Almas-Vagantes

5 Capitulo V - O Armário Mórbido -


Notas iniciais
“Peter teve certeza, Inihs havia lhe dado uma piscadela, mas por qual motivo?”.

Irritante, pensava Peter com raiva de Inihs. Ele mal chegará à escola é já era o aluno mais popular. Peter cairá no escuro lugar pertencente aos antissociais, a solidão. Estava totalmente solitário neste dia, só lhe restava à companhia do fantasma de Varleny. Sentado sobre as mesas do refeitório, pisos escorregadios quase transparentes de tão brancos jaziam logo abaixo das mesas, tornando levantar um risco de cair. Inihs estava logo à frente repleto de pessoas sentadas a sua volta, interessadas em tudo que ele dissesse ou fizesse. Diferente do popular Inihs, Peter estava sentado sozinho a mesa. Todos os dez lugares que as mesas continham estavam ocupados na mesa de Inihs, mas na mesa de Peter somente estavam ocupados um que era o dele mesmo e o de Varleny.

Demonstrando afeto, Varleny debruçou sua nuca gélida nas pernas de Peter e o olhou direto nos olhos com um sorriso meloso. Que merda, por que ela está tão melosa? Não devia ter dito aquilo, pensou Peter arrependido por ter falado que a amava. Mas já era tarde, agora que havia começado não podia interromper.

Aparentemente Inihs não estava interessado nos alunos comuns da escola. Tudo que perguntavam ele respondia com rispidez e poucas palavras. Estava totalmente entediado com as piadas que os alunos compartilhavam entre si e começou a olhar para o teto. Eisque olhou furtivamente para trás e viu Peter. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. Os alunos que estavam sentados a sua mesa pensaram que ele achará engraçada a piada que se havia acabado de ser contada por um deles, uma piada caipira e totalmente sem graça. Mas logo perceberam que não se tratava disso, Inihs se levantou sem hesitar e caminhou até a mesa de Peter. Decidiram não o seguir, seria antipático já que ele não os havia convidado.

— Poderia me sentar nesta mesa? Senhor Peter – Perguntou Inihs curvando-se para Peter.

Peter não o respondeu e ele se sentou. Ele estava vestido com um paletó e calça azul marinho e gravata-borboleta preta.

— Gostou da minha roupa? Elegante, não – Diz Inihs aparentemente zombando das roupas de Peter que estavam sujas e deselegantes.

Peter se quer se deu ao trabalho de retrucar, simplesmente manteve a lhe dar gelo.

— Não estás interessado em conversar?- Perguntou com um sorriso maléfico acariciando delicadamente as mãos em seus rebeldes cabelos azuis claros.

Peter suspirou com desprezo e continuou a fingir que Inihs não estava ali. Falar com Inihs não era producente no momento.

— Ok! – Gargalha Inihs – falarei com Varleny neste caso...Olá Varleny! – olhou-a direto nos olhos – Por que está com a cabeça nas pernas de Peter? É deselegante demonstrar afeto na escola.

Varleny pareceu ter visto um fantasma, ficou de queixos caídos e olhos esbugalhados. Como ele pode me ver? Ninguém me viu o dia todo, se perguntou Varleny intrigada. Peter fingiu não estar tendo um ataque de nervos que inundava sua psique naquele momento e disse calmamente:

— Como você pode vê-la?

Inihs o ignorou e disse com tom de breve satisfação:

— Adeus Varleny! Espero revê-la em breve.

Inihs levantou-se da mesa de Peter e começou a caminhar em direção aescadaria. Peter se levantou de um salto e o perseguiu correndo. Gritou:

— Como você pode vê-la? Desgraçado — Inihs abriu um sorrisinho irritante e fingiu não escutar – ME RESPONDA! – Xingou.

Correndo, alcançou-oe tentou acertá-lo com um golpe desengonçado que devia ser um soco. Inihs simplesmente desviou e o chutou com uma força descomunal na costela, fazendo com que Peter despencassecom a cabeça sobre o chão escorregadio do pátio com um estrondo ensurdecedor e desliza-se por uns três metros. Deixando pequenas poças de sangueprovindas de sua gengiva feridapelo chão. Sua visão se escureceu lentamente e pode ouvir ao longe – Não somos normais, não é mesmo? -, desmaiou.

Inihs com certeza não é normal, já que pode ver Varleny.

Ela se tornou no que se chamam formalmente de alma-vagante. Aparentemente, Varleny não era apenas um fruto da imaginação de Peter, já que Inihs também podia vê-la. Mas por que somente Inihs e Peter podem vê-la? Almas-vagantes só podem ser vistas por quem já presenciou a morte. Aparentemente Inihs já presenciou a morte em algum momento de sua vida.

Em meio à escuridão, nada se via. Desmaiei?, Pensou Peter com medo da escuridão. O segundo maior medo de Peter era a escuridão. Não se dava para saber se estava de olhos abertos ou de olhos fechados. Quem sou eu? Quem sou... Eu?... Alguém me... Salve.Mas ninguém veio salva-lo. Ninguém jamais vinha. Lágrimas começaram a percorrer sua face como formigas disputando um grande pedaço de bolo de chocolate. Ele estava caindo. Quando o fim dessa queda se daria, era apenas uma das perguntas que Peter se fazia. Decidiu simplesmente deixar a queda o dominar. Cair em meio ao escuro era uma sensação psicótica, mas suportável.

Eis que toda a escuridão se foi. Um céunublado com uma lua cinza sinistra se materializou lentamente a sua cabeça. E uma floresta com árvores cinzentas materializou-se a baixo. Parecia umarenderizaçãográficade um jogo de Xbox riscado por mau uso.Sua queda teria um doloroso fim em uma das árvores. Minhas tripas vão se dissipar pelas folhas das árvores na melhor das hipóteses, pensou Peter aparentemente com medo da morte.

Estava mais perto, mais perto, mais perto, mais perto, mais perto, mais perto da morte. Mas para sua própria surpresa, não morreu. A menos de dois centímetros das copas de uma das árvores, o tempo pareceu parar. As árvores paralisaram seus galhos como uma escultura de gelo. E Peter começou a cair lentamente como se a gravidade agisse a menos de dez Newton de força, talvez com miserávelum Newton. Apenas se endireitou e se posicionou com o mínimo de dificuldade para cair de pé sobre o chão preenchido pelo gramado morbidamente cinzento que lá jazia.

Seus pés roçaram lentamente no gramado. Mas quando seus pés estavam completamente no chão, começaram a derreter, como cera em um forno. “Merdaaaaaaaaa!”, gritou. Não se dava para correr, em menos de um mísero segundo, seus pés já não existiam mais, começou a derreter-se sua perna como gelo sobre o sol escaldante. A dor o estava dominando, gritar já não era mais possível. Tentando escapar da dor, rastejou pela grama, mesmo tendo seu corpo derretendo gradativamente a cada movimento. Resultando em acumulados de carne e entranhas derretidas pelo gramado mórbido.

Acordou.

Seus olhos abriram lentamente. Observou a saleta com olhos cansados. O lugar cheirava a produtos de limpezas mesclados a um cheiro intenso de formol. A primeira coisa que seus olhos encontraram foi o teto de pintura branca descascada, como as demais paredes da saleta. Ao seu lado, uma mesaempoeiradíssima com uma bandeja rasa de prata reluzente com diversas ferramentas afiadas de cunho médico. A sua frente, a soleira com uma pequena janela de vidro na parte superior que dava visão ao corredor, aparentemente da escola. Tinha-se também um armário branco de aço na extremidade do leito, o que se podia ter dentro, não dava para descobrir. Devia-se ser o leito área da enfermaria de Light Of Sky. Estava com seu dorso e cabeça enfaixados. Tentou levantar, mas logo uma dor pontiaguda veio de sua costela, impedindo-o.

— Acalme-se Peterson, repouse um pouco. Sua costela se quebrou e você tevehemorragia interna hoje, não devia nem estaracordado, qualquer ser humano normal estaria em coma – Disse ao longe uma figura caminhando no corredor por trás da janelinha na porta – Me chamo Judson Match, mas prefiro que me chame por meu pseudônimo, Thanatos.

Thanatos era um homem de estatura quase baixa de provavelmente vinte anos com rosto de cansaço preenchidos por olhos castanhos desprovidos de entusiasmo. Os cabelos castanhos lisos bem curtos reluziam. Já era adulto e mesmo assim ainda usava aparelho dentário da cor verde-azeitona.

— Por quanto tempo eu apaguei? – Disse Peter ao perceber que a janela ao seu lado estava exibindo um céu negro repleto de nuvens cinzentas e estrelas amarelas.

— Por pelo menos umas dez horas, tecnicamente uma noite de sono. Mas sinceramente, já resolvi casos piores que o seu.

— Pior que uma costela quebrada e hemorragia interna?!

Há! Há! Há! Há!— Riu Thanatos sarcasticamente – Certa vez, tive que montar um quebra-cabeça de 206 peças...

— 206 peças? – Perguntou Peter confuso.

— Por mais estranho que pareça, sim. Um jovem teve todos os ossos desgrudados misteriosamente e propagados pelo corpo. Ele chegou a mim como um saco de pele e ossos. Acabei tendo que grudar osso por osso calculando meticulosamente com consulto do atlas do corpo humano.Uma tarefa extremamente difícil e delicada. Mas pelo menos me manteve entretido. Te curar foi entediante – Disse Thanatos bocejando entediado.

— O Inihs foi punido por ter quebrado minha costela?

- Há! Há! Há! Há! – Gargalhou Thanatos –Punido?!... Ah, me esqueci de que você era novato. O diretor sádico desta escola não pune violência entre apenas duas pessoas, mas se forem mais de um contra um, ai o bagulho fica louco.

— Sei... A propósito, como você pode curar uma costela quebrada em um só dia?Isso é totalmente impossível – Disse Peter tocando em sua costela que estava quebrada anteriormente naquele mesmo dia e agora só estava dolorida.

— Você não sabe sobre a arte da onipotência, mas conhecida como Oni?

— Nunca ouvi falar... – Disse Peter confuso.

— Você é novo na cidade?

— Sou... Mas no que isso importa?

— Nada... – Disse Thanatos o olhando fixamente.

Se ele nem sequer dominou o Oni, então chegou à cidade recentemente, pobre coitado, pensou Thanatos.

— Bom... Digamos assim, se eu não houvesse dominado o Oni, você não estaria conversando comigo agora, pois a hemorragia interna teria certamente lhe matado. Bem, vamos à parte teórica. O termo Oni refere-se ao estudo e aplicação de técnicas mágicasespecíficas com condições especiais. Por exemplo, quando uso a técnica de cura, pertencente à arte da regeneração, para curar outras pessoas, fico impedido de usá-la em mim mesmo até o dia seguinte.E somente posso usá-la em mim mesmo uma vez por dia. Ou seja, após usá-la uma vez para beneficio próprio só poderei usá-la em outras pessoas, sob o efeito de cada vez que usar ficarei 24 horas sem usar a técnica. Ou seja, se usá-la duas em um só dia em outras pessoas, a técnica ficará suspensa para uso por beneficio próprioou não, por 48 horas, sendo que a suspensão do uso só tem inicio 24 horas depois do uso em outras pessoas. Completando, só posso usá-la uma vez por dia em mim mesmo e em quantas pessoas eu quiser me sujeitando a suspensão da técnica. Essa técnica é uma merda. Todas as técnicas Oni obrigatoriamente possuem uma regraprópria, quanto melhor a qualidade da técnica, pior a regra. E tem outra coisa, se você desobedecer à regra de sua técnica, você morre. Simples, não?

— Como você aprendeu a fazer isso?

— Se você não se importa – Thanatos pareceu ficar receoso –Prefiro não falar. Agora, é melhor você dormir...

Thanatos se virou, e começou a caminhar em direção a soleira.

— Espere! – Exclamou Peter – O que tem dentro daquele armário?

Peter observou aquele estranho armário durante toda a conversa que teve com Thanatos, as teorias sobre seu conteúdopreenchiam-no de curiosidade. Afinal, da onde vinha aquele cheiro escroto de formol?

— Por que você quer saber? – Disse Thanatos ríspido.

— Não sei exatamente o porquê, mas algo nele me chama atenção.

— Não poderei mostrar... Tchau – Disse Thanatos com rapidez.

E começou a caminhar novamente sem dar atenção às insistências de Peter.

— Se não quer me mostrar, eu mesmo verei! – Gritou Peter ameaçador quando estava Thanatos na porta quase no corredor.

Há! Há! Há! Há!— Gargalhou Thanatos – Se eu fosse você preferia não ver, mas já que quer tantoassim, lhe mostrarei uma de minhas amostras. Mas antes falarei de minhas ambições...

Esse cara gosta de falar...Vai se danar, pensou Peter cansado da faladeira desvairada de Thanatos.

— Planejo criar o primeiro... – Continuou Thanatos – Morto-Vivo Humano por meio de uma bactéria peculiar...

Peter deixou escapar uma rápida risada interrompendo Thanatos.

Há! Há! Há!— Gargalhou Thanatos lenta e raivosamente – Você pode achar engraçado, “que sonho de merda”, mas eu vou concretizar. E vou vender o zumbi para a Rússia e ficar rico.Quer saber dane-se. Vou te mostrar a amostra e vou embora, não aguento pessoas de merda que nem você.

Peter percebeu que sua risadinha não intencional causará aquele clima com Thanatos e pediu desculpas, mas Thanatos fingiu não escutar.Zombar da ambição das pessoas é errado. Já era tarde, a inimizade já havia se concretizado entre eles. Ele jamais deveria ter zombado do sonho de Thanatos.

A maçaneta prateada do armário estava trancada. Thanatos desembolsou uma chave dourada e abriu-a. A porta do armário se abriu trazendo para fora um mar de cheiro de formol e poeira. De dentro do armário emanava uma luz plasmática esverdeada. O conteúdo do armário era deverás perturbador. Diversas prateleiras, cada uma com uma fita de segregação.

“Organização das Prateleiras.

— Prateleira I: Amostras de olhos em conserva.

— Prateleira II: Amostras de cérebros pertencentes a adultos.

— Prateleira III: Amostras de corações mortos e vivos.

— Prateleira IV: Amostras de órgãos do sistema digestivo.

— Prateleira V: Amostras de órgãos do sistema respiratório.

— Prateleira VI: Amostras diversas pertencentes ao sistema esquelético.

— Prateleira VII: Conteúdo desconhecido.”.

Em cada prateleira, conjuntos de frascos cilíndricos revestidos de vidro transparente, preenchidos de um líquidoverde-florescente com coisas psicóticas flutuando. Desde cérebro até uma amostra de tecido. Tudo disposto em uma conserva de frascos com grande variedade de tamanho e conteúdo. Tinham-se em meio aos frascos, corações vivos batendo feito loucos e tudo que um corpo humano poderia conter. Seriam todas as amostras simples objetos de pesquisa?

Thanatos mergulhou sua mão adentro do armário mórbido – Eu encontrei isto que irei lhe mostrar nas águas do rio de Hades— e retirou algo da primeira prateleira.Algo realmente nostálgico. Um frasco com um parde olhos azuis cristalinos flutuando como um cadáver de alguém que se afogou boiando sobre um mar verde sem maré. Peter sentiu lance de vômito, mas pode se conter. Aquilo era realmente nojento, parecia um copo de refrigerante verde podre com um par de olhos boiando em cima.

— Como você conseguiu... Isto? – Disse Peter abismado.

— Ora, acabei de lhe dizer, no Rio de Hades. Não é obvio? – Respondeu Thanatos feliz em ver a expressão de nojo no rosto de Peter. De alguma forma, ele sempre se divertia ao ver o rosto de alguém que descobria o conteúdo de seu armário mórbido.

Rio de Hades?

— O rio azul que passa sobre a ponte no meio da cidade. Neste rio têm-se muitos casos de suicídio e relatos de criaturas estranhas nadando no seu interior.Por isso recebeu o nome de Rio de Hades, genioso.

— Isso quer dizer que... Varleny se suicidou neste rio... — Pensou Peter.

— Concluindo, sempre encontro belíssimas amostras a beira deste rio. Tipo, hoje pela manhã, eu achei estes belíssimosolhos. Belos não? Provavelmente eram de uma vítima das aquadies.

Peter parecia um pouco perturbado. Thanatos sorriu com orgulho.

— Pode ficar, tenho mais vinte paresolhos!–Disse Thanatos e tacou o frasco para Peter com força, o liquido verde-florescente girou em espiral dentro do frasco que girava no ar, Peter o agarrou pouco acima de sua cabeça. O frasco era um pouco leve gélido e fedido.

Pegue essa merda de volta, gritou Peter, mas Thanatos já tinha ido embora. Mas aquilo era conveniente, seu plano se completará sem esforços. Peter abraçou o frasco e fechou os olhos para tentar dormir novamente. Peter havia fingido espanto.

Eis que surge o fantasma de Varleny abaixo de sua cama.

— Desde quando você estava ai? Varleny – Perguntou Peter.

— Peter... – Disse Varleny com tom de real espanto na voz – Estes olhos... São meus.

Peter gargalhou. Varleny se arrastou para sair de baixo da cama. E se levantou mesmo o chão estando empoeiradíssimo, nem mesmo um pouco de poeira permanecerá em seu vestido. O vestido branco de Varleny estava coberto poruma luz branca florescenteexatamente como seu rosto extremamente pálido e levemente mais magroque parecia brilhar. Ela mirou a Peter um olhar de profundo espanto por ter visto seus próprios olhos enfrascados como se estivessem em conserva. Isso era realmente perturbador, até para mentes fortes.

— Desculpe-me por te assustar, amor – Disse Peter com sarcasmo interno.

— Não tem problema, amor – Disse Varleny mesmo obviamente tendo – Está totalmente desculpado.

Dica: Nunca diga a palavra amor e seus sinônimos em vão.

— Você está muito linda hoje! – Disse Peter filha-da-putamente.

— Amor, assim você me faz corar! – Disse Varleny corando loucamente.

Ele não conseguiu se contiver e se jogou de um salto por cima de Peter e abraçou-o carinhosamente. Peter exibiu um sorriso psicótico no rosto em quanto Varleny o abraçava e não podia ver seu rosto. Bastarda! É só disser as palavras mágicas – Ex: eu te amo — que ela cai de quatro por mim, trouxa, pensou Peter.

Peter visualizava utilidades em Varleny ser obcecada por ele. Uma dessas utilidades era que se ele mandasse, ela matava até o presidente dos Estados Unidos sem reclamar. E o pior, é que sim. Isso tornava Varleny em uma ferramenta de vital importância para Peter. Mas em suas concepções, Varleny ainda não estava totalmente apaixonada por ele. Mas quando ela estiver... O que será que ele ordenará que Varleny faça?

— Eu te amo muito... – Disse Varleny com um sorriso afetuoso no rosto,a cabeça gélida em meio ao tórax de Peter, bochechas coradíssima, e braços frios apertando Peter como se ele fosse fugir – Te amo mais que a mim mesma, por favor, nunca me abandone.

— Claro – Mentiu Peter – Jamais abandonaria o meu motivo de viver.

Varleny pareceu ter ouvido um milhão de elogios, corou tanto que seu rosto ficou totalmente escarlate. Abraçou mais forte, estranho que a costela de Peter recém-quebrado não se doeu.

— Vai ser aqui... A minha... Primeira... Vez? – Disse Varleny levemente excitada.

Peter somente abriu um sorriso como se dissesse “sim”. Varleny se sentou sobre Peter e pôs as mãos nas hastes do seu vestidobranco com a breve intenção de se despir. Algo a interrompeu. Alguém bateu a porta levemente. Seria Thanatos? Não... Era Inihs.

— Varleny, Varleny, Varleny, Já não havia dito... Não demostre afeto na escola – Disse Inihs teatralmente.

— O que você quer aqui? Seu bastardo! – Gritou Peter irritado.

Inihs se enraiveceu. Correu em direção a Peter, empurrou Varleny para cair ao lado da cama no chão de madeira maciça, e o dominou com algum golpe de Jiu-jitsu. Varleny se sentiu impotente e tudo que pode fazer foi cair em prantos.

— Não me lembro de ter me referido a você! – Disse Inihs com tom raiva e intimidação –Tenha respeito ou por acaso está querendo mais uma costela quebrada? Seu inseto.

EU QUERO QUE VOCÊ SE—.

Inihs o faz se calar apertando seu braço direito com força suficiente para apertar uma barra de aço. Até que o osso se partisse. O lençol da cama começou a se preencher de sangue resultante.

— Se não aprender a ter respeito, vou ter que—.

Peter o interrompe com uma gritaria descontrolada de agonia. Inihs aperta então seu braço esquerdo e o quebra também.

— Cale a boca enquanto eu falo!

Lágrimas escorreram lentamente pelo rosto de Peter.

— Vai chorar bebezinho? Dane-se!

Inihs gargalha da expressão de Peter por um bom tempo. Mas de repente começa a sentir um grande arrependimento.

— Eu pretendia ter uma conversa pacífica com você – Inihs saiu de cima de Peter e se levantou da cama ajeitando o paletó – Você me forçou a isso com seus desrespeitos, bem... Desculpe-me!

Peter o respondeu com um olhar de raiva.

— Bem, eu sei perfeitamente que você não vai me desculpar facilmente por dois braços quebrados com facilidade, se quiser eu os curo para você, é que quando me chamam de bastardo eu fico realmente descontrolado.

Peter não o responde.

— Quando você tentou me agredir, hoje mais cedo, ficou claro para mim – disse Inihs agachando-se e endireitando os braços quebrados de Peter sobre a cama – Você obviamente não dominava aOni e era um completo inútil em defesa pessoal...

Inihs estralou o dedo polegar com o dedo do meio da mão direita e uma fumaça verde plasmática revestiu sua mão.

— Então eu decidi – Disse Inihs com amão direitaverde encostada no braço esquerdorecentemente quebrado de Peter que se revestiu pela mesma fumaça verde plasmática que revestia a mão de Inihs – Serei seu mestre!

Quando Inihs tirou sua mão verde do braço quebrado de Peter, o braço se contorceu freneticamente e voltou ao normal, como se nem tivesse sido quebrado.

— Mas por que você me quer como seu discípulo? – Disse Peter fingindo não estar com raiva já que estava sendo curado.Devo guarda-la para depois.

— Infelizmente não posso dizer... – Disse Inihs misterioso – Enfim, pense sobre isso, caso queira, compareça a minha casa amanhã as dez da noite, “Rua: Dias Nublados, Bairro das nuvens, N° 111”— Inihs terminoude curar o outro braço quebrado de Peter e ficou de pé — Não se atrase ecuidado com as ruas. Tenha uma boa noite de sonhos.

Se virou e foi-se. Deixando para trás um Peter cheio de dúvidas.

Notas finais
“Sonhos, está geralmente é a motivação humana para continuar vivendo. Ofender o sonho de alguém é algo errado, Peter percebeu isso ao ofender o sonho de Thanatos. Inihs faz a Peter uma carinhosa visita. Oferece-lhe uma proposta. Quais as verdadeiras intenções de Inihs com tal proposta? Ou melhor, quem realmente é Inihs?”