Almas-Vagantes

18 Capítulo XVIII - Orgulho do Papai -


Notas iniciais
“Swift agora é o mestre de Peter. Swift é um mago do tipo mágico espiritua. Um teste com um cálice preenchido de um conteúdo liquefeito foi realizado a Peter. Nesse teste, Peter excepcionalmente descobriu que na verdade, ele não é um mago, mas sim um anjo. Então subitamente se lembrou de Joanne ao atravessar a soleira de Light Of Sky. Por que Joanne o perturba tanto?”.

Light Of Sky é o lugar mais movimentado de Sky Gray. Embora não parecesse, Sky Gray é uma cidade em sua maioria de jovens. Mas nada de incomum assolava a escola desde a chegada dos alunos novos. Mas aparentemente naquele dia, somente um dos alunos novos veio à escola, o aluno que se nomeava de Jefferson. Todos na escola estavam com ar de impaciência e tedio. Ouviam-se poucos murmúrios nos corredores, na verdade quase ninguém conversava um com o outro. Será que a maioria dos alunos de Light Of Sky é antissocial?

Por outro lado, uma pessoa na escola estava em demasia feliz naquele dia. Os olhos castanhos de Judson Match – ou Thanatos, seu pseudônimo peculiar – finalmente haviam se preenchido de entusiasmo. Sorria feliz para a cama do leito da ala hospitalar. Thanatos passava a maior parte do dia na ala hospitalar de Light Of Sky. O diretor Chin o pagava deveras bem para ser o enfermeiro de Light Of Sky, então Thanatos não tinha objeções. Além do mais, não tinha um paciente novo desde que Peter quebrou uma costela.

— Peterson Riddle... – Murmurou Thanatos sentado em uma escrivaninha na extremidade da saleta da ala hospitalar. Os cabelos castanhos lisos bem curtos estavam mal penteados, que junto a suas olheiras, dava a expressão de cansaço imódico. – Ainda não acredito que ele quebrou meu braço daquela forma... Felizmente alguém me socorreu... Agora que me lembro...

Thanatos apanhou em meio aos diversos papeis que preenchiam o console de sua escrivaninha, um bilhete um pouco amassado.

— Aliás... Quem é “S. K.”? – Murmurou Thanatos analisando o conteúdo do bilhete. – Bem... Não devo pensar em coisas abjetas no dia producente de hoje... Mal posso acreditar na minha sorte...

Os olhos castanhos cansados de Thanatos miravam com expressão feliz a cama no meio da saleta. Alguém estava deitado nela, seu corpo estava completamente coberto por um lençol branco meio amarelado. A pessoa estava morta.

— O Rio de Hades me presenteou com você! Meu caro amigo...Há! Há! Há! Há!— Disse Thanatos sarcasticamente ao morto. –Peço que colabore com uma producente pesquisa... Se não se importa, é claro...

Thanatos se silenciou por um segundo e abruptamente se levantou da escrivaninha e se precipitou em direção ao seu mórbido armário. Os frascos cilíndricos lançaram ao seu rosto uma esverdeada luz incandescente. O odor do formol atingiu os narizes acostumados ao seu cheiro de Thanatos. Os conteúdos dos frascos borbulhavam e flutuavam psicoticamente no líquido verde-florescente dos frascos. Alguns se mexiam como se estivessem vivos. Em cada frasco, calculosamente, tinha-se uma parte do corpo humano. Os bronzeados dedos finos de Thanatos apanharam um frasco preenchido com um líquido azul-florescente.

— Meu caro morto! – Ironizou Thanatos. Pôs o frasco na mesa de cabeceira da cama do morto, dividindo espaço na cabeceira com uma bandeja de prata cheia de ferramentas médicas (bisturis, pinças, etc.). – Dentro deste frasco jaz a sua vida!O Vírus Gênesis...

“Diferente de Eclipse— meu lamentável fracasso anterior que tive que despejar no Rio de Hades – você não morrerá” murmurou Thanatos percorrendo os olhos pelos lençóis da cama, “Antigamente mesclava erroneamente o vírus com minha técnica de cura.Um erro patético. Mas recentemente descobri a falha... Deve-se misturar o vírus Gênesis com eletricidade... Aparentemente o vírus se ativa mais intensamente quando o corpo infectado por ele recebe uma carga elétrica específica”...

“Por exemplo, Infectei um coração humano morto com o gênesis e após adicionei carga elétrica de 120 volts, o coração não reviveu... Tentei aumentar a carga elétrica para 220 volts... e para minha surpresa... o coração reviveu mais vívido que nunca”...

“Mas me faltavam cobaias para comprovar tal teoria... Agora excepcionalmente finalmente testarei minha teoria... em um ser humano”.

Thanatos olhou para seu relógio de pulso prateado e murmurou ansioso:

— Meu pai vem daqui a exatas... Uma hora! – Os olhos castanhos ansiosos percorrendo os ponteiros do relógio. – Ele disse que vai vir ver o andamento da minha pesquisa... Se ela está dando algum resultado. Ele me avisou... Que a pesquisa não estiver dando resultado... Ele... Vai parar de mandar dinheiro... Por isso, você tem que reviver! Quando você estiver vivo... Eu vou calar a boca daquele maldito do meu pai!...Ele vai ter que me pedir desculpas... Ele vai...

Thanatos dava voltas na sala, ansioso. Pensando se devia mesmo tentar ou não. Mas ele não poderia se acovardar naquele momento... Era agora ou nunca. Correu para o armário de amostras e retirou de dentro dele uma coisa que tinha posto lá recentemente.

— Isto é um eletro-despertador! – Exclamou Thanatos ao morto com um capacete parecido com um daqueles capacetes de cadeira elétrica nas mãos. Tinham-se fios de diversas cores saindo no topo e se encontrando na parte traseira. Tinham-se diversas fendas verticais pelo qual saia os cabelos de quem o usava, o capacete era completamente feito de ferro. O capacete mais parecia um daqueles feiosos aparelhos dentários gigantescos para casos de doenças dentais graves. Da parte de trás do capacete em meio a um emaranhado de fios coloridos, saísse um fio negro que se devia conectar a tomada.

— Em certas ocasiões é usado para matar presos de merda! – Completou Thanatos colocando o capacete em sua escrivaninha. – Mas como ajustei a voltagem dele para apenas mil volts... Não há nada para se preocupar... Não é mesmo? Há! Há! Há! Há!— Gargalhou Thanatos sarcasticamente.

Hoje o capacete não será usado para matar... Mas sim... Para ressuscitar!”

Thanatos atravessou a saleta e se postou ao lado do morto, oeletro-despertador nas mãos bronzeadas.

— Está na hora! – Thanatos postou o capacete na mesa de cabeceira e retirou abruptamente o lençol de cima do morto. – Meu caro morto!

O morto mais parecia um zumbi.

Tinha cabelos negros lisíssimos que acabavam por cobrir seus olhos ligeiramenteintactos e seu rosto que fora destroçado por algo. O nariz fora psicoticamente trocado por fendas negras. Os lábios não mais existiam, deixando a mostra os dentes e suas raízes mesmo estando de boca fechada. A pele do rosto fora psicoticamente assolada deixando à mostra a carne vermelha-acinzentada morbidamente ensanguentada. A pele pálida que restará em poucas partes do rosto e no corpo fora encarquilhada por aparente afogamento. Os olhos negros agora acinzentados por causa da morte. A boca ensanguentadasemicerrada ainda com vestígios da água cristalina do Rio de Hades.As vestes negras semiarrasadas cobertas de musgo. Thanatos não sabia, mas o nome do morto era...

Senn Hitachi.

Thanatos colocou calmamente o capacete na cabeça do morto. Apanhou uma seringa na mesa de cabeceira e a preencheu com líquido azul-florescente do frasco. Enfiou a enorme agulha da seringa abaixo do olho na mucosa da pálpebra inferior. Injetando o conteúdo azul direto no cérebro do morto.

— Eu sei que dói... Mas deve-se injetar o vírus no ser cérebro... – Murmurou Thanatos retirando a agulha da seringa do olho do morto. – Bem... Agora a pior parte...

Thanatos olhou receoso para o capacete na cabeça morbidamente feia do morto e após para o fio negro que descia do capacete até o chão, onde a ponta do fio se encontrava próxima a uma tomada. Thanatos fechou a cortina da janela, fazendo a saleta se iluminar somente pela luz incandescente da lâmpada no teto.

Aproximou-se receoso da tomada e apanhou o fio que ligava o capacete.

— Eu devo realmente fazer isso? Eu devo...?Eu devo...? – Pensou ele, os olhos castanhos apreensivos. – Meu pai está vindo... Meu pai está... Vindo... Eu consigo... Anda! Anda! – Mas ele não encontrava coragem suficiente para colocar o fio na tomada. Os olhos castanhos preenchidos em lágrimas prateadas.

Contou mentalmente até dez. O fio nos dedos próximo a tomada, demasiado nervoso para colocá-lo. “... sete, oito, nove...”.

DEZ!

Light Of Sky sofreu um súbito apagão.

Todas as luzes se apagaram inesperadamente. Os professores pediram calma aos alunos nervosos. Algo como falta de energia súbita era extremamente raro em Sky Gray, já que a companhia de energia da cidade era extremamente competente nesse aspecto. Caia a luz no máximo uma vez por ano. Mas sempre que a luz caia, era porque uma árvore tinha atingido a fiação.

— Mantenham a calma! – Disse o professor Rephy Collisk em meio a sua aula de literatura. – Senhorita Amanda sente-se! – Ralou Rephy para uma garota de cabelos negros encaracolados que olhava pela janela. –Senhor Mateus! Sente-se agora mesmo! – Gritou Rephy a outro aluno que seguiu a ideia da garota Amanda. – O PRÓXIMO QUE SE LEVANTAR DA CADEIRA IRÁ FICAR DE DETENÇÃO ATÉ O FIM DO SEMESTRE!

Todos se sentaram apreensivos. Os olhos voltados para janela. A sala estava parcialmente escura, a única fonte de luz vinha da janela. Mas como lá fora se fazia um dia nublado, a sala estava deveras nebulosa.

— SE ACALMEM! – Pediu Rephy Collisk ríspido. – Parece que nunca presenciaram uma falta de energia na vida!

Peter não estava nem de longe apreensivo, estava acostumado a quedas súbitas de energia. Aafobação dos colegas acabava por lhe ser engraçada. Rephy olhou cético para o sorrisinho de Peter.

— Por que está feliz? Peterson... – Perguntou Rephy ríspido. Os olhos céticos preenchidos de desconfiança. – Você não está envolvido? Está?

— Como eu estaria envolvido? Senhor... – Exclamou Peter com veemência, o sorriso desaparecendo do rosto. – Eu estava aqui antes mesmo da luz cair...

Sei! – Vociferou Rephy ainda desconfiado. – Esperem aqui! – Mandou Rephy atravessando a soleira da sala às presas. – Vou verificar o que está acontecendo!

Quando teve certeza que o professor já estava no fim do corredor, Peter se levantou de um salto e se precipitou em direção à janela. Além do muro e o jardim da escola via-se telhados de casas vizinhas e um céu cinzento deveras nublado. “Será que vai chover?... Que estranho... De manhãzinha o céu estava praticamente ensolarado... Seria isso um mau presságio?” se perguntou Peter em pensamentos.

Eis que os olhos de Peter se esbugalharam. O céu estava mudando subitamente. A noite estava invadindo o dianovamente. Uma súbita pontada de nostalgia atingiu seu cérebro, sabia que já havia presenciado aquilo, mas não sabia quando e onde.

A lua entrou na frente do sol e ficou alaranjada, escurecendo o céu. Estava de noite mesmo estando de dia. Mas não havia lua, somente estrelas e uma esfera escura de cor alaranjada flutuando onde deveria estar o sol. As nuvens se tornaram negras e se enfeitaram com as estrelas cintilantes do céu.

Aquilo era o que chamam de Eclipse.

A sala de aula se escureceu completamente, nada se via além de vultos das carteiras e vultos de rostos obscurecidos sentados nelas. A maioria dos alunos não se deu ao trabalho de se levantar da cadeira. Somente Peter estava com o nariz metido na janela.

— Sente-se Peter! – Avisou Amanda. – O professor já vai voltar!

Peter lançou um olhar calculista a Amanda e foi se sentar. Alguns minutos lentos se passaram. A sala se mantinha sombriamente quieta. Então finalmente a luz voltou junto com gritos de comemoração.

Rephy adentrou a soleira com expressão de satisfação.

— Já resolvi o problema! – Exclamou ele. Os olhos faiscando de arrogância. – Um mísero fusível queimado... Tive apenas que trocá-lo... Aparentemente a energia caiu somente aqui! AGORA CALEM A BOCA E VOLTEM A SUAS TAREFAS! – Gritou ele embora a sala estivesse apreensivamente silenciosa. – VOCÊS TEM UM LIVRO INTEIRO PARA LER EM UMA SEMANA! É MELHOR COMEÇAREM LOGO! – Vociferou Rephy.

O título do livro eraOs Enigmas Das Nuvens. Na capa havia vários pássaros voando em direção a um pôr-do-sol violeta. Este livro era aparentemente um conjunto de histórias infantis.Peter olhou para o livro que Rephy distribuirá no inicio da aula com preguiça em demasia para começar a lê-lo.

Por que Rephy quer que a gente leia histórias infantis de merda?!— Pensou Peter olhando para a capa do livro desinteressado. – Devia ter ficado em casa treinando com o Swift...Quem sabe ele me ensine um feitiço... Ainda não acredito que sou um anjo... Não vejo a hora das minhas asas nascerem...

Eis que uma lembrança lhe atingiu. Olhou em volta procurando algo e murmurou:

Cadê a Joanne?

Joanne havia faltado. Como não havia percebido isto antes. Ele não sabia.

Um vulto vestindo um terno deveras caro adentrou a soleira de Light Of Sky. O rosto do vulto se iluminou pelas luzes do saguão de entrada de Light Of Sky. A figura tinha expressão orgulhosa no franzido rosto pálido.Os cansados olhos castanhos cobertos por óculos quadrados com armação dourada. O vulto se chamava de Harold Match, pai de Thanatos. Harold parecia estar com uma pressa exorbitante. Os olhos nervosos olhando periodicamente o relógio enquanto se dirigia a ala hospitalar de Light Of Sky. Os sapatos calculosamente lustrados quase escorregando no piso escorregadio.

— Que dia! – Exclamou Harold em tom de cansaço. – Um eclipse... Que coisa anormal! – Olhou para a soleira principal de Light Of Sky a suas costas, que se encontrava obscurecida pelo eclipse.

Mal sabia o que lhe esperava.

A porta da enfermaria onde Thanatos trabalhava estava fechada. Bateu rispidamente a porta. Mas ninguém o atendeu. Aparentemente a porta não estava trancada, pois com um empurrão ela se escancarou. Os olhos castanhos do Senhor Match se sobressaltaram. Não podia acreditar no que via. Não podia acreditar.

O lugar seimpregnava de um odor insuportável de formol. Perto da porta se encontrava uma bagunçada escrivaninha. No meio da saleta se encontrava uma cama hospitalar encharcada de sangue e água. Postado no travesseiro da cama se encontrava um capacete cheio de fios – O eletro-despertador –expelindo fuligem ligeiramente, aparentemente tinha sofrido curto. Os olhos de Harold passaram da cama ensanguentada para a mesa de cabeceira preenchida ferramentas médicas reluzentes. A única janela da saleta estava destruída, como se alguém tivesse se jogadonela como uma pedra. Os vidros da vidraça postados no chão. Um frasco de vidro vazio girava no chão como se tivesse acabado de cair. Amostras de partes do corpo-humano – seus frascos completamente despedaçados –se encontravam despejadas sobre todo o chão, algumas amostras pareciam ainda estar vivas.

No fundo da saleta, jogado dentro do armário de amostras destruídoestava Thanatos. Os olhos castanhos – iguais aos do pai – semifechados. A barriga aberta em um corte profundo, irrompendo sangue escarlate. Os frascos antes preenchidos de partes do corpo-humano estavam quebrados por cima do corpo ensanguentado, as prateleiras do armário despencadas por baixo das costas. Thanatos parecia estar murmurando algo a si mesmo.

Frankstein... Frank... Frankstein... Está vivo... – Cochichava Thanatos demente.

— Filho?! – Exclamou Harold chocado com o que olhava. – Você está bem?!

— Papai? – Sibilou Thanatos com um sombrio sorriso demente no rosto. – Há! Há! Há! Há!

— Filho... Você está bem? – Disse Harold se aproximando trêmulo de Thanatos. Os olhos correndo nervosos pela saleta assustadora. – Venha! Eu te levo para um hospital!

— Hospital? – Exclamou Thanatos com uma arrepiante voz sombria. O sorriso demente ainda no rosto. – Estou perfeitamente bem, papai!

— Não está não! – Insistiu Harold assustado com o filho. – Você está ferido!

— Estou? – Perguntou Thanatos sombriamente. Instantaneamente sua barriga se regenerou. – Parece que não! Há! Há! Há! Há! Há!

— O que...? – Exclamou Harold assombrado, olhando para barriga milagrosamente curada de Thanatos com olhos psicóticos.– Estou ficando... Maluco... Devo estar... Cochilando... O eclipse é a prova que estou sonhando... – Sibilou Harold para si mesmo.

— Há! Há! Há! Há! Há! – Gargalhou Thanatos macabramente. – Você não está orgulhoso de mim, papai? – Perguntou Thanatos sombriamente, a voz em tom demente. – Eu ressuscitei um ser humano! Eu fiz frankstein!

Harold não respondeu. Parecia ter entrado em um estado de psicose. Os olhos castanhos girando nas órbitas.

— EU FIZ FRANKSTEIN! – Gritou Thanatos psicótico. – EU FIZ FRANKSTEIN PAPAI! NÃO ESTÁ ORGULHOSO DE MIM? NÃO ESTÁ ORGULHOSO DE MIM?

Harold gritou não acreditando no que ouvia. O rosto pálido espantado com o próprio filho.

Estou sonhando... Estou sonhando... Acorde... Acorde...— Murmurou Harold para si mesmo. Desejando acordar daquele pesadelo.

— Isso não é um pesadelo, papai... – Murmurou Thanatos sombriamente, o sorriso demente se substituindo por uma expressão assassina. – É a doce realidade!

A luz da saleta abruptamente se apagou. Os olhos de Harold mergulharam na escuridão. Estremecendo psicoticamente esperando algo o apunhalar, rezava mentalmente. Os olhos procurando luz em meio à escuridão absoluta. A respiração ofegante.

— Filho? – Exclamou Harold, a voz trêmula de terror. – Me responda... Por favor... Eu vim aqui... Para me desculpar... Eu não fui um bom pai... Eu te tratei a vida toda como um encosto... Por favor... Desculpe-me...

Gargalhadas macabras imergiram da escuridão.

— F-filho... Eu nunca o dei atenção... Eu achava que dinheiro era o suficiente... Achava que você não precisava de mais nada... – Murmurou Harold sombriamente assustado. Os olhos procurando luz.

Harold pareceu hesitar por um momento e murmurou com a voz ainda mais trêmula.

— Eu sequer disse como sua mãe morreu...

“Ela estava com câncer terminal... E então... Eu quis fazer uma cirurgia experimentar que alguns de meus colegas tinham obtido sucesso... Mas eles se recusaram a fazer a cirurgia na sua mãe...Disseram que se tinha cura no caso dela... Então...” a voz de Harold se encheu de pranto. “EU DECIDI FAZER POR CONTA PRÓPRIA! EU DECIDI FAZER POR CONTA PRÓPRIA!” Harold despencou em prantos.

“Um médico-cirurgião jamais deve fazer cirurgia em familiares... JAMAIS!” murmurou Harold melancólico. “EU MATEI SUA MÃE! EU MATEI SUA MÃE!... EU SEQUER PODIA OLHAR PARA SEU ROSTO SEM ME CULPAR!...EU SOU UM MALDITO... Pode me matar se quiser... Porque eu... EU JÁ ESTOU MORTO POR DENTRO!”

A luz subitamente voltou. Ao seu lado agachado ao chão de modo estranho por cima dos cacos de vidros e amostras, estava Thanatos, um olhar assassino nos olhos cintilantes.

— Ora! Ora! Papai! – Vociferou Thanatos sombriamente. Os olhos brilhando de animosidade. –Isso esclarece tudo!

Harold o respondeu com um olhar de medo.

— O senhor ainda não me respondeu! – Exclamou Thanatos. – Está orgulhoso de mim?

O-orgulhoso...? – Gaguejou Harold os lábios trêmulos de asco.

Inteiramente psicótico. Thanatos o mirou com um olhar fúnebre e avançou violentamente em direção a Harold e lhe abriu a barriga com as unhas das mãos imundas, como um urso faminto. Harold despencou sobre o chão gritando psicoticamente de dor, a barriga aberta jorrando sangue psicoticamente.

— EU LHE PERGUNTEI SE ESTÁ ORGULHOSO! – Thanatos pisou violentamente na perna esquerda de Harold destroçando-a. Sangue jorrou nas paredes. –PORRA! – Pisou na outra perna de modo brutal, deixando-a igual à outra. – RESPONDA!

GWAAAAAAAAH! ME AJUDEEEEM! ME AJUDEEEEEEEEM!— Agonizava Harold dolorosamente expelindo sangue escarlate pela boca. Os óculos reluzentes completamente ensanguentados.

Thanatos debruçou-se de barriga sobre o corpo agonizante de Haroldque clamava por socorro. E Murmurou sombriamente:

— Ora! Ora! Está doendo?... Papai!– O sorriso demente voltando ao seu rosto.

Thanatos abriu a boca de maneira assustadoramente grande e despencou em cima da barriga ensanguentada de Harold. Devorando suas entranhas macabramente, como um leão devorando uma zebra indefesa. Sangue se espalhando pelo chão de maneira artística. Tendo devorado todas as entranhas de Harold, Thanatos se deu por satisfeito e saltou pela janela destruída como um animal excêntrico.

Exatamente como Senn Hitachi tinha feito mais cedo naquela noite.

O pânico se propagou como um vírus por Light Of Sky quando foi descoberto o cadáver de Harold. Amanda falou ao professor Rephy que estava com extrema dor de cabeça e o professor rispidamente mandou-a ir à enfermaria. Mas o que Amanda encontrou acabou por aumentar a sua dor de cabeça.

Alunos diversos engarrafaram o primeiro andar. Murmurando entre si sobriamente tentando ver por cima das cabeças à frente. “Será que Thanatos morreu?” ou “Ouvi dizer que tem um cadáver na enfermaria!”, “Será que foi um assassinato?”, “Quem é o assassino?”.

Os murmúrios se calaram quando o Diretor Chin passou no meio do engarrafamento de alunos.Trajava vestes azul-marinho com gravuras de luas cheias. Os óculos redondos cintilando. Os cabelos grisalhos até os ombros reluziam a luz das lâmpadas no teto. No rosto uma nervosa expressão séria, Peter nunca tinha o visto com uma expressão tão seria. Os olhos verdes melancólicos aparentemente estavam odiando a ideia de ter um assassinato em sua escola.

Abriu caminho na multidão de alunos no corredor que levava a enfermaria com aparente ansiedade. Ao ver o cadáver de Harold jogado ao chão com as entranhas roubadas, seus olhos se encheram de raiva.

— TODOS DE VOLTA ÀS SUAS SALAS! – Ordenou ele em voz alta com veemência. – AS AULAS CONTINUARAM COMO O PREVISTO!

Ouviram-se protestos diversos. Mas pouco a pouco os alunos foram voltando a suas salas. Os professores levaram os alunos aflitos até a suas salas. O Professor Rephy parecia pela primeira vez aflito com algo. Levou os alunos do primeiro ano até suas salas – ordenou que não saíssem ou seriam expulsos – e correu da sala, o rosto mais pálido que o normal.

— O que será que aconteceu? – Peter ouviu Amanda dizer a seu amigo Mateus. – Nunca vi o Professor Rephy tão nervoso!

— Não sei... Talvez um assassinato provocado por um assassino em série... –Murmurou Mateus deveras aflito.

Mas ninguém realmente sabia o que estava acontecendo.

Alguns minutos depois, a polícia local finalmente chegou. A polícia local de Sky Gray se resumiamiseravelmente a cinco homens e uma mulher. Mais especificamente em um delegado, dois policiais, um detetive e uma especialista em autopsia.

Neste dia em questão foram mandados ao local um único policial, o detetive e a especialista em autopsia.O detetive, Kokoro Andrews, adentrou a portas de vidro de Light Of Sky primeiro, seus olhos negros preenchidos de olheiras faiscando de anseio por justiça. Logo atrás veio a perita em autopsia,Caroline Gattes, os olhos negros indolentes olhando a animação de Kokoro.

— Cadê o Silva? – Perguntou Kokoro olhando para a porta de vidro se fechando. Os cabelos negros deveras bagunçados.

— Ele disse que vai ficar no carro... – Disse Caroline vagamente olhando para o carro de políciaestacionado no meio-fio ao outro lado da vidraça do portal.

— Vagabundo! – Xingou Kokoro levemente irritadiço. – Mas tanto faz... Vamos logo!

— Ok! – confirmou Caroline seguindo Kokoro pelo pátio.

O Diretor Chin os esperava no centro do pátio, os olhos verdes faiscando de inquietação.

— Sigam-me! – Exclamou o diretor.