enquanto a Sophia estava sonolenta e quietinha dando leves suspiros por causa do choro.
Nós voltamos para a tv e eu deitei entre as pernas da Marina com a Sophia ainda em meu colo, ela acabou adormecendo minutos depois com apenas a luz da tv no ambiente.
– Eu ainda quero. – Marina sussurrou e mordeu minha orelha de leve.
Eu afastei a cabeça sem fazer nenhum movimento brusco e virei meu rosto de lado.
– Não vai dar. – Eu disse sorrindo e dei um beijinho nos lábios dela, mas ela me segurou e eu acabei abrindo-os para a sua língua. Quando o beijo terminou estávamos ofegantes e agora eu também estava frustrada pelo que não aconteceu na cozinha.
– Droga. – Ela sussurrou em meu ouvido e mordeu de forma provocativa a minha orelha, em seguida começou a mudar de canal compulsivamente. Eu ri e me levantei, deixando a Sophia deitada no meu lugar. Marina a segurou como um bebê e então ficou olhando para mim fazendo um biquinho, toda carente.
– Não faça assim. – Eu disse sorrindo e me virei, caminhando para o corredor.
Eu fui escovar meus dentes e lavar meu rosto para deitar. No espelho pude ver algumas marcas leves pelo meu ombro e pescoço, até nos meus pulsos e não pude deixar de sorrir. Voltei para pegar a Sophia e a Marina estava com os olhos fechados e o rosto tranquilo. Não! – Pensei comigo, você não está dormindo. Peguei a Sophia que já estava em seu sono de pedra dos braços da Marina, que nem se preocupou em abrir os olhos. Coloquei-a novamente em seu quarto, dando-lhe um beijo silencioso de boa noite.
Voltei para a sala estranhando o fato de estar tudo escuro e a encontrei vazia. Voltei correndo para o nosso quarto e a luz do banheiro estava acesa, sorri como uma adolescente e fui pega ainda com esse sorriso estúpido no rosto quando a Marina apareceu na porta do banheiro com uma toalha em suas mãos.
– Pensei que ia dormir no sofá. – Eu rapidamente me recompus e disse caminhando para a cama.
– Não te daria esse gostinho. – Ela disse de forma desafiadora e voltou para o banheiro, reaparecendo sem a toalha nas mãos. Ela apagou primeiro a luz do banheiro e em seguida a do quarto, mantendo as luzes baixas dos abajures acesas.
Eu sentei na beirada da cama, com meu olhar preso no dela, que caminhava em minha direção. Ela se manteve entre as minhas pernas, olhando-me de cima e eu lutei para não agarrá-la e terminar com esse jogo de provocações. Marina se abaixou o suficiente para estar a centímetros do meu rosto. Eu sentia a sua respiração se misturar com a minha facilmente.
– Uma pena você ter dito, — Ela sussurrou quase que com os lábios nos meus, eu até os sentia flexionar. – ... antes, lá na sala, que não daria mais para continuar. – Ela respirou fundo e lentamente com os lábios entreabertos de uma forma extremamente sensual.
– Eu disse isso? – Respondi, com a minha voz traidora falhando.
Ela simplesmente balançou a cabeça, afirmando. Dessa vez, seus lábios e nariz roçaram contra os meus e eu fechei os olhos, apertando as mãos contra o colchão atrás de mim. Deixei meu corpo cair um pouco contra os meus braços.
– A sua sorte é que se eu quero uma coisa, Clara... – Ela abaixou totalmente o rosto para o meu pescoço e mordeu forte, fazendo-me fechar os olhos e dar um gritinho com a surpresa. Ela riu sedutoramente e continuou. — ... Ela já é minha.
Eu gemi baixo sentindo uma outra mordida, dessa vez com menos força e logo em seguida beijos leves por toda a área, fazendo-me inclinar a cabeça para o lado oposto, dando-lhe permissão. Era delicioso como eu não precisava abrir os olhos para vê-la, já que a minha própria memória se encarregava de preenchê-la com a imagem dela. Ela sentou em meu colo com os joelhos dobrados um de cada lado do meu quadril e segurou na barra da minha blusa, eu automaticamente ergui os braços para que ela se livrasse da peça. Marina não perdeu tempo e trilhou beijos do meu pescoço, passando pelo meu colo e então para um dos meus seios. Mordi o lábio segurando um suspiro e levei as mãos até os cabelos dela, enrolando-os nos meus dedos. A provocação era deliciosa e dolorosa, uma mistura excitante das duas. Eu sentia os dentes dela durante as mordidas lentas e então a língua molhada e suave.
– Você está muito quieta, — Marina sussurrou com a boca colada à minha pele. Sua mão subiu até o meu rosto e com o dedo indicador ela contornou a minha boca e puxou o meu lábio inferior da mordida que eu mantinha preso por puro autocontrole. – Eu quero te ouvir.
No entanto não tive tempo para reagir, sua boca em segundos estava contra a minha, sua língua invadindo-me cheia de desejo e forçando-me a deitar. As mãos dela se fecharam perfeitamente nos meus seios e massagearam, no mesmo ritmo do beijo, que era lento. Eu gemia entre o beijo e sentia cada ponto do meu corpo implorar por ela. Marina deitou por cima de mim com uma perna ao lado do meu corpo e trouxe a outra coxa para entre as minhas, criando um atrito perfeito conforme começava a movimenta-la para cima e para baixo.
As minhas mãos foram para de baixo da blusa, espalmadas sobre a pele suave e quente, ora roçando as unhas, ora a pressionando com força contra o meu corpo.
– Marina, — Eu disse entre um gemido quando ela afastou a boca da minha.
Ela se levantou o suficiente para sentar em minhas pernas e à meia luz, a vi olhando o meu corpo com lascívia, o que me fez suspirar. Ela levou as mãos uma em cada extremidade do meu short segurando a peça e a calcinha, abaixando tão devagar que chegava a doer, deixando-me nua e disponível à sua frente.
– O que você quer que eu faça, Clara? – Ela sussurrou com a voz rouca, enquanto passava as mãos pelas minhas coxas, afastando as minhas pernas, e aquilo era o suficiente para implorar por ela.
– Eu quero a sua boca, — Eu sussurrei, minha respiração alterada.
Marina se abaixou e trilhou beijos na parte interna da minha coxa, afastando-as sutilmente.
– Aqui? – Ela mordeu levemente, fazendo todo o meu corpo se arrepiar.
– Não, — Eu consegui responder, sentindo o sorriso dela contra a minha pele enquanto subia mais e mais.
Eu ergui um pouco o corpo, apoiando-me com os braços dobrados na cama para olhar para ela, que à meia luz, estava procurando o meu olhar também. Seu sorriso tão malicioso quanto podia até ela deslizar a língua por onde eu estava implorando por ela todo o tempo. Eu apertei os olhos fechados sentido os estímulos deliciosamente lentos e gemia, não conseguindo conter mais nada. Todo o meu autocontrole se foi, conforme sentia as chupadinhas lentas em minha intimidade. Arqueei meu corpo entre os gemidos, mas ela não estava preocupada com isso, já que demonstrava estar sentido prazer em me ver nesse estado. Suas mãos subiram até os meus seios e os envolveram completamente, massageando de forma com que aumentasse ainda mais todas as sensações que meu corpo estava experimentando. Deixei meu corpo cair novamente sobre a cama e levei as minhas mãos por cima das mãos dela, aplicando mais força nos meus seios. Apertei meus olhos bem fechados quanto senti ela gemer contra a minha intimidade e intensificar os movimentos com a língua. Eu sabia que não podia aguentar muito mais, mas estava aproveitando cada segundo, rebolando em sua boca, extraindo o máximo desse momento que sempre era deliciosamente único.
– Deixa ir, amor. – Marina sussurrou, sentindo a tensão por todo o meu corpo.
Bastou isso. Meu corpo todo estremeceu e eu gemi longamente, diante de um orgasmo devastador. O corpo dela estava por cima do meu antes que eu pudesse me dar conta, beijando a minha pele suada, lambendo o meu pescoço, provando-me como se degustasse cada centímetro do meu corpo, com as mãos, com a boca, com o olhar. Eu apenas respirava ofegante, entorpecida com a melhor sensação do mundo. Apenas tive forças para retribuir o beijo carinhoso que agora trocávamos.
– Boa menina. – Marina sorriu, depositando um beijo delicado em meus lábios. Eu apenas sorri e continuei deitada enquanto ela buscava as minhas roupas pela cama. – Vamos vestir você.
Eu ri enquanto ela recolocava as minhas roupas e então nos entrelaçamos debaixo do edredom, exaustas. Todo o cansaço de um dia de movimentação reapareceu e não sei se daria para dizer que consegui contar até dez antes de adormecer.
***
Sentia-me tão dolorida que parecia ter corrido uma maratona no dia anterior. Essa fora a primeira sensação que tive ao despertar. Marina estava enganchada contra mim com seus braços envolvendo-me possessivamente, seu rosto em meu pescoço, fazendo cócegas com a respiração uniforme bem próxima a minha pele. Eu também estava com um braço segurando-a junto a mim, ambas suadas por causa do edredom e da proximidade.
Sem muita pressa de levantar, apenas me afastei o suficiente para olhar o seu rosto, dedicando um tempo para observa-la dormir e sorrio quando ela sorri em seu sono. Tão linda. Levo a minha mão até seu rosto e meus dedos roçam sua linha perfeita do maxilar, tão suave ao toque. Ela sorri, alheia a carícia e vira seu rosto, meus dedos deslizam pelos lábios e ela segura minha mão de repente, dando um beijo carinhoso ainda de olhos fechados. Ela beija meu pulso demoradamente e roça o nariz pela área. Eu sorrio e volto a acariciar seu rosto e depois seus cabelos. Ela não abre os olhos, mas sorri e volta a dormir de novo.
***
Marina havia saído há mais de uma hora com a Sophia para passear pela orla e talvez pela areia da praia por que a pequena dramática estava entediada com as mãozinhas no vidro da janela olhando o extenso mar à frente do prédio. Seu rosto se iluminou quando a Marina perguntou se ela queria descer. Logo que elas saíram eu espalhei meus papeis pela mesa de jantar e dediquei algum tempo a um projeto que eu pretendia apresentar ao meu chefe quando retornasse das férias. Eu liguei para a Marina, quando havia passado tanto tempo sem notícias.
– Meu amor. — Ela atendeu no segundo toque. — Sophia, calma.
Eu ri por que quase vi na minha frente os duas disputando o telefone.
– Onde vocês estão?– Eu perguntei.
– Nós andamos um pouco, mas não estamos tão longe, daqui ainda vejo o prédio. Estamos na areia.
Eu ri e nós tentamos falar mais alguma coisa mas a Sophia queria a atenção completa dela e eu a entendia completamente. Nos despedimos e desligamos. Eu voltei ao trabalho.
Outra hora havia passado desde a ligação e eu estava acertando alguns detalhes antes de guardar tudo nas pastas e ligar novamente quando ouvi a porta da sala bater. Eu sorri por que já estava com saudade da minha pequena, mas continuei escrevendo para não perder a linha de pensamento do que eu estava fazendo.
– Marina? Ela está dormindo? – Eu disse quando não ouvi nenhum grito da Sophia, que era o normal.
Uma risada que eu conhecia imediatamente me fez virar, mas eu apenas vi o tom avermelhado dos cabelos de relance, e então senti algo batendo forte contra a minha cabeça e mesmo que um “não” tenha saído desesperado pela minha garganta, eu não vi mais nada.
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