Almost Valentine
9 A dinner?
Notas iniciais
Damon
Já haviam se passado dois dias desde que beijei Elena, e faziam dois dias que eu não a via, ou falava com ela... Ao não ser na escola quando a gente dava o nosso "show".
Garota mimada.
Um beijo e ela cria uma terceira guerra mundial.
– Damonzito, meu amor. — A esposa de meu pai me chama, com aquela voz de pato engasgado dela. Rolei os olhos, colocando o livro que estava lendo de lado, e olhando para ela... Ou pelo o menos tentando, já que ela só usava uma lingerie.
O que essa maluca tá fazendo?
– O que... Isso... — Balancei o dedo indicador na direção dela. — Onde estão suas roupas?
– Eu cai na piscina Damdam. — Eu odeio esses apelidos broxantes. — Fiquei toda molhadinha.
Minha boca estava, literalmente, aberta. Bastante aberta. E não era porque a mulher do meu pai estava semi nua na minha frente, era porque... Bem, a mulher gostosa do meu pai estava semi nua na minha frente.
"Elena, Elena, Elena"
O que?
– Daminzinho. Ouviu o que eu disse? Papai e mamãe vamos dar um jantar em família. — Ela sorriu, se virando de costas e começando a subir as escadas. Como a bunda dela balança. — Seu pai insiste que você traga aquela coisinha.
Ashley já havia sumido de vista, e meu pescoço chegava a doer de tão inclinado que estava na direção da escada.
– Damon. — A voz de meu pai me faz saltar do sofá, ficando em pé e o encarando com os olhos arregalados.
– Eu não vi nada. — Falo, de repente, fazendo-o me olhar com confusão. — Ah... O que quer? — Pergunto, me sentando novamente e secando o suor das mãos em minha calça.
– Você é meu filho mais velho, Damon... Eu nunca pensei que você tomaria jeito mas... — Meu pai suspirou, se sentando ao meu lado. Não vem coisa boa por ai. — Essa garota, ela mudou você. — Nem sabe o quanto, papai. — Ela merece fazer parte dessa família. Quero que ela esteja presente conosco hoje, certo? — Meu pai sorri, colocando a mão sobre meu ombro.
Fico o olhando com a mesma cara que a Elena faz quando... Bem, a cara que ela sempre faz pra qualquer coisa, aquela de songa monga tapada.
– Ah... Tá. Certo. — Dou um sorrisinho, me levantando e me afastando de meu pai. — Eu vou até a casa dela... Então...
Não digo mais nada, antes de sair pela a porta e andar até meu carro.
A última vez que meu pai sorriu para mim, foi quando me contou que minha mãe estava morta. E então ele me abandonou para viajar pelo o mundo com o filhinho perfeito e a puta com quem se casou duas semanas depois.
– Que grande exemplo, Giuseppe. — Digo, dando partida no carro e seguindo para a casa da minha garota... Minha garota?
Acho que essa confusão toda com a volta do meu pai pra cidade, tá mexendo com minha cabeça. Acho que estou enlouquecendo.
Elena
Estava deitada em minha cama, olhando para o teto e ouvindo músicas nos ultimo volume. A cada momento, a cena de dois dias atrás voltava em minha mente, fazendo eu desejar matar o Damon.
Isso é inaceitável.
Além dele me colocar nessa encrenca, me fazer passar por sua namorada, explodir meu avô e todas as coisas ruins que fez comigo nos últimos... A minha vida inteira, ele me beija. Como se não fosse nada.
Aquele aborto de uma orgia, fruto do espermatozoide do satanás, cria de uma senhora que pratica serviços sexuais.
Como ele tem coragem de encostar aquela boca imunda em mim? Ele ao menos esterilizou aquilo?
E a pior parte de ser agarrada, beijada a força, violentada e quase estuprada em público? Eu gostei.
Gostei de ser beijada por um sociopata insano sem consciência mental. Eu gostei de ter nossos corpos colados, enquanto ele preenchia minha boca com sua língua. Maldição, eu gostei de ter suas mãos em meu corpo e gostei dos lugares sujos e impuros para onde minha mente foi.
Isso não deveria acontecer. Não com ele.
Não com o cara que ferrou a minha vida e me deu tantas cicatrizes, e eu não estou falando apenas das marcas em minha pele.
Damon me feriu mais do que qualquer um, eu nunca chorei por ele, ou por qualquer um deles. Mas dói mesmo assim.
Já passou por um daqueles momentos aonde começa a tocar uma música, e você repassa a sua vida e começa a se lembrar dos momentos felizes e te bate aquela saudade? Esse não é o meu caso, só queria mudar o rumo dramático que meus pensamentos estavam tomando.
Por falar em pensamentos, eu tenho a leve impressão de estar sendo observada. Sabe, como naqueles filmes de suspense, aonde a mulher fica sendo observada pelo o psicopata.
E isso fica mais assustador, quando eu estou usando apenas uma camisa velha de meu pai e uma calcinha com o estampa de florzinha.
O que é? Minha mãe ainda compra minhas calcinhas.
O meu som foi desligado, e um sol desagradável de uma risada ecoou pelo o quarto.
Maldição, maldição, maldição.
– Se eu não te conhecesse, princesa. — Ele diz, sua voz se aproximando cada vez mais de mim. — Diria que faz de propósito.
Me sentei na cama, cruzando os braços e o encarando confusa. O que diabos ele estava fazendo na minha casa? Dentro do meu quarto?
– O que você quer? — Pergunto, mantendo uma postura firme de quem não se importa com um maldito beijo sem importância.
– Você está sexy, Leninha. — Ele morde o lábio inferior.
Ar, eu preciso de ar. Aonde foi parar meu oxigênio?
– Caso não tenha percebido, ou seja muito burro para notar. — Me levanto da cama, mantendo o máximo de distância possível entre ele e eu. — O fato de eu estar te ignorando, é porque eu estou ignorando você.
Damon faz uma careta... Parece eu quando acordo e me olho no espelho.
– Tudo bem, Sra. Óbvio. — Ele rola os olhos, se jogando em minha cama e me olhando. Na verdade, ele estava olhando para minhas pernas. — Meu pai vai dar um jantar, e ele faz questão da sua presença.
Tomo meu urso da mão dele, me sentando na beirada da cama.
– Não posso estar em um jantar com sua família, Damon. — Falo, pensando no quanto eles são sofisticados e bonitos e eu... Sou eu.
– Por que não? — Pergunta, agora mexendo em meus cd's. Fico calada, achando as cotículas de minhas unhas mais interessante que os olhos de Damon.
Ele se senta ao meu lado, colocando o dedo em meu queixo.
Ele estava perto. Inferno, ele estava perto.
– Se a sua insegurança estragar meus planos, eu vou fazer o inferno ser um paraíso para você, Elena. — Ele sussurra em meu ouvido, me fazendo estremecer... De medo. Talvez raiva, mas a maior parte era medo. — Usa o vestido azul. — Damon desfaz meu rabo de cavalo, fazendo meu cabelo cair sobre meus ombros. — Você fica maravilhosa com aquele vestido.
Olho para ele, vendo os olhos azuis que mais pareciam uma montanha de gelo. Sem sentimentos, sem brilho. E então olhei para os lábios, tão próximos... Convidativos... Oh, Damon Salvatore era minha maldição.
Vejo uma luz branca, como o flex de uma câmera fotográfica.
– Ah... Essa vai pra geladeira. — Jeremy sorri, balançando a câmera nas mãos e saindo do quarto sorrindo.
– Idiota. — Digo, me levantando e fechando a porta.
Espera, fechando a porta? Estou em território de caça, e caso alguém não tenha notado, Damon é o predador. Eu praticamente me atirei no vulcão.
– Eu passo pra te buscar as sete em ponto, princesa. — Ele diz, com seu habitual sorriso sacana. — Esteja pronta.
Damon caminha até mim, colocando seus lábios sobre os meus rapidamente. Um selinho.
Então ele abre a porta e sai do quarto, indo embora e me deixando parada ali, com a maior cara de merda vencida.
Agora é oficial, ele quer acabar comigo.
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