Almas-Vagantes
11 Capitulo XI - Amnesia Artificial -
Notas iniciais
Os olhos penetrados em escuridão, a mente preenchida de melancolia sem sentido... Onde estaria Peter?... Podia sentir algo sendo perdido de seus pensamentos, não conseguia se lembrarde quem era em alguns instantes... O que estava acontecendo? Continuava desmaiado...
— Quem sou eu? – Se perguntou Peter, nada a vista a não ser pura escuridão perturbadora. – O que estou fazendo aqui?
Ele estava de pé em algum lugar, mas não sabia aonde. Será que havia ficado cego? Peter começou tremendamente a cogitar isso. Mas nada pode provar. Lá era nada mais que um delírio psicótico. Eis que um vulto de luz branca se materializou em sua frente, era uma mulher de branco. Era Marta. Os cabelos vermelhos de Marta estavam vividos e reluzentes como se tivessem renascido. Os olhos penetrantes se preenchiam de doses de melancolia com doses igualadas de felicidade. Era um fantasma.
— Filho... – Disse o fantasma de Marta em voz sombriamente espectral. – Eu... Vim lhe dizer... Por favor...
— Mãe?! – Gritou Peter interrompendo-a. – Mãe? Você... Não faz ideia do quanto senti saudade de você...
— Por favor... – Continuou ela. –Me esqueça...
— Do que você está falando? – Disse Peter. – Por quê?
— Lembrar-se de minha morte... – Disse o fantasma. — Não fará bem a sua saúde mental... Por favor... Esqueça-me...
— Como você pode saber disso? – Disse Peter, lágrimas prateadas descendo pela face. – Você sequer é real...
— De fato...— Disse o fantasma sombriamente. – Sou apenas um fruto de sua fértil imaginação.
O fantasma abruptamente se transformou da mãe de Peter para Inihs. O mesmo rosto pálido, o mesmo cabelo azul-claro reluzente, o mesmo sorriso, os mesmos olhos exorbitantemente violetas. O fantasma manteve flutuando a frente de Peter, encarrando Peter com o mesmo rosto de Inihs. A escuridão dominava ao redor dos dois. A luz provinda do fantasma iluminava levemente o rosto de Peter, mas estranhamente o chão não se iluminava. Parecia que não existia chão.
— O que você aspira de mim? – Indagou Peter, o rosto vestido de lágrimas por ter revisto sua mãe. – Retroceda para o inferno...
— Inferno?! – Disse o fantasma com a mesma voz desdenhosa de Inihs. – Não vim de um lugar com um nome tão tolo quanto esse.
— O que você quer de mim?— Gritou Peter. – Vai se ferrar!
— Vejamos... – Disse o fantasma, o dedo indicador na boca de modo excêntrico. –Vim te atarracar... Ou se optar... Emaneipara te ferrar!
Eis que toda a escuridão abruptamente se transformou gradativamente no quarto de Peter. Não era nem de longe um lugar agradável aos olhos de Peter. Logo aos mirar seus olhos, sentiu um ataque de melancolia exorbitante. Gritou de agonia ao lembrar-se de cenas psicóticas que ali aconteceram. Como no dia em que encontrou seus pais mortos sobre a sua própria cama, ou no dia em que Inihs lhe fez uma visita. Caiu de joelhos ao chão morbidamente coberto de rosas podres do quarto.
— Isto pertence a suas doentias memórias... – Articulou o fantasma. – Nada diferente... Nada novo... Tudo exatamente igual ao que você se lembra.
Os olhos de Peter mexiam freneticamente e se encharcavam de lágrimas. Gritava de psicose. Sua mente gradativamente se infestava do abominável dos pensamentos, das agraves memórias. Qualquer ser humano habitual estaria em plena insanidade naquele momento.
Mas Peter não era um ser humano comum.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! Alguém me ajude! – Gritava Peter aos prantos, debruçado sobre o chão repleto de rosas podres. – Por favor! Por favooooooooooooor!
Ninguém nunca o amparava quando pedia... Ninguém.
— Chegou a hora... – Disse o fantasma sombriamente. – De fazê-lo rever...
Peter interrompeu seu berreiro de doidice.
— O que... Você... – Disse Peter com a voz rouca e falha. – Almejou... Dizer... Com isto...?
— Isto! – Disse o fantasma, para após abruptamente apagar-se por completo, como se nem tivesse estado ali.
O quarto de Peter se preencheu de rosas vermelhas ao chão em um piscar de olhos.Como se tivessem se materializado. Eis que todos os móveis desapareceram, permanecendo no quarto somente as pétalas de rosas vermelhas. Peter nem se deu ao trabalho de tentar entender ao que acontecia diante de seus olhos.
Com certeza era um sonho psicótico.
As pétalas esvoaçavam em um grande redemoinho espiral ao redor de Peter. Tampando quase sua visão quase que por completo. Eis que pararam abruptamente e começaram a plainar sobre o ar, até pousarem sobre o chão, agora limpo sem sequer uma rosa podre. O quarto se silenciou. Peter ouvia somente sua respiração levemente ofegante.Eis que primeira vez naquele instante pôs seus olhos a mirar na janela daquela saleta infestada de pétalas de rosas. O mundo não era o mesmo.
O céu não era azul, era violeta. As nuvens não eram brancas eram preenchidas por todas as cores do arco-íris. O sol gelidamente emanava luz branca quase prateada.
— Onde eu estou? – Pensou Peter psicótico. – Eu estou... Finalmente... Insano... Eu... Por acaso... Estaria... Psicótico?
Encostou as mãos no vidro na janela e pôs-se a observar a vista fantasiosa ao outro lado da janela. A luz branca do sol atingia seu rosto com leveza. Era certamente um universo alternativo... Um mundo dos sonhos.
O chão estava coberto quase que completamente por um excêntrico gramado violeta. No gramado se erguia árvores excêntricas com folhas prateadas como se fossem realmente feitas de prata reluzente. Animais híbridos caminhantes. A casa estava ao meio de uma floresta demasiada excêntrica.
— Em que mundo estou? – Se perguntou Peter, falando consigo mesmo de modo psicótico. –Devo estar tendo um sonho psicótico... Tem sido normal ultimamente...
Eis que tudo se tornou em escuridão, desaparecendo tão abruptamente quanto havia surgido. Os olhos de Peter começaram a se aclarar novamente. Estava acordando de seu devaneio psicótico. – Peterson, acordou?— Pronunciou alguma pessoa ao além.
Seus olhos oscilavam pelo ambiente. Onde estava? Parecia estar com a mente alterada. Sentia que não se lembrava de alguma coisa, mas não sabia o que.
Deparou-se deitado sobre uma cama aos trapos. Estava em uma casa de apenas um cômodo. Bem pobre e bagunçada. A saleta estava escura e abafada, as janelas cobertas por uma coberta empoeirada para impedir a luz do sol de penetrar o recinto, o chão completado por embalagens de miojo e roupas sujas. Diversos móveis empoeirados a volta: Um fogão; uma pia cheia de fungos e louças; uma estante de madeira preenchida por livros diversos. Na parede um quadro peculiar de um castelo. O quadro atraiu por um instante a atenção de Peter. Aquele único cômodo daquela casa se iluminava somente por uma luz enfraquecida vinda da janela parcialmente ocultada por uma coberta. A casa cheirava a poeira e mofo.
— Onde estou? – Se perguntou. – Será que...
Eis que alguém o interrompeu, vindo da única soleira da casa, um vulto surgiu.
— Finalmente acordou – Articulou a figura. – Já estava começando a me preocupar...
— Quem é você? – Perguntou Peter um pouco sobressaltado.
— Bem... – Eis que se materializou na soleira, alguém deveras excêntrico, cabelos os cabelos loiros cintilantes e pele pálida como neve, o corpo um tanto magricela coberto por um terno negro um pouco surrado e olhos azuis cintilantes. – Chamo-me Swift Kronus.
— Swift?! – Exclamou Peter confuso. – O que estou fazendo aqui?... Acho que bati com a cabeça, pois sinto que me esqueci dealgo, mas não sei o que...
— Verdadeiramente... – Disse Swift, um sorriso excêntrico no rosto. – Você deve ter se esquecido de diversas coisas... Mas eu posso ajudá-lo.
— “Esquecido”... – Disse Peter ainda mais confuso. – Aliás, quem sou eu? Nem sequer consigo lembrar meu nome...
Acho que exagerei um pouquinho na dose, pensou Swift um pouco preocupado com a amnesia de Peter.
— Bem... Seu nome é Peterson Riddle... – Disse Swift.
— P-Peter... – Murmurou Peter tendo um leve acesso de nostalgia. – Deve ser este mesmo... Acho que... Deve ser este o meu nome... Mas como você sabe?
— Isso é bem simples, Sir. Peter – Disse Swift analisando as expressões no rosto de Peter. – Por que eu conhecia-o!
— Você é meu amigo ou algo tipo? – Perguntou Peter.
— Há! Há! Há! Há! – Gargalhou Swift divertidamente. – Por Deus Peter. Óbvio que não... Sou seu responsável legal.
— O que você quer dizer com responsável legal? – Perguntou Peter se sentindo um retardado. –O que aconteceu com meus pais?
Swift ficou brevemente em silêncio com olhar pensativo.
— Você não os conheceu... – Mentiu Swift pondo sentimento na voz. – Eu cuidei de você desde que você era um pequeno Peter...
— Então eu não os conheci... – Disse Peter tendo uma leve pontada de tristeza no peito. – Você sabe o porquê de eles terem me abandonado?
— Er... – Enrolou Swift... Até que murmurou. –Eu soube que eles morreram de forma emblemática...
— De forma emblemática? – Perguntou Peter quase chorando.
— Não acho que seja bom falar sobre isto. – Disse Swift ríspido. –Só posso lhe dizer que eles amavam você...
— O-ok... – Disse Peter com uma leve melancolia. –E... Como foi que perdi minha memória...
— Um acidente... – Mentiu teatralmente Swift. – Você caminhava pela ponte quando misteriosamente desmaiou e bateu com a cabeça no fundo no rio, felizmente você não morreu...
— Mas... – Disse Peter lentamente... –Eu acho que não perdi minha memória completamente... Eu ainda me lembro de algumas coisas em específico...
— Coisas? – Disse Swift com cara de preocupação, mirou a Peter um olhar penetrante e continuou. – Quais coisas?
— Vejamos... – Disse Peter calmamente revirando suas memórias restantes. – Eu me lembro de que conhecia uma garota chamada... Hmmmm... Ah... Varleny, da qual eu só falei uma vez na beira da ponte e depois... Não consigo me lembrar do que aconteceu. E tinha um cara que eu odiava que se chamava... Inihs... E eu também me lembro de tudo que se refere à escola que eu estudava chamada de Light Of Sky, o Professor Rephy e o Professor Cole... Mas eu não me lembro de se Varleny e Inihs ainda estão vivos ou mortos...
— Mortos? – Perguntou Swift com cara de abismo. – Por que estariam mortos?
— Vai saber... – Disse Peter. – Vai que estive dormindo por anos e quando acordo, descubro que estão todos mortos...
— Bem... – Disse Swift pensando em uma mentira plausível. – Eles não morreram somente mudaram de cidade...
— Hm... – Disse Peter quase se lembrando de algo. – Deve ser por isso que quando penso no nome Varleny sinto angústia...
Eis que uma lembrança atingiu o córtex de Peter.
— O que é arte da onipotência? – Perguntou Peter se lembrando do dia em que Thanatos curou seu braço. – Eu acho que posso usá-la... – Disse Peter lembrando que repeliu a água do rio de Hades de seu corpo antes de desmaiar. – Acho que quando cai da ponte, meus poderes despertaram e pode repelir a água do rio de minha volta... Lembro-me disto claramente agora...
As lembranças de Peter voltavam gradativamente.
— Bem... – Disse Swift. – Não existe arte da onipotência...
— Como assim não existe... – Exclamou Peter. – Eu a vi com meus próprios olhos, parecia magia ou algo do tipo...
— Como posso explicar... – Disse Swift pensativo, os dedos entrelaçados em seus cabelos loiros.
“Neste mundo acreditava-se que os tipos de seres vivos se resumiam a seres pensantes e não pensantes. Mas a humanidade estava cruelmente enganada... Neste mundo existem seres que superam os seres humanos, esse excêntricos seres peculiares se nomeiam de “magos”. Magos são seres humanos evoluídos, digamos assim. Os magos possuem um esplêndido poder especifico chamado de ‘magia’. Existem diversos tipos de magia até hoje conhecidas. Mas cada mago pode dominar somente um tipo magia, estando forçado a vida toda a usar somente um tipo de magia.”
Swift caminhou até a janela e abriu uma pequena fresta para observar lá fora. Fazia um dia ensolarado.
— Existem magos que se acham superiores aos humanos e os veem como meros insetos... Chamados de magistas. – Disse Swift um pouco enraivecido, inspirou lentamente fazendo a raiva se dispersar. – Bem... Onde quero chegar... É que assim como eu...
“Você também é um mago!”
— Eu? – Exclamou Peter não acreditando. – Não posso ser um mago? Meus pais não eram...
— Como sabe?...Nem os conheceu... – Disse Swift. – Pelo que eu sei... Eles podiam muito bem ser...
Peter se sentia confuso com tanta informação.
— Bem... Acho melhor você respirar um pouco de ar fresco... – Disse Swift. – Você esteve muito tempo enfurnado na minha casa...
— Quanto tempo? – Perguntou Peter.
— Três dias... – Respondeu Swift com um olhar penetrante.
— Nossa! – Exclamou Peter abismado. – Então... Acho que um pouco de ar livre me fará bem...
— Aliás... É melhor aproveitar este dia de folga, pois... – Interrompeu-o Swift. – Amanhã você retornará para Light Of Sky...
Aaah não! Esqueci-me que odeio a escola, pensou Peter.
— Ok... – Disse Peter malcontente. – Hm... Bem... Já que sou um mago e você... Digamos... É um mago experiente... Poderia me ensinar magia?
— Não diria que sou experiente... Mas... Primeiro terei que descobrir qual seu tipo de magia... – Respondeu Swift ríspido. – Depois veremos o que posso fazer...
Peter deu de costa para Swift e desapareceu pela soleira. Swift se sentou sobre a cama em trapos. Até que subitamente lembrança o invadiu.
— Peter! – Gritou Swift. – Eu lhe acompanho.
Swift e Peter foram até a praça central para aproveitar o ar fresco do fim da tarde. O céu estava azul-claro com poucas nuvens. Escaldante, o sol brilhava intensamente como se nem fosse um fim de tarde. A brisa refrescava e esvoaçavam os cabelos. Estavam sentados sobre o gramado verde da praça, abaixo de uma das diversas árvores vividas que lá jaziam. Observavam calmamente o movimento das águas do rio de Hades que passava logo adiante no fim no gramado. A ponte branca e de arquitetura retrógrada continuava firme e forte no seu lugar. Peter não achava um assunto interessante para conversar com Swift em mente então se manteve quieto.
— Er... Como você se sente ao olhar para as águas deste rio? – Perguntou Swift com um olhar calculista.
— Bem... – Disse Peter. – Não sinto nada em especial... Por quê?
— Nada em especial... – Respondeu Swift e voltou a se silenciar.
Swift mirava seus olhos azuis com leves tons de verde para o céu. Os cabelos vermelhos de Peter se esvoaçavam cada vez mais. A brisa estava aumentando. O sol começou a se pôr lentamente. O céu se infestou de alaranjado e rubro. As nuvens ainda brancas enfeitando aquele magnifico céu de fim de tarde.A luz refletia levemente sobre a copa das árvores e sobre as moveis águas do rio de Hades. Após alguns minutos o sol finalmente se pôs por completo. O céu se escureceu e surgiu uma lua cheia brilhante como uma lâmpada incandescente acompanhada de milhões de estrelas coruscantes vívidas.
Eis que algo fez com que Swift arregalasse seus olhos azuis com espanto. Varleny apareceu flutuando acima de suas cabeças, dentre os galhos da árvore. Os galhos atravessavam-na como se ela fosse feita de fumaça. Varleny fantasmagoricamente escorregou pela árvore indo de encontro a Peter. Parou flutuando a frente de Peter a meio metro do chão. Usava o mesmo belo vestido branco. Esteve com certeza chorando ultimamente. Pois o rosto emanava preocupação; os olhos azuis cristalinos inchados; o rosto pálido como farinha; os cabelos loiros encaracolados flutuavam no ar; o corpo emitia levemente uma luz incandescente parecida com a da lua.
— Peter... – Disse Varleny melosa. – Estava com saudades...
Peter pareceu não estar a vendo.
— Peter? – Disse Varleny observando-o por alguns segundos com um olhar de quem fora ignorada. Deslizou pelo ar em direção a Peter com a intenção de abraça-lo. Mas estranhamente atravessou-o.
Almas-vagantes só podem tocar em quem pode vê-las.
— O que está acontecendo?! – Exclamou Varleny abismada. – Por que ele não pode me ver?
— Peter... Pode ir para casa – Disse Swift. – Ficarei aqui mais um pouco...
Peter se levantou de um salto e começou a caminhar em direção à casa de Swift. Varleny foi flutuando atrás dele.
— Menos você! – Exclamou Swift para Varleny.
— Eu?! – Perguntou Peter confuso. – Não me pediu para que fosse embora?
— Aaah... – Respondeu Swift com olhar de ironia. – Você pode ir... Estou falando com outra pessoa...
Peter lançou um olhar confuso a Swift e continuou. “Ele é louco?” Pensou Peter caminhando lentamente. Varleny percebeu que Swift falava com ela e flutuou em direção a ele.
— O que você quer comigo? – Perguntou Varleny ríspida. – Quem é você?
— Calma... – Respondeu Swift sorrindo. – Me chamo Swift, é um prazer–.
— Não quero ser sua amiga ou algo do tipo... Vamos direto ao assunto –Interrompeu-o Varleny. – Como pode me ver?
— Bem... – Disse Swift teatralmente. – Você é o que chamamos de alma-vagante-consciente... Almas-vagantessó podem ser vistas por quem já presenciou a morte de um ente querido... E posso dizer que isso já me ocorreu... E bem, você já deve ter percebido que seu amado Peter não pode mais vê-la, não é?
— Se Peter já presenciou a morte de um ente querido... – Disse Varleny. – Por que não pode me ver agora? Sendo que via antes?
— Não seria simples – Respondeu a Swift, os olhos azuis penetrantes. – Ele não se lembra de que presenciou a morte de um ente querido...
— Como assim? – Perguntou Varleny abismada. – Eu presenciei o dia em que ele foi derrotado por Shini e ele não bateu com a cabeça ou nada do tipo... Até vi a hora em que você o salvou na costa do rio de Hades.
— Não é obvio? – Continuou Swift sombriamente. – Eu apaguei as memórias dele. Mas especificamente as memórias psicóticas...
— Está me dizendo que – Disse Varleny com olhar preenchido por raiva. – Ele nunca mais poderá me ver...
— Exatamente... – Articulou Swift. – Mas não fique brava comigo. Fiz isso para o bem de Peter. Se ele continuasse com aquelas memórias psicóticas em sua psique poderia ficar insano ou na pior das hipóteses... Quem sabe... Acabar por se suicidar.
— O que exatamente você apagou? – Perguntou Varleny mirando a Swift um olhar angustiado.
— Vejamos... A sua morte... – Murmurou Swift lentamente. – E a existência dos pais dele. Agora ele acredita piamente que é órfão desde que nasceu... Utilizei um feitiço chamado de “esqueciatos”. Com ele dá-se para apagar certas memórias especificas de alguém. Mas não se preocupe... Ele não ficará sem vê-la para sempre.
— Como assim? – Articulou Varleny confusa. – Este feitiço é temporário?
— Não! – Exclamou Swift. – Ele não pode ver sua forma fantasmagórica, mas isso não quer dizer que poderá ver você em forma física.
— O que você quer dizer com isso? – Perguntou Varleny. – Está dizendo que vai me ressuscitar?
— Seguramente... – Respondeu Swift. – Eu domino o tipo de magia que possibilita colocar almas-vagantes em corpos ou objetos.As artes mágicas denominadas de Espiritua. Eu só preciso de um lugar onde você quer que eu coloque sua alma, como uma boneca por exemplo. Mas não recomendaria colocá-la de volta a seu corpo original, pois ele já está putrificando e seria deveras incômodo o cheiro. Sem falar que o seu cadáver já deve estar em composição...
— Na verdade... – Murmurou Varleny de modo sombrio. – E se eu disse que meu corpo não está putrificado, tão pouco fedendo. Que está deveras conservado.
— Seria inacreditável... –Respondeu Swift empolgado. –Mas como seria possível?
— Bem... – Disse Varleny ainda sombriamente. –Um cara chamado de Inihs ou Shini ou Null Kronus, está com o meu corpo transformado em boneca-quase-humana.
— Null... Certo... – Disse Swift com olhar distante. – Como você sabe de tanta coisa?
— Bem... – Disse Varleny constrangida. – Eu meio que persegui Peter desde que morri...
— Entendo... – Disse Swift. – Bem... Varleny... Poderia me esperar aqui... Vou buscar seu corpo e já retorno!
Swift estralou os dedos. E em um piscar de olhos desapareceu.
— Será que ele pode se teleportar? – Se perguntou Varleny. – Este cara é deveras excêntrico...
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