Almas-Vagantes
8 Capitulo VIII - Asas Negras Do Anjo -
Notas iniciais

— Você é realmente imaculado – Disse Inihs encarando firmemente Peter que estava de pé forçado, por causa de um feitiço que Inihs conjurou anteriormente. – Despojado Peterson... Manteve-se acreditando por dias que seus pais ainda estavam vivos. Não é mesmo?
Peter ainda em estado mental psicótico, sequer estava totalmente consciente. Sequer deu atenção às palavras de Inihs, desde quando viu a boneca-quase-humana feita com o corpo de Varleny.
— Varleny morreu, Varleny morreu, Varleny morreu — Murmurou baixo Peterimobilizado no ar, lágrimas escorrendo melancolicamente pelo rosto. – Ela está morta... Não pode ser... Ela morreu... Não pode ter... Morrido...
— Pode sim – Disse Inihs ríspido. – Você esteve falando com apenas uma parte da alma dela ultimamente. Mais especificamente com a parte obsessiva por paixão. Quando uma pessoa se suicida nessa cidade amaldiçoada volta ao mundo dos humanos como uma maldita alma-vagante, essa merda só acontece nessacidade. Mas você já deve saber que essa cidade não é uma cidade comum.
Inihs caminhou excentricamente, como geralmente andava, em direção à parte de trás de seu trono. E girou a maçaneta da porta dourada coruscante que jazia atrás de seu trono.Abriu-a com lenteza revelando uma escuridão tenebrosa como seu conteúdo.
— Você já deve ter percebido que Varleny não é uma alma-vagante comum. Não é mesmo? – Disse Inihs olhando fixamente para o buraco negroadentro da porta obscura. – Realmente,Ela não é!
Inihs olhou diretamente para o rosto de Peter com um olhar frio e calculista.
— Digamos assim, geralmente pessoas que suicidam especificamente nessa cidade (ou em qualquer outra cidade amaldiçoada) terão parte da alma mantida no mundo dos vivos, em geral a parte da alma que foi impregnada por depressão intensa causadora do suicídio, as almas-vagantes comuns. Mas existem exceções, como em todo o tipo de coisa existente neste mundo, as almas-vagantes-conscientes. Um tipo raro de alma-vagante, que detêm de consciência e lógica. Mais especificamente, quando uma pessoa se suicida em Sky Gray, pode ou conservar a parte depressiva da alma jazida no mundo dos vivos ou a parte obsessiva por afeto e paixão. Se a parte depressiva permanecer se torna em uma alma-vagante que se suicida durante a noite. E se a parte obsessiva por paixão permanecer se torna em uma alma-vagante-consciente que vive para saciar sua sede por afeto. Mas quase sempre a parte depressiva vence. Exceto por Varleny e seu pai.
— P-pai?! – Resmungou Peter entre dentes, ainda imóvel como uma estátua falante.
— Pensei que tivesse o visto enquanto vinha – Disse Inihs sorridente.
— Como sabe... – Murmurou Peter. – Que eu o encontrei? Como sabe tanta coisa?
— Há! Há! Há! – Gargalhou Inihs morbidamente, continuou. – Sou onipresente meu caro! – Disse Inihs sarcasticamente. – não seja um pachorrento! Não serias obvio a resposta? Eu estive... O observando nos últimos dias, Peterson Riddle.
— Esteve o que?– Rosnou Peter. – Seu filho da puta!
— Chega de conversa! – interrompeu Inihs. – Está na hora de vermos seus queridos mamãe e papai!
Inihs chutou a porta dourada de conteúdo obscuro com força, fazendo-a se fechar. Olhou para porta com ênfase e estralou os dedos das duas mãos simultaneamente. Criando-se um estampidosonoro agudo. A porta dourada se transformou lenta e ordenadamente na porta do quarto de Peter. Exatamente igual, como se fosse a mesma porta. Uma porta branca de madeira, um pouco descascada com maçaneta de ferro.
— Conhece essa porta Peter?– Perguntou Inihs ironicamente.
Peter fingiu não escutar e não respondeu.
— Eu diria que sim – Disse Inihs gargalhando assustadoramente. – Bom, sem mais delongas. Adentremos!
Abriu a porta com raiva. A maçaneta bateu contra a parede com força. Ao outro lado da soleira recém-aberta se encontrava, magicamente, o quarto de Peter. Os pais de Peter gravemente putrificados deitados sobre a mórbida cama de Peter com flores negras jazidas pelo chão. Como uma catacumba de mau gosto.
Inihs adentrou o quarto a passos excêntricos. Vislumbrou o corpo dos pais de Peter com alento, como um gourmand mórbido. Parecia feliz como uma criança que receberá o presente de aniversário antes da hora. Estralou os dedoscom ênfase, fazendo Peter adentrar o quarto forçadamente como uma marionete.Era algum tipo de feitiço de controle.Estralou os dedos novamente e Peter despencou sobre o chão e a porta do quarto se fechou com um estrondo ensurdecedor.
— Peterson Riddle – Disse Inihs teatralmente. – Nos dias em que te segui percebi uma coisa perturbadora. Realmente perturbadora. Caso você não saiba, manter seus entes queridos mortos em casa é realmente doentio.
— Eles não estão mortos!— Gritou Peter se levantando do chão coberto por rosas podres e se desabou em direção a seus paismurmurando a eles. – Papai! Mamãe! Voltei! estiveram com saudades. Estiveram?
— Peter, Peter – Disse Inihs decepcionado. – Não percebe? Eles estão mortos! Estão mortos!
— Não estão! – Retrucou Peter.
— Estão Mortos! – Cuspiu Inihs.
— Não estão! Porra!— Gritou Peter possesso.
— Mas que merda! – Disse Inihs realmente irritado. – Cansei dessa porra! Vou dar cabo a essa sua ilusão mórbida.
Inihs estralou os dedos, e magneticamente, Peter foi atraído para parede do fundo do quarto. Se chocando nela ferozmente com um golpe ensurdecedor.E se despencando sobre o chão como um saco de batatas-inglesas. Com força suficiente para somente olhar diretamente para Inihs e seus pais a sua frente.Não pode fazer nada. Novamente. Como quando Varleny morreu no Rio de Hades.
O tempo começou a passar lentamente. Os segundos pareciam minutos. A janela começou a ser atingida por gotas de uma chuva violenta que caia lá fora. Inihs mexia o maxilar lentamente, parecendo estar dizendo algo. – Eis o fenecer de tua utopia—. Peter pode ver, os dedos polegar e indicador de Inihs se uniram, para que ele pudesse perpetrar um estralo. Um feitiço. A cama mórbida que se podia ser nomeada como um caixão, começou a se encher lentamente de lumes. Eis que a cama estava se inflamando em chamas. Peter se levantou de um salto. O tempo ainda vagaroso. Correu. Mas parecia estar em um daqueles pesadelos que quanto mais tentamos correr, mais lento ficamos. Jogou-se em meio às chamas. Dolorosamente começou a se arder em chamas azuis. Abraçou seus pais parcialmente incinerados. Gritou agonicamente de dor. Freneticamente louco para se debater em dor. A dor era insuportável. Mas de certo modo egoísta.
— O que você está fazendo?!— Gritou Inihs. –Você quer se matar?!
Inihs estralou os dedos, fazendo Peter voejar do fogo azul para o chão. A pele do rosto de Peter enfestada porborbulhas de queimadura de terceiro grau. Os dedos pretos como carvão. Os cabelos vermelhos parcialmente incinerados. As roupas parcialmente abrasadas. Uma fumaça suave era lançada de seu corpo. Inihs percebeu que Peter estava disposto a se jogar nas chamas novamente, então o deteve com um feitiço de paralisia corporal. As chamas cessaram. Consumiram os pais de Peter por completo, obedientemente transformaram-nos em cinzas fúnebres.
— Não entendeu ainda? – Disse Inihs irritado. – Eles pereceram, cesse a tua fantasia! Seu tolo de merda!— Cuspiu.
Peter afundou em lágrimas veementemente. A psicopatia que estava o dominando fora embora com suas primeiras lágrimas de desespero. A mente de Peter voltará ao normal naquele momento. Os sentimentos bondosos retornaram gradualmente junto a suas lembranças felizes e emoções afetuosas. Mas isso fez com que sua melancolia ficasse cada vez mais intensa a cada instante. Uma reação em cadeia.
— Finalmente caiu a ficha! – Disse Inihs mirando às lágrimas de Peter um olhar gélido. –Eu lhe fiz um favor. Seu ingrato.
— Há! Há! Há! Há! Há!— Gargalhou Peter assombrosamente interrompendo o pranto. – Dane-se!
Misteriosamente, Peter se desfez do feitiço de paralisia de Inihs, se levantou rapidamente e se precipitou até Inihs, abruptamente. Tentou acertá-lo com um gancho certeiro no queixo. Mas Inihs desviou facilmente e o chutou violentamente no cerne do rosto, com um estrondo assustador. Peter disparou velozmente em direção à janela, atravessando-a. Aterrissou no jardim sobre a grama fofa, coberto por vidro. A boca sangrando. Quase inconsciente.
Inihs estralou os dedos novamente. E“Bum!”. As paredes que separavam o quarto de Peter ao jardim se detonaram. Tijolos e poeira subiram aos céus. Uma fendase materializou no lugar onde estava a parede anteriormente. Inihs saiu jubiloso pelo buraco até o jardim. Peter ficará coberto por poeira.
— Então... Ainda incrédulo à magia? – Disse Inihs com um sorriso contente.
Dolorosamente tentou se levantar. Os braços trêmulos e corpo ardendo por causa das queimaduras resultantes do fogo azul. Peter tossiu expelindo sangue sobre o gramado empoeirado.
— O que você quer comigo? – Disse Peter tossindo sangue. – Você matou meus pais! Feriu-me! O que mais você quer?
— Há! Há! Há! Há!— Gargalhou gelidamente Inihs. – Eu seguramente não trucidei teus pais... Você é realmente tolo, não conseguiria ver nem se eu colocasse na sua cara!
— Quem matou então?!— Gritou Peter, lágrimas escorrendo intensamente pela face empoeirada.
— Hm! O pássaro sádico chamado de... – Disse Inihs passando as mãos em seus brilhantes cabelos azuis claros. – Psycho The Killer!
— Psy... O que?
— Isso não vem ao caso! – Disse Inihs ríspido. – Bem, Peterson Riddle... Antes de o meu partir, tenho algo a fazer!
Inihs se aproximou de Peter lentamente, o admirando com um olhar fúnebre. Os cabelos azuis de Inihs ficaram mais profundamenteclaros, recebiam a reflexão da luz gélida da lua cheia. A pele de Inihs estava mais pálida que o de comum. O paletó negro e com gravata vermelha se mantinham intactos.
— Evolua Peterson Carter Riddle!— murmurou Inihs estralando os dedos rapidamente, um estrondo agudo se propagou.
— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!— Gritou Peter agonizando sobre a grama.O cérebro preenchido por 1000 volts de eletricidade.
Peter tentava se mantiver consciente em meio à dor. Os olhos revirando. A boca espumando intensamente. Os braços e as pernas se debatendo freneticamente.
— Socorroooooooo! Socorooooooooooo! Por favooooooooor!— Gritou Peter psicoticamente.
Uma cena perturbadoramente agonizante.
— Isso não é nada! – Disse Inihs calmamente enquanto Peter se imergia em agonia. – Por que tanto drama?
Inihs estralou os dedos novamente. Para o alívio de Peter. Após um minuto de agonia, os 1000 voltsfinalmente cessaram-se. Peter parou de se debater em agonia e repousou sobre a grama quase inconsciente. Ofegando absurdamente e mirando olhos azuis fracos para as nuvens.
— Por que fez isso? — Disse Peter baixo com a voz um tanto rouca.
— Você devia me agradecer! – Disse Inihs como se tivesse acabado de doar para uma instituição de pessoas necessitadas.
— Por que eu devia agradecer?— Disse Peter agora com a voz um pouco mais alta e menos rouca. – Você quase me matou...
— Devo admitir que você poderia ter morrido... – Disse Inihs calmamente. – Mas você se saiu bem no teste de evolução, Peterson Riddle... A maioria das pessoas comumente sem graça, já estariam mortas agora. Mas como você pode ver...Você ainda está vivo. Então minhas felicitações! Você passou!
— Do que você está falando?— Perguntou Peter com o corpo fraco como se estivesse sem dormir por um mês a fio.
— Está na hora... – Disse Inihs teatralmente. – De ver que você é realmente digno de tamanha benção! Façamos o teste de reflexão!
Penas negras se materializaram ao redor de Inihs, flutuando belamente. Eis que se fez um som de algo se rasgando. O que se rasgou foi à parte de trás do paletó negro de Inihs. Para que pudesse surgira suas costas, duas enormes asas negras magníficas preenchidas por penugem negra cintilante e esplêndida.As asas eram mais largas que os braços de Inihs, elas jaziam em suas costas grudadas atrás de seus ombros. Eis que se abriram expelindo penas pelo ar. Cada asa tinha pelo menos três metros de largura e três de comprimento quando abertas. Inihs bateu suas asas contra o vento com ênfase, como se estivesse ansiando por fazer isso há tempos.
Peter boquiaberto olhou para as enormes asas de Inihs duvidando de sua própria sanidade mental. Eu estou totalmente... Insano, pensou Peter duvidando de que o que estava vendo era realmente real. Os olhos arregalados como se estivesse olhando para um alienígena.
— Peterson Riddle! – Disse Inihs batendo suas enormes asas negras no ar. — Vamos voar?
Inihs voejou subitamente na direção de Peter e o agarrou pelo braço com força. Suas asas bateram mais rapidamente. Fazendo com que Peter e Inihs levantassem do chão e começassem a voar lentamente em direção ao céu. A única coisa que impedia Peter de cair em direção ao chão era a embranquecida mão de Inihs agarrada ao seu braço com ênfase.
Peter se preencheu por um frio na barriga insuportável. Mas não gritou de medo como teria feito em dias normais. Aquele dia não era nem de longe um dia normal. Os telhadosdas casas negras abaixo de seus pés começaram a ficar pequenos. As diversas almas-vagantes que preenchiam as ruas paralelas à rua dias nublados começaram a virar pequenas formiguinhas suicidas. Até que a cidade lentamente despareceu em um nevoeiro infausto. Pararam dentro de uma nuvem cinzenta. O céu azul-marinho cheio de estrelas brilhantes. A lua cheia maior do que o normal brilhava intensamente.
Eis que Inihs soltou o braço de Peter que despencou em direção ao chão, mas imediatamente Inihs estralou os dedos novamente. Fazendo Peter flutuar como um balão até a sua frente. Peter apresentava um rosto pálido sem expressão alguma como se estivesse fora de si. Os olhos azuis um pouco cinzentos, com um olhar frio e profundamente torturado.
— O que tens? – Disse Inihs batendo as asas corretamente para se mantiver flutuando em meio à nuvem da qual estavam.
— Quem... É... Você?— Disse Peter com a voz rouca e fraca.
Inihs começou a gargalhar sombriamente e seu rosto mudou subitamente. Os cabelos azuis fracos ficaram grandemente mais escuros, ficando assim azuis escuros quase negros. Seu rosto afinou e ficou morbidamente mais pálido, de um tom branco puríssimo. Ficou estranhamente mais magro. Os dedos ganharam unhas gigantes. Seus olhos ficaram negros e sombrios.
Inihs se transformará em outra pessoa.
— Está é minha verdadeira aparência... Chamo-me... – Disse Inihs estralando os dedos.
Peter começou a cair em direção ao chão. Em direção à morte. O tempo voltou a ficar lento. Segundo se transformaram em minutos e minutos em horas. Peter pode ver o mórbido rosto de Inihs observando-o felizmente. Mergulhou por dentre as nuvens em direção à morte. Pode escutar palavras distantes mergulhar levemente por dentre seus tímpanos. – Eu me chamava...Null Kronus—.
As nuvens tinham aroma suave de chuva. A brisa atingia seu rosto com leveza. Sua mente se preenchia de desesperação. Como será a morte?Perguntava-se Peter em meio a sentimentos de melancolia e agonia. Eis que a voz distante completou sua mórbida frase reveladora. – Eu me chamo...Shini, o anjo da morte—.
Peter viu Shini gargalhar de modo mefistofélico em meio às nuvens acima dele e após arremessar-seem rapidamente em direção ao horizonte como um avião a jato. Ouviu-se ao longe uma voz ecoante.– Adeus, jovem pássaro—.
Inihs era Shini. Um anjo da morte.
Shini é o resultado dos testes de Kronus. Os testes eram nada mais nada menos que psicóticos. Kronus aprisionava diversos órfãos em um covil mórbido preenchido por morte e tortura. No inicio eram vinte órfãos que por fim se tornaram em derradeiros dois órfãos. Todos os órfãos foram submetidos atestes de evolução e ao teste de reflexão.
Os primeiros testes, “Os testes de evolução”, consistiam em submeter os diversos órfãos a eletrização cerebral de 1000 volts diários e torturas a fim de testar suas regenerações aceleradas e imunidade à dor.O teste de eletrização cerebral tinha duração de três anos e somente podia ser realizado em órfãos de doze anos ou mais. Diversos órfãos acabaram por morrer no primeiro teste. “O sacrifício dosmenos aptos é necessário para a evolução” disse Kronus ao órfão curioso, Swift.
O segundo teste, “O teste de reflexão”, era somente realizado em órfãos que passaram nos primeiros testes. Ou seja, quem não morreu nos primeiros testes. Consistia em fazer o órfão que estivesse sendo testado entrar na sala de reflexão da mente. A sala de reflexão nada mais era que uma sala comum que tinha apenas uma coisa de incomum, uma porta-portal que teleportava o órfão para um mundo paralelo feito por Kronus por meio de diversos feitiços.
Nesse mundo paralelo era realizado um teste medonho elaborado calculosamente por Kronus. Ele convenceu diversas criaturas macabras para que jazam neste mundo, com a promessa de oferecê-las diversas guloseimas saborosas como forma de gratidão. Podiam ficar a espreita nesse mundo, em meio à floresta macabra que lá jazia ou no oceano violeta. Mas tinha-se uma exigência, tinham que dizer as seguintes palavras antes de devorar as vítimas. –Mate o outro pássaro e pinte de vermelho a tranca da gaiola –. Isso era cumprido por todas as criaturas, menos pelas aquadiesque devoravam as vítimas sem dizer sequer uma palavra.Mas ninguém que fora ao mundo paralelo de Kronus permaneceu lá. Em outras palavras, todos que fizeram o teste de reflexão passaram.
Null Kronus afundou com afinco em todos os testes de Kronus. Possuído pelo desejo de rever sua amada Nancy. Pensando que Nancy talvez tivesse fugido da gaiola que os aprisionava de alguma forma. Mas no fundo não acreditava nisso. “Nancy está morta”, essas palavras psicóticas assustavam-no. Após a suposta morte de Nancy, Null caminhava sem rumo.
Tornou-se mais frio. Seu olhar mais gélido. Seu coração mais triste.
Até que enfim participou do segundo teste que resultou na sua crueldade. Após ver Nancy em forma de Sereia das trevas. Seu coração se escureceu. Jogou seu irmão Swift para dentro da sala de reflexão. Usou o sangue de Swift. Escapou de sua gaiola.Mas mal sabia ele que havia se transformado no pássaro que chantageava. Tendo o mesmo fim que ele.
Foi devorado por Kronus. Sendo assim, transformado em Shini, uma criatura que se transforma em outras.
Peter despencava de meio a nuvens como uma gota de chuva. O tempo continuava passando lentamente. Seus olhos comtemplavam o céu belíssimo daquela noite, enfeitado com estrelas brilhantes um pouco encobertas por nuvens trovejantes. Gotas de chuva começaram a atingir seu rosto com leveza. Começará a chover. As gotas de chuva caiam lentamente. Como se estivessem em slow motion. Seria um delírio passageiro?
Peter nem sequer se deu ao trabalho de visualizar sua queda, era preferível continuar a contemplar o céu daquela noite mórbida. No alto um raio começou a se formar. Lentamente. Peter viu o raio azul claríssimo passar ao seu lado em direção ao chão em velocidade arrebatadora em comparação as gotas de chuvas. O som do trovão ensurdecedor só veio algum tempo depois.
A queda não parecia ter fim.
Eis que Peter pode ver uma árvore gigantesca ao seu lado. Esta árvore pertencia-se a praça que ficava no meio de Sky Gray. O fim da queda de Peter se daria no rio de Hades. Peter já podia escutar as gemidas das diversas almas-vagantes de Sky Gray.Sua queda finalmente encontrou seu fim. Seu corpo se chocou violentamente contra as águas gélidas do Rio de Hades. Seus membros superiores e inferiores se quebraram com o baque ensurdecedor.
As águas estavam violetas naquela fúnebre noite enluarada. Peter afundou lentamente. Vendo o reflexo da lua se distanciando à medida que afundava mais profundamente. As almas-vagantes o perturbaram. – Nos ajude... Ajude-nos garoto, por favor—, Clamavam. A mente de Peter finalmente se livrou da psicopatia e estava naquele momento mergulhada em profunda melancolia.Ajuda-me Varleny... Ajuda-me... Eu te amo, pensou Peter. As almas-vagantes começaram a empurrá-lo violentamente de um lado para o outro, insistindo. – Nos ajude... Garotinho... Ajude-nos—. Chegou ao fundo do rio. Deitou-se ao chão infestado por musgo e esqueletos de suicidas que lá jazia. As almas-vagantes continuavam a perturbá-lo.
— Psychoooooooooooooooooooooooooooooo!— Gritou Peter enraivecido.
O corpo de Peter se curou em um piscar de olhos. Incrivelmente as águas ao redor de Peter se afastaram como se Peter as repelisse. O Rio de Hades se abria onde Peter estava como o rio vermelho quando Moisés atravessou-o na Bíblia, mas de modo mais grotesco. Dava-se para ver a terra verde musguenta coberta por caveiras e esqueletos mórbidos que jazia aos pés. Peter completamente seco. Aágua a um metro de distância de seu corpo. Como se houvesse um campo magnético ao redor de Peter repelindo as águas do rio. Peter começou sombriamente a cantarolar, deitado sobre o chão gosmento que o cercava. Uma canção nostálgica e ao mesmo tempo sombria.
“Você é meu raio de sol
Meu único raio de sol
Você me faz feliz
Quando o céu esta nublado
Você nunca saberá querida
O quanto eu te amo
Por favor, não leve embora meu raio de sol”.
Peter se levantou do chão gosmento ainda enraivecido. Os olhos sedentos por vingança encharcados em lágrimas. Caminhou até a beirada do rio e teve de escalar. Quando chegou ao gramado cinzento da praça central de Sky Gray, caiu exausto. Vozes distantes se distorciam até desaparecerem. Sua visão ficou embaçada gradativamente até se escurecer por completo. Peter desmaiou.
O sol do amanhecer surgiu no horizonte. Era o início de um novo dia.
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