Almas-Vagantes

7 Capitulo VII - Bonecas Excêntricas e Portas-Portais -


Notas iniciais
“Peter continua a fingir a vida de seus pais. Subitamente, decide que aceitará a proposta de Inihs de ensina-lo a arte da onipotência. Entretanto uma dúvida cruel sobre essa arte permanece sem resposta. Mas para a surpresa de Peter, ao sair de casa encontra as ruas de Sky Gray repletas de Pessoas. Mas pessoas mortas, mais especificamente almas-vagantes. Peter observa-as, mas não se perturba, estranhamente. Assim como a cidade toda, as águas do rio de Hades estavam repletas de almas-vagantes. Estava quase chegando à casa de Inihs”.

As ruas de Sky Gray geralmente se mantinham desérticas e quietas durante o dia. Muito diferente de quando a noite escurecia o céu. A escuridão trazia consigo diversas almas-vagantes. As ruas se preenchiam de suicidas pedindo ajuda e chorando psicoticamente enquanto repetiam suas mortes repetidamente. Todos na cidade sabiam dessa “maldição” que a cidade continha. Nem todos podem ver as almas-vagantes, somente quem já viu a morte de um ente querido pode ver. Mas ironicamente tinham-se poucas pessoas em Sky Gray que não podiam ver as almas-vagantes. Poucas.

Mas tinha-se um número incrível de suicidas em Sky Gray, curiosamente. Por que as pessoas se suicidavam tanto em Sky Gray?... Já que as almas-vagantes são pessoas que se suicidam e misteriosamente continuam vagando entre os vivos, isso não significa que a maioria da população de Sky Gray se suicidou, sobrando poucas. Isso explicaria a falta de habitantes na cidade durante o dia e a superlotação durante a noite. Mas qual a motivação de tantos se suicidarem?

Peter decorou o mapa da cidade antes de se mudar, tinha prazer em decorar o mapa do lugar onde morava. Em sua antiga casa, conhecia todas as ruas e ruelas do seu bairro. Desde o barzinho pouco movimentado ao supermercado lotado de clientes, conhecia tudo. Memorizava rapidamente caminhos, por meio de pontos de referência. Peter é nerd em geografia, mas só também. Não se interessava em mais nada.

Onde é a rua dias nublados mesmo? Perguntou-se Peter olhando para as almas-vagantes que se afogavam e boiavam nas águas do rio de Hades abaixo da ponte. Olhou para os lados procurando um ponto de referência, achou-o. Seguiu subindo a rua íngreme que passava pela ponte. Depois de passar por lojas grudadas umas nas outras, virou a esquina. Mas aparentemente a rua estava desértica, estranhamente. Avistou no fim da rua, um homem vestido elegantemente de brancose mantinha de costas, imóvel, não se dava para vê-lo perfeitamente.

A rua estava com uma neblina leve. O céu estrelado estava preenchido por nuvens cinzentas. A luz da lua cheia brilhava intensamente naquela noite. Ventos gélidos se propagavam pela atmosfera.

Peter caminhou apressado pela rua em direção à próxima esquina, na qual o homem de branco estava. Chegou ao encontro do homem de branco, estranhamente imóvel. Diferençando-se das demais almas-vagantes que repetiam psicoticamente suas mortes. Seria semelhante à Varleny? Que também não repetia sua morte durante a noite.

— Ei! – Exclamou Peter curioso ao fantasma peculiar – O que faz ai?

O homem de branco não o respondeu.

— Saberia – Perguntou Peter sem ainda ter visto o rosto do homem – Onde é a rua dias nublados?

Continue— Disse o homem de branco com voz fantasmagórica gélida– em frente.

Ufa! Quase me enganei e virei à esquina, pensou Peter aliviado.Decidiu correr e passou ao lado do homem de branco que estava de costas para ele até aquele momento. Mas ao mirar os olhos no rosto do fantasma teve uma psicótica surpresa. Nostalgicamente. O homem estava boquiaberto psicoticamente e não continha os olhos, tendo no lugar de olhos, buracos morbidamente negros. Mas não era somente isso, na testa do homem coberta por mechas de cabelos pálidoscontinham-se palavras marcadas a faca, cruelmente.

My friend

Quem fez essa merda? Pensou Peter levemente assustado.

As memórias da morte de seus pais haviam sido esquecidas por ele, no dia em que ele passou um processo de ascensão de psicopatia. Mas uma pequena faísca dessasmemórias ecoou pelo subconsciente de Peter no momento em que viu o rosto do fantasma sem olhos. Mas ele ainda continuava esquecido da melancolia do óbito de seus pais, mantinha-se acreditando que seus pais estavam vivos. Ele nem sequer percebia que estava falando consigo mesmo quando falava com os pais, para ele realmente falava com eles. Insanidade misturada com psicopatia. Até quando continuaria nesse estado de ilusão? A psicopatia de Peter poderias ser temporária? Já que Peter se tornou psicopata, pois seu cérebro deletou os sentimentos bondosos e melancólicos além de também deletar os pensamentos puros e éticos como forma de defesa contra a melancolia extrema, mas aparentemente isto não era uma solução duradoura.

Embora o homem o despertasse um pouco de assombro. Peter não se perturbou, somente ficou curioso. Quem fez isso? Isso é mórbido... Deve ter sido um psicopata, pensou Peter mirando olhos negros curiosos ao rosto mórbido do fantasma. Aparentemente, esse homem era umaalma-vagante-consciente, um tipo peculiar de almas-vagantes que detêm de consciência, diferente das almas-vagantes normais. As almas-vagantes-conscientes não entram em ciclo de suicídio durante a noite como as demais.E não ficam melancólicas e depressivas durante o dia e nem se veem necessitadas de stalkear os entes queridos. Mas esse tipo de almas-vagantes são extremamente raras. A cada mil almas-vagantes tem-se uma alma-vagante-consciente.

Peter caminhou até o fim da rua lentamente, mantendo os pensamentos no homem sem olhos. Finalmente chegou à rua dias nublados. Que estava realmente desértica. Sem sequer uma alma-vagante.

A rua era excêntrica se comparada ao estilo das demais ruas. Tinham-se árvores moldadas sobre as calçadas como esculturas a frente de cada casa. O asfalto era largo, diferençando-se das demais ruas, da qual se era estreito.As casas eram todas de tijolos, construídas seguindo a mesma planta, com as paredes exteriores pintadas de branco. Telhados de telha-inglesa era obrigação. Todas as casas continham um jardim com rosas vermelhas bem organizadas e devidamente regadas. Todas as varandas e janelas estavam escuras. A rua se mantinha iluminada por grandes postes com lâmpadas brancas redondas e pela luz da lua embranquecida que refletia sua luz gélida nas folhas das magníficas esculturas feitas nas árvores e nos telhados das casas ironicamente idênticas.

Todas as casas da rua dias nublados pareciam seguir a mesma planta, como se fossem casas repetidas exatamente iguais. Exceto por uma casa. A exata casa de n° 111. A casa de Inihs. Que estava mais para um castelo. Já que continha três andares, portas clássicas epilares gregos que sustentavam a cobertura da varanda. Árvores vívidas enfeitavam o grande jardim que se achava a volta do castelo, junto às diversas flores e plantas exóticas, além de um gramado verde macio. O exterior do castelo de Inihs se iluminava por lamparinas a querosenequadradas postas em postes de aço nas extremidades do grande jardim.

Atravessou o jardim pisando sobre a grama verde. Direcionou seu dedo branco e fino ao botãoda campainha dourada que era um olho de ouro, um botão de campainha realmente obscuro... Receoso apertou. A campainha excêntrica tocou Fazendo suar um som excentricamente agudo“Tum-Tom-Tum-Tom” e depois um som grave e arrepiante “TRUMMMMM”. Peter ficou ansioso.O que será que Inihs pretende? Droga! Droga! Droga!... Pensou Peter paranoicamente. Ninguém veio atender. Peter tocou a campainha novamente. “Tum-Tom-Tum-Tom-TRUMMMMM”. Peter ofegava, o suor descendo lentamente por sua bochecha.

Num instante a porta se abriu sozinha lentamente. Peter olhou a abismado. Revelou-seuma sala gigantesca com tapetes vermelhos ao chão e um teto com pinturas renascentistas um pouco encobertas por um grande lustre de cristais reluzentes. Tinha-se postadas nas paredes quadros e tochas que terminavam de iluminar a sala. Não se tinha nenhuma mobília naquele cômodo aparentemente. Era o corredor de entrada.

Peter entrou, caminhando a passos curtos. Quando sua cabeça adentrou a soleira, para sua surpresa a sala inesperadamente se transformou completamente. O lustre desapareceu em escuridão. As tochas também desapareceram.As pinturas renascentistas se escureceram e sumiram. A sala se encurtou e se transformou em um corredor apertado. Os tapetes se comprimiram junto à sala. Diversas portas se materializaram a sua volta, postadas nas paredes do corredor escuro.

Peter ficou boquiaberto. Estou... Ficando... Louco? Pensou ele abismado. Mas isso não era nada se comparado às almas-vagantes. Curioso, olhou para trás e viu a rua desértica e o jardim a costas. Deu um passo para trás, saindo da casa. E para sua surpresa o interior da casa voltou ao normal subitamente, num piscar de olhos. Deu um passo a frente novamente. O efeito se repetiu, O lustre desapareceu em escuridão. As tochas também desapareceram. As pinturas renascentistas postadas no teto se escureceram. A sala se comprimiu e transformou-se novamente em um corredor morbidamente escuro e gélido. Os tapetes vermelhos se comprimiram junto à sala. Diversas portas se materializaram a sua volta como anteriormente. Estupefato, caiu de joelhos. Como isso é possível? Estou perdendo minha sanidade mental... Pensou Peter.

Levantou e encostou-se à parede a volta da porta, era sólida. Que merda é essa? Parece um truque de mágica, mas um bom de verdade... Pensou. Repetiu a cena varias vezes para testar que estava ficando louco ou se era realidade. Esempre acontecia a mesma coisa, exatamente igual. Quando ele saia, a sala se transformava em uma sala enorme e quando entrava se tornava em um corredor mórbido cheio de portas.

O Inihs deve estar atrás de alguma dessas portas, mas qual? Perguntou-se Peter olhando para as diversas portas do corredor. Estava escuro. A única luz que iluminava o lugar era a luz da lua que entrava por uma janela no fim do corredor. Decidiu caminhar pelo corredor procurando alguma porta peculiar ou qualquer coisa que indicasse onde poderia estar Inihs.

Todas as portas eram daquele corredor eram ironicamente iguais. De madeira com moldados geométricos e uma maçaneta de aço. Tentou abrir várias, mas todas estavam trancadas. Ao fim do corredor, tinha-se que escolher entre esquerda ou direita. O caminho da direta era escuro e o caminho da esquerda era a mesma coisa do da direita. Não se tinha o que escolher.

— “Ma-Mãe, me mandou escolher esse daqui...” – Cantou Peter apontando a cada palavra para um lado, seu dedo parou a direita, voltou a cantar –“Mas como eu sou teimoso, vou escolher esse da-qui!” — Seu dedo parou a esquerda.

Era o caminho certo, mas seria preferível não ser.

O corredor era estreito e idêntico ao outro. Quase. O corredor era grandemente mais extenso se comparado ao outro. Era um pouco mais escuro que o outro. Caminhou pelo corredor, tentando freneticamente abrir as portas que via. Mas todas estavam trancadas. Diferentemente das portas do corredor, as maçanetas desse corredor eram de prata reluzente. Tentou. Tentou. Tentou. Mas estavam todas trancadas. Que droga é essa! Por que o merda do Inihs me fez vir a esse labirinto? Seria uma atividade excêntrica para dominar o Oni? Pensou Peter ofegante escorado a uma parede descansando brevemente.

O corredor parecia não ter fim. Seria ele, infinito? Impossível.

Peter já estava exausto de tentar abrir portas repetidamente. Caiu de joelhos e se deitou sobre o empoeiradíssimo tapete vermelho que jazia aos chãos. Respirou fundo olhando para o teto. Mas o teto parecia retribuir-lhe o olhar.

Inihs! Aparece!— Gritou Peter irritado – Apareça! Seu desgraçado!

Gritou. Gritou. Gritou. Até que sua voz ficou rouca e ele descontinuou sua gritaria. Levantou de um salto e voltou a caminhar pelo mórbido corredor infinito. O suor encharcava seu rosto. Sua visão ficou levemente embaçada brevemente, levou o dedo a onde se devia estar seus óculos tradicionais. Mas ele não estava usando óculos. Cadê meus óculos? Como eu não percebi que estava sem? Pensou Peter se sentindo um velho com Alzheimer. Lembrou que a última vez que lembrava de que estava usando óculos foi quando Inihs o chutou na costela e ele despencou sobre o pátio. Deve ser nesse dia que perdi os óculos? Mas por que Thanatos não me devolveu? Pensou Peter. Ele deve ter... Curado não só minha costela, mas meus olhos também... Então isso quer dizer que foi por isso que minha costela ficou mal curada, ele deve ter ficado exausto após curar meus olhos... E sua técnica enfraqueceu...

Eis que conseguiu ver o fim do corredor. E para sua surpresa. No fim do corredor se encontrava uma brilhante porta dourada cintilante. Aposto que Inihs está lá dentro? Pensou. Correu empolgado. Quase escorregou com a saliência que provocou no tapete.

Chegou à frente da porta de aparência exageradamenteofuscante de tão dourada. Diversas miniestátuas foram misturadas a decomposição da porta. A extremidade da porta prateada.A maçaneta era uma caveira de diamante, extremamente brilhante. Encostou sua mão na maçaneta, trêmula naquele momento. Finalmente girou-a. Não estava trancada.

Finalmente achará. Lá estava Inihs. O lugar era excêntrico tanto quanto a porta. Tinha-se um tapete vermelho enfeitadíssimo que se esticava até os pés de Inihs que estava sentado sobre um trono de almofadas pretas e estrutura coberta por ouro.Ao redor do tapete tinham-se bonecas mórbidas de tamanho humano imóveis olhando fixamente para o nada. Todas vestidas como maids góticas. Ajoelhadas nas extremidades do tapete vermelho e a volta de Inihs, como se seguissem uma hierarquia na qual Inihs era o rei. Inihs usava uma coroa de ouro com cristais coloridos sobre a cabeça, um sorriso esnobe no rosto pálido.

As bonecas pareciam morbidamente humanas para Peter. Pareciam demasiadamente. Seus rostos eram pálidos e sem expressão alguma. Como se não estivessem felizes tampouco tristes. Peter adentrou aquela mórbida sala real. Inihs abriu um sorriso de orelha a orelha ao vê-lo. Peter sequer reparou em Inihs no trono. Seus pensamentos estavam fixos naquelas excêntricas bonecas maid. Tinha-se pelo menos vinte bonecas. A sala cheirava a rosas intensamente. Havia-se no teto, um lustre idêntico ao que Peter notou anteriormente. As paredes se cobriam com cortinas vermelhas e negras por todos os lados, exceto atrás do trono de Inihs que não se estava coberto por cortinas, pois lá se jazia uma porta de ouro reluzente.

— Temos uma visita! – Disse Inihs educadamente – O que o trás a minha humilde casa?

Peter não o respondeu. As bonecas intrigaram-no. Boquiaberto, não conseguia tirar os olhos das bonecas.

— Gostou das minhas belíssimas empregadas? – Disse Inihs.

Peter não o respondeu.

Peter! – Gritou Inihs com tom de breve raiva.

Peter se assustou. Pareceu sair de um transe psicótico e voltar a si.

— Inihs? – Murmurou Peter ao reparar em Inihs ao fim da sala – Estava te procurando... O que são essas “coisas”?

— Não são “coisas” – Disse Inihs ofendido – São bonecas-quase-humanas, o que achou? Aposto que adorou, há! Há! Há! Há! – gargalhou Inihs sem motivo.

— Não pense que me esqueci do que fez a mim! – Disse Peter sombriamente.

— Não veio aqui para se vingar... Veio? – Respondeu Inihs.

— Bem... Talvez! – Respondeu Peter com olhar intimidador.

— Não recomendaria isto... – Disse Inihs com os dedos entrelaçados na frente do rosto – Ah! Agora me lembrei do motivo de você estar aqui...

Inihs escorreu do trono e pôs-se de pé.

— Eu ofereci ser seu professor – Disse Inihs caminhando pelo tapete vermelho em direção a Peter –Não é mesmo? Peterson Riddle.

— Tanto faz... – Disse Peter –Só estou curioso sobre essa tal arte da onipotência...

Inihs começou a gargalhar freneticamente logo após ouvir as palavras “arte da onipotência”.

— Arte da onipotência? – disse ainda gargalhando, até que parou subitamente e disse sombriamente – Não existe essa merda!

Como assim não existe?! – Gritou Peter – O enfermeiro da escola, Thanatos, me curou usando isto, até me explicou seus fundamentos. Segundo ele...

— Esse babaca é apenas um tolo – Disse Inihs interrompendo Peter – A arte da onipotência não existe, é apenas uma lei que grandes magos e sábios criaram para impedir que as pessoas usassem magia ilimitadamente e publicaram um livro pertencente àscrônicas sombrias chamado de A Arte da Onipotência. Segundo eles: “Somente nós, os grandes sábios podemos usar magia ilimitadamente, façamos uma série de regras para enganar tolos ignorantes de seus próprios limites”.

— Magia?! – Disse Peter ironicamente – Pensa que me engana com essa merda? Magia não existe!

— Oh! Serio mesmo? – Disse Inihs levando a mão à boca – Como você explica o que viu quando entrou na minha casa?

— Eu estava delirando – Disse Peter convencido que tudo de estranho que aconteceu naquele dia era pura insanidade – Uma garota morta me persegue... Hoje mesmo vi pessoas mortas se suicidando na rua... Mas eu tenho convicção que isso não passa de um delírio da minha mente, nada disso é real. É apenas insanidade, então eu simplesmente ignoro-as! Acho que é uma boa defesa.

— Se não acredita em magia – disse Inihs desconfiado – Por que veio a minha casa?

Peter se silenciou e abriu um sorriso gelidamente psicótico.

— Reparou – Disse Inihs apontando para uma das bonecas – Nesta boneca em especial? Senhor Peter.

Peter gargalhou.

— Sabe como se faz – Disse Inihs com um olhar gélido – Uma boneca-quase-humana? Senhor Peter.

— Deitando na cama da sua mãe? – disse Peter irônico.

— Há! Há! Há! Há! – gargalhou Inihs ironicamente –Não! – Gritou mirando-lhe um olhar gélido a Peter pela segunda vez e continuou – Com cadáveres de seres humanos!

— Então esteve matando garotas – Disse Peter chacoteando – Você é um maldito mesmo!

— Não precisei matá-las – Disse Inihs sombriamente – Elas o fizeram!

— Então fez sua bonecas com suicidas – Disse Peter – Você é um maníaco mesmo!

— Ainda não reparou para quem estou apontando! – Disse Inihsainda apontando para uma das bonecas.

Os olhos de Peter se arregalaram psicoticamente ao ver a aparência da sombria boneca queda qual passara despercebida por seus olhos até aquele momento. Estava vestida como as outras. Morta como as outras. Cabelos loiros encaracolados. Olhos azuis cristalinos cintilantes. Pele pálida extremamente esbranquiçada. Era uma boneca-quase-humana feita com o corpo de Varleny.

— A conhece? – Perguntou Inihs irônico – Achei-a com o crânio partido em dois na encosta do maldito Rio de Hades. Então para enganar o tolo do Thanatos, arranquei os olhos da Varleny e os joguei nas águas. Semelhantemente, como que fiz com as demais garotas que achei a beira daquele tétrico rio de suicídios. Coração, pulmão, cérebro, tanto faz. Eu gostava de variar. Queria fazer parecer que as aquadies devoravam as vítimas e deixavam partes para trás como pistas. Para ver o quanto Thanatos é tolo. As aquadies jamais desperdiçam carne se encetado o jantar. Deixam para trás somente o sistema esquelético. Interessante, não?

A mente de Peter entrou em uma crise psicótica, inundando-se com diversos pensamentos e lembranças melancólicas. Peter caiu de joelhos, os olhos olhando para todos os lados psicoticamente. Nem um pensamento se mantinha tempo demais para ser analisado com razão. Peter perdeu-se em um labirinto de emoções.

— Há! Há! Há! Há! – Gargalhou Inihs espantosamente como uma criança feliz – Não sabia que lhe afetaria tanto!

Peter deitou-se sobre o chão com os joelhos junto ao peito, chorando melancolicamente.

— A Varleny não morreu! Não morreu! Não morreu! – murmurou Peter psicoticamente em meio a prantos – Não morreu! Não morreu! Não morreu!

— Pare de se iludir, pueril Peter! – Disse Inihs sombriamente, um sorriso mortiço gelidamente feliz no rosto –Todos os seus entes queridos estão mortos!—Gritou – Mortos! Mortos!

Aaaaaaaaaaah!— Gritou psicoticamente Peter tentando ignorar as palavras de Inihs.

— Pobre Peter, Pobrezinho – Disse Inihs teatralmente – Mal sabe o ingênuo Peterson – Girou o pulso a cima da cabeça e após continuou sombriamente – Terei que provar-lhe! Caso contrário continuara se iludindo eternamente.

Caminhou até atrás de seu trono, em direção à porta dourada que atrás dele jazia.

— Estás curioso? Qual o conteúdo dessa porta? – Disse Inihs acariciando a maçaneta da porta dourada – Me esqueci de que estás no meio de uma crise psicótica, há! Há! Há! Há! – Gargalhou – Eu respondo por você... “O que você quiser grande Inihs”... Isso! Isso! Senhor Peterson! Acertou na mosca!... Essa porta é o que chamamos de Porta-Portal. Uma porta que se usa para se teleportar. A porta-portal funciona da seguinte maneira: depois de criada por um mago capacitado, pode ser transformada temporariamente em qualquer porta do mundo que o magojá abriu pessoalmente na vida. Mas o interessante das portas-portais é que somente quem a criou pode desativá-la e transformá-la em outras portas.

Peter continuava se contorcendo em prantos sobre o tapete, o rosto encharcado em lágrimas melancólicas, observado friamente pelas bonecas-quase-humanas.

— Levante-se Peter!– Disse Inihs irritado por estar falando praticamente sozinho naquele momento –Anda! Seu acriançado! – Inihs estralou os dedos, causando um estampido agudo. Magicamente e contra sua própria vontade. Peter se levanta do chão desengonçado como uma marionete de madeira, o rosto angustiado.

— Anda! Venha até mim seu empecilho de humano! – Disse Inihs irritado – Está na hora de irmos para sua casa... – Continuou Inihs com tom assombrosamente sombrio e um olhar frio –fazer uma “calorosa”visita aos seus vívidos mamãe e papai!

Notas finais
“A casa excêntrica de Inihs é mais que a mente humana comum possa entender. Corredores escuros, Portas mágicas, Bonecas-quase-humanas. Inihs tem uma personalidade ironicamente excêntrica. Revela que a arte da onipotência é apenas uma alienação, nada mais. Inihs revela estar com o corpo de Varleny em forma de boneca mórbida, fazendo Peter entrar em colapso psicótico. Após uma agradável conversa, Inihs decide ir visitar os pais de Peter. O que ele pretende fazer aos pais de Peter? Coisa boa não deve ser. Peter começa a sair de seu estado de psicopatia temporária. O que resultará disto?”