Almas-Vagantes
12 Capitulo XII - Semivida de Varleny –
Notas iniciais
Estava naquele lugar. Tinha-se um tapete vermelho enfeitadíssimo que se esticava abaixo dos pés de Swift. Paredes cobertas por cortinas vermelhas. Ao fim daquele longo tapete vermelho, um trono de almofadas pretas e estrutura coberta por ouro. Ao redor do tapete tinham-se bonecas mórbidas de tamanho humano imóveis olhando fixamente para o nada. Todas vestidas como maids góticas. O lugar se iluminava a partir de tochas e grande lustre de cristal no alto.
Swift estava na excêntrica casa de Inihs. Ou devo dizer... Null.
O lugar tinha um agradável cheiro de flores e lavanda. Observou por cima dos ombros e começou a examinar cada boneca, uma de cada vez, meticulosamente.
— Qual dessas é Varleny? – Se perguntou Swift com olhar apressado. Suor descendo pela testa. – Qual dessas? Qual dessas? Qual dessas? Qual dessas?
Cada boneca tinha uma peculiaridade excêntrica, uma tinham cabelos de cores anormais, outras tinham cores excêntricas de olhos. Mas todas usavam roupas de maid, saias brancas com bordas negras e paletó negro com uma minúscula gravata vermelha. As bonecas pareciam estar sorrindo, mas não era de felicidade, parecia mais...
Um sorriso forçado.
— Achei! – Exclamou Swift aliviado ao ver uma boneca com cabelos encaracolados e olhos azuis cristalinos. – Está é Varleny, sem dúvidas.
— O que você achou? – Disse alguém atrás de uma cortina. – Pássaro chantageado.
Era Shini. Lentamente, saiu de trás da cortina da qual estava escondido, revelando-se. Ele estava naquele momento assumindo sua “parte Null”. Estava com os cabelos negros com tom de azul, olhos negros e pele pálida exatamente a de Null. Um sorriso assassino no rosto.
— O que está procurando? – Disse Shini em tom frio. – Meu irmãozinho.
Swift sentiu uma raiva psicótica dominar seu corpo lentamente.
— Você não é meu irmão – Respondeu Swift com olhar de desdém a Shini. – Você é uma anomalia fúnebre que simula ser meu irmão...
— Oh! Minha nossa! – Disse Shini ironicamente. – Nem parece meu antigo irmão gentil falando... Você mudou Swift.
— Você não sabe o quanto... – Disse Swift em tom de advertência.
— Interessante! – Disse Shini elegantemente se sentando sobre seu trono excêntrico. – Mas o que o traz aqui?
Shini mirava a Swift um frio olhar penetrante. Usava um elegante terno azul claro sem gravata e sapatos excessivamente lustrados.
— Preciso de uma de suas bonecas-quase-humanas... – Disse Swift estranhamente calmo. – Se puder...
— Com toda a certeza! Pode pegar qualquer uma que não seja a de cabelo vermelho – Exclamou Shini de imediato. – Mas tudo tem um preço...
— O que você quer? – Disse Swift com tom de raiva.
— Uh! – Gemeu Shini simulando dor, olhou para o teto teatralmente e continuou. – Não quero nada de mais!
— Me diga o que é então! – Exclamou Swift, os dentes rangendo de raiva. – Antes que eu decida que você deve morrer!
— Hm! Sei... – Resmungou Shini irônico. – Bem... Quero apenas lhe perguntar uma coisa... Como você escapou da gaiola?
“Gaiola, gaiola, gaiola, gaiola, gaiola.”
A palavra gaiola atingiu os tímpanos de Swift como uma faca. A mente de Swift se bagunçou em uma espiral de psicose.
— Não gosto de falar sobre isso... – Respondeu Swift, os olhos quase se rendendo a um desejo de chorar repentino. – Falo em outra ocasião...
— Bem... Assim deixa-se um delicioso mistério no ar... – Disse Shini estranhamente satisfeito com tal resposta. – Gosto de mistérios... Bem... Já que não quer responder a minha pergunta... Então...
Shini deslizou da cadeira e caminhou excentricamente até Swift. Aproximou o rosto pálido aos ouvidos de Swift.
— Posso... – Sussurrou sombriamente Shini aos ouvidos de Swift. – Matar você?
— Isso não posso permitir... – Disse Swift calmamente. –Fiz um compromisso irremediável e devo cumpri-lo... Talvez em outra ocasião...
Shini se afastou e voltou a se sentar em seu trono. Os olhos negros com expressão demasiada pasma.
— Ok... – Disse Shini com tom de insatisfação. – Pode pegar o que quiser... Pode pegar todas se quiser, já que farei novas em breve.
Swift encostou-se a uma das bonecas excêntricas, mais especificamente na boneca-quase-humana feita do corpo de Varleny, e sussurrou “portatus”. Iluminou-se descomunalmente rápido com um feixede luz azul. E em um piscar de olhos, desapareceu junto com a boneca.
— Há! Há! Há! Há! – Gargalhou malignamente Shini para o nada. – Pobre pássaro sem nome...
Deslizou da cadeira e caminhou de encontro a uma das bonecas. Especificamente em direção a uma de cabelos vermelhos como sangue e pele mais pálida que as outras. Olhou-a psicoticamente com um olhar de paixão. Os olhos se encheram de lágrimas. A boneca se mantinha ajoelhada na borda do tapete vermelho, totalmente sem movimentos. Os olhos dela eram verdes como grama fresca, triste como quem já estava morto. Shini a abraçou com força. A boneca friamente não viva. As lágrimas brilhantes de Shini pingavam na roupa de maid da boneca.
— Eu te amo – Exclamou Shini abraçando melancolicamente. – Eu te amo... Eu te amo...
“Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!”.
Os braços de Shini envolviam o tronco da boneca carinhosamente. Aquela boneca era deveras importante para Shini. Os olhos negros de Shini inundavam-se em lágrimas de angústia desesperada.
— Por favor...— Sussurrou Shini, a voz falha. –Jamais me abandone... Nancy...
Já anoitecerá. A luz brilhava imponente no meio do céu azul escuro repleto de nuvens, as estrelas cintilavam e piscavam completando assim o céu. Varleny suspirava ansiosa abaixo da árvore onde Swift e Peter estavam antes. Quando enfim Swift retornou, trazendo consigo a boneca-quase-humana feita com o corpo de Varleny. Olhar para o próprio cadáver deveria perturbá-la, mas estranhamente isso não aconteceu.
— Não gosto de esperar... – Disse Varleny a Swift com cara de impaciência. – O que o fez demorar tanto?
— Meu maldito irmão – Respondeu rispidamente Swift. –O brinquedinho de Kronus...
— Brinquedinho de Kronus? – Perguntou Varleny confusa. – Quem é Kronus?
— É uma longa historia – Respondeu Swift deitando a boneca mórbida sobre o gramado. – Resumidamente, Kronus é meu antigo mestre... Mas agora não é mais!
— Por que Shini é o brinquedinho de Kronus? – Indagou Varleny curiosa.
— Bem... – Disse Swift evitando o assunto. – Você quer que eu te ressuscite ou quer papear?
— Ressuscite! – Exclamou Varleny.
— Então cale a boca! – Vociferou Swift.
Varleny se calou. O rosto pálido espantado.
— Bem... – Começou Swift. –Você na verdade não será ressuscitada... Sua alma será transferida para a boneca... Você entende o que isso quer dizer, não é?
— Acho que não... – Murmurou Varleny ainda um pouco deprimida por Swift ter a mandado calar a boca.
— Bem... Shini faz as bonecas-quase-humanas usando bonecos de madeira ocos possuidores de quase perfeita anatomia humana e corpos humanos.Escolhida a pessoa da qual ele quer transformar em boneca, ele corta a pessoa ao meio em duas partes iguais, retira os ossos e... Após retira os órgãos internos...Ugh! – Swift quase vomita ao lembrar. –Ele implanta a pele e a carne da pessoa perfeitamente sobre o boneco de madeira, costura para que as duas partes de pele e carne se unam novamente, e depois usando uma técnica de cura une-as sem parecer que foram cortadas, E ainda implanta os dedos e os olhos.E é claro, ele lança um feitiço para que elas nunca apodreçam, senão ele não suportaria ficar no mesmo cômodo que elas... Ou seja...
“Bonecas-quase-humanas são bonecas cobertas por pele e carne humana.”
— Shini é um psicopata! – Pronunciou Varleny abismada. – Está me dizendo que...
— Quando sua alma for direcionada para a boneca-quase-humana— Disse Swift com expressão séria. –Você nunca mais poderá comer ou beber... Seu corpo sempre estará frio e gélido... Você viverá uma semividaaté a morte...
O rosto de Varleny ficou ainda mais pálido.
— Mas nem de longe você será imortal – Continuou Swift. – Devo adverti-la, se alguém te queimar por completo, ninguém poderá trazê-la de volta a este mundo. Então... Você está disposta a viver uma semividaaté finalmente alguém queimá-la até a morte?
— Estou! – Exclamou Varleny decidida. Os olhos brilhando de paixão. – Por Peter engoliria até mil agulhas!
— Hm... Tá... – Disse Swift com um pouco de inveja de Peter, pois ninguém jamais o amou daquela forma em toda sua vida. – Mas por que você está se sacrificando por ele, sendo que ele sequer se lembra de que te ama?
— Porque eu o amo! – Respondeu Varleny, lágrimas prateadas escorrendo lentamente pelo rosto. – E se eu puder fazê-lo se sentir amado nem que seja um pouquinho, já é o bastante... Mesmo que eu tenha que viver uma semivida... Mesmo que eu tenha que morrer novamente...
— Hm... Ok... – Continuou Swift. – Vamos fazer agora...
A boneca mórbida jazia deitada sobre o gramado. Swift se ajoelhou e olhou para boneca de perto. A boneca era mortalmente pálida, os olhos cristalinamente azuis, os cabelos loiros levemente encaracolados reluziam a luz da lua...
— Por que Shini coloca roupas de maid nas bonecas?— Pensou Swift irônico. – Ele deve ser um pervertido...
Endireitou os braços da boneca, organizou a roupa dela, e suspirou. Fez sinal com a mão para que Varleny se aproximasse.
— Deite-se acima da boneca – Disse Swift. – Atravessando-a, almas-vagantes atravessam tudo que não as vê ou não vive. Mantenha seu corpo fantasmagórico deitado atravessando a boneca por dentro.
Varleny se deitou acima da boneca e estranhamente, atravessou-a, manteve-se deitada sobre a grama que jazia abaixo da boneca, se mantendo dentro da boneca. Seu corpo quase coube perfeitamente no corpo oco da boneca. Swift encostou as mãos nos peitos da boneca inconscientemente. Seu rosto instantaneamente se corou, ficando rubro.
— Que embaraçoso!— Pensou Swift envergonhado. –Por que fiz isso?
Deslizou as mãos para barriga da boneca e continuou. Murmurou “Fusus”. Um feixe de luz branca extremamente forte envolveu a boneca em um piscar de olhos. Os olhos de Swift se fecharam. A luz era intolerável aos olhos. A luz lentamente começou a diminuir e Swift voltou a abrir os olhos. “O fantasma Varleny” tinha desaparecido. No chão somente jazia a boneca-quase-humana. Será tinha dado certo, se perguntou Swift.
Trêmulo, Swift se aproximou receoso seu rosto até o da boneca. A boneca mexeu os olhos. Swift soltou um grito de susto. Tinha dado certo. Lentamente a boneca foi ganhando movimento. Mexeu lentamente os dedos das mãos, os braços, as pernas. Era como que estivesse testando o novo corpo recém-adquirido. A boneca piscava os olhos azuis cristalinos freneticamente. Swift observava boquiaberto. Não conseguia acreditar que havia conseguido. Ele aprendeu aquele feitiço em um livro chamado “O Enigma das Nuvens”, mas nunca pensou que um dia conseguiria fazê-lo.
A boneca se levantou excentricamente como uma marionete. Varleny ainda não controlava seu novo corpo com precisão. Os olhos azuis de Swift se esbulharam de pasmo. “A boneca Varleny” estava de pé o observando com um olhar gélido e penetrante.
— Swift? – Perguntou Varleny com voz lenta e fria. –Este é o seu nome... Não é?
— Você não se lembra de mim? – Perguntou Swift como que estivesse falando com um fantasma. – Como se sente?
— Bem... Lembro-me vagamente... – Respondeu Varleny, a voz ainda mais gélida. –O mais importante... Por que você me transferiu para este corpo aborrecível?
— Er... Você me pediu... – Respondeu Swift um tanto assombrado. – Disse que faria qualquer coisa por Peter... Não se lembra?
— Peter... Hm... – Disse Varleny lentamente. –Me lembro... Eu tenho algum tipo de obsessão por ele... – Disse ela como se fosse natural disser tal coisa. – Mas não me lembro de amá-lo tanto a ponto de fazer tal coisa...
— Estranho... –Disse Swift confuso após ouvir tal coisa. – Você me pareceu decidida... Não pude impedi-la naquele momento...
— Tanto faz... – Continuou Varleny. – Já que não posso voltar atrás... Vou apenas aceitar...
— O que pretende fazer agora? – Perguntou Swift.
— Vou voltar a viver minha vida desprezível – Disse Varleny com olhar frio e sombrio. – Ou pelo menos fingir que continuo vivendo...
— Não tenho objeções... – Disse Swift com frieza. – Mas agora você já deve saber que levará a partir de hoje, uma semivida... Lembra-se, não é? – Varleny concordou com a cabeça. –E você não deve se referir a ninguém como Varleny... Escolha um novo nome...
— Por que eu faria isso? – Respondeu Varleny. – Não vejo motivo plausível para tal coisa.
— Bem... Eu espalhei o boato que você se suicidou... – Disse Swift. – E bem... Aqui em Sky Gray, quando alguém se suicida, as pessoas fingem que a pessoa jamais existiu... É algum tipo de tradição... Não adianta nem perguntar, eles nem sabem mais quem é Varleny... Entende?
— Já que não tenho escolha... – Disse Varleny contrariada. – Escolherei um pseudônimo...
— Tem mais uma coisa... – Disse Swift se aproximando de Varleny. – Terei que mudar sua aparência para que ninguém te reconheça... Não se preocupe somente mudarei a cor de seus olhos...
Encostou as mãos, uma em cada olho e murmurou “materiatus”. Instantaneamente os olhos de Varleny se transformaram de um azul cristalino para intensos olhos dourados flamejantes. Encostou as mãos nas madeixas de cabelo de Varleny e murmurou novamente “materiatus”, os cabelos de Varleny instantaneamente se transformaram de cabelos loiros encaracolados para cabelos loiros intensamente lisose reluzentes e se debruçaram delicadamente sobre assuas costas.
Aquela nem parecia Varleny. De fato, aquela não Varleny.
— Como ela...— Pensou Swift deslumbrado. –... Está linda...
— Por que está me olhando dessa forma? – Perguntou Varleny ríspida.
— É só que – “Você está linda!”, queria dizer isto, mas não disse. –Nada... Estava viajando... Desculpe-me.
— Bem... – Disse Varleny se virando dando de costas. –Nos veremos depois...
Swift chegou à sua casa e se deparou com Peter dormindo calmamente sobre a cama em trapos.
— Ele não tem dificuldade em dormir várias horas por dia... – Pensou Swift um tanto cansado. A magia “Fusus” causava grande exaustão em quem a conjurava.
Swift se recostou a uma cadeira, retirou a cortina improvisada sobre a janela e observou-a sentado. Os feixes de luz da lua invadiam o quarto com esmo. O rosto de Peter se iluminou levemente. Swift recostou sua testa sobre o vidro da janela. Dava-se para ver o reflexo do próprio olho sobre o vidro, eram olhos azuis cintilantes. As casas vizinhas tinham o telhado refletindo gentilmente a luz lunar. As árvores oscilavam lentamente com a leve brisa daquela noite. A rua a frente de sua casa estava desértica, sem almas-vagantes perturbando. Swift se lembrou dos acontecimentos daquele fatídico dia. Havia falado com seu irmão, Null, novamente. Mas ele não era mais seu irmão, Null havia se tornado em um dos brinquedos macabros de Kronus. Os olhos de Swift se encheram de lágrimas prateadas lentamente. Então se lembrou de que tinha feito com que Varleny saísse de sua forma fantasmagórica de alma-vagante-consciente para virar uma boneca mórbida.
— Estranhamente isso fez com que ela ficasse mais fria...– Pensou Swift. – Mas...Porquê? Quando ela era uma mísera alma-vagante não era nem um pouco fria... Era afetuosa e gentil... Por que quando virou uma boneca por meio do Fusus ficou fria e insensível? Talvez a resposta seja mais simples do que eu possa imaginar...
De fato. Almas-vagantes se baseiam em um sentimento forte que a pessoa tinha antes de morrer. Depressão ou amor. Ódio ou arrependimento. Almas-vagantes ficam obcecadas por esse mesmo sentimento. Sendo assim, se a alma-vagante em questão for baseada em ódio, resumira sua existência a odiar alguém e tentar se vingar. Se for baseada em amor, a alma-vagante resumira sua existência a perseguir o seu amado de forma obsessiva e psicótica, e caso a azarada pessoa renegue amá-la, provavelmente acabará morrendo. O mesmo se diz de alma-vagante-consciente, elas também se baseiam de sentimentos específicos, mas diferente das almas-vagantes, não entram em ciclo de suicídio após as dez horas da noite.
Essa é a única diferença entre elas.
Mas agora Varleny não era mais uma mórbida alma-vagante. Era um ser sem órgãos internos e sem sentimentos sensíveis. Era obscura “boneca-fusus”, ou seja, uma boneca que teve uma alma-vagante aprisionada em seu interior por meio do feitiço ”fusus”. Um ser com uma semivida. Quais serão os objetivos que Varleny tem nesse momento? Decididamente não é a mesma Varleny. De fato. Ela não é mais uma alma-vagante. E nunca mais será a mesma Varleny. A Varleny verdadeiramente humana.
Já era nove e meia. Em poucos minutos, exatamente às dez da noite, as almas-vagantes brotariam. Ver almas-vagantes se suicidando em um ciclo infinito não é uma cena muito agradável. Então sempre que podia, Swift evitava vê-las. As almas-vagantes de Sky Gray costumam se agrupar próximas ao rio de Hades, onde a maioria tinha se suicidado quando vivas. Poucas almas-vagantes se suicidam em suas casas. Mas tinha-se uma rua que especificamente era mais repleta de almas-vagantes. O nome dessa rua é...
Rua gramados cinzentos.
Swift pensou em seus arrependimentos e pôs-se a dormir.
O dia amanheceu. O sol brilhava levemente sobre os telhados e gramados. A brisa ventava em demasiado. As árvores oscilavam com a brisa, zangadas. As nuvens quase escondiam o sol. Fazia um dia nublado com promessa de chuva.
Peter acordou, pela primeira vez da vida, de uma boa e agradável noite de sono. Bocejou e olhou para o teto empoeirado da casa de Swift. Levantou-se lentamente, se espreguiçando. Swift estava dormindo sobre a cadeira, a cabeça encostada no vidro da janela, a um fio de cair. Viu sobre a mesa, uma sacola preenchida por algo com um bilhete por cima e sua mochila escolar ao lado.
Use para o seu primeiro dia. Não se preocupe, não precisei comprar. Espero que tenha um bom retorno a escola. Não se esqueça de voltar antes de anoitecer. As ruas de Sky Gray não são seguras durante a noite.
Respeitosamente, S. K. Ou Swift Kronus.
PS: Espero que seu dia seja producente. Não me acorde ou arranco sua medula óssea. Peguei tudo isso de sua antiga casa.
Dentro da sacola estava o uniforme de Light Of Sky de Peter. Swift havia o pegado da casa de Peter no mesmo dia em que apagou a sua memória. O uniforme era composto por calças beges e camisas brancas com o logo de Light Of Sky sobre o peito. Peter o vestiu com animosidade. Tinha certeza que iria ter um dia excentricamente... Interessante. Olhou o excêntrico relógio de parede de Swift, uma coruja com um relógio arredondado na barriga. Estava atrasado. Arrumou-se rapidamente. Pegou uma maça de cima da mesa de Swift, apanhou sua mochila e saiu correndo as pressas.
— Ele realmente... – Pensou Peter correndo rua acima. –Me conhecia?
Fale com o autor