Almas-Vagantes

10 Capitulo X - Mentes Psicóticas {Parte II} –


Notas iniciais
“Senn Hitachi era demasiado pueril... mas mudou. Sua vida nada mais era do que melancólica. Seu irmão e pai morreram aos seus quatorze anos. E sua mãe decidiu esquecê-los, como se não tivessem existido. Seria isso uma defesa mental? Mas talvez não fosse. Senn se livrou de James que covardemente o acometia. Mas James mudou de alvo. Mas felizmente o alvo foi salvo por Senn. Quem é... ela?” “Aproveitem a segunda parte da pequena saga da vida de Senn Hitachi”

Eu não conseguia para de imaginar qual seria o nome daquela belíssima garota da qual salvei. Por que ela me interessava tanto? Talvez naquela época eu estivesse apaixonado profundamente por ela.

Minha mãe continuava a agir como se meu irmão e meu pai nunca tivessem existido. Não que ela ter esquecido meu pai me incomodasse. O que me incomodava era ela ter esquecido meu irmão, John. Ele sempre foi um filho exemplar e gentil para com ela. Como ela pode esquecê-lo tão facilmente? Talvez ela não tivesse escolhido esquecer ou não esquecer, somente aconteceu.

— Mãe... – Perguntei testando-a. – Quem é o meu pai?

Logo quando fiz tal pergunta, ela me olhou de modo estranho, como se estivesse amedrontada.

— Por que quer saber? – Ela me disse com os olhos negros penetrantes.

— Porque eu... – Menti. – Não sei nem mesmo o nome de meu pai.

Ela fez cara de quem estivesse fazendo esforço mental.

— Seu pai... – Disse ela calmamente. – Morreu... De uma doença grave quando você era apenas um bebê. O nome dele era... Jonas...

— Doença grave?! – Exclamei.

— Sim... – Respondeu-me quase chorando, ela parecia mesmo acreditar nisso.

— Ele era um bom... Pai? – Perguntei. Queria saber se ela se lembrava de que ele era violento.

— O melhor de todos – Respondeu-me ela, os olhos tristes cheio de lágrimas.

O que estava acontecendo?— Pensei. – Ela inventou isso? Mas como... Isso é realmente... Preocupante... Ela está psicótica?

Ela limpou os olhos alagados de lágrimas e sem sequer dar tempo para que ela se recuperasse daquela pergunta.

— Mãe... – Disse com receio. – Eu tenho... Um irmão da qual desconheço?

Essa pergunta fez com que as lágrimas de minha mãe se intensificassem.

— Você tem um irmão... O John... Mas... Ele foi embora... – Disse ela melancolicamente. – Logo quando Jonas morreu...

— Você está me dizendo – Eu a disse espantado com tal resposta. – Que ele está morto?

— Não está... – Disse ela, mas não parecia que ela estava mentindo. Parecia estar dizendo a mais pura das verdades. – Em algum lugar... John... Ainda vive...

Aquela conversa me perturbou por dias.

Como ela pode acreditar tão piamente que John ainda está vivo? Que eu mesmo vi meu pai arrastando o ensanguentado cadáver de John até o quintal e ojogando no Rio de Hades— Pensei. — Não tinha como negar naquela hora... Meu pai tinha o matado. Como ela pode acreditar que ele ainda está vivo? Por que ela está se iludindo? Parece que ela esqueceu que meu pai era um monstro sádico que matou meu irmão a sangue frio...

Mas de algum modo minha mãe tinha se esquecido disto totalmente. Amnesia? Talvez não fosse. Só me restava fingir acreditar naquela fantasia. Pelo menos, eu ainda tinha minha mãe. Nada mais importava.

A escola não era mais algo da qual eu tinha receio de ir. Não apanhava mais de James. Finalmente havia encontrado a paz. E tinha algo que motivava a ir. Ela. Eu nem sequer sabia o nome dela. Mas já... Gostava dela... Como eu era um tolo.

No dia seguinte ao meu ato heroico. Jamais na minha vida eu tinha me arriscado por alguém. Mas no meu antigo modo de pensar pueril, “arriscar minha vida por ela valia a pena”. Logo quando cheguei à escola, olhei para todos os rostos, a procura do dela, um rosto fino como de boneca, palidamente delicado, e seus cabelos negros esvoaçantes. Fiquei ali no meio do pátio de pisos escorregadios de Light Of Sky, olhando para os lados como um demente. A cada rosto minimamente parecido ao dela meu coração se acelerava grandemente. Olhava ansioso para cada rosto que adentrava pela porta de vidro da entrada. Mas ela não apareceu.

Fiquei entristecido, tinha até mesmo chegado mais cedo, especialmente para vê-la chegando. Mas eu sequer tinha pensado no que dizer. Eu sou completamente ruim e ter assuntos com as pessoas. Na verdade sou o que informalmente chamam de “cara sem lábia”. A escola foi naquele dia, como normalmente era.

Sombria e solitária.

Acho que assim somente para mim. Pois todos pareciam se divertir grandemente na vida escolar que tinham. Eu por outro lado estudava somente para um dia poder sair daquela maldita cidade. Sky Gray é uma cidade muito pequena e preconceituosa a coisas novas. Sky Gray têm apenas dois bairros: Bairro das nuvens e Bairro da lua.

Eu decide que iria a casa dela, depois da aula. DEPOIS DA AULA. Essas três palavras se repetiram na minha cabeça durante todo o recreio e durante os dois últimos tempos de aula. Eu corava só de pensar em revê-la, como eu era tolo. Cole, o professor de Biologia, me viu corando e deu uma risadinha maléfica.

— Senn Hitachi... – Disse ele sorrindo levemente. – Arrumou uma namoradinha?

Eu o respondi com um sorrisinho tímido e ele me olhou com orgulho. Professor Cole era o único professor que me dava atenção, na verdade era a única pessoa na escola que notava minha existência. Eu parecia invisível. Somente era visível para Cole por ele ser alguém realmente admirável e genial? Não importava que rumores inventassem sobre ele. Cole era meu professor favorito. Mas eu era o único aluno que parecia realmente gostar dele. Não sei o motivo, mas ninguém parecia gostar de Cole a não ser eu? Seria por que ele era um professor novo? Como já disse Sky Gray é uma cidade preconceituosa a coisas novas, isso também se refere a pessoas novas. Embora a aula de Cole fosse realmente interessante, meus pensamentos vagaram naquela garota durante toda a última aula daquele dia.Perguntei-me mais de mil vezes naquele dia...

Qual será o nome dela?

O simples fato de observa-la já parecia suficiente para mim. Mas com certeza, ela tinha sequer um pouco de admiração por mim por eu tê-la salvado de James.

Eu tenho que parar de me iludir— Pensei. – Eu jamais terei chances com ela.

Pelo menos o pai dela tinha gostado de mim. Isso para mim era animador. Como você deve ter percebido, eu era realmente fácil para me apaixonar por alguém. Meu deus, mal tinha tido uma conversa formal com ela, nem sequer ela tinha dito seu nome. Como eu pode me apaixonar por ela tão fácil. Talvez o porquê fosse que...

Ela era colorida como eu.

O tão esperado sinal de saída soou. Levantei entusiasmado, estava com o coração apertado e ansioso. Que tolice. Somente de lembrar-se da minha mente daquela época já tenho vontade de vomitar. Eu era tão pueril que chegava a ser idiota.

Será vou me sair bem— Pensava. – Será que ela vai gostar de mim?

Caminhei naquele dia, dando pequenos pulinhos felizes pela rua. Avisei minha mãe que iria à casa de uma amiga e ela me disse para que eu voltasse depois da hora do jantar. Eu estudava durante a tarde. Então já estava na transição de tarde para noite. O sol estava alaranjado, quase desaparecendo no horizonte. Atravessei a ponte do Rio de Hades e continuei. Era na rua gramados cinzentos n° 12.

Quando cheguei à porta da casa dela, fiquei receoso. “Devo abrir?” me perguntei. Bati na soleira, trêmulo. O pai dela me atendeu, ele estava com os olhos etéreos, mas quando me viu, uma faísca de felicidade preencheu seu olhar. Os olhos negros penetrantes me olhavam com orgulho.

— Decidiu aceitar? – Disse ele coçando a sua enorme cabeleira castanha encaracolada. – Entre! Minha mulher preparou um jantar sublime!

— Excelente... – Disse eu, respeitoso e tentando ser formal. – Receio que não me apresentei, chamo-me Senn Hitachi...

— Relaxe, Senn – Disse-me ele, um sorriso engraçado no rosto. – Não precisa ser formal. Não sou esnobe... Chamo-me Dyonatha, Por favor, entre!

Meu coração palpitava loucamente. Estava sentado a mesa esperando-a. Finalmente a veria novamente. A mesa estava com um papel de mesa branco flórido um pouco velho. No meio dela, um cesto preenchido por diversas frutas. Pratos e talheres de prata jaziam a mesa esperando para serem usados.

— Sabe como elas demoram, não é? – Disse Dyonatha me mirando um olhar penetrante. – Minha esposa, Natalia, demora horas para se arrumar quando vamos sair... Não é mesmo?

Dyonatha virou-se para sua esposa sentada ao seu lado. Ela era demasiada bonita, rosto fino como de boneca como a filha, cabelos negros e bochechas levemente coradas, sua filha era demasiada parecida com sua mãe. Sorriu-me levemente respondendo a pergunta de Dyonatha, o rosto levemente mais corado. Natalia lia um livro atenciosamente, mas mesmo assim mantinha-se adentro a conversa. A capa do livro era negra e um pouco velha.

Finalmente ela chegou. Nunca a tinha visto tão bonita. Ela não estava mais ferida, nem sequer uma marca no rosto, estava demasiadamente linda.

Sei que já disse que ela é linda diversas vezes, mas devo deixar intensa a beleza dela.

Ela se sentou na cadeira ao meu lado, timidamente. Sem perceber eu a tinha encarado assustadoramente. Acho que isso a assustaria levemente.

— O-oi! – Disse ela tímida, as bochechas coradíssimas. – Obrigado por vir...

Olhei para Dyonatha e percebi que ele sorria largamente achando engraçada a expressão no rosto da filha.

— Er... Qual o seu nome? – Perguntei, os lábios nervosíssimos. – É que ainda não perguntei...

Anih Kaory... – Respondeu-me ela, um pouco menos corada. – Você se chama Senn Hitachi, não?

— Exatamente... – Disse rapidamente. – Boa memória.

Anih Kaory, Anih Kaory, Anih Kaory, Anih Kaory, Anih Kaory, Anih Kaory... Repetia mentalmente.

— Bem... Er... – Disse Dyonatha me interrompendo. –Vamos comer? Por favor, Pegue o nosso delicioso jantar? Anjinho.

— Claro, meu fofinho! – Natalia respondeu a ele, o rosto vermelhíssimo. Dispôs o livro negro sobre a mesa e partiu para cozinha. – Já volto!

A casa era simples, mas agradável. As paredes eram verdes e frias. O chão coberto por tapetes árabes e as janelas cobertas com cortinas vermelhas. A cada canto da casa, um vaso de flores bem cuidado e devidamente regado. A casa se iluminava por luzes de LED brancas. Natalia teve de fazer três viagens para colocar todo o jantar sobre a mesa. Colocou sobre a mesa uma vasilha preenchida por arroz soltinho e uma com feijão fumegante. Depois uma bandeja recheada com coxas e sobrecoxas de frango empanadas com ovo e farinha de rosca e uma bandeja com salada de repolho, alface e tomate, devidamente temperada com vinagre e limão.

Anih me lançou olhares tímidos sorrateiros a cada minuto. Retribui seus olhares com olhos penetrantes. Ela corava a cada vez que eu percebia que ela estava me olhando e desviava o olhar.

Por que ela está me olhando?— Pensei. – Será que ela... Acha-me... Bonito... Não, Não, Não, Não, Não, Não, Não, totalmente impossível.

Quem iria achar bonito um adolescente magricela desengonçado com cabelos pretos cobrindo os olhos, como um emo? Eu achava que ninguém, mas estranhamente Anih achava o contrário. Aparentemente ela havia criado uma grande admiração por mim por eu tê-la salvado. Felizmente.

Ela também me via colorido.

Ao fim do jantar, levantei-me e me despedi de Dyonatha e Natalia.

— Volte quando quiser! – Disse-me os dois ao mesmo tempo. Olharam-se carinhosamente e sorriram.

Anih me levou até a porta. Já estava à noite.

— Er... Se importaria... Se eu fosse com você... Até sua casa? – Disse ela coradíssima.

— Se você fosse – Disse com o coração batendo de felicidade. – Teria que dormir lá, já está de noite... Então...

Parecia que eu tinha dito algo que eu não devia, pois ela ficoude costa e corou carinhosamente, o rosto completamente escarlate. Juro que não estava fazendo nenhuma proposta indecente.

T-tá b-bem... – Disse ela vergonhosamente de costa.

Ela correu pelo corredor em direção a cozinha para perguntar aos pais dela se poderia. Voltou à soleira trazendo consigo seus pais.

— Por que quer que ela durma em sua casa? – Perguntou Dyonatha com olhar de pai protetor.

— Er... – Não era aquilo que eu estava querendo dizer a ela, mas não iria ser nada ruim se ela dormisse em minha casa. Então fingi que tinha realmente perguntado se ela poderia ir dormir em minha casa. – Eu queria que ela conhecesse minha mãe...

— Se é assim... – Disse ele quase voltando atrás no que dizia. – Não posso negar...

Anih abriu um sorriso feliz que fez Dyonatha ficar menos receoso. Ele fez um gesto para que eu falasse com ele a sós. – Não faça nada além do que um amigo faria— Cochichou ele. – Não pense que sou ciumento com ela, eu gosto de você, me parece que posso confiar em você.

Logo entendi o que ele queria dizer.

Ele me abraçou novamente. Parecia-meque ele realmente gostava de mim, quase como um filho. Não sei o porquê, mas eu tinha um pouco de medo e empatia por ele.

Dyonatha era um pai que eu queria ter tido.Sorri e me despedi de Natalia que me mimoseou com um abraço carinhoso, parecia que a família de Anih era demasiadamente carinhosa.

O céu azul-marinho se preenchia por nuvens brancas calmas bem dispersas e milhares de estrelas cintilantes brilhando como milhões de piscas-piscas de natal. Uma lua minguanteterminava de enfeitar o céu. Caminhávamos sem olhar um para o outro. Talvez por timidez. Certamente timidez.

— Por que... – Interrompi o silêncio. – Aceitou dormir em minha casa?

Ela voltou a corar. Anih cora demasiado fácil.

— Er... – Disse ela nervosa, mas de um modo fofo. –Não... Sei...

Meu deus, como ela é linda...Como ela é linda... Pensei enquanto deleitava seu rosto. Elogiei mentalmente cada parte do belo rosto dela. Os cabelos negros dela eram belissimamente sedosos e esvoaçantes. Os lábios levemente vermelhos e de aspecto macio. Os olhos verdes transmitiam leveza. Sua pele era devidamente delicada. Seu queixo fino deixava seu rosto angelical. Como era agradável olhar para ela. Eu parecia um apreciador de arte obsessivo por uma obra de arte, que no meu caso era o rosto de Anih.

— Er... Anih... – Disse nervoso. – Você é... Muito linda...

Anih quase ficou vermelho-sangue de tão corada.

— E-eu... N-não... – Disse ela tímida.

— É sim... – Retruquei. – A mais bonita de Sky Gray.

— N-não sou não! – Continuou ela.

— É sim... – Continuei retrucando.

Continuamos nessas duas frases por minutos, até que ela disse...

— Está bem... Sou...

— Eu ganhei! – Disse eu como se tivesse ganhado uma disputa.

— Vamos ver olhar a água do rio? – Disse ela olhando para ponte que jazia acima do Rio de Hades.

— Está bem! – Disse, embora não quisesse. Meu irmão jazia no fundo daquele fúnebre rio de suicidas.

As águas que geralmente era azul-claro encontravam-se azul-marinho, elas refletiam a luz da lua e das estrelas como um espelho líquido. Olhamos para a correnteza, um ao lado do outro, na borda da ponte. Eu estava tão feliz em estar ali sozinho com ela, que nem me deixei levar pela psicose de meu irmão estar ao fundo daquele rio. Nossas mãos seguravam firmemente na barra de apoio. Sentíamos frio na barriga por causa da altura da ponte em comparação a face do rio.

Os cabelos negros de Anih se esvoaçavam com a brisa gélida que batia aos nossos rostos. Sem nem mesmo pretender. Pus minha mão em cima da dela. Meu coração batiaferozmente como se estivesse quase saindo pela boca. Um nó no estômago me impedia de proferir qualquer coisa. E pela expressão que permanecia no rosto dela, ela estava tão nervosa quanto eu estava.

Ela me olhou diretamente nos olhos e eu retribui o olhar. As pernas bambas como pernas despregadas de uma cadeira. Ela me lançava um olhar de apreço, abrasador, mas com certa leviandade. Voltamos a caminhar, mas fofamentede mãos dadas. Nunca vou me esquecer do que eu senti naquele momento, era um mistura de felicidade com apreensão.

Aquilo significava muito mais do que simples palavras de paqueração sem sentido.

Minha mãe mal pode acreditar. Eu havia trazido uma garota para casa. Eu vi nos olhos dela que estava impressionada. Nunca havia trazido ninguém para vê-la, nem amigos, tampouco amigas.

— Como se chama? – Perguntou minha mãe para Anih, no momento em que atravessávamos a soleira. –Me chamo Mary Hitachi, é um prazer conhecê-la.

Minha me deu uma piscadela sorrateira como se dissesse parabéns. Minha mãe fez-nos se sentar sobre a mesa e tomar chá, em plena noite. Insisti que não queria, mas ela fingia não escutar. Anih se sentou no meu lado da mesa e me lançava olhares penetrantes a cada segundo. Meu coração palpitava a cada olhar. Minha preparou chá preto e serviu a nós em xícaras de porcelana.

— Então, Senn – Disse minha mãe para mim com olhar de orgulho. – Somente agora que você decidiu apresentar sua namorada para sua mãe?

Anih corou.

— N-não somos n-namorados! – Disse totalmente envergonhado.

— Uh... Sinto muito— Disse minha mãe com um sorrisinho satisfeito no rosto. – Não sabia.

Minha mãe era pretenciosa. Após algumas demoradas xícaras de chá acompanhadas de conversas constrangedoras sobre como eu era quando criança, ela disse que estava com sono e que iria dormir.

— Onde gostaria de dormir? Anih. – Minha mãe perguntou a Anih. – Na sala ou no quarto de Senn?

Anih corou gigantescamente. Fiquei apreensivo.

No... – Disse Anih baixinho de modo fofo. – Quarto do Senn...

Quase morri de ataque cardíaco ao ouvir aquilo. Minha mãe gargalhou levemente e concordou. Eu não poderia estar mais feliz. Eu havia conversado com a garota mais linda de Sky Gray, segurando em suas mãos, ganhado admiração de seus pais, e o melhor, ganhado admiração dela. Aquele dia ficaria para história como o melhor dia da minha vida.

Pelo menos eu achava que seria.

Minha mãe preparou um colchão para Anih se deitar ao lado da minha cama. Anih entrou no quarto e quando eu ia entrar também, minha mãe segurou no meu braço.

Você é lerdo...— Cochichou ela. – Está na cara dela... Que ela gosta de você.

Sorriu-megentilmente e partiu para o quarto. Seria mesmo verdade? Perguntei-me naquele momento. Quando entrei, Anih já estava deitada em seu colchão com os olhos fechados.

Nossa! Como Anih dorme fácil... – Pensei enquanto caminhava em direção a minha cama. – Nem deu tempo de desejá-la boa noite.

Deitei-me suspirando. Nunca vou ter um dia melhor que esse em toda a minha vida, pensei feliz.

A felicidade é algo engraçado, é uma amiga boa e ao mesmo tempo, nefanda.

Mas o dia não tinha acabado ainda, quando pensei que o dia não poderia ser melhor. Anih se levantou de um salto de seu colchão e se jogou ao lado na minha cama. Meu coração desparrou ferozmente. O frio na barriga que sentia com certeza gelou meu estômago, pois não conseguia respirar.Ela es-ta-va dei-ta-da ao me-u la-do. Abraçou-me carinhosamente, um abraço quente e profundamente apaixonado que esquentou meu coração. Jamais havia me sentido daquele jeito antes. Aquilo me fez perceber...Eu já a amava.

— O q-que você está fazendo? – Gaguejei.

Não me pergunte...— Respondeu-me ela com sua voz rouca e delicada de sempre. – Nem eu mesma sei...

— Por favor... – Murmurei afetuosamente. – Não pare...

Os nossos se aproximaram lentamente, ao mesmo tempo, como se imitássemos um ao outro. Nossos lábios delicadamente se encostaram. Os lábios de Anih eram macios e com um leve gosto doce de morango. Senti meu corpo inteiro se cativar. Fechei meus olhos e desejei continuar beijando-a pelo resto de minha vida.

— Eu... – Disse ela afastando levemente os lábios dos meus. – Te amo... Senn...

— Eu... Também... – Respondi a ela de imediato. – Te... Amo...

Eu realmente estava amando-a, embora mal a conhecesse, tinha algo nela que não se tinha em outras... Ela era colorida...

Mas a vida não é composta tão somente por felicidade, ela gosta de fazer auges de felicidade como também gosta de fazer auges de melancolia. E posso dizer que esse foi o maior auge de melancolia em minha vida.

Naquela noite fúnebre um som interrompeu os nossos beijos. Alguém batia a porta. Quem será a essa hora? Pensei de relance. Mal sabia eu. Era a melancolia batendo a minha porta. Levantei totalmente aborrecido por fazer tal coisa.

— Já volto Anih... – Disse a ela. – Vou ver quem está na porta a essa hora...

Ela concordou com a cabeça. Ela vestia um pijama branco largo que minha mãe emprestou a ela. Os olhos verdes estavam alegremente calmos, as bochechas coradas como era de se adivinhar, seus cabelos negros esparramados no lençol de minha cama.Mas algo me perturbou. Estranhamente, enquanto atravessava a soleira do meu quarto indo em direção ao corredor, olhei-a antes de atender a porta... O tempo parecia passar lentamente. Seria um mal pressagio?

Corri em pelo corredor apreensivo. Quem seria? Quem batia a minha porta? Perguntava-me ansioso. Girei a maçaneta rapidamente, mas quando abri a porta minimamente, a porta veio de encontro com o rosto, violentamente. Quem batia a porta, fez com que a porta batesse em meu rosto. Cai sobre o chão com a vista se embaçando. Estava quase desmaiando, mas eu pude ver, pouco antes de desmaiar... Quem batia em minha porta era...Psycho The Killer.

Ao abrir os olhos presenciei a cena mais perturbadora de toda a minha vida.

Sinceramente não pretendo lhes contar o que Psycho fez a mim, nunca. Desculpe leitor de minha biografia, mas não pretendo escrever sobre isso. Psycho me transformou no que sou hoje, um psicopata que não sente pena dos demais e mata sem arrependimento. Mas posso lhes dizer...

Mamãe... Morreu... E Anih... Suicidou-se... Da mesma forma que meu pai...

Mas graças a meu recém-descoberto “dom”, eu pude trazê-las de volta recentemente.

Eu sou o que se nomeia de mago.

Mas infelizmente minha mãe se suicidou, morrendo novamente. Não posso culpá-la, o nosso mundo é uma merda. Eu preferiria mil vezes o outro mundo... Mas ainda tenho assuntos não terminados para resolver nesse.

Enfim, me uni a uma magnifica organização que almeja o mesmo que eu e Anih. Esta organização se chama...

Dark Birds.

***

Senn cessou sua biografia na frase “Dark Birds”. Jamais em sua vida conseguirá escrever ou falar sobre o que aconteceu a ele a partir daquela maldita noite em que Psycho o visitou. Ele normalmente escrevia na biblioteca do castelo pertencente aos dark birds. Nesse dia, ele se levantou e largou a caneta que usava para escrever sobre a escrivaninha bagunçada. Já havia concluído a biografia.

Já havia se passado dez anosdesde que Psycho assassinou sua mãe. Senn agora tinha vinte e quatro anos. Mas somente agora havia conseguido poder suficiente para trazer Anih de volta. Senn disse ao líder que só o serviria após Anih ressuscitar.

Graças a anos de pesquisa do líder da organização. Que ensinará a Senn, um feitiço das trevas que ressuscitava os mortos. Com um preço alto é claro.Finalmente Anih foi ressuscitada. Senn decidiu usar um feitiço para ficar dez anos mais novo. Para que ele e Anih possam voltar a frequentar Light Of Sky, por ordem do líder. Por motivos desconhecidos.

Um dos membros da Dark Birds convenceu Senn a entrar na organização. A função de Senn e Anih na Dark Birds é angariar novos membros, em outras palavras, “procurar magos”.Será isso o que o líder quer que eles façam em Light Of Sky?

Esse mundo não é exclusivo dos humanos. Existe, em meio a milhões de humanos. Seres peculiares com poderes inexplicáveis. Chamados de... Magos.

Notas finais
“Senn Hitachi, um dos membros de uma misteriosa organização, ama escrever. Em sua biografia narra a sua melancolia em vida e a morte de seu querido irmão, John Hitachi. E sua vida escolar.Finalmente conhece o amor. Mas nem tudo na vida são flores. Senn jamais será capaz de dizer o que Psycho fez a ele. Após conhecer Psycho, Senn se tornou em um psicopata. Anih e Mary morreram. Mas Senn pode trazê-las de volta por ser um mago. Mas Mary preferiu voltar ao outro mundo. Anih continuava a mesma de anos atrás, mas estava sombriamente fria, não era nem de perto a antiga Anih tímida. Senn entrou para Dark Birds para poder obter conhecimento para trazer Anih de volta a vida, mas com o preço de servir aos ideais de Dark Birds, inquestionavelmente. Seu objetivo atual é se vingar de Psycho.”