Almas-Vagantes

3 Capitulo III - A Noite Invade o Dia -


Notas iniciais
“As pessoas confiam demais em seu conhecimento e sabedoria, e vivem amarradas a isso, chamando de ‘realidade’. Contudo, conhecimento e sabedoria são conceitos vagos. Talvez sejam até ilusão. As pessoas podem estar vivendo dentro de uma fantasia. Já pensou nisso? Até onde você pode ver?”

Seres Humanos são inferiores, estas palavras passavam pelos pensamentos de Peterson Riddle demasiadamente. Sempre que via qualquer tipo de injustiça. Peter é o que chamamos de egocêntrico, nada nem ninguém era considerado por ele melhor ou mais justo que a si mesmo. Ele e seus pais, Nicolas Riddle e Marta Riddle, estavam em uma viagem a caminho da cidade Sky Gray. Uma cidade calma e quase sem casos de violência. As casas dessa cidade ainda seguem o estilo clássico de engenharia, dando a um estilo antigo. Peter não se importou de se mudar de cidade. Não tinha amigos nem nada do tipo na cidade que acabará de se mudar. Não continha interesses em ter amizades.

Diferente de Swift e Null, Peter tem uma família que o ama, uma casa, não sofre nem um tipo de tortura, mas mesmo assim, não tem gratidão com a própria vida. Não pedi para nascer, dizia Peter quase que sempre que seus pais o contrariavam.

As árvores verdes passavam rápidas pela janela do carro. Observa-las deixava Peter distraído. Ainda na estrada, Peter não via motivos para se animar. Acho que essa cidade vai ser divertida,Pode ter certeza que Peter não pensou nisso, quem pensou nisso foi Nicolas Riddle. Feliz com a idéia de conhecer novas pessoas. Nicolas tem cabelos loiros reluzentes e assim como Peterson, ele também usa óculos com lentes redondas, fundo de garrafa, com uma armação dourada. Marta Riddle, diferente de Nicolas e Peter, não usava óculos, na verdade sua visão era tão boa como de uma águia. Ela tem cabelos loiros e pele pálida assim como Nicolas, o único que tem cabelos vermelhos na família era Peter.

Peter observa que começou a chover e trovejar intensamente. Observar as gotas de água deslizar sobre o vidro da janela do carro estava divertindo-o nessa viagem. Quando um raio surpreendentemente caiu a menos de dois metros do carro sobre uma das árvores a beira da estrada, fazendo ase encher de chamas e despencar na estrada sobre um dos carros que estava logo atrás. Nicolas sem ter o que fazer quanto a isso, continuou.Isto seria um mau presságio? Talvez fosse.

Após isso, Peter e os seus pais ficaram em choque um bom tempo até finalmente chegarem a Sky Gray. Uma cidade como já disse clássica. A cidade não parecia muito movimentada, quase não havia carros ou pedestres, talvez a falta de pedestres se desse por causa da intensa chuva que caia sobre essa cidade. Mas isso confortava Peter, que não gostava de acúmulo de pessoas. Chegaram então ao bairro da qual Nicolas havia comprado sua nova casa, bairro das nuvens. Era um bairro deserto e cheio de casas de madeira idênticas. O carro parou a frente de uma casa de madeira branca com dois andares e jardim florido com aquelas clássicas cerquinhas de madeira.

Logo se confortaram. A casa foi comprada junto com as mobílias. Nicolas vendeu todas as mobílias de sua antiga casa e guardou o dinheiro em sua conta bancária para futuramente pagar a faculdade de Peter. Obrigado? Que palavra engraçada, A palavra Obrigado não existe para Peter em momento a algum, jamais agradeciapor nada que seus pais o davam, Não fazem por obrigação.

Logo que chegou a sua nova casa, Peter já se direcionou ao seu novo quarto e se trancou nele. A casa nova tinha três quartos, sendo que um tem suíte, uma cozinha, uma sala e um banheiro. Todos os quartos ficam no segundo andar. O quarto de Peter tem paredes azuis e uma cama com lençóis brancos e travesseiros verde alface, logo a frente da cama se tinha um armário negro largo e ao lado uma escrivaninha. Peter abriu a porta de seu novo quarto e sem sequer dar ao trabalho de admira-lo, se jogou de um salto à cama. Fechou os olhos e se pôs a pensar.

Não tenho motivação para fazer nada... Às vezes acho que a minha morte não resultaria em nada... Ninguém choraria ninguém se entristeceria ninguém se importaria... Ninguém... Imagino como seria a sensação de morrer, pensou Peter observando o teto. Escutou um barulho de algo batendo na janela freneticamente. Era apenas uma árvore mórbida sem folhas batendo um de seus galhos na janela por causa da ventania que acompanhava a chuva. Decidiu observar a chuva na janela, pegou uma cadeira que estava em uma escrivaninha do seu quarto, se sentou nela e encostou sua testa sobre o vidro da janela. Observou então as gotas de chuva se chocar ao vidro da janela e por todos os telhados e jardim das casas da vizinhança junto ao reflexo de seu olho azul cristalino. A árvore mórbida que ficava próxima a sua janela ficava cada vez mais agitada por causa da ventania fazendo seus galhos bater mais freneticamente no vidro da janela. Quando menos percebeu havia pegado no sono.

Um sonho começou a ser concebido por Peter. Ele aparentemente acabará de acordar em sua cama, estranhou um pouco, pois não se lembrava de como havia parado ali, mas logo se esqueceu disso. Se levantou e caminhou lentamente pelo corredor que levava até a escada para ir ao primeiro andar. Quando chegou a escadaria, teve uma excêntrica visão. Os degraus um por um estavam cobertos por sangue. Que droga é essa?! Gritou Peter assustado. Tentou não entrar em pânico, mas estava quase se rendendo ao medo. Desceu os degraus lentamente com medo de escorregar. Mas descer lentamente não o ajudou, mesmo assim escorregou, e se chocou violentamente contra cada degrau até parar no primeiro andar.

Mas estranhamente não sentiu nada parecido com dor, apenas começou a ficar com medo ainda mais intensamente. Levantou completamente encharcado do sangue que estava sobre os degraus e sentiu sua mão leve. Sua mão havia se quebrado.

Mas como não sinto nem um pouco de dor?

Isso era humanamente impossível. Como alguém quebra sua própria mão e nem sequer sente dor. Será que me tornei naqueles humanos espetaculares que não sentem dor, Pensou Peter. Mas então se lembrou em que tipo de situação estava. Provavelmente aquele sangue sobre os degraus era de seus pais. Quem seria o próximo a morrer? Obviamente que ele. Começou a tremer de pânico e não reuniu coragem de sequer dar um passo para frente. Embora eu tenha curiosidade de conhecer a morte, não quero fazer isso agora... Preciso sobreviver a qualquer custo, Pensou Peter em meio a uma crise de pânico.

Decidiu fugir pela porta da frente, que se encontrava somente a sete passos à frente da escada. Peter deu um passo à frente, mas o medo ainda o consumia. Medo só existe no coração de quem deseja viver. Após dar os sete passos que lhe pareceram durar horas, Finalmente estava frente a frente com a porta. Encostou a mão na maçaneta da porta e a girou com as mãos trêmulas.

Mas para sua insanidade, tudo que encontrou ao outro lado da porta, foi sua própria sala, como se ao sair da sala por essa porta seria o mesmo de entrar nela novamente. Sua mente se sobrecarregou de pensamentos e pânico. Estou louco, finalmente a insanidade dominou a minha mente... Droga, droga, droga, droga, droga, droga, drogaaaaaaaaa, Pensou Peter com junto a outros pensamentos de medo.

Eis que na sala repetida surge uma criatura com corpo humano e grandes asas negras nas costas e mãos ensanguentadas por sangue negro.

Olá! Eu me chamo... Shini...— Diz a criatura com ar sombrio.

Peter fica paralisado. A criatura parecia flutuar sobre o ar.

A mentira pode às vezes ser uma vertente da verdade... E a verdade em sua maioria, é parceira da mentira. Jamais se esqueça... O que você acredita ser a verdade?

A criatura urra feito um urso pondo a mostra seus dentes afiados e negros. Se atira em direção a Peter. Feito uma águia em direção a sua presa. E o atravessa direto pela barriga, como um avião a jato atravessando uma frágil nuvem.

Tudo se escurece. Gritos altos chegam a seus ouvidos. E Peter acorda ofegante. Os gritos faziam parte do sonho de Peter. Pareciam ter sido de um homem e uma mulher. Peter fica com este psicótico sonho algum tempo em pensamentos enquanto ainda estava sentado com a cabeça encostada no vidro da janela. Já havia amanhecido e a chuva havia parado. Marta bate na porta do quarto.

— Está na hora de ir a sua nova escola! Acorde filho... – Grita Marta ainda sonolenta. – Não pode se atrasar em seu primeiro dia...

— Já irei, Não encha! – Diz Peter com seu sonho ainda o perturbando.

Peter se levanta. Se arruma rapidamente.Toma café da manhã feito um passarinho e se levanta, ele não estava com apetite.

— O que houve Peter? – Pergunta Nicolas estranhando a falta de apetite de Peter. – Você sempre come mais que eu e marta juntos. Por que comeu feito um passarinho hoje?

— Isso não vem ao caso, somente estou sem fome... – Diz Peter arrogantemente.

Mas Nicolas sabia que Peter estava mentindo. Talvez mudar de cidade o deixou triste... Deve estar sentindo falta de seus amigos da outra cidade... Não... Certamente não é por isso, Pensa Nicolas com medo de Peter estar deprimido por causa da mudança. Nicolas tinha facilidade de ver mentiras nos olhos de pessoas. Já estava acostumado com as arrogâncias de Peter. Sabia que retribuir a arrogância de Peter com palavras de sermão mal pensadas ou ameaças, não ajudariam a combater o mau comportamento de Peter. Então simplesmente não alimentava a rebeldia de Peter.

Nicolas sabendo que mesmo insistindo Peter não iria comer mais. Cedeu. Ligou seu carro e o retirou da garagem para levar Peter a sua nova escola. Peter entrou no carro, se sentou no banco da frente e não olhou para Nicolas. Por que ele tem tanta rebeldia? Nunca o espancamos, nunca o repreendemos, somente damos sermões a ele quando extremamente necessário... Simplesmente não entendo... Talvez seja por causa..., Pensou Nicolas tentando pensar no motivo de Peter ser tão frio.

Embora o dia estivesse ensolarado, a cidade de Sky Gray continuava desértica. Não tinha mais do que um ou dois pedestres caminhando. Não se via cachorros nas casas ou nas ruas. Não tinham engarrafamentos ou acidentes. A cidade aparentemente não tinha mais do que dois mil habitantes. Mas por que esta cidade seria tão vazia?

O único lugar que parecia ter uma quantidade expressiva de pessoas acumuladas era a única escola da cidade, Escola Light Of Sky. Era o único lugar da cidade que continha arquitetura moderna. A escola tinha portas e janelas de vidro temperado azul escuro. Três andares. O primeiro andar formado das salas da coordenação, direção e etc. O segundo andar de salas de aula. E o terceiro andar do ginásio, banheiros, dormitórios e depósitos.

Nicolas freia com esmo o carro para que se chamasse a atenção dos alunos que estavam chegando. Nicolas percebe que Peter parecia irritado com a atenção que ele havia conseguido e se desculpa.

— Pouco importa... Não se esqueça de me buscar na hora dessa vez! – Diz Peter com tom mandão.

Mesmo concordando, tem grande chance de Nicolas mesmo assim atrasar. Nicolas sempre buscava Peter atrasado na outra escola, pois não tem boa memória e senso de tempo, para o azar de Peter. As pessoas continuaram a observar Peter até que finalmente entrasse na escola. Aparentemente não se tinha moradores novos nesta cidade há muito tempo.

Olhos curiosos não paravam de incomodar Peter aonde ia. Parecia que não se gostava de coisas novas nesta cidade. Tanto que a renovação da arquitetura da escola ainda causava espanto para muitos. Peter não se sentia incomodado, na verdade, pouco se importava.

Caminhou pelo pátio sem rumo como se procurasse algo, mas na verdade não estava procurando. Até que o supervisor da escola, Rephy Collisk, o parou. Rephy é um homem alto com cabelos negros ondulados e olhos mais negros que seus cabelos preenchidos por ambição a justiça.

— Deve ser Peterson Riddle, me siga. – Disse ele ajeitando sua enorme capa preta que usava frequentemente.

Peter não o respondeu, somente o seguiu até uma escadaria e após a uma sala com porta de ferro branca.

— Aqui é a sala do primeiro ano da qual você foi matriculado, bata e se apresente. Mas devo avisa-lo, não terei pena de você se cometer uma balburdia ou desrespeito ao regulamento da escola mesmo sendo aluno novo, entendeu?

— Perfeitamente – Responde Peter com tom de sarcasmo.

Rephy se virou e partiu. De primeira, parecia que ele não havia gostado nem um pouco do novo aluno. Peter não se importou com o que Rephy o disse, nem sequer havia prestado atenção. Mas não pretendia chamar a atenção para si mesmo. Tudo que queria era ser invisível para os demais alunos. Mas aparentemente não estava conseguindo.

Bateu na porta e ela logo se abriu. O professor que estava dando aula era Cole K. Carson, Professor de Biologia. Cole era mais novo que Rephy, mas era tão magro e alto quanto ele. Cole possuí cabelos castanhos lisos e volumosos com fácil reflexão de luz e olhos verdes como azeitonas.

— Deve ser o famoso aluno novo, como se chama? – Disse Cole curioso.

— Peterson Riddle.

— Interessante! Aposto que todos estão curiosos sobre você, então nos diga mais sobre você, Peterson.

— Sinceramente não me interesso em ter amizades ou colegas, para mim tudo que importa é obter notas necessárias e passar de ano, então quero qu-

— Do que exatamente você se interessa? – Diz Cole o interrompendo.

— Nada em particular, mas tenho certa curiosidade em certos assuntos que não vem ao caso.

— Ok, Pode se sentar misterioso Peterson Riddle. – Diz Cole parecendo achar graça da arrogância de Peter.

Peter se sentou na fileira central atrás de uma garota pálida de cabelos loiros encaracolados com olhos entristecidos. Todos os alunos da sala pareciam estar o observando naquele momento, exceto a garota que estava a sua frente.

— Hoje vamos estudar sobre um assunto curioso, Alquimia. Considerada o inicio do que chamamos de química, estudavam as reações químicas como magia. E acreditavam na possibilidade de transformar substâncias em ouro e na criação do elixir da vida. Mas logo estas teorias foram derrubadas e hoje estudamos química. Mas a regra principal da alquimia era a troca equivalente, que é até uma regra logica.

Peter desinteressado na aula cruzou os braços sobre a mesa, colocou sua cabeça sobre seus braços e observou as nuvens que passavam devagar na janela. E adormeceu. Acordou com uma livrada de Rephy Collisk no último tempo.

— Por acaso dormiu durante todas as aulas? Senhor Peterson. – Diz Rephy.

Peter não o responde. Rephy decide não dar atenção a um verme, segundo ele.

Rephy era além de supervisor, professor de literatura. A aula de Rephy não era nada interessante, era na verdade, muito entediante. Quando Peter pensou em dormir em sala, Rephy tacou um giz certeiramente na sua testa. Impedindo assim que Peter dormisse em sala de aula.

“O Homem que sabe ler, mas nunca leu grandes livros, não tem vantagem alguma sobre o Homem que não sabe ler”.

Esta era frase que Rephy usava para responder as reclamações dos alunos que não queriam ler aos livros que ele os obrigava a ler e fazer resumos para obter média mensal.

O sino finalmente tocou. Desanimado Peter se levantou e caminhou dentre os demais alunos para saída. Tinha certeza que havia ouvido alguém dizer que ele era estranho e depressivo e que a família dele deve ser louca para se mudar para Sky Gray. Peter se perguntou o porquê daquelas afirmações. Como assim loucos?Falou alto, mas não obteve resposta.

Como era de se esperar, Nicolas não o buscou. Peter o esperou por meia hora e se cansou.

— Desgraçado! Toda vez me esquece na escola, ele falou que não ia fazer de novo.

Xingou.

Decidiu então ir caminhando sozinho para casa, já que se orgulhava em se lembrar do caminho de lugares só indo a eles uma única vez. As ruas ainda continham poças de água resultantes da chuva do dia anterior. E não tinha sinal de sequer um aluno ou pessoa nas ruas. O tempo estava nublado e com ventos frios. Será que caminhar sozinho nesta cidade seria perigoso? Perguntou-se Peter. Ainda pensando no que haviam dito.

A família dele deve ser louca para se mudar para Sky Gray”.

Chegou então a uma praça repleta de árvores floridas e gramado verde cinzento. Mas a frente tinha-se uma ponte com aparentemente alguém sentado na extremidade dela. Que estranho... Quem será que está na ponte?

Peter caminhou mais rapidamente por simples curiosidade e percebeu que quem estava na ponte era a garota de cabelos loiros encaracolados que se sentava a sua frente na sala de aula. Ela estava observando as águas gélidas do belíssimo rio azul que passava por de baixo da ponte.

— Não são interessantes – Disse ela – Os movimentos das águas?

— Talvez um pouco... – Respondeu Peter.

— Por que sua família se mudou para esta cidade mórbida?

— Por que pergunta?

Ela pareceu receosa em responder e se silenciou.

— O que faz aqui? Observando os movimentos das águas deste rio.

— Resolvendo certos anseios.

Pensou em ser mais formal e disse:

— Me chamo Peterson Riddle, é um prazer conhecê-la... Como se chama?

Ela gargalhou.

— Não precisa ser formal, Peterson, me chamo Varleny Hoffister. O prazer é todo meu. – Respondeu Varleny sorrindo.

Os dois ficaram em silêncio alguns segundos. Peter estava pensando em se despedir quando Varleny diz:

— Por favor, Sente-se Sir. Peterson.

— Mas pensei que não queria uma conversa formal.

— Estou apenas brincando, seu bobo.

Peter se senta ao lado de Varleny trêmulo de nervosismo inexplicável.

— Por que está tão nervoso?

— Talvez porque você seja uma garota... Não sei... Não sou bom em falar com garotas já deve ter percebido...

— Na verdade você está indo bem... Você poderia responder uma coisa?

— Qual seria esta coisa?

— Pode falar sobre você? Já que você não respondeu ao professor Cole.

— Não vejo importância nisso, Varleny... Por que quer saber?

— Tem razão... Você não é bom de falar com garotas. – Diz Varleny o provocando.

— Hm... Eu sou impaciente, bagunceiro, egocêntrico e não respeito sequer meus pais... Sou um desastre de ser humano. Acho que a minha morte não causará nada mais que felicidade nas pessoas que me conheceram... É embaraçoso dizer meu sonho por isso não vou dizer... – O sonho de Peter é ter uma namorada— E meu maior medo é a morte... Satisfeita?

Varleny parece se entristecer de repente e diz:

— Eu vim aqui por um simples motivo... Não devia ter te envolvido nele, desculpe.

— Qual seria este simples motivo?

Varleny se aproxima de Peter lentamente e o beija graciosamente. Os lábios dela estavam salgados por causa das lágrimas que escorreram pelo seu rosto mais cedo. Parando o beijo, os lábios de Varleny percorreram o rosto de Peter até os seus ouvidos e ela sussurrou:

Adeus... Peterson.

Varlen se jogou da ponte. O tempo parecia passar lentamente. Peter viu Varleny caindo, caindo, caindo. Tinha certeza que via um sorriso. Gritou, mas nada o podia ajudar.

O corpo de Varlen se chocou violentamente com as águas do rio e afundou rapidamente. A cabeça de Varleny se destroçou no fundo do rio com o baque. Varleny começou a boiar na superfície do rio. O rio se tornará de azul para violeta. Varleny foi levada rapidamente pela correnteza. Peter gritou o mais alto que pode. Ninguém parecia escuta-lo. Correu em direção a sua casa com a intenção de pedir ajuda a seus pais. Estava em pânico. Sequer percebia as diversas presenças macabras a sua volta.Correu com a mente repetindo diversas vezes a mesma memória psicótica. Varlen se matando. Varlen se matando. Varlen se matando. Varlen se matando.

De repente estava de noite. A noite havia invadido o dia. Como isso seria possível? Eclipse? Perguntava-se Peter. Chegou a seu bairro. As ruas estavam sombrias. Algumas luzes de diversas ruas não estavam funcionando. Peter mergulhou na escuridão das ruas sem ligar para elas e continuou seu caminho. Estava final na rua de sua casa. Peter percebe que somente a luz da frente de sua casa não estava funcionando. Chegou à frente de sua casa. Sentiu uma sensação horrivelmente assustadora. Lembrou-se então de seu sonho que havia tido na noite anterior.

Trêmulo de pânico com aquela sensação caminhou por dentre o jardim e encostou a mão na maçaneta da porta da frente. Girou a lentamente. E seus olhos tremeram ao ver o que ao outro lado da porta o aguardava.

A casa estava repleta de sangue. Peter teve certeza seus pais estavam mortos. Alguém o chamou sussurrando a suas costas.

Sir. Peterson... Como estás?

Era Varleny psicoticamente pálida e com roupas brancas um pouco ensanguentadas com um brilho branco forte a sua volta. Era um fantasma. Varleny o abraça. Ela estava gélida como neve. Peter começa a chorar intensamente. Gritou.

— Você morreu... Mas que drogaaaa... Não consegui salva-la... Meu maior medo se concretizou...

O maior medo de Peter se concretizara. A morte.

Varleny coloca suas mãos gélidas dentre os dedos de Peter e diz:

— Podemos fazer isso juntos...

O fantasma de Varleny era uma ilusão criada pela mente para conforta-lo diante daquela situação passível a criar insanidade. Peter na verdade entrou sozinho naquele macabro lugar. Mas em sua mente estava entrando junto a Varleny.

Uma doce ilusão.

A casa estava totalmente ensanguentada, parecia que haviam passado sangue a esmo por todas as paredes que eram anteriormente brancas e por todo o chão. Toda a casa estava sombria e com uma neblina gélida. Não achou os seus pais no primeiro andar então decidiu subir as escadas. As escadas e o segundo andar também estava ensanguentado. Caminhou sobre as escadas e chegou ao corredor do segundo andar. Percebeu que uma das portas dos três quartos que se encontravam no segundo andar não estava ensanguentada. Era a porta de seu quarto.

Notas finais
“Peter e sua família mudaram para uma nova cidade. Uma cidade aparentemente desértica e com no máximo dois mil habitantes. A família dele deve ser louca para se mudar para Sky Gray, essas palavras assustaram Peter. Varleny encanta Peter, mas logo a felicidade se torna na mais fria e mórbida tristeza. Varleny se mata por motivos desconhecidos. Peter corre para sua casa, mas tudo que encontra é mais morte. Seus pais aparentemente morreram. Quais os motivos para ninguém querer se mudar para Sky Gray? Por qual motivo Varleny se suicidou? O que se encontra por trás da porta do quarto de Peter?”