Almas-Vagantes

6 Capitulo VI - Fantasmas Suicidas -


Notas iniciais
“Peter continua a ter Varleny na palma de suas mãos, como uma mórbida marionete. Sua arrogância com Inihs,fez com que ele fosse parar na enfermaria. Sob os cuidados do excêntrico enfermeiro da escola obcecado por zumbis, Thanatos. Inihs o faz uma calorosa visita e o convida a sua casa. Quem é Inihs?”

O dia amanheceu chovendo intensamente com relâmpagos barulhentos iluminando a janela do leito da enfermariaque estava sendo metralhada por gotas de águade chuva do tamanho de balas de pistola. Um relampejar ensurdecedor retirou Peter de seu sono.

Gritou. Havia tido um pesadelo. O mesmo que tivera anteriormente, na qual seu corpo derretia sob um gramado mórbido. Ofegante olhou para todos os lados, mas a saleta se encontrava vazia. O mesmo se dizia do corredor, que não apresentava uma alma viva. Que horas seriam? Já estaria à tarde? Em Light Of Sky não se tinha aulas durante a tarde. Devia estar.

Na verdade estava mesmo de tarde. Peter havia dormido até à tarde. Aparentemente, ser curado por alguém causava grande exaustão. Foi quando se lembrou da conversa que teve com Thanatos sobre a arte da onipotência, que era um conjunto de técnicas mágicas com regras. Mas algo o fazia duvidar do que Thanatos havia lhe dito. Como algo que tem o nome de arte da onipotência, tende ter limites que tornam as técnicas mais fracas?Como por exemplo, a técnica de cura de Thanatos, da qual ele só tem a permissão de usar em si mesmo uma vez aodia e se usar em outras pessoasrecebe uma punição de suspensão de uso de 24 horas por uso. A onipotência tem em seu significado o poder ilimitado, se fosse seguir o termo usado para denominar o conjunto de técnicas, o poder de Thanatos devia ser deverás ilimitado. Por que não seria? Talvez Thanatos estivesse mentindo.

Os dedos da mão de Peter encostaram-se a costela para verificar que já estava curada. E para sua surpresa nem estava dolorida. Assim como seus braços que nem estavam doloridos ou com nenhum sinal que haviam sido quebrados. Peter retirou as bandagens de seu dorso e verificou. Tinha-se uma cicatriz horizontal expressiva, onde se encontrava a costela que Inihs quebrou no dia anterior. Aparentemente, a técnica de cura de Thanatos era demasiada fracacomparada a de Inihs. Já que a técnica de cura de Thanatos deixou resultar uma cicatriz e dores mesmo que fracas na recuperação, e a técnica de Inihs curou os braços de Peter perfeitamente.

Peter se levantou lentamente da cama, o frasco com o par de olhos de Varleny abaixo do braço, abriu um sorriso sombrio que se iluminou com a luz ofuscante de um relâmpago que caiu no mesmo instante e se dirigiu ao corredor deserto da escola naquela tarde chuvosa. Está bem Inihs! Aceitarei sua proposta, Murmurou Peter.

Thanatos achou os olhos de Varleny à beira do Rio de Hades numa manhã excentricamente enluarada. Eles flutuavam lenta e calmamente, a água a volta dos olhos estava violeta. Pegou-os sem hesitar. Provavelmente o dono desses olhos se suicidou e acabou devorado por aquadies, nem após a morte encontrou a paz, pensou Thanatos. Mas Varleny era somente umas das diversas vítimas que as aquadies devoraram e deixaram vestígios para trás, como que quisessem que alguém percebesse suas existências macabras.

As diversas pesquisas de Thanatos não estavam dando resultados plausíveis. Além de receber diversas críticas maldosas com as seguintes palavras, Isso não vai dar certo,você é um imbecil!E ainda, Zumbis não existem, ainda tinha-se a ignorância de seu pai, Harold, que desaprovava a pesquisa. Você é uma decepção! Ao invés de seguir a carreira de médico-cirurgião como eu... Prefere investir seu tempo e o meu dinheiro em uma merda de pesquisa sem resultados e sentido, disse-lhe seu pai uma vez, mas Thanatos não o respondeu ou sequer olhou em seus olhos.Quero que ele se dane! Durante a minha vida toda, ele sequer teve tempo de disser “feliz aniversário filho” ou quem sabe, “eu te amo filho”, ou de sequer disser alguma coisa... Nunca tive um pai, somente tive dinheiro e empregados, nada mais, pensou Thanatos após aquele momento. Mas nunca mais seu pai o disse uma palavra sequer. Seu pai simplesmente depositava quantias altas de dinheiro em uma conta bancária, da qual pertencia a Thanatos, que para Harold talvez significasse o mesmo que falar “eu te amo filho”, mas não era a mesma coisa.

A pesquisa de Thanatos não avançava, pois ele não tinha acesso a cadáveres humanos, já que ninguém queria financiar sua pesquisa por dois motivos. O primeiro motivo é que ninguém investe em uma pesquisa que tem como objetivo criar algo tão fantasioso como um zumbi. E o segundo motivo é que Thanatos morava em uma cidade pequena e isolada que sequer tem um Shopping Center, uma cidade onde as pessoas temem a coisas novas. O único meio de conseguir amostras para sua pesquisa era o Rio de Hades, um lugar que eu que o diga, demostrará ser um lugar bem provido de amostras. Para sorte de Thanatos.

Mas tinha-se feito um avanço, já conseguirá fazer um coração morto voltar a pulsar, como um coração vívido, mesmo em condições de armazenamento desfavoráveis, como em um frasco cilíndrico responsável pelas amostras. Conseguiu esse feito, mesclando a bactéria peculiar que ele denominava de Vírus Gênesis a sua técnica de cura. Sendo assim, primeiro Thanatos infectou o coração com o Gênesis e depois o regenerou usando sua técnica. E para sua surpresa o coração começou a bater lentamente. Mas quando o coração fora colocado no frasco de conserva, começou a pulsar freneticamente como um coração acelerado por adrenalina. Aparentemente Thanatos tinha dado um grande passo.

Até que um dia, Thanatos decidiu testar em uma criatura morta, mais precisamente em um cachorro de rua. Primeiramente ele contaminou o cachorro ainda vivo com o Vírus Gênesis, que logo fez com que o cachorro morresse. Após alguns dias tentou revivê-lo com sua técnica de cura. Mas o cachorro não renasceu. Ele nomeou-o de Eclipse. E em uma noite chuvosa com uma lua cheia sinistra e brisas gélidas, chorando melancolicamente, Thanatos jogou Eclipse nas rápidas correntezasdas águas azuis do Rio de Hades, e viu o corpo de Eclipse descer pelas águas até finalmente desaparecer de vista. Thanatos chorou. Mas aquilo tinha sido pelo bem da ciência, Eclipse era apenas o primeiro teste.Alguma coisa estava errada. Mas o que seria? Teria que fazer o teste em um humano. Mas como?

Para surpresa de Peter, Light Of Sky não estava totalmente desértica. Quando caminhava pelo pátio com a intenção de ir embora, encontrou Thanatos tentando colocar uma nota amassada de cinco reais em uma daquelas máquinas do tamanho de uma geladeira com porta de vidro e luz de LED verde, repleta de pacotes de chocolates a venda.Chocolates ao leite, meio amargo, amargo, com amendoins, com nozes, etc.

— Droga não pode nem ficar um pouquinhoamassada que já não entra! – Resmungava Thanatos com raiva.

Peter caminhou na ponta dos pés, tentando não ser percebido por Thanatos. Mas não adiantou. Thanatos o viu e mirou-lhe um olhar sério.

— O que faz fora da cama? Devia estar em repouso! – Gritou Thanatos, suspirou profundamente e continuou calmamente – Eu estava indo agora mesmo ao seu quarto. Já se sente bem?

Peter fingiu não o escutar, e continuou caminhando.

— Peter! – Gritou Thanatos – Me responda!

No entanto, Peter continuou a ignora-lo, irritando-o. Thanatos correu até Peter e agarrou pelo colarinho da camisa.

— Qual o seu problema? Peter – Disse Thanatos com olhar penetrante.

Peter o respondeu com um sorriso de desdém e olhar agressivo.

— Alunos menores de idade que foram parar na enfermaria só podem deixar a escola com a autorização do responsável – Disse Thanatos com um sorriso autoritário – Já que você é menor de idade, receio que terá que receber autorização de seus pais.

Peter agarrou o braço direito de Thanatos com força.

— E se eu não quiser pedir autorização – Disse Peter sombriamente.

— Terá que permanecer nas permanências da escola – Thanatos abriu um sorriso sarcástico – Até ser autorizado a sair.

— Não preciso de permissões – Disse Peter torcendo o braço de Thanatos com a intenção de quebrá-lo.

— Está pensando em quebrar meu braço? – Disse Thanatos com olhar calculista.

— Sim – Respondeu Peter friamente torcendo drasticamente o braço de Thanatos, como se torcesse roupa molhada recém-lavada para depois estendê-la sobre o varal. Quebrando assim o braço de Thanatos de um modo engraçado. O braço de Thanatos ficou em espiral.

Thanatos se rompeu em gritos de agonia e se chocou sobre o chão encerado do pátio, os braços em espiral encharcados de sangue que se espalhavam lentamente pelo chão. Peter espargiu para Thanatos um olhar de satisfação e voltou a caminhar cambaleando feliz em direção à saída. – Peter... Eu... Vou... Te... Matar...— sussurrou Thanatos, sem forças para gritar para enfim desmaiar.

De repente, Thanatos se encontrou deitado em sua antiga cama de seu quarto na casa de infância, que estava mais para uma mansão. Então percebeu, estou sonhando novamente com o passado.

A casa era localizada no centro de Sky Gray City. Tinha três andares, pelo menos cinquenta cômodos e mobílias perfeitamente preservadas, além de uma varanda e um jardim de vinte metros quadrados. A casa tinha pilares de engenharia grega espalhados pelo grande saguão de entrada e tapetes vermelhos por todos os corredores. Plantas de todos os tipos espalhavam-se por todos os cômodos. Luzes de LED por toda a casa muito antes disso ser algo comume um grande lustre na sala de estar. O pai de Thanatos contratou dez empregados para que servissem a Thanatos em tudo que ele precisasse. Um mordomo, três empregadas, uma chefe de cozinha, um professor particular que na maioria do tempo ficava responsável pela gigantesca biblioteca com milhares de livros, um jardineiro para cuidar do belíssimo jardim que rodeava a casa, dois seguranças e uma babá que Thanatos considerava sua mãe até descobrir o que acontecerá com sua mãe de verdade.

Thanatos considerava sua babá, Aline, sua mãe de verdade. Até que um dia aos seus oito anos, Thanatos perguntou a Aline enquanto ela o contava a histórias de ninar– Eu te amo mamãe... Eu sou seu filho favorito?—, Aline começou a chorare partiu do quarto em prantos. Thanatos ficou confuso e um pouco entristecido. Aline tinha ido chamar Harold,pai de Thanatos. Nesse dia fatídico, Thanatos descobriu algo realmente melancólico principalmente para uma criança de oito anos. Sua mãe havia morrido logo após seu nascimento.

Judson, desculpe não ter o dito antes – Disse Harold sentando-se sobre uma escrivaninha ao lado da cama de Thanatos –Aline não é sua mãe de verdade, ela é simplesmente sua babá, não a trate como sua mãe.

— Por quê? Cadê minha mamãe de verdade? – Disse Thanatos com sua vozinha suave daquela época.

— Judson... – Harold suspirou e continuou – Sua mãe morreu quando você tinha apenas três anos de idade...

Lágrimas melancólicas se espalharam pelo rostinho do entristecido Thanatos de oito anos.

— Como? Como ela morreu? Papai – Perguntou Thanatos chorando intensamente.

— Para que você quer saber? – Respondeu Harold ríspido – E não me chame de “papai”.

Ignorando as outras perguntas de Thanatos, Harold se levantou e partiu do quarto rispidamente. Nesse dia e em diversos outros, Thanatos dormiu chorando intensamente e resmungando – Mamãe... Mamãe... Cadê você?—.

Os sonhos de Thanatos estavam sendo frequentementesobre seu passado, geralmente sobre sua infância melancólica. Thanatos não frequentou a escola, estudava em casa com seu professor particular, Senhor Tom, que era ríspido e facilmente irritável. Tom era um senhor idoso com cabelos longos brancos e uma barba com a ponta encaracolada. Thanatos não tinha com quem brincar ou simplesmente conversar. Sua infância toda foi assim. Até que um dia seu interesse por zumbis floresceu, quando ele achou um livro chamado Enciclopédia do Morto-Vivoescrito por AkimtsuJohn.Que dizia tudo que humanidade sabia sobre o mundo fascinante dos zumbis. Mas o verdadeiro interesse de Thanatos com a criação dezumbis era que um dia ele pudesse trazer sua mãe de volta a vida. E para finalmente poder dizer a ela –Eu te amo— e ela o responder – Também te amo filho—.

Por que sonho com isto praticamente todos os dias? Será que tem algo neste sonho que eu tenho que perceber mais nunca cheguei a percebi, pensou Thanatos no seu antigo quarto deitado sobre uma cama azul revestida pelos lados com lençóis vermelhos com bordados de flores que impendia a luz do sol que passava pela janela de atingir seu rosto. Thanatos se levantou e caminhou pelo quarto. Nostálgico. Tudo no quarto era familiar, desde o tapete até as cortinas.

Até que alguém bateu na porta do quarto. Era Aline.

— A-li-line! – Gaguejou Thanatos ver o rosto pálido de Aline surgir por de trás da porta de mármore.

Jud-Jud— “Jud-Jud” era o apelido carinhoso que Aline inventou para Thanatos – Já acordou? Está com fome? – Disse Aline, os cabelos encaracolados castanho claros esvoaçavam-se com o vento que entrava pela janela.

Judson olhou para si mesmo, aparentemente ele ainda tinha oito anos naquele momento.

— Não... Line— Disse Thanatos com uma vozinha suave que ele estranhou.

— Tem certeza? – Disse Aline com um olhar sombrio.

— N-não! – Gaguejou Thanatos quando Aline mirou o olhar para ele.

— Eu estou! – Disse Aline abrindo um sorriso sanguinário.

— O q-que? – Thanatos gaguejou de medo tentando fugir.

Aline tirou do bolso uma faca de cozinha bem afiada e apontou sua ponta fina para Thanatos.

— Será que posso... – Disse friamente Aline – Te devorar?!

Thanatos gritou e tentou escapar pela janela desesperadamente, mas Aline o puxou pela gola da camisa e o jogou de costas sobre o chão, com um baque ensurdecedor, subiu por cima de Thanatos e o perfurou com a faca na barriga um pouco acima do umbigo. Espirrou-se sangue. Thanatos gritou alto com uma dor insuportável. Aline sorriu macabramente, as roupas de maid manchadas de sangue. Voltou a perfurar Thanatos, agora mais intensamente, perfurou, perfurou, perfurou, perfurou. Thanatos gritava pedindo socorro, mas seu pedido não foi atendido. Lágrimas ensanguentadas escorriam pelo rosto de Thanatos. Não sentindo mais nada além de dor, Thanatos fechou os olhos. Acordou.

Será que Aline matou minha mãe?

Abriu os olhos lentamente com medo de que se ao abri-los se encontrasse novamente em sua casa antiga. Mas isso não aconteceu. Ele estava no leito da área de enfermagem, deitado sobre a cama da qual Peter estava mais cedo. Olhou receoso para seu braço direito, mas para sua surpresa seu braço estava curado. Quem havia curado seu braço?Ele era o único em Light Of Sky que usava técnicas de regeneração. Mexeu os dedos da mão direita lentamente, a técnica de cura de quem o curou era perfeita, seu braço nem estava dolorido. Thanatos levantou-seda cama e viu na porta do seu armário de amostras, um bilhete grudado por fita adesiva.Quem é ”S. K.”?Se perguntou Thanatos.

Para Sr. Judson Match.

Coincidentemente, curei-o. Espero que se sinta agradecido.

Ass. S. K.”

Peter caminhava lentamente até sua casa. Vou ter que esperar até dar dez horas em casa, pensou. Passava por cima da ponte, quando Varleny apareceu de trás de uma árvore sem folhas.

— Oi amor! – Disse Varleny melosa, a pele pálida e o vestido branco brilhando como luz florescente branca fraca.

— Estive com saudades – Disse Peter falso –Estava solitário.

— Amor... Desculpe Amor!... Por favor! – Disse Varleny com sentimento de culpa.

— Está desculpada... – Disse Peter escondendo um sorriso maléfico.

— É por isso que eu te amo – Disse Varleny melosa voando em direção a Peter com intenção de abraça-lo.

Peter abraçou Varleny brevemente e voltou a andar.

— Tenho compromissos hoje! – Disse Peter – Se pudesse abraçava você o dia todo!

Varleny quase morreu de felicidade ao ouvir isso. Mas para o azar de Peter, isso fez com que ela ficasse ainda mais carinhosa e irritante. Ficou dizendo tudo que ela mais amava em Peter até finalmente avistou a casa de Peter. A casa estava sombriamente vazia e escura. Já estava no fim da tarde, o céu já estava quase dominado pela noite.

Peter entrou. A casa ainda estava com as paredes ensanguentadas desde o dia em que os pais de Peter morreram. Subiu as escadas vermelhas-sangue e entrou em seu quarto mórbido. Os cadáveres dos pais de Peter estavam ainda sobre a cama de Peter,já entravam em apodrecimento. O quarto fedia intensamente. As rosas vermelhas ao redor da cama já estavam negras e murchas.

— Oi papai! Oi mamãe! Vocês ficaram preocupados? – Disse Peter ainda fingindo que seus pais ainda estavam vivos – Desculpe! É que eu me machuquei na escola e tive que ficar internado!

Fingiu obter uma resposta– Ainda dói? Coitado do nosso Peterzinho—.

— Não... Eu já estou melhormamãe – Disse Peter – Não precisa se preocupar.

Fingiu que seus pais haviam dito — Nos amamos você filho!—.

— Também amo vocês – Disse Peter feliz.

— Peter! O que você está fazendo? – Perguntou Varleny interrompendo a psicótica cena de conversa de Peter com seus pais mortos.

— Uê! Falando com meus queridos papais! – disse Peter sombriamente.

— Mas eles... – Disse Varleny com a intenção de disser que os pais de Peter estavam mortos, mas desistiu –Deixe, vou passear... Vejo-te amanhã!

— Está bem! – Respondeu Peter bocejando – Estou com um pouco de sono mesmo... Até amanhã.

Embora não estivesse com sono realmente. Varleny se despediu e partiu, atravessando a janela. Peter se jogou na cama de um salto deitando-se no meio de seus pais mortos. Olhou para o teto sorrindo psicoticamente, seus pais mortos ao seu lado. Fechou os olhos lentamente e adormeceu.

Acordou as 09h30min da noite. Na exata hora que precisava. Se levantou de um salto.

— Em breve eu volto! – Disse Peter aos cadáveres de seus pais – Amo vocês!

Peter fingiu que seus pais o responderam – Também amamos você! Volte logo Peterson

Peter abriu um sorriso. Abriu a porta do quarto e foi-se. Quase escorregou na escada, mas conseguiu impedir-se de cair segurando no corrimão da escada. Abriu a porta da frente e foi para o jardim. A luz da lua iluminava levemente as flores do jardim e a grama.

Mas as ruas não estavam desérticas nessa noite enluarada. Estavam muito diferentes que durante o dia. Estavam repletas de pessoas. Mas não pessoas vivas. Pessoas mortas. Almas-vagantes. Fantasmas transparentes como fumaça, gélidos como neve, mortalmente pálidos. Dezenas, talvez centenas de almas-vagantes preenchiam as ruas aos montes. Uns voavam, outros andavam. Todos com rostos melancólicos. Imitavam suas mortes repetidamente, como se caçoassem da própria morte. Uma mulher com um vestido vermelho elegante se esfaqueava na esquina. Um homem magro de paletó saltava de cima de uma casa, caia com um baque ensurdecedor sobre o chão, se levantava e voltava para cima do telhado, para saltar novamente. Uma adolescente gótica se mantinha pendurada abaixo de uma árvore com uma corda amarrada no pescoço.

Haviam-se outros diversos suicidas. A rua estava mergulhada em um verdadeiro suicídio coletivo. Aparentemente, almas-vagantes são somente vítimas de suicídio. Mas por que Varleny não imitava sua morte repetidamente, como as outras almas-vagantes?

Peter passou por dentre o motim, ignorando-o. – Me ajude! Ajude-me! Por favor! Ajude-me— Resmungavam as almas-vagantes para Peter. Mas ele as ignorou. Que lástima! Há! Há! Há! Agora eu sei por que essa cidade é tão vazia durante o dia, pensou Peter sarcástico.

Almas-vagantes agem normalmente durante o dia, como se ainda estivessem vivas. Percebem que morreram e decidem ficar observando os entes queridos melancolicamente. Mas durante a noite, a morte domina-os, e começam a repetir suas mortes psicoticamente até o amanhecer. Mas aparentemente, essa regra não se aplica em Varleny. Por quê?

A cada rua e casa, tinham-se pelo menos cinco almas-vagantes, gemendo e se suicidando. Parecia-se uma cena de um filme macabro. Mas isso não perturbava a mente de Peter, que parecia estar calma e tranquila, como se nada estivesse acontecendo. Prova que a psicopatia o estava dominando.

Chegou à ponte na qual Varleny se suicidou. As águas do Rio de Hades que durante o dia eram azul cristalino se tornavam durante as noites morbidamente negras. Diversos corpos boiavam e se afogavam freneticamente e gritavam – Me ajude! Eu estou morrendo! Por favor!—. Peter olhou para as aguas morbidamente preenchidas de Almas-vagantes e gargalhou, como se zombasse da idiotice de quem se suicidou ali. Estava quase chegando a casa Inihs. “Rua: Dias Nublados, Bairro das nuvens, N° 111”.

Notas finais
“Thanatos teve uma melancólica infância, já que sua mãe morreu e seu pai não o dava atenção e continua não dando. Isso o fez se interessar por zumbis com intenção de ressuscitar sua mãe.Peterquebrou o braço Thanatose alguém com as iniciais ‘S. K’ salvou-o de morrer. Peter encontra a rua em um verdadeiro suicídio coletivo. Quem é “S. K.”? Quem matou a mãe de Inihs? Aline?... O que aguarda Peter na casa de Inihs? Por que Varleny é diferente das demais almas-vagantes que repetem psicoticamente suas mortes durante a noite?”.